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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

IDE E FAZEI DISCIPULOS

Por R. C. Sproul


Um dos momentos mais emocionantes da minha vida foi quando me converti a Cristo. Eu estava cheio de zelo por evangelismo. No entanto, para minha grande consternação, quando contei aos meus amigos sobre minha conversão a Cristo, eles acharam que eu estava louco. Eles acharam aquilo tragicamente curioso e não se convenceram, apesar de eu haver compartilhado o evangelho com eles. Finalmente, eles me perguntaram “Por que você não começa uma turma e nos ensina o que aprendeu sobre Jesus?”. Eles falavam sério, eu fiquei exultante. Nós programamos um horário para nos encontrarmos, mas eles nunca apareceram.

Apesar do meu desejo profundo por evangelismo, eu era um fracasso nisso. Pude constatar isso no início de meu ministério. Contudo, também descobri que existem muitas pessoas a quem Cristo chamou e a quem ele tem dado dons através de seu Espírito para serem particularmente eficazes no evangelismo. Ainda hoje, fico surpreso se alguém atribui a sua conversão em alguma medida à minha influência. Em um aspecto, fico contente que a Grande Comissão não seja uma comissão principalmente para o evangelismo.

As palavras que precederam a comissão de Jesus foram estas: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mateus 28.18). Então, ele prosseguiu: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (v. 19). Quando Jesus deu esta comissão para a igreja, ele estava falando de uma posição de autoridade. Ele deu um mandato para a igreja de todas as eras não apenas para evangelizar, mas para fazer discípulos. Isso levanta uma questão importante: O que é um discípulo?

A definição mais simples de discípulo é alguém que direciona sua mente para um conhecimento e conduta específicos. Assim, podemos dizer que um discípulo é um aprendiz ou pupilo. Os filósofos gregos Sócrates, Platão e Aristóteles tinham discípulos. Sócrates se descreveu como um discípulo de Homero, que ele considerava como o maior pensador da história grega.

Nós tendemos a pensar em Homero mais como poeta do que como um filósofo. Mas Sócrates o via como o mestre supremo da Grécia antiga. Sócrates tinha seu próprio aluno, seu principal discípulo, cujo nome era Platão. Platão tinha seus discípulos, sendo o principal deles Aristóteles. Aristóteles também tinha seus discípulos, sendo o mais famoso Alexandre, o Grande. É surpreendente pensar sobre como o mundo antigo foi dramaticamente moldado por quatro homens: Sócrates, Platão, Aristóteles e Alexandre, o Grande. Na verdade, é quase impossível compreender a história da civilização ocidental sem compreender a influência desses quatro indivíduos, que por sua vez foram cada um discípulos do outro.

Aristóteles era conhecido como um filósofo “peripatético”. Ou seja, ele era um professor nômade que andava de lugar em lugar, sem ensinar em um local fixo. Os alunos de Aristóteles o seguiam enquanto ele caminhava pelas ruas de Atenas. De certa forma, os discípulos de Aristóteles viviam a vida com ele, aprendendo com ele no curso de uma rotina diária normal.

Estes conceitos ajudam a iluminar a natureza do discipulado. Entretanto, eles não conseguem captar toda a essência do discipulado bíblico. O discipulado bíblico envolve andar com o professor e aprender com as suas palavras, mas é mais do que isso.

Jesus era um rabino e, claro, o mais importante professor “peripatético” e fazedor de discípulos da história. Onde quer que andasse, seus alunos o seguiam. No início do ministério público de Jesus, ele escolheu indivíduos particulares para serem seus discípulos. Eles foram obrigados a memorizar os ensinamentos que ele falava ao caminhar. Além disso, as pessoas não enviavam uma inscrição para ingressar na Escola de Jesus. Jesus selecionou seus discípulos. Ele ia até os potenciais discípulos onde eles estivesse e lhes dava esse comando simples: “Segue-me”. O comando era literal: ele os chamava a abandonar seus deveres atuais. Eles tinham que deixar seus trabalhos, suas famílias e seus amigos para seguir a Jesus.

No entanto, Jesus era mais do que apenas um professor peripatético (itinerante). Seus discípulos o chamavam de “Mestre”. Todo o modo de vida deles mudou porque eles seguiram a Jesus não apenas como um grande professor, mas como o Senhor de todos. Essa é a essência do discipulado: submissão total à autoridade de Cristo, aquele cujo senhorio vai além apenas da sala de aula. O senhorio de Jesus abrange toda a vida. Os filósofos gregos aprenderam com seus professores, mas então buscavam aprimorar esse ensino. Os discípulos de Cristo não possuem mandado ou autorização para isso. Somos chamados a compreender e ensinar apenas o que Deus revelou através de Cristo, incluindo as Escrituras do Antigo Testamento, pois elas apontam para Cristo, e as Escrituras do Novo Testamento, porque são as palavras daqueles a quem Cristo designou para falar em seu nome.

A Grande Comissão é o chamado de Cristo a seus discípulos para estenderem sua autoridade sobre todo o mundo. Devemos compartilhar o evangelho com todos, para que mais e mais pessoas possam chamá-lo de “Mestre”. Esse chamado não é simplesmente um chamado para o evangelismo. Não é apenas um chamado para conseguir membros para as nossas igrejas. Em vez disso, Cristo nos chama para fazer discípulos. Discípulos são pessoas sinceramente empenhadas em seguir o pensamento e a conduta do Mestre. Tal discipulado é uma experiência vitalícia de aprender a mente de Cristo e seguir a vontade de Cristo, submetendo-nos em plena obediência ao seu senhorio.

Assim, quando Jesus nos diz para ir a todas as nações, devemos ir por todo o mundo com a agenda dele, não a nossa. A Grande Comissão nos chama para trabalhar com outros crentes na igreja a fim de produzir discípulos e inundar este mundo com cristãos inteligentes e articulados que adoram a Deus e seguem a Jesus Cristo apaixonadamente.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O MAIOR GRITO DO BRASIL “INDEPENDENCIA OU MORTE! ” (D. PEDRO II) E O MAIOR GRITO DO MUNDO: “ESTÁ CONSUMADO! ” (JESUS CRISTO, Jo. 19.30).



Por Joelson Gomes


No dia sete de setembro, em todo Brasil, ao tropel de pés descompassados, as bandas marciais fazem ecoar seus surdos (tum, tum, tum, tum), e vozes e mais vozes cantam “Ouviram do Ipiranga às margens plácidas / De um povo heroico um brado retumbante”. São as comemorações da “independência” do Brasil gestada no grito de D. Pedro II: “independência ou morte! ”, em 1822. O Brasil se viu livre do peçonhento e atrasado colonizador português (se bem que passou a ser “colônia” de outros países como: França, EUA, mas isso é outra história). E esse foi e continua sendo para muitos o mais importante grito do Brasil.



                Mas, há mais de 2000 anos, num lugar feio, fora dos muros de Jerusalém, alguém deu um “grito” de independência muito maior do que o de D. Pedro II. Não uma independência fictícia como a do Brasil. Não de uma independência que pudesse ser desfeita a qualquer momento. Não de uma independência material. Mas, de uma independência espiritual que dá a todos que dela participam, não uma pátria terrestre, porem uma pátria celeste (Hb 11. 10).



                Nos conta a Bíblia que a última expressão de Jesus Cristo antes de morrer foi: “Está consumado! ” (Jo 19. 30), que em grego a língua do Novo Testamento é: “Tetelestai”. Esta palavra era usada segundo a lei romana quando uma pessoa pagava a pena de sua condenação, ou se depois de julgada era achada inocente. Nesse momento a dívida estava cancelada, a justiça estava feita, a pessoa estava livre. Independência! Cristo com esta palavra diz que as obras que Ele veio executar (Jo 4. 34; 17 .4): perdoar pecados (Cl 1. 13-14); derrotar o Maligno (Cl 2. 14-15; 1Jo 3. 8; Ap 12. 11); dar a vida eterna (Jo 5.24; 10. 10; 1Jo 5.20); e proporcionar a entrada na família de Deus (Jo 1.11-13; Rm 8. 12-17; Gl 4. 4-6), estava completada. A sua morte na cruz proporcionou para a Igreja a independência da condenação do pecado (Rm 8.1) e a expectativa de um lindo futuro: “onde está morte a tua vitória, foi tragada pela morte de Cristo” (1Co 15. 55-58)?



                Neste mês em que o Brasil faz uma grande festa por algo tão pequeno, será que você discípulo não tem muito mais motivo para festejar? “Está consumado” não é muito mais importante do que “independência ou morte”?



                Beto Guedes faz um tempo cantou: “Quando entrar setembro / E a boa nova andar nos campos / Quero ver brotar o perdão...”, será que setembro não pode ser para você um tempo de celebrar e proclamar a “boa nova” da salvação / independência que só Aquele que gritou “tetelestai” pode dar? Os campos estão brancos, então espalhe o grito que fez de você (e faz de qualquer pessoa) verdadeiramente independente: “tetelestai = está consumado! ”.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

IMITANDO OS NOSSOS ANÇIÃOS

Por Ghy Waters
Ed. Fiel



O antigo filósofo grego Sócrates é regularmente citado como tendo dito: "Os filhos hoje amam o luxo; não têm boas maneiras, menosprezam as autoridades; desrespeitam os mais velhos e dão preferência às conversas ao invés de exercitarem-se. Os filhos hoje são tiranos e não servos de seus lares. Eles já não levantam-se quando os mais velhos entram na sala. Eles contradizem seus pais, tagarelam diante das visitas, devoram as guloseimas à mesa, cruzam as pernas e tiranizam seus professores". A citação acima é certamente apócrifa, mas ela ressoa com a experiência humana das gerações. Ao longo da história, as gerações mais velhas olharam por cima de seus óculos com reprovação em relação aos valores e o caráter da geração mais jovem.

A Escritura nos adverte aqui: "Jamais digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Pois não é sábio perguntar assim". (Eclesiastes 7:10). Os cristãos não devem ceder à tentação de romantizar o passado ou demonizar o presente. Nós servimos a Deus em nossos dias, convencidos de que ele nos chamou para esta geração e não para outra (1 Coríntios 7:17). Estamos certos de que ele dá ordens soberanamente não apenas no que diz respeito aos assuntos dos reis e nações (Provérbios 21:1; Jeremias 1:10), mas até mesmo sobre o lançar de sortes (Provérbios 16:33) e sobre as vidas dos pardais (Mateus 10:29).

Para servir ao Senhor de forma eficaz em nossos dias, no entanto, é preciso "entender os tempos" em que vivemos (1 Crônicas 12:32). Quando fazemos isso, nós encontramos algumas diferenças surpreendentes no Ocidente entre as gerações passadas e a geração atual. Uma diferença em particular é muito difundida e preocupante. As gerações anteriores eram conhecidas por um comprometimento com o trabalho árduo em detrimento da satisfação imediata–basta pensar nos homens e mulheres que vieram da época da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial. A geração atual, no entanto, é conhecida por seu apego quase religioso à satisfação instantânea.

Esse apego tornou-se especialmente evidente em uma área da vida– finanças pessoais. A dívida do consumidor inflou; os gráficos da dívida do consumidor entre a Segunda Guerra Mundial e o tempo presente mostram uma linha que se move de forma constante e, em seguida, cresce acentuadamente. Os americanos estão pedindo mais emprestado, gastando mais e poupando menos. Os relatórios indicam que a recente recessão amorteceu o aumento da dívida das famílias em algum grau. Mas alguns analistas dizem que essa tendência pode ser devido à maior relutância das instituições financeiras em emprestar do que de qualquer disciplina recém-descoberta por parte daqueles que fazem o empréstimo.

A que podemos atribuir essa explosão do endividamento pessoal? Podemos certamente destacar a proliferação de cartões de crédito, hipotecas e empréstimos para casa própria na metade do século passado. No entanto, esses são apenas os sintomas, a causa está enraizada no caráter. Sinclair Ferguson uma vez mencionou o slogan de um dos primeiros cartões de crédito (Access) introduzido no Reino Unido há mais de uma geração atrás: "Elimina a espera do querer". Ao invés de poupar dinheiro durante um tempo para fazer uma compra, agora somos capazes de inverter essa ordem—compramos agora e pagamos depois. O problema é que a proliferação de crédito nos permite comprar sem pensar em como vamos pagar, e com cada vez menos restrições aos nossos impulsos. Esta geração tem mais coisas e aspira a um padrão de vida que seus bisavós ficariam corados. Porém, a trágica ironia é que esta geração nem ao menos consegue pagar as bugigangas que tem.

Acompanhando essa tendência, tem havido uma mudança de geração para geração nas atitudes com relação às ofertas.. Em um artigo recente, Tony Cartledge mostra que as estatísticas indicam que quanto mais jovem se é, menos se oferta na igreja, proporcionalmente à renda que se tem. Cartledge cita duas igrejas cujos membros mais velhos desproporcionalmente garantiram as despesas da congregação, e sugere que estes não são casos isolados. Ele levanta questões sobre como ficará a oferta da igreja depois que esses membros idosos falecerem.

O que devemos fazer a respeito dessas coisas? Em primeiro lugar, não devemos esquecer que muitos ainda trabalham arduamente, em silêncio, economizam para o seu futuro e o futuro de seus filhos, ofertam generosamente e vivem dentro de suas possibilidades. Em segundo lugar, as diferenças que observamos entre as gerações passada e atual não advêm do fato de que as gerações passadas foram todas cristãs. Obviamente, elas não foram. Essas gerações, no entanto, deixaram como legado valores que foram impressos com a sabedoria bíblica. Então, quais ensinamentos bíblicos informam esses valores específicos?

A Escritura está repleta de conselhos para nós sobre o trabalho árduo, a poupança de nossos ganhos, a restrição de nossos impulsos de assumir dívidas e gastos e a oferta generosa. Os Provérbios, por exemplo, nos convidam a ver estes princípios no mundo que nos rodeia. Assim como a formiga é um retrato do trabalho árduo (Provérbios 6:6), o preguiçoso é um alertasobre as consequências deste mundo resultantes da preguiça e da indolência (24:30-35). Na providência de Deus, o trabalho árduo—e não as "buscas inúteis" ou a "pressa para ficar rico"—é o caminho para a riqueza (28:19-20; ler 10:04). Da mesma forma, as Escrituras nos advertem contra o endividamento (22:7; Romanos 13:8), enquanto elas enfatizam que o homem sábio poupa o "tesouro desejável e o óleo" que o tolo "desperdiça" (Provérbios 21:20). Na verdade, os gastos sem controle, alimentados por um desejo de ter mais coisas, levam à pobreza (v. 17). Somos chamados não somente para poupar os nossos ganhos, mas também para dar generosamente aos necessitados (19:17, 22:09; Eclesiastes 11:1). Geralmente, o ofertar é o caminho para a benção neste mundo, mas a mesquinhez leva à maldição (Provérbio 28:27).

Esses princípios são bíblicos e, em muitos casos, podem ser percebidosna própria criação. Como, então, podemos explicar os tipos de mudanças culturais que observamos acima? Por que é que muitos deixaram de lado essas verdades? A respostaé finalmente encontrada no poder do pecado e na impotência da lei para renovar o coração. O coração do incrédulo não tem amor a Deus ou à sua lei (Romanos 8:7). É impulsionado em sua essência pelo interesse egoísta que passa por cima dos mandamentos de Deus, um fato lamentavelmente ilustrado no primeiro pecado de Eva (Gênesis 3:6). Os comportamentos sobre os quais estamos falando resultam, em muitos casos, precisamente do egoísmo não controlado nem por restrições internas nem externas.

A tragédia desta situação é ressaltada pelo fato de que as estatísticas, os exemplos e os princípios saudáveis de finanças não têm poder em si mesmos para transformar uma pessoa de dentro para fora. Como igreja de Cristo, desejamos uma renovação profunda e duradoura que resultará em um envolvimentosincero com esses princípios que Deus nos tem dado para o nosso bem. Simplesmente lembrar os mais jovens sobre a moderação financeira de seus avós ou as consequências a longo prazo dos gastos desenfreados, não é suficiente.

Este tipo de renovação só acontece por meio do evangelho de Jesus Cristo. Ele anuncia que Jesus veio a este mundo para redimir os pecadores, mesmo aqueles que cometeram graves pecados financeiros. Ao converter-se do pecado e crer em Cristo como ele é oferecido no evangelho, as pessoas começam a experimentar a nova vida que ele comprou através de sua vida e morte, e livremente a dá para aqueles que não merecem. Essa vida, a Escritura enfatiza, é centrada em Deus e voltada para o próximo, e é um pedaço do futuro glorioso que pertence a todos os crentes em Cristo.

Uma das coisas maravilhosas sobre o evangelho é que, enquanto chega até nós em palavras, ele também é visível na prática nas vidas dos nossos irmãos, especialmente os mais antigos na fé. É por isso que Paulo pode dizer: "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo" (1 Coríntios. 11:1). É por isso que os anciãos, cujas qualificações incluem a integridade financeira (ler 1 Timóteo 3:1-7), devem ser exemplos para o rebanho (1 Pedro 5:3). É por isso que Paulo cobra Tito de que as mulheres mais velhas devem treinar as mulheres mais jovens "no que é bom... a amarem o marido e seus filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, submissas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada". (Tito 2:3-5).

Como, então, as gerações mais velhas na igreja podem nutrir esses princípios que vão contra a cultura nas gerações mais jovens? Uma das coisas mais importantes que os crentes mais velhos e maduros podem fazer é lembrar os crentes mais jovens de nossas riquezas presentes em Cristo e a glória que nos espera. Eles devem ser modelos de como viver o presente à luz destas realidades futuras. Eles podem mostrar-lhes que a santidade tem valor para a vida presente (1 Timóteo 4:8), e que o evangelho traz significado e propósito aos nossos esforços neste mundo (1 Coríntios. 15:58). Em um mundo que assume o conflito de gerações, que testemunho convincente seria se os idosos e jovens pudessem ser testemunhas unidas, em palavras e em atos, do evangelho de Jesus Cristo que transforma vidas.

domingo, 16 de junho de 2013

OUVINDO A PALAVRA DE DEUS NA IGREJA

Por Jonathan Leeman
 Ed. Fiel



Se a vida espiritual vem através da Palavra de Deus (Isaías 55:10–11; Romanos 10:17; Tiago 1:21; 1 Pedro 1:23), por que não deixar a igreja para lá, com todos os seus aborrecimentos e apenas dedicar-se ao estudo da Bíblia? Pense no tempo que você pouparia, sem mencionar os problemas relacionais.

Ou, melhor, por que não baixar os podcasts dos três melhores pregadores a cada semana e ouvi-los? As chances são de eles serem melhores pregadores do que o velho pastor João da igreja do fim da rua. Posso ouvir um "amém"?

Suspeito que muitos cristãos devem ter uma vaga ideia de que há algo errado nesse conselho. Mas o fato de que esperamos tão pouco de nossos pregadores em termos de exposição bíblica, o fato de que poucos preciosos segundos são dedicados à verdadeira leitura bíblica em nossas reuniões semanais, o fato de que mal pensamos em não ficar acordados nas noites de sábado para não adormecermos no meio do sermão de domingo, sugerem que nós não compreendemos realmente o vínculo estreito que há entre ouvir a Palavra na igreja e o nosso crescimento cristão individual e coletivo.

Para os iniciantes, a Palavra de Deus cria a igreja, e não cristãos avulsos. Forma um grupo de crentes que estão unidos por uma aliança em um Senhor, uma fé, um batismo, e uma remissão de pecados. "Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas". (Atos 2:38, 41; 4:4; 6:7). A Palavra de Deus na verdade cria as igrejas locais. Nela, você e eu somos unidos a outros cristãos, e a igreja local é o lugar no planeta terra onde demonstramos e praticamos a unidade gerada na Palavra.

Portanto, você verá que o entendimento e a obra viva da Bíblia têm um maior benefício no contexto de membresia da igreja. Seguem sete motivos para que o nosso crescimento esteja centralizado no ouvir a Palavra de Deus no contexto da igreja local:


1. PELA OBEDIÊNCIA. O autor de Hebreus diz aos seus leitores, "Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima". (Hebreus 10:24–25). Como podemos animar e encorajar outros quando nós nos reunimos? Com a Palavra de Deus. É isso que vemos a igreja primitiva fazer—reuniam-se para ouvir e encorajar: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações". (Atos 2:42).


2. PARA RECEBER OS DONS DE JESUS. Paulo nos diz que depois que Jesus ascendeu aos céus, ele deu dons de pastores e mestres para sua igreja (Efésios 4:8– 11). Seus presbíteros são presentes. Eles são melhores do que qualquer presente que você possa encontrar em uma árvore de natal, porque com seus dons eles vão edificar a você e seus irmãos e irmãs em Cristo até que vocês alcancem a maturidade, unidade, e a medida da plenitude de Cristo (vv. 12–14). Pense nisso: Jesus o ama tanto que pegou um monte de homens pelo colarinho, os tirou de suas carreiras, e lhes disse para dedicarem suas vidas para servir você e seus amigos cristãos favoritos através do estudo e do ensino da Bíblia — toda semana. Você não fica maravilhado? E mesmo se o pastor famoso do podcast for um pregador melhor, ele não conhece a sua congregação e ele não está aplicando a Palavra a você como faria o velho pastor João.


3. PELAS ILUSTRAÇÕES VIVAS DA PALAVRA. Paulo escreve, "Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós". (Filipenses 3:17; 2 Timóteo 3:10–11). Paulo quer que os cristãos tenham palavras e ilustrem essas palavras. Precisamos de uma comunidade eclesiástica ao nosso redor para nos exemplificar a mensagem. Pastores, em especial, devem vigiar sua "vida e doutrina".


4. PELAS AMIZADES DIVINAS. Imitamos e seguimos os nossos amigos, adotando sua linguagem e padrões de vida. Gastamos dinheiro onde eles gastam dinheiro. Criamos nossos filhos como eles criam seus filhos. Oramos como eles oram. Os amigos de fora da igreja certamente são valiosos, mas as amizades que temos na igreja serão feitas pela mesma ministração da Palavra, dando-lhes a oportunidade de estender aquela ministração com mais atenção um sobre a vida do outro durante a semana.


5. PELO APRENDIZADO SOBRE COMO ALINHAR NOSSOS CORAÇÕES AO CORAÇÃO DE DEUS POR MEIO DA CANÇÃO. O cantar é uma atividade na qual a Palavra de Deus agarra nossos corações e alinha as nossas emoções e afetos com as dele. Portanto, as canções de uma igreja devem conter nada mais do que as palavras, paráfrases ou verdades das Escrituras. As igrejas cantam juntas porque isso nos ajuda a ver que os louvores, as confissões e as resoluções do nosso coração são compartilhados. Não estamos sozinhos.


6. PELO APRENDIZADO DA ORAÇÃO. Se Deus alinha nossos afetos e emoções à sua Palavra pela canção, ele nos ensina a alinhar nossas vontades e ambições à sua Palavra através da oração. Aprendemos a orar biblicamente ao ouvir a oração dos santos irmãos mais velhos. As orações do cristão entram em conformidade com as intenções da Palavra de Deus. Assim, vamos adorar, confessar, agradecer e pedir por coisas que a sua Palavra revela.


7. PELOS NÃO CRISTÃOS E PELO EVANGELHO. Pergunte a qualquer não cristão o que aconteceu em uma reunião de igreja que ele tenha ido, e (esperamos que) ele ou ela relate que a Palavra de Deus foi discutida, e talvez tenha sido tocada (leia 1 Coríntios 14:24). Paulo lembra os gálatas de que eles receberam o evangelho quando Cristo foi publicamente exposto por meio da pregação como crucificado (Gálatas 3:1). A reunião centralizada na Palavra é onde Deus colocou uma embaixada entre as nações para declarar: "Jesus é o Senhor. Volte-se para Ele".

Portanto, escute com atenção aos domingos. Faça anotações. Depois, discuta a passagem com sua família. Que suas orações sejam guiadas pelos pontos principais da pregação durante o resto da semana. Encoraje seus presbíteros com a oração. E, assim, agradeça a Deus por sua Palavra, sua igreja, e seus ministérios. Que presentes incríveis.

quinta-feira, 28 de março de 2013

SANTIDADE: IMITAÇÃO BARATA

Por Kevin De Yang 
 

Quando falamos em ser santos, no que, exatamente, estamos procurando nos tornar? Deus nos salvou para sermos santos – entendi. Precisamos ser santos como Deus é santo – confere. Fomos separados para servir a Deus – gostei. Mas com o que a santidade se parece? Vamos procurar retirar isso da estratosfera teológica e trazê-la no nível do chão, onde nós adoramos, trabalhamos e nos divertimos. Vou começar com vários exemplos do que santidade não é. 


Santidade Não é Mero Obedecer a Regras

A palavra "mero", aqui, é de extrema importância. Santidade não é menos do que obedecer mandamentos. Afinal, Jesus não disse "Se vocês me amarem, vocês desistirão de obedecer a regras e religião e farão o que bem entenderem". Ele disse: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (João 14.15). Assim sendo, gente santa obedece, mas isto não é um simples guardar de normas. Piedade é mais que simples moralidade e escrupulosidade. Os fariseus eram externamente morais, mas o coração deles, frequentemente, estava longe de Deus (Marcos 7.7). Neville Chamberlain foi escrupuloso ao praticar a chamada "política de apaziguamento" com Hitler, mas dificilmente alguém consideraria Chamberlain um dos heróis da história. Não me entenda mal, levando tudo em conta, prefiro ser uma pessoa educada, que planta árvores, paga seus impostos, assiste a filmes proibidos para menores de 14 anos quando chegam nos cinemas, a ser um eremita beberrão que aposta em briga de galo e se veste como se estivesse antiquado para as típicas[1] Feiras da Renascença. Mas santidade vai além de valores de família típicos da classe média.
É simples demais transformar a batalha de fé numa santificação-por-lista-a-ser-ticada. Livrar-se de alguns maus hábitos, desenvolver alguns bons hábitos e está tudo resolvido. Mas uma lista de checagem moral não leva em conta os ídolos do coração. Talvez nem sequer tenha o Evangelho como parte da equação. E, inevitavelmente, espiritualidade baseada em lista de checagem costuma ser altamente seletiva. Por isso você acaba se sentindo bem sucedido quanto à santificação porque conseguiu se manter longe das drogas, perdeu peso, trabalhou no sopão distribuído pela igreja e deixou de usar produtos feitos de isopor. Mas acabou negligenciando a bondade, humildade, alegria e pureza sexual. Deus nem chegou perto de seu coração. Eu provavelmente poderia vender muitos livros se exigisse dos cristãos que lessem a Bíblia duas horas por dia, jogassem fora a televisão, vendessem o que possuem, adotassem três órfãos e fossem viver em comunidade. Nós gostamos dessas listas. Alguns até gostam de ser surrados por coisas assim e aí serem informados sobre o que precisam fazer para se tornarem verdadeiros gigantes espirituais. Esse tipo de exortação pode, a princípio, soar promissora, mas com o tempo se mostra ineficaz. O simples guardar de normas não é a resposta, porque santidade não pode ser reduzida a uma simples e pequena restauração ética. 


Santidade Não é Imitação Geracional

Já que sou uma pessoa jovem escrevendo ("tipo") de forma que desafia gente jovem (entre outros), seria tentador para cristãos mais velhos presumir que este livro diz respeito a quão melhor as coisas costumavam ser. Mas, como Billy Joel cantou (viram só, não sou tão jovem!): "Os bons e velhos tempos não eram sempre bons e o amanhã não é tão ruim como parece". A busca da santidade não é um esforço quixotesco para recriar os idos dos anos 50, para não dizer os idos de 1590.
É claro que há muito que podemos aprender de gerações que nos antecederam. É comum eu procurar exemplos teológicos ou éticos dentre os Puritanos, os Reformadores ou mesmo na geração de meus avós. Mas aprender dos Puritanos não implica em que tenhamos de falar como eles, vestir como eles, ou abolir o Natal como alguns deles fizeram. Não há atalhos para a santificação ao tentarmos reviver os anos dourados de alguma era longínqua. "Se tão somente as coisas pudessem ser como costumavam ser". Bom, talvez isso ajude se o padrão de decência sexual for o padrão da sociedade, o padrão público, mas os anos dourados não foram tão dourados assim no que diz respeito ao relacionamento entre as raças. Toda geração tem seus pontos altos como tem seus pontos cegos. Aprender do que foi bom e evitar o que foi ruim requer sabedoria. Mas sim, eu penso que cristãos em geral costumavam estar mais preocupados com santidade pessoal, em certas áreas. Mas será que Deus quer que recriemos o mundo deles ou reintroduzamos toda a restrição acerca do jogar cartas ou de proibições etílicas? Duvido.


Santidade Não É Espiritualidade Genérica

Será que já surgiu uma frase mais competente no contrabandear de confusão doutrinária e frouxidão moral que o chavão "espiritual não religioso"? Dando o desconto, para alguns, isso significa "eu desejo um relacionamento pessoal, transformador de vida com Deus, e não me satisfazer com a simples presença na igreja". Mas com grande frequência a expressão implica em um desgostar de padrões teológicos, absolutos morais e religião organizada. Ser espiritual no jargão moderno significa estar aberto a mistério e ter interesse em coisas "espirituais" como oração, cura, paz interior e um sentido abstrato de amor.
Verdadeira espiritualidade significa ser transformado pelo Espírito através da comunhão com o Pai e com o Filho. Se você se interessa por espiritualidade, sua prioridade deveria ser crescer em santidade que procede do Espírito. Justiça é o alvo do discipulado cristão. "No mundo cristão contemporâneo, tal afirmativa poderá soar radical", observa R. C. Sproul. "Muitos têm me abordado acerca de serem éticos, morais, espirituais e até piedosos. Mas ninguém parece estar interessando em falar de justiça". [2] Ser salvo pela graça convertedora do Espírito, ser selado com a garantia absoluta do Espírito, e ser santificado pelo poder interior do Espírito – é isso que significa ser espiritual.


Santidade Não É "Encontrar Meu Verdadeiro Eu" 

Na sociedade ocidental secular, a pessoa verdadeiramente boa é a que aprendeu a ser genuína consigo mesma. Anna Quindlen, por exemplo (que já escreveu para o New York Times e para a revista Newsweek), disse o seguinte a um grupo de formandos:
Cada um de vocês é tão diferente quanto suas digitais. Porque seguirem os outros sem pensar? Nosso apego a esse seguir os outros sem pensar é nossa maior maldição, a fonte de tudo que nos atormenta. É a fonte de toda homofobia, xenofobia, racismo, sexismo, terrorismo, intolerância de toda espécie e matiz, porque nos diz que há uma única forma certa de se fazer as coisas, de se olhar, de se comportar, de sentir, quando a única forma correta de sentir é seu coração reclamando e parar para ouvir o que seus timbales têm a dizer. [3]
Parece que a Quindlen está dando bastante crédito a meu pequeno timbale interior. E se seu timbale for homofóbico, xenofóbico, racista ou sexista? Ou será que todos os seus vícios podem ser atribuídos a seguir os outros sem pensar – afinal, toda gente ruim não segue os outros e toda gente boa não faz o que lhe dá na telha? E se você seguir o conselho de Quindlen e rejeitar a lista de intolerâncias que ela menciona? Será que isso faz de você um perdedor que segue os outros? Você consegue ouvir seus timbales e a paraninfa da turma ao mesmo tempo? Penso ser um credo central do pós-modernismo que você pode marchar ao ritmo de seu próprio timbale, desde que ele toque no compasso do meu.
Mas e se seu bongô estiver em descompasso com o Deus do universo? Estão nos dizendo que existe um lado bom em todos nós. Milhares de filmes têm procurado retratar que o propósito da vida é encontrar seu verdadeiro eu. Aprendemos de incontáveis programas de televisão que nosso mais alto chamamento é acreditar em nossas possibilidades. O mundo insiste em santidade. Não permita que lhe convençam do contrário. Mas a santidade do mundo não se encontra em ser fiel a Deus; encontra-se no ser fiel a si mesmo. E ser fiel a si mesmo invariavelmente significa ser fiel à definição de tolerância e diversidade de outra pessoa.


Santidade Não É O Jeitão do Mundo

Jamais progrediremos em nossa santidade se estivermos aguardando que o mundo festeje nossa piedade. Com certeza, de vez em quando, valores culturais irão se sobrepor a valores bíblicos. No ocidente, racismo explícito não é tolerado. Em países muçulmanos, franze-se a sobrancelha diante do homossexualismo. No chamado Bible Belt norte americano, encoraja-se a frequência à igreja. Mas "mundo" não é outra forma de referir-se às "pessoas que nos rodeiam". O padrão do "mundo" é o defender tudo que se opõe à vontade de Deus. Na forma mais simples, isso equivale ao texto que fala sobre "a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens"(1 João 2.16). Ou, em outras palavras, mundanismo é aquilo que faz o pecado parecer normal, e o que é correto parecer estranho. [4] Algumas nações e culturas são melhores que outras, mas em toda sociedade há um princípio de Babilônia que guerreia contra os filhos de Deus (Apocalipse 17-18).
Mundanismo é problema sério. A Bíblia declara que "Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele" (1 João 2.15). Os cristãos costumavam falar sobre mundanismo e temer sua influência rastejadora. Hoje, entretanto, se você fala em se vestir de maneira mundana, ou gastar dinheiro de forma mundana ou buscar entretenimento mundano, tudo que é provável que você ouça é uma risada contida. Mundanismo é aquilo que incomodava nossos avós. Temos um planeta a salvar e não temos tempo para nos preocupar com trivialidades. Nós simplesmente não acreditamos mais que amizade com o mundo é inimizade contra Deus (Tiago 4.4).
Muitos cristãos têm a noção equivocada de que se simplesmente formos cristãos melhores, todos nos aplaudirão. Não percebem que santidade paga um certo pedágio. É claro que podemos nos concentrar nas virtudes que o mundo aprecia. Mas se você levar a sério a verdadeira religião que cuida dos órfãos e promove pureza (Tiago 1.27), você perderá amigos que lutou tanto para conquistar. Tornar-se sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus exige que você resista ao mundo que deseja conformá-lo a seu molde (Rm 12.1-2). Guardar-se puro para o casamento, ficar sóbrio numa 6ª feira à noite, abrir mão de uma promoção só para poder continuar frequentando a igreja, recusar-se a dizer palavras parecidas com palavrões, desligar a televisão – esse é o tipo de coisa que o mundo não entende. Não espere que entendam. O mundo não fornece incentivadoras de torcida no caminho da santidade. 

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[1] N.E: Essas feiras temáticas são bem comuns nos Estados Unidos da América.
[2] R. C. Sproul, A Santidade de Deus – A grandeza, a majestade e a glória de Deus (São Paulo, SP: Cultura Cristã, 1997).
[3] Citado em First Things (Agosto/Setembro, 2002): pág. 95
[4] David F. Wells, God in the Wasteland: The Reality of Truth in a World of Fading Dreams (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1994), pág. 29.


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Fiel
 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

COMO BEBER O VINHO DE DEUS?


Por John Piper
 

Efésios 5:18 diz: "E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito". Há, pelo menos, quatro efeitos de ser cheio do Espírito. Primeiramente, o versículo 19 mostra que o efeito é musical: "...falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor". É evidente que a alegria em Cristo é a característica peculiar de ser cheio do Espírito.

Mas não somente alegria. No versículo 20, encontramos a gratidão: "Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo". Gratidão perpétua, gratidão por tudo resulta de ser cheio do Espírito - e essa gratidão tem como alvo o vencer a murmuração, o descontentamento, a autocompaixão, a amargura, o queixume, a carranca, a depressão, a inquietação, o desânimo, a melancolia e o pessimismo!

Mas os efeitos não são apenas alegria musical e gratidão por tudo; há também a submissão de amor às necessidades uns dos outros - "sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo". Alegria, gratidão e amor humilde - essas são algumas das marcas de ser cheio do Espírito.

Poderíamos acrescentar um quarto efeito: ousadia no testemunho cristão. Podemos ver isto com mais clareza em Atos 4:31: "Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus". Nenhum crente deixará de ser ousado e zeloso no testemunho, se o Espírito Santo estiver produzindo nele alegria transbordante, gratidão perpétua e amor humilde. Oh! Como precisamos ser cheios do Espírito! Procuremos esse enchimento! Busquemo-lo!

No entanto, há uma pergunta crucial: como podemos buscá-lo? Comecemos com a analogia mais próxima: "Não vos embriagueis com vinho... mas enchei-vos do Espírito" (v. 18). Como você se embriaga com o vinho? Você o bebe... em grande quantidade. Então, como ficaremos embriagados (cheios) com o Espírito? Bebamos dEle! Bebamos em profusão. 

Paulo disse: "A todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1 Coríntios 12:13). Jesus disse: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito" (João 7:37-39).
Como podemos beber do Espírito Santo? Paulo disse: "Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, [cogitam] das coisas do Espírito" (Romanos 8:5). Bebemos do Espírito cogitando das coisas do Espírito. O que significa "cogitar" das coisas do Espírito"? Colossenses 3:1-2 afirmam: "Buscai as coisas lá do alto... Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra". "Pensar" significa "procurar, dirigir a atenção para, preocupar-se com". Significa "ser dedicado a" e "absorvido com". Portanto, beber do Espírito significa buscar as coisas do Espírito, dirigir a atenção às coisas do Espírito, dedicar-se às coisas do Espírito.

Quais são "as coisas do Espírito"? Quando Paulo disse: "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus" (1 Coríntios 2:14), estava se referindo aos seus próprios ensinos inspirados pelo Espírito (1 Coríntios 2:13) - especialmente seus ensinos a respeito dos pensamentos, planos e caminhos de Deus (1 Coríntios 2:8-10). Então, "as coisas do Espírito" são os ensinos dos apóstolos a respeito de Deus. Jesus também disse: "As palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida" (João 6:63). Logo, os ensinos de Jesus também são "as coisas do Espírito".

Portanto, beber do Espírito significa cogitar das coisas do Espírito. E cogitar das coisas do Espírito significa dirigir nossa atenção aos ensinos dos apóstolos a respeito de Deus e às palavras de Jesus. Se fizermos isso por bastante tempo, ficaremos embriagados com o Espírito. De fato, ficaremos viciados no Espírito. Em vez de dependência química, desenvolveremos uma maravilhosa dependência do Espírito Santo.

Mais uma coisa: o Espírito Santo não é como o vinho, porque Ele é uma pessoa e livre para ir e vir aonde quer que deseje (João 3:8). Por isso, temos de acrescentar Lucas 11:13.

Jesus disse aos seus discípulos: "Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?" Se queremos ser cheios do Espírito, temos de pedir isso ao nosso Pai celestial. E foi isso que Paulo fez pelos crentes de Éfeso. Ele pediu ao Pai celestial que aqueles crentes fossem "tomados [cheios] de toda a plenitude de Deus" (Efésios 3.19). Beba do Espírito e ore.

Beba do Espírito e ore. Beba do Espírito e ore.


Ed. Fiel

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O VALOR DE APRENDER HISTÓRIA


Uma Lição a partir de Judas

Por John Piper

A pequena carta de Judas nos ensina algo sobre o valor de aprender história. Este não é o ponto principal da carta, mas é um fato impressionante.
Neste penúltimo livro da Bíblia, Judas escreve para encorajar os santos a "batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos" (versículo 3). A carta é um chamado à vigilância em vista de "certos indivíduos [que] se introduziram com dissimulação... homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo" (versículo 4). Judas descreve essas pessoas em termos vívidos. Eles "dizem mal do que não sabem" (versículo 10); são "murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros" (versículo 16). Eles "promovem divisões, [e são] sensuais, que não têm o Espírito" (versículo 19).

Esta é uma avaliação devastadora de pessoas que não estão fora da igreja, mas que "se introduziram com dissimulação." Judas quer que eles sejam reconhecidos pelo que são, de forma que a igreja não seja enganada e arruinada pelos seus falsos ensinos e comportamentos imorais.

Uma de suas estratégias é compará-los a outras pessoas e eventos na história. Por exemplo, ele diz que "Sodoma e Gomorra... havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição" (versículo 7). Assim, Judas compara aquelas pessoas com Sodoma e Gomorra. Seu ponto ao fazer isto é dizer que Sodoma e Gomorra são postas como "um exemplo" do que acontece quando as pessoas vivem como estes intrusos estavam vivendo. Assim, na mente de Judas, conhecer a história de Sodoma e Gomorra é muito útil para ajudar a detectar tal erro e desviá-lo dos santos.

Similarmente, no versículo 11, Judas acumula três outras referências a eventos históricos, como comparações com o que está acontecendo em seus dias entre os cristãos. Ele diz: "Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá". Isso é impressionante! Por que se referir a três incidentes históricos diferentes como estes, que aconteceram milhares de anos atrás - Gênesis 19 (Sodoma), Gênesis 3 (Caim), Números 22-24 (Balaão), Números 16 (Corá)? Qual é o ponto?

Aqui estão três pontos:

1) Judas assume que os leitores conhecem estas histórias! Isto não é incrível? Era o século primeiro depois de Cristo! Não havia nenhum livro nas casas das pessoas! Nenhuma Bíblia disponível! Nenhuma história em CD! &Apenas instrução oral! E ele assume que eles conheceriam tais histórias: Qual é "o caminho de Caim," "o erro de Balaão" e "a rebelião de Corá?" Você sabe? Isto não é surpreendente? Ele espera que eles conheçam! Isso me faz pensar que os nossos padrões de conhecimento da Bíblia na igreja de hoje são muito baixos.

2) Judas assume que conhecer a história iluminará a situação presente. Os cristãos tratarão com o erro mais eficazmente hoje se eles conhecerem situações similares de antigamente. Em outras palavras, a história é valiosa para o viver cristão. Saber que Caim era invejoso e que além de odiar seu irmão, também se ofendeu com sua comunhão verdadeira com Deus, te alertará para vigiar contra tais coisas mesmo entre irmãos. Saber que Balaão caiu e fez da Palavra de Deus um meio de ganho mundano, te tornará mais capaz de identificar este tipo de coisa. Saber que Corá desprezou a autoridade legítima e ressentiu-se com a liderança de Moisés, te protegerá de gente facciosa que não gosta de ninguém sendo visto como seu líder.

3) Não é claro, então, que Deus ordenou que estes eventos acontecessem e que fossem registrados como história, para que aprendêssemos a partir deles e nos tornássemos mais sábios e perspicazes sobre o presente, por causa de Cristo e de sua igreja? Nunca pare de aprender a partir da história! Adquira algum conhecimento todo dia. Demos aos nossos filhos uma das melhores proteções contra a tolice do futuro, a saber, um conhecimento do passado.

 
Fiel

terça-feira, 25 de setembro de 2012

SEGUINDO A DEUS DE PERTO



Por A. W. Tozer

“A minha alma apega-se a ti: a tua destra me ampara“ (Sl 64:8)


Procuramos a Deus porque, e somente porque, Ele primeiramente colocou em nós o anseio que nos lança nessa busca. “Ninguém pode vir a mim”, disse o Senhor Jesus, “se o Pai que me enviou não o trouxer a mim” ( Jo 6:44), e é justamente através desse trazer proveniente, que Deus tira de nós todo vestígio de mérito pelo ato de nos achegar-mos a Ele. O impulso de buscar a Deus origina-se em Deus, mas a realização do impulso depende de O seguirmos de todo o coração. E durante todo o tempo em que O buscarmos, já estamos em Sua mão: “… o Senhor o segura pela mão”. (Sl 37:24).

A doutrina da justificação pela fé – uma verdade bíblica, e uma bênção que nos liberta do legalismo estéril e de um inútil esforço próprio – em nosso tempo tem-se degenerado bastante, e muitos lhe dão uma interpretação que acaba se constituindo um obstáculo para que o homem chegue a um conhecimento verdadeiro de Deus.

O milagre do novo nascimento está sendo entendido como um processo mecânico e sem vida. Parece que o exercício da fé já não abala a estrutura moral do homem, nem modifica a sua velha natureza.

É como se ele pudesse aceitar a Cristo sem que, em seu coração, surgisse um genuíno amor pelo Salvador. Contudo, o homem que não tem fome nem sede de Deus pode estar salvo? No entanto, é exatamente nesse sentido que ele é orientado: conformar-se com uma transformação apenas superficial.

É uma tragédia que, nesta época de trevas, deixemos só para os pastores e líderes a busca de uma comunhão mais íntima com Deus.

Agora, tudo se resume num ato inicial de “aceitar” a Cristo (a propósito, esta palavra não é encontrada na Bíblia), e daí por diante não se espera que o convertido almeje qualquer outra revelação de Deus para a sua alma. Estamos sendo confundidos por uma lógica espúria que argumenta que, se já encontramos o Senhor, não temos mais necessidade de buscá-lo.

Quando o Senhor dividiu a terra de Canaã entre as tribos de Israel, a de Levi não recebeu partilha alguma. Deus disse-lhe simplesmente: “Eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de Israel” (Nm 18:20), e com essas palavras tornou-a a mais rica que todas as suas tribos irmãs, mais rica que todos os reis e rajás que já viveram neste mundo. E em tudo isto transparece um principio espiritual, um principio que continua em vigor para todo sacerdote do Deus Altíssimo.

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa  Deus de maneira pura, legítima e eterna.

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* Partes extraídas do livro “O Melhor de A. W. Tozer” da Editora Mundo Cristão.
NÃO PARE AQUI VÁ PARA OS TEXTOS MAIS ANTIGOS.