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sábado, 29 de julho de 2017

LEITURAS - EM BUSCA DA IDADE MÉDIA

Jaques Le Goff. Em Busca da Idade Média, 3a ed. (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008).

Jacques Le Goff se não é o maior, mas está entre os maiores especialistas em Idade Média do mundo. Dedicou sua vida a esse recorte da história humana que ele não gostava de chamar pelo nome dão: Idade Média. 

Neste livro em forma de entrevista ele responde as perguntas de Jean-Maurice de Montremy, e fala sobre fontes, renascimento, igreja, poder, humanismo, feudalismo, purgatório, economia, e muitos outros temas com a maestria que lhe é peculiar. Fala de seu trabalho, como foram compostos seus livros e como a Idade Média modelou a cultura ocidental. Na opinião dele essa época estudada é muito estranha a nós, mas devemos mais a ela do que queremos admitir. 

Ele analisa seus trabalhos conta como escreveu seus livros e a importância deles. Ele chega a conclusão que somos frequentemente medievais e nos julgamos muito modernos.

A edição da Civilização Brasileira é muito bem cuidada, tem só uma palavra grafada errada na p. 138, mas nada que comprometa. 
Recomendadíssimo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

LEITURAS - IGREJA, MINISTÉRIO, CHAMADO E ORDENAÇÃO

10- livro lido em 2016- IGREJA, MINISTÉRIO, CHAMADO E ORDENAÇÃO. ESTUDOS A PARTIR DE LUTERO (Martin N. Dreher/ Editora Sinodal, Concórdia, 2011).
Lutero em meios chamados "reformados" é um ilustre desconhecido teologicamente. Se incensa o corajoso reformador que enfrentou o poder religioso estabelecido, mas se desconhece a originalidade de sua teologia, principalmente na área da eclesiologia. Fixam-se muito em quem veio depois e copiou o que Lutero desenvolveu, é o mesmo que começar a casa pelo segundo andar. 
Para os curiosos que não se contentam viver um "samba de uma nota só" aqui está uma ótima introdução para a eclesiologia luterana. O que o dr. Luther entendia por igreja, ministério eclesiástico, sacramento e Palavra de Deus, chamado ministerial, ordenação, autoridade e ordem eclesiástica. 
Muitas conclusões vão surpreender modernos crentes (chamados pomposamente de "reverendos") que atacam alguns teólogos modernos como liberais, nem sabem estes modernos "reverendos" que se vivessem no séc. XVI atacariam Lutero, pois o pensamento de muitos "hereges" de hoje é mais luterano que nunca em muitos aspectos. 
O Dr. Dreher dispensa apresentações para o leitor de história da igreja no Brasil, e por ser luterano e dominar o alemão, o livro é todo fundamentado nos escritos originais do reformador. 
A edição é muito bem cuidada como todas das editoras luteranas Sinodal e Concórdia. Assim, está mais que recomendado. E leiam Lutero!

LEITURAS- O LIVRO QUE FEZ SEU MUNDO

9- livro lido em 2016- O LIVRO QUE FEZ SEU MUNDO (Vishal Mangalwadi/ Editora Vida, 2012).
Se você acredita na Bíblia ou se não dá a mínima para ela, esse livro vai transformar sua visão sobre a influência desse livro em praticamente cada aspecto do nosso mundo ocidental. 
Para responder a pergunta como o ocidente é tão mais desenvolvido que o resto do mundo, Vishal Mangawadi parte para uma pesquisa sobre a cultura, e mostra que o fator de desenvolvimento preponderante para os povos é como a cultura foi formada. 
Partindo de sua realidade, a Índia, ele faz uma viagem sobre áreas vitais tipo: Racionalidade, tecnologia, heroísmo, revolução, línguas, literatura, universidades, ciência, moralidade,família, compaixão, riqueza, liberdade, e prova que por trás de tudo isso em países desenvolvidos está a influência direta da Bíblia, e nos países não cristãos que pegaram carona nesse desenvolvimento, ele prova que foram pessoas influenciadas pela Bíblia, ou por culturas bíblicas que levaram o desenvolvimento para lá. 
O livro tem 7 partes, é muito bem documentado, e no final faz um alerta ao Ocidente: Será que ele vai perder sua alma e deixar se perder tudo que conquistou como cultura moldada pela Biblia? Pois a secularização aponta pra isso ultimamente. 
O livro é bem feito, tem uns errinhos de digitação nas pgs. 179, 371, 425, mas nada de mais. 
Quem quiser provar para pseudo intelectual que tenta desfazer da Bíblia, ou fazer dela livro machista, contra o progresso, o seu essencial valor, leia esse livro. 
Recomendo efusivamente.

LEITURAS - LUTERO E A TEOLOGIA DA CRUZ

8- livro lido em 2016 - LUTERO E A TEOLOGIA DA CRUZ (Alister Mcgrath / Cultura Crista Editora , 2014).
Os estudos na obra de Martinho Lutero são fascinantes e quando o historiador é competente fica melhor ainda. Este é um estudo dedicado a examinar a construção da teologia de Lutero. 
Dividido em duas partes:
1) O contexto: Lutero como teólogo da baixa idade media: 1509-1514. Onde se descreve o conceito de justificação diante de Deus da época, o inicio da reforma em Wittenberg, humanismo, nominalismo, a tradição agostiniana. Lutero como teólogo da baixa idade média. 
2) O rompimento: Lutero em transição: 1514-1519. Onde analisa o descobrimento da justiça de Deus por Lutero, acompanha-se seu desenvolvimento teológico com base em seus escritos, e explica-se o que é a teologia da cruz concebida pelo Reformador. 
O livro mostra onde Lutero foi original e onde não foi tão original assim. Mcgrath disseca o pensamento de Lutero, tratando de sua construção e hermenêutica com maestria. Inteiras dos conceitos de teologia do tempo de Lutero e antes, o autor mostra a relação do Reformador com estas escolas de pensamento. O texto é indiscutivelmente o melhor no assunto, todo professor e pesquisador de teologia deveria lê-lo. 
Não é à-toa que o Journal of Eclesiastical History o chamou de "estudo magistral". 
A edição em português tem só um problema de palavra grafada errada na pg. 117, mas nada demais. 
Está recomendadíssimo. 

LEITURAS- O PENSAMENTO DA REFORMA


7- livro lido em 2016- O PENSAMENTO DA REFORMA (Alister Mcgrath/ Cultura Crista Editora, 2014).
Este é hoje um dos melhores livros sobre o tema em nossa língua. 
Quais pensamentos influenciaram os reformadores, o que era o humanismo, escolasticismo, via moderna, via agostiniana moderna. O que a reforma lurerana, radical, zwingliana tinham em comum ou diferente. 
Como as correntes da reforma entendiam igreja, ordenanças, predestinação, justiça pela fé, política. Como se deu a reforma inglesa, que correntes reformadas influenciaram ali. Tudo esta neste livro. 
Além de vários apêndices com fontes primárias de pesquisa, glossário de termos, cronologia, bibliografia selecionada. Completa índice de assuntos.
Tem dois probleminhas de palavras emendadas nas pgs. 263. 290, nada demais. 
Recomendo com certeza.
 

LEITURAS- ORIGENS INTELECTUAIS DA REFORMA

6- livro lido em 2016 - ORIGENS INTELECTUAIS DA REFORMA (Alister Mcgrath / Cultura Crista Editora, 2007).
Este é um daqueles livros "obra única", não tem similar em português. Quem quiser entender os porquês da Reforma religiosa do séc. XVI, quais as escolas de pensamento que formaram Lutero, Zwinglio, Calvino, tem que lê-lo. 
Na parte I "o contexto intelectual", Mcgrath discute em detalhes 1) o contexto intelectual, 2) o humanismo e a Reforma, 3) a Teologia da baixa Idade Média e a Reforma. 
Na parte II "fontes e métodos", ele analisa 1) as Escrituras: tradução, texto e tradição, 2) a interpretação das Escrituras, 3)o testemunho patrÍstico (como os reformadores usaram os Pais da Igreja). Isto porque nas palavras dele: "Qualquer tentativa de compreender a complexidade da Reforma do século 16 deve inclir um envolvimento sério com as ideias por trás dela" (p. 13). 
Todos os assuntos são discutidos com muita competência e abundância de fontes. Entenderemos como Lutero e seus pares não foram tão inovadores assim, pois muitas de suas ideias ja estavam em voga antes deles. 
Para uma 2a ed. A editora deve fazer uma revisão geral, pois o livro tem muitas falhas, palavras erradas como "introdução" em todas as primeiras pgs; a nota 2 na p. 12 está 1 (e eu não conferi as outras notas); bem como muitas palavras divididas errado (ex. pgs. 46, 48, 49, 50, 55, 56, 58, etc). Na pg. 25 o revisor deixou escapar "falta um trecho aqui", na pg. 181 o verbo determinar está escrito "determina", na pg. 179 o revisor ia citar uma pg. e deixou só o espaço em branco; enfim são muitos erros, e olhe que na ficha constam 2 revisores. 
Além do que o livro tem muitas notas (69 pgs.) e todas elas foram colocadas no final, assim o leitor tem que ficar indo para o final a leitura toda para consultar as notas, outra uma falha grave. Recomendo muito pelo valor do conteúdo, fico triste pelo descuido da edição. 

LEITURAS- SÍMBOLOS CRISTÃOS PRIMITIVOS

5- livro lido em 2016 - SÍMBOLOS CRISTÃOS PRIMITIVOS (Jean Daniélou /Kuarup, 1993).
Daniélou já era meu conhecido, mas sinceramente não esperava uma leitura tão maçante. O autor se propõe a mostrar como alguns símbolos entraram na tradição da cristandade (como sinal da cruz, a palma e a coroa, a videira e a árvore da vida), mas para fazer complica demais. 
É tudo muito fundamentado em alegorias, interpretações fantasiosas, conjecturas incertas. Além do mais o autor por ser Católico Romano sacramentalista (nada contra autores Católicos, pois tenho muitos livros desta tradição) onde tem pão, ele vê Eucaristia, onde tem água, ele vê batismo. 
Este é um daqueles livros que quem lê termina porque não deixa livro pela metade. Sinceramente não recomendo, você tem muito mais coisa boa para usar seus olhos. 
Uma das bolas fora de que tem biblioteca. 

LEITURAS - A HERESIA DA ORTODOXIA

4-livro lido em 2016 - A HERESIA DA ORTODOXIA (Andreas J. Köstemberger, Michael J. Kruger / Vida Nova, 2014).
Na década de 30 um lexicógrafo chamado Walter Bauer disse que no início o cristianismo era uma mistura, não havia uma doutrina ortodoxa, mas uma variedade imensa. E como foi que a doutrina majoritária que se conhece hoje apareceu? Segundo ele foi um arrumadinho de alguns teólogos influentes que conseguiram desbancar as correntes de pensamentos contrárias. O que se tem hoje como doutrinas capitais do Cristianismo e como Novo Testamento é o produto de conchavos entre imperadores e bispos. Já ouviu isso, pois se não ouviu vai ouvir, filmes como O CÓDIGO D'AVINCI, e os livros de Barth-Ehrman, e #elainepagels são populares. 
No Brasil editoras como Editora Record , Editora Objetiva publicam estes autores, pois dão lucro. Mas, convenientemente não publicam os livros que destroem os fracos argumentos levantados por eles, mostram só um lado do jogo. Mas, felizmente temos outras poções, e aqui está uma delas. 
O livro tem 3 partes: 1. A heresia da ortodoxia: o pluralismo e as origens do NT. Onde a tese do Cristianismo plural é analisada, e partindo do NT mostra-se como tal discurso é equivocado, pois o NT, a patrÍstica, mostram uniformidade doutrinária. 
2. A escolha dos livros: uma investigação da formação do cânon do NT. Onde é provado que o cânon estava sendo formado desde o século I, a ideia da coleção de livros inspirados o igreja traz dos judeus, pois o AntigoTestamento era a fonte de referência inspirada usada pela Igreja Primitiva, analisa-se porque diversos livros apócrifos não entraram no cânon, como os pais da igreja encaram o caso; 
3. Mudanças no relato: manuscritos, escribas e transmissão textual. Esta uma das partes mais importantes onde se mostra a confiança nos textos do NT que temos hoje, mostram a posição dos escribas, e desmantela-se o mito das variantes textuais como problema para a confiança no texto bíblico. 
Parabéns a Editora Vida Nova pelo livro, numa próxima edição coloquem um índice remissivo, o livro merece.

LEITURAS- MINISTRANDO COMO O MESTRE

3-livro lido em 2016 - MINISTRANDO COMO O MESTRE (Stuart Olyott/ Editora Fiel, 2005).
Aqui está um daqueles livros necessários para todo aquele que faz uso da palavra de Deus em suas atividades de pregação e ensino. Stuart se propôs a fazer um livro simples (aliás, ele é um velhinho muito simples) que ensinasse o método de Jesus, a didática do Mestre em sua vida de pregação. 
O método consiste numa tríade, muito bem demonstrada com exemplos do Sermão do Monte, cujos elementos são: Explicar - Ilustrar - Aplicar. O autor consegue mostrar que Jesus sempre usa esse método quando ensina. 
Em meio a isso o autor vai demonstrando a forma como Jesus ensinava, o jeito como falava, seus usos de períodos e frases, ilustrações, modos de aplicação. Este é o assunto de todo primeiro capítulo: Nosso Senhor não era um pregador enfadonho. 
Nos dois capítulos finais (Nosso Senhor era um Pregador Evangelista, Nosso Senhor não era apenas um Pregador), com muita habilidade ele comenta textos do evangelho que mostram como Jesus pregava, e um dia na vida do Mestre. 
Para uma próxima edição a editora deveria mudar papel do miolo que é de péssima qualidade. Um livro tão valioso não pode sair num papel desse tipo. As vezes fazem livros de acabamento tão rebuscado e um conteúdo fraco, no caso desse aqui o conteúdo é ótimo, enquanto o acabamento é ruim. 
No mais, comprem não se arrependerão.

LEITURAS- SURPREENDIDO PELAS ESCRITURAS

2-  livro lido em 2016- SURPREENDIDO PELAS ESCRITURAS (N.T. WRIGHT/ Editora Ultimato, 2015). 
Este é um livro onde Wright trata de teoria da evolução ao valor da arte. Passando por temas como ordenação de mulheres, historicidade de Adão, veracidade da ressurreição, ecologia, política, e o problema do mal. Muito perspicaz, o que faz dele o mais respeitado erudito em NT atual, e professor de Harvard, Cambridge, Oxford, Gregoriana de Roma, e Hebraica de Jerusalém, Wright merece ser ouvido ao tratar desses assuntos. 
Em todo livro o autor vai mostrando como a Bíblia pode ser aplicada a temas que as vezes nosso cristianismo pietista e alienado (muito do mundo das fantasias) nem imagina. A sua leitura da cultura moderna e como a Bíblia pode ser aplicada a ela deve ser estudada por quem se diz cristão e principalmente quem tem o poder da fala para outros. 
O climax do livro é um chamado à esperança, coisa que a Teologia Dispensacionalista tão difundida em nosso país, com seu afã de abandonar o mundo é ir para um céu distante, atrapalha. Para ver, preservar, e cuidar da beleza da criação de Deus temos um desafio: "O desafio de algo apocalíptico, para qualquer cristão sério, qualquer leitor atento ao Novo Testamento, é se - e, nesse caso, como- podemos resgatá-lo da escola filosófica do "deixados para trás", cujos adeptos esperam o arrebatamento no qual irão para o céu, abandonando este mundo de uma vez por todas" (p. 191). 
Para uma segunda edição fica anotado que revisem a p 53, onde no 2° parágrafo aparece "éprovável", a p. 105, onde a palavra grega está grafada errada no 1° parágrafo, a p. 179 na citação de Colossenses a palavra "deus" está com d minúsculo, e a 2a linha da p. 199 está estranho: "a mesma medida de seus que se espalham...". A que se refere "seus" ? 
Mas, isso não compromete o livro que é ótima leitura para quem gosta de coisas inteligentes.

LEITURAS - SOB OS CÉUS DA ESCÓCIA, vl. 1.

1- livro lido em 2016- SOB OS CÉUS DA ESCÓCIA (Renato Cunha/ EditoraReflexão, 2015). 

Este texto se propõe a mostrar que na história dos teólogos chamados reformados da Escócia aconteceram muitos fenômenos espirituais, com destaque para muitas revelações, o que se chama profecia modernamente. O livro cumpre o que se propõe citando muitas fontes históricas para confirmar os fatos. É mais uma arma no arsenal contra a teologia cessacionista (os que dizem que Deus não concede mais dons para ninguém na igreja hoje), e se junta com títulos como: O DOM DE PROFECIA NO NOVO TESTAMENTO E HOJE (Wayne Grudem/ Vida), e SURPREENDIDO PELA VOZ DE DEUS/ Jack Deere/ Vida). 
Para uma segunda edição recomenda-se uma revisão, pois quem lê sai com a impressão que o livro é uma parte de uma monografia, que foi cortada sem atenção, além de ter referências bíblicas erradas bem como muitos erros de metodologia nas citações. 
Mas, esses senões não atrapalham o entendimento na leitura do livro. Recomendo, pois num pais onde a literatura cessacionista faz a festa mostrando parcamente só um lado da moeda, livros como esse vêm contrabalançar o debate e mostrar que nem só da exegese tendenciosa de John MacArthur e cia limitadíssima vive o estudioso tupiniquim.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

MISSA DO GALO; NÉLIDA PINÕN E MACHADO DE ASSIS


O conto Missa do Galo de Machado de Assis foi publicado em 1863, em 1869 foi recolhido no volume Páginas Recolhidas[1]. Este conto recebeu um novo olhar de outros escritores brasileiros[2]entre eles Nélida Pinõn cuja releitura é o objeto desta análise.
O conto de Nélida Pinõn é narrado em primeira pessoa por Menezes (Chiquinho), o marido de Conceição. A ação se passa em um curto espaço de tempo, uma parte de uma noite. Tem como assunto as reminicências em uma noite de Natal de um homem de meia idade[3], o Menezes, que à mesa com a família medita sobre a brevidade de sua vida, passando um pouco de sua história a limpo. Ele reflete sobre o pouco tempo que lhe resta ara viver: “o tempo esgota-se sem cerimônias”, sua família e negócios, bem como seu caso amoroso extraconjugal e sua queda por mulheres. Ele chega a admitir: “Sou o primeiro a aceitar que muito excedi-me no trato com as moçoilas...”. O tema central da trama é a vida familiar de um homem que sente que pouco tempo lhe resta para viver. A idéia que a leitura de tal história nos transmite é a de que quando o ser humano sente que não tem muito tempo de vida, passa a procurar viver o pouco tempo que lhe resta de uma maneira que possa desfrutar cada momento, mesmo que esse prazer não seja da maneira mais certa. Se lança numa busca desenfreada pela vida. O Menezes parece ter um desejo imenso de aproveitar seus dias nos braços de Pastora, a amante, a corre atrás de outras mulheres em um desejo forte de conquistas: “ciente do quanto os dias se encurtam, lanço-me agora, e com mais desenvoltura, aos gostos que se provam nestas desventuras”.

Nélida Pinõn

Escrevendo usando um estilo parecido com o autor original, assumindo traços do seu estilo numa espécie de pastiche,
[4]Nélida usa o recurso da intertextualidade fazendo referências diretas ao conto de Machado. Os personagens de Machado aparecem na obra de Nélida: Menezes, seu hóspede o jovem Nogueira, parente de sua primeira esposa, a esposa Conceição, que em Machado parece ser uma mulher sedutora, mulher que deixa Nogueira encantado, sabe-se se lá se por sua pouca idade, dezessete anos, trazendo-lhe sensações: “Pouco a pouco, tinha-se inclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas, as mangas, caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muitos claros, e menos magros do que se poderiam supor. A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande... Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me”. Em Nélida esta mulher é apresentada como quase desinteressante, Menezes chega a dizer: “E não é feia, a minha Conceição. Ocorre apenas que os mesmos encantos que em outra mulher reluzem firmemente, nela, por mistério que não explico, simplesmente empalidecem...Se ao menos Conceição soubesse sorrir!” Motivo que o Menezes apresenta como desculpa para seus casos. Voltam a aparecer no conto de Nélida, D. Inácia e o escrevente juramentado da empresa de Menezes. Ela também faz referência aos romances Três Mosqueteiros e A Moreninha como no texto de Machado. Nélida vai além ao fazer uma apresentação mais longa de Pastora, do escrevente juramentado e de Nogueira. Este faz perguntas ao Menezes sobre sua mulher, elogia a mesma, parece ter cuidados com ela. Em Machado este homem se casa com Conceição no final quando ela fica viúva de Menezes. Aí se entende as várias referências do Menezes no conto de Nélida para com a brevidade da vida e o pouco tempo que ele acha que lhe resta a viver. E também pode está aí o motivo para a construção da seguinte frase que Nélida coloca na boca de Menezes acerca de seu escrevente juramentado: “Adivinha-me ele as fraquezas”. Ironia da autora? Ele viria a casar com Conceição. Na história de Machado, Menezes sai de casa para seu encontro amoroso de sempre, Nélida o faz dizer que este encontro será com um vizinho. Já no texto de Machado quem tem um encontro marcado com um vizinho é Nogueira que está a esperar que chegue a hora para irem juntos a Missa do Galo, sendo este o enredo do seu conto. Nota-se também que em Machado o Menezes sai logo no início, e em toda a história está ausente, já no texto de Nélida ele só sai no final.
O leitor tem a impressão de que parece que Nélida quis fazer sua história se passar nos momentos que correspondem ao tempo em que o Menezes ainda está em casa, isto é, os primeiros momentos do conto de Machado. É como se a história de Nélida acabasse quando a de Machado ainda vai começar, pois o pontapé inicial do texto machadiano é: “Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro.”
Estaria Nélida apontando com isso para o fato de que Menezes não estava vivendo a sua história? Quem sabe...

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NOTAS

[1] Para o texto de Machado veja: Contos Escolhidos. São Paulo: Martin Claret,2001.
[2] Para o texto de Nélida veja: TELLES, Lygia Fagundes, etc e tall. Missa do Galo: Variações sobre o Mesmo Tema. Rio de Janeiro: José Olympio, 2008.
[3] Nélida coloca na boca de Menezes as seguintes palavras: “Com mais freqüência agora apóio na bengala encastoada a conversar com os amigos na esquina do ouvidor.”
[4] Pastiche: “Obra literária imitada suavemente de outra”. Novo dicionário Básico da Língua Portuguesa Folha/Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

PERDÃO


Perdão não é o mesmo que tolerância. Não é sinônimo de inclusão. Não é indiferença, seja ela pessoal ou moral. Perdão não significa que não levamos o mal a sério. Para começar, implica uma determinação em dar nome ao mal e envergonhá-lo. Sem isso, não haverá o quê perdoar. Além disso, perdão quer dizer que estamos determinados a fazer tudo que está ao nosso alcance para retomar um relacionamento adequado com o ofensor depois que o mal foi tratado. Por fim, significa que decidimos, em nossa mente, que não permitiremos que o mal determine o tipo de pessoa que seremos. É isso o que significas perdão. É algo difícil de praticar e de receber-e difícil também no sentido de que, uma vez em prática, ele é poderoso; diferente da falsa tolerância, que se limita a seguir a lei da menor resistência.


N. T. Wrigth, em O Mal e a Justiça de Deus, p. 134.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A CABANA, LI E GOSTEI.



Como num romance um Deus risonho aqui passou” (14 bis).

Não resisti a propaganda, comprei e li A Cabana de William P. Young. O livro tem seus altos e baixos que passo a destacar agora.



Problemas:

a) Na tradução existe um troca-troca entre as palavras “rezar” e “orar”. Saber-se que o livro é escrito num contexto evangélico, o homem vai ao culto (22), existe a menção a Escola Dominical (89), portanto a palavra que se espera para a conversa com Deus é “oração” e não “reza”. Mas, o tradutor usa as palavras como se fossem sinônimas em todo livro (22, 23, 32, 34, 39, 44, 46, etc).

b) A idéia de livre-arbítrio está presente nas palavras de Jesus a Mack, personagem central, dizendo que ele só deve fazer o que quiser (80), mas é contrabalançada com a idéia do controle de Deus de tudo que há (84-85).


c) Existe o tropeço feio quando no capitulo 11, a idéia de que todos são filhos de Deus é apresentada (a mesma coisa acontece na página 209), mas a Bíblia claramente afirma que todo são criaturas e só passam a ser filhos quando aceitam a Jesus Cristo (Jo. 1:11-12; Gl. 3:26).

d) Vejo uma bela oportunidade perdida de explicar o evangelho bíblico; pecado, arrependimento, sacrifício de Cristo, quando o personagem principal do livro pergunta como pode fazer parte da igreja (165). Mas não é explicado.


e) Nas páginas 168-169 aparece um conceito totalmente estranho ao Novo Testamento onde Jesus parece dizer que não importa de que religião você faça parte, e bota no mesmo saco, Protestantes, Mórmons, Budistas. Não fica claro se Jesus diz que vai buscar os seus nestes lugares, ou se que nesses lugares estão os que lhe servem. Se assim for é um universalismo cego e herético, que não tem nada com a mensagem do Jesus do Novo Testamento.

f) O pecado é um assunto surpreendentemente ausente de todo livro.

g) O arminianismo surge na página 180, quando Deus diz que a morte de Jesus só fez abrir uma porta, mas sua objeção não foi objetiva, ou seja, Ele fez sua parte, agora você deve fazer a sua para ser salvo. Sua morte salva, mas não salva. Não é um ensino Protestante.




William P. Young


h) Também aparece o estranho ensino na página 209 de que todos os seres humanos estão perdoados pelo sacrifício de Jesus. Ora, isso é uma contradição, pois se todos estão perdoados porque não estão todos salvos, já que para o autor do livro o perdão livra do julgamento (210).


Recomendações:

a) Tirando estes senões que não passam despercebidos a um leitor atento, mais experimentado teologicamente, o texto é muito bem escrito, não um composto de frases soltas, cumpre o objetivo de prender o leitor.
b) O Jesus que o livro mostra é o mais perto do Jesus da Bíblia em minha opinião que já vi, Ele é um homem que ri, brinca, se diverte, aconselha, ama.

c) Jesus diz que o céu é realmente o universo purificado (164), nada como aquela imagem e ruas de ouro, pessoas de branco sentadas em nuvens, etc. Isto é só um símbolo. E isso eu acredito certamente.

d) Mack ao encontrar três pessoas na cabana onde supostamente acharia Deus, e sendo estas três pessoas duas mulheres (Deus e o Espírito Santo) e um homem (Jesus) pode surpreender. Mas, quando ele pergunta qual dos três é Deus, os três respondem em uníssono “EU”. Mostrando assim o seu conceito ortodoxo da triunidade de Deus (73,91). E também o autor deixa claro que na cruz Deus estava em Jesus e por isso também tem as marcas dos cravos também (86).

e) Apresentar Deus como uma negra gorda e sorridente, que é bem humorada e dança ao som de um walkman enquanto conzinha certamente é moderno e eu gosto (80-810.

f) O jeito de ver os símbolos do Apocalipse também é muito interessante (164).


Assim, apesar destes atropelos que citei antes eu recomendo a leitura do livro efusivamente. É um ótimo romance, com final surpreendente e uma mensagem cristã maravilhosa capaz de levar as lágrimas. Merece o sucesso, e merece ser lido por você

terça-feira, 7 de julho de 2009

A PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO DE KARL BARTH, UMA LEITURA.

BARTH, Karl. A Proclamação do Evangelho. São Paulo: Novo Século, 2001.

Karl Barth
Karl Barth foi um dos maiores teólogos do mundo, levando-se em conta as tradições Ortodoxa, Católica Romana e Protestante. Considerado um renovador da Teologia evangélica, ele com a publicação em 1919 de célebre Der Römerbref (um comentário a carta de Paulo aos Romanos), deu novos caminhos ao saber teológico e protagonizou o sistema que o tem como ícone principal: a Neo-ordoxia ou Teologia Dialética. Ele já foi o teólogo protestante mais admirado por cerca de três décadas[1]
Nascido na Basiléia, Suíça, em 1886, Barth morreu nesta mesma cidade em 10 de Dezembro de 1968. Pertencia a Igreja Reformada da qual foi pastor por 12 anos, e manteve uma vida acadêmica como professor em universidades por 40 anos.
[2] De uma vasta produção teológica, na qual se sobressai a sua Dogmática Eclesiástica, Barth deu os rumos da Teologia de sua época.,
A Proclamação do Evangelho é um opúsculo dirigido originalmente para pastores e composto de uma introdução feita pelo autor em 1961; um artigo intitulado “O Falso Profeta”, onde ele afirma que o falso profeta é o pastor que tenta agradar a todos em sua pregação tentando disfarçar a realidade. Não se deve confundir isso com a atitude do pregador que tenta saber o que a sua congregação precisa ouvir, pois para Barth o pastor deve procurar “escutar’ o coração do seu povo (p.47); e mais três capítulos.
1- Em “Definições Fundamentais da Pregação” Barth afirma que a pregação é a palavra de Deus pronunciada por ele mesmo. Ela é fruto da ordem dada à igreja de servir à Palavra de Deus. Por isso a pregação é em si: A Palavra de Deus e a palavra humana.
O discurso da pregação é livre, pessoal. Não é nenhuma exegese. O pregador diz a palavra que ouve no texto da Escritura, tal como ele mesmo a recebe. Isto porque na pregação Deus se faz ouvir; é Ele quem faz e não o homem. Este último só anuncia que Deus vai dizer alguma coisa (p.16). Isso é estranho, pois Barth recomenda o trabalho exegético na página 40, e muito rigor no estudo da preparação do sermão.
2- Na segunda parte que tem por título “Caracteres Essenciais da Pregação”, Barth afirma que a pregação deve confirmar-se à revelação. O papel da pregação não consiste em revelar a Deus ou em servir-lhe de mediador. Deve respeitar o fato de que o próprio Deus tem se revelado (p.17).
Aqui ele faz uma afirmação estranha, a de que a pregação não deve pretender ser a transmissão da verdade acerca de Deus (17). Ora, se a pregação não pretende ser a verdade, qual a sua utilidade? E porque tanto rigor e imparcialidade com o texto bíblico?Barth também diz que não temos, tampouco, que expor a verdade divina sob uma forma estética por meio de imagens inúteis ou apresentando Jesus Cristo por meio de efusões sentimentais.
A pregação deve conformar-se à revelação (p.20). Tem um ponto de partida único, a saber, Deus tem-se revelado. Assim é necessário dizer também que ela tem igualmente um ponto único de chegada, o cumprimento da revelação, da redenção que vem ao nosso encontro (p.21)
Para Barth o lugar da pregação é a igreja, isto porque ela está ligada à existência e à missão da igreja. É assim porque na igreja, onde ressoa a Palavra da reconciliação, todas as outras relações aparecem como manchadas de impureza, contaminadas, submergidas na esfera da queda e, como tais, condenadas. Quando é conforme ao que Deus tem nos revelado, a pregação cria a reconciliação. Só porque ressoa esta chamada e porque os homens podem escutá-la é que existe uma igreja. Assim, o caráter eclesiástico da pregação deriva-se imediatamente de sua conformidade com revelação Porque não se pode saber o que é a pregação, sem sabermos o que é sacramento (pp.24-25). Barth faz uma afirmação eu diria perigosa na página 25, quando diz que “só há pregação, no sentido exato do termo, ali onde o sacramento a acompanha e a esclarece”. Fazendo assim a pregação depender do sacramento, quando o contrário é que deve acontecer, a pregação é quem esclarece a ordenança. E ele entende assim, pois inexplicavelmente, na mesma página faz a seguinte observação: “A pregação é o comentário, a interpretação do sacramento; tendo o mesmo sentido que este, porém, em palavras” (p.25).
Barth dá muito valor ao sacramento, para ele o batismo confirma o pertencer de um homem à igreja, e se o batismo caracteriza o acontecimento que está no ponto de partida, a ceia é, por sua vez, o sinal do mesmo acontecimento. Tanto valor é dado ao sacramento por Barth que ele chega a dizer que os Católicos Romanos têm muito a ensinar aos Protestantes em tal assunto (p.27).
Na ótica de Barth, a Igreja não é uma instituição destinada a manter o mundo no caminho reto, daí que a pregação para Barth devia ser essencialmente doutrinária. (p.30), e deve também fidelidade apostólica, o que para Barth seria o pregador ter consciência das debilidades inerentes a sua ação (p. 35). E isso faz a pregação ter um caráter provisório, pois é uma ação humana e manchada pelo pecado, e os nossos meios humanos sempre serão insuficientes (p 37).
Voltando ao aspecto da pregação que é sua fidelidade as Escrituras, Barth ainda afirma que a mesma consiste em uma explicação das Escrituras, e deve se ater só as mesmas. Para o teólogo de Basiléia, explicar as Escrituras seria repeti-las (p. 40), mas isso não sem um sério trabalho exegético, o que para o nosso autor deveria fazer o pregador ter em conta até as línguas originais, pois é ali que o mesmo deve ler seu texto. E sendo fiel as Escrituras, o pregador não deve se considerar um iluminado cheio de idéias pré-concebidas (p.43), deve beber só do texto e ser original, sendo sua palavra a de um homem de hoje, palavra cuja responsabilidade ele assume (p.44), sem imitações.
Esta pregação deve adaptar-se a comunidade, porque o pregador é um corpo com ela e está no seu nível. Deve ter tato sabendo o que deve dizer a cada pessoa da comunidade para a qual prega (pp.46-47).
3- Na terceira a última parte que leva o titulo: “A Preparação da Pregação”. A escolha do texto é colocada como algo de muita importância pelo autor, por isso não se deve escolher arbitrariamente, ou segundo os desejos do pregador. Também se deve evitar textos demasiadamente curtos, os fáceis e as alegorias. O pregador não deve fazer da pregação um discurso utilitário, nem ser temático, pois, quando a pregação é temática quem domina são os gostos do pregador e não o texto (pp.49-51).
Para preparar a pregação deve-se dar a máxima prioridade ao texto, observar seu contexto, suas idéias; o pregador deve fazer uma análise geral. É necessária uma atualização do texto, mas nem sempre (p.56).
Nas páginas. 56-61 Barth dá três exemplos de esquemas de sermões expositivos, muito simples por sinal, para depois dizer que a pregação dever ser escrita palavra por palavra dada a sua importância. (pp.64-65).
Quanto a se a pregação dever ter ou não introdução, Barth diz que não é necessário, pois elas mais despistam do que ajudam (p.66). E para os que advogam que a introdução atrai a atenção do ouvinte para Palavra, o autor diz que quem conhece a teologia dos reformadores sabe que quem atrai é Deus e mais nada (p. 67). Coisa que está mais de acordo com as Escrituras do que muitos livros de Homilética de certos reformados. Assim, deve o pregador ir de verso em verso expondo os mesmos a medida de sua importância, e nem sempre deve ter uma conclusão, mas o pregador deve parar quando o texto parar (p.68).
A Proclamação do Evangelho de Karl de Barth tem seu valor o tocante ao alto conceito e apego que o mesmo tem para com as Escrituras, coisa que os livros da matéria devia se preocupar mais, mas quanto ao seu apego demasiado aos sacramentos quase os colocando acima da Palavra, e o seu rigor quanto a imparcialidade do pregador frente ao texto levando o mesmo a escrever seu sermão palavra a palavra, tornando a espontaneidade algo a ser condenado (p. 65), o livro deixa a desejar. Não é preciso tamanho engessamento para se pregar um sermão. Acho que quanto a ciência da pregação e seu conceito reformado, existem no mercado outras obras mais úteis como: Pregação e Pregadores do Dr. Martyn Lloyd-Jones, ou O Perfil do Pregador de John Stott, ou A Importância da Pregação Expositiva para o Crescimento da Igreja, de Hernandes Dias Lopes. Quanto A Proclamação do Evangelho vale a leitura a título de conhecimento e pelo grande teólogo que Karl Barth foi.


NOTAS
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[1] MONDIN, Batista. Os Grandes Teólogos do Século XX, vl 2 (São Paulo: Paulinas, 1987), p. 13.
[2] Ibid, p. 22. Para detalhes sobre a vida e obra de Karl Barth veja: FERREIRA, Fraklin. Karl Barth: uma introdução à sua carreira (FIDES REFORMATA, VIII. N° 1, (2003): 29-62.
NÃO PARE AQUI VÁ PARA OS TEXTOS MAIS ANTIGOS.