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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O ESPÍRITO E A MISSÃO



Por Joelson Gomes
Lição publicada na Revista para a Escola Dominical da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil 

Texto Base: Ez 37. 1-14

Texto áureo: “Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” (Zc 4.6).

Objetivo da lição: Ao término da lição o aluno deverá entender que a operação do Espírito Santo na missão é imprescindível, bem como refletir sobre como sua igreja faz missões hoje.

A Bíblia na semana
Seg. Is 61. 1-3
Ter. Is 11. 1-5
Qua. At 1. 5-11
Qui. Lc 24. 44-49
Sex. At 4. 23-31
Sáb. Ef 2. 1-10
Dom. Ez 37. 1-14

INTRODUÇÃO

O Espírito Santo é essencial para a missão de Deus ao homem em toda Bíblia, mas incrivelmente é deixado de lado nesse assunto pelos estudiosos. Não é difícil lê-se livros sobre missões, e não se encontrar quase nada sobre o Espírito e a relação com missões na Bíblia toda. Há muito material escrito sobre técnicas missionarias, necessidade de missionários, chamamentos para despertar para missões, mas sobre o poder do Espírito Santo e missões é raríssimo. Procure algo sobre a relação do Espírito Santo e missões no AT, e aí suas chances de achar caem para quase zero, pois o pouco que se tem se prende ao livro de Atos dos Apóstolos, como se o Espírito só operasse em missões depois deste livro.
A missão moderna dá a tenção ao Espírito que a Bíblia dá? Acho que não. Por isso precisamos estudar mais sobre o poder do Espírito de Deus para missões segundo a Bíblia, e olhando toda Bíblia, ao fazermos isso veremos como o Espírito não é mais um elemento na missão, ele é essencial.

I-                   O Espírito Santo da promessa

  a)      A promessa e o Espírito. A própria promessa do Evangelho desde o Gênesis quando Deus chamou Abrão (Gn 12. 1-4) lhe prometeu que através de sua descendência todas as famílias da terra seriam abençoadas   está entrelaçada com o Espírito Santo. Com o desenrolar da história da salvação na ficamos sabendo que esta descendência de Abraão que seria abençoada não era apenas física, mas era primariamente espiritual (Rm 4; Gl 3. 6-22): os filhos da fé. E esta promessa embrionária em Abraão tem sua maturidade no Evangelho, chegando a todos entrelaçada com a promessa do Espírito Santo (Gl 3.14), ao ponto de o Evangelho ser chamado de “evangelho da promessa” (At 13. 32-33). Esta relação tão íntima do Evangelho, o conteúdo da missão, com o Espírito Santo faz Marcos e Pedro proclamarem discursos similares: o evangelho pregado é a chegada dos últimos dias (Mc 1. 14-15); o Espírito derramado é a chegada dos últimos dias (At 2. 14-18). É fato que a missão de Deus aos povos e o Espírito Santo estão em íntima conexão e não os podemos separar (Gl 3. 23-4.6).

   b)       Isaias e a unção para pregar. Em Isaias 61. 1-3 temos uma célebre profecia sobre o tempo do Messias, sabemos disso porque em Lucas 4. 18-19 Jesus retomou este texto e na sinagoga de Nazaré e o aplicou a Si e ao seu ministério. A palavra “ungiu” (hebraico: Mashach), é de onde vem a palavra “messias” (ungido). Assim, Cristo ao dizer que era o “ungido” da profecia de Isaías estava dizendo: “eu sou o Messias” (Hb 1.8-9). Ele era a realização e a encarnação da promessa, pois Paulo havia dito que quando Deus fez a promessa a Abraão, na realidade estava visando Cristo como cumprimento (Gl 3. 16). O fato notável é o que o profeta Isaías liga claramente a proclamação do Messias, com a operação do Espírito. Nas palavras do próprio Cristo está dito que a unção do Espírito Santo sobre Ele era o poder para pregar o Evangelho a todos: “O Espírito está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres...” (Lc 4. 18; veja também At 10. 38). Seu ministério (o Evangelho em Cristo) seria caracterizado pela atuação do Espírito Santo (Mc 1.7-8).


 II-                O Espírito e a Palavra proclamada

  a)      “Profetiza ao Espírito”. Ezequiel 37. 1-14 é um texto emblemático para demonstrar o papel do Espírito Santo na missão. Ezequiel sabia que deveria profetizar aos ossos que estavam secos, sem vida à sua frente. Esse foi o mandato de Deus (Ez 37. 4-6). Ele obedeceu, e a reorganização dos ossos aconteceu, mas continuavam sem vida (Ez 37.8). Vem então, nova ordem do Senhor, agora ele deverá profetizar ao “Espírito”, clamar ao “Espírito” para que dessa vida aos corpos (Ez 37.9). E a palavra “Espírito” aqui deve ser grafada com “E” maiúsculo, pois com certeza se trata do Espírito divino o doador da vida (Jó 33.4; Sl 104. 30). “Mas, evidentemente aqui se fala de “o Espírito de vida”, porque é distinto dos “quatro ventos” de onde o chama” (Roberto Jamieson (et. al). Comentario Exegetico Y Explicativo de la Biblia. Tomo I. AT., p. 920). Então, na sequência da narrativa é só quando o Espírito opera que a palavra proclamada pelo profeta faz o efeito desejado (Ez 37.10). Ora, é muito claro aqui o que Deus quer demonstrar, a pregação da Palavra só seria eficaz debaixo do trabalho do Espírito, só a pregação nada faria para trazer vida.

  b)      Cheios de poder. É no NT que esta relação do Espírito com a mensagem na missão é vista com mais detalhes. O derramamento do Espírito Santo recebido pelos apóstolos (At 1.5, 8; 2.1-4) foi o poder que transformou aqueles homens de medrosos em missionários corajosos. Antes os apóstolos eram pessoas escondidas e temendo pela vida (Jo 20.19), depois foram transformados em pregadores destemidos (At 2.14, 32, 36, 43; 3. 12-16, 26; 4.8, 31-33; 5. 27-32, 41-42; 7.51-56).

A coragem de Pedro no dia de pentecostes, apenas 50 dias após suas medrosas negações de qualquer identificação com Jesus, somente pode ter uma explicação: uma reviravolta no coração do discípulo impetuoso... a explicação só pode ser que o revestimento do Espirito tinha mudado completamente sua preocupação com a autoproteção. Esvaziado de si mesmo, o discípulo ficou como um vaso pronto para ser cheio do Espírito, no dia de Pentecoste (Russel Shedd. Avivamento e Renovação, pp. 26-27).

Em todo trabalho missionário na Igreja do NT notamos como o enchimento do Espirito Santo é indispensável. O grande exemplo para confirmar isso é como Ele dá poder para a missão enchendo os pregadores no Livro de Atos:

 ·         Todos os apóstolos e discípulos (At 1. 5,8; 2.1-4);
 ·         Pedro (At 4.8; 10. 44);
 ·         A Igreja reunida (At 4.31);
 ·         Estevão (At 6. 8; 7.54-58);
 ·         Filipe (At 8. 39-40);
 ·         Paulo (At 9.15-17; 13.6-11);
 ·         Apolo (At 18.24-25).

Não há dúvidas que a eficácia e o porquê da Igreja e dos seus pregadores fazerem missões de forma extraordinária no NT era o poder do Espírito Santo.

III-             O Espírito Santo e a necessidade do homem natural

Sim, é claro que o Espírito é a vida da missão. Mas, você se perguntou o porquê desta necessidade? Porque a Palavra, ou apenas as técnicas para alcançar as pessoas não fazem o trabalho sozinhas? Porque a missão sem o Espírito é nada? 

a)   A morte no pecado. Quando olhamos as Escrituras Sagradas encontramos a respostas para isso.  O problema é que a situação do ser humano natural, que nasce nesse mundo descendente de Adão, não parece nada boa, veja:

  ·      Ele é um ser carnal (Jo 3.6);
  ·      Ele é um ser pecador (Rm 3.23; 5.8);
  ·      Ele é um ser escravo (Jo 8.34);
  ·      Ele é um ser separado de Deus (Is 59. 1-2);
  ·      Ele é um ser inimigo de Deus (Rm 5.10; 8.7-8);
  ·      Ele é um ser cego (2Co 4.4-6);
  ·      Ele é um ser carente da glória de Deus (Rm 3.23);
  ·      Ele é um ser morto espiritualmente (Ez 18.4; Mt 8. 18-22; Ef 2. 1-6; Cl 2.13);
  ·      Ele é um ser Condenado (Ez 18.4; Mc 16. 15-16; Jo 3. 18, 36; Rm 6.23a).

b)   A operação do Espírito que dá vida. O ser humano na situação descrita acima nada pode fazer. Mesmo que escute pregações e mais pregações ele está inerte. É o Espírito Santo quem desvenda os olhos cegos e dá ao ser humano capacidade para crer no Evangelho pregado (1Co 2.14; Rm 10.17), dando-lhe a vida (Ef 2.4-7). E então, pela fé em Cristo, o ser humano passa a ser filho de Deus (Gl 3.26), nasce na família divina (Ef 2. 13-22). Falando disso em seu Evangelho (Jo 1.12-13), João usa o tempo verbal grego chamado aoristo passivo, quando diz que os que creem nasceram de Deus: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Escrevendo assim ele mostra que nessa obra o ser humano é completamente inoperante (Tt 3. 5), e é Deus, pelo Seu Espírito operando com o Evangelho que o regenera (1Pe 1.23), fazendo-o assim uma nova criação. 

E o Espírito convence os homens e as mulheres habilitando-os a crerem... Ninguém pode convencer ninguém a respeito da verdade destas coisas, a não ser o Espírito Santo. Por isso o nosso Senhor disse aos apóstolos... “ficai, porém, na cidade de Jerusalém até que do alto sejais revestidos de poder”. Eles conheciam todos os fatos, tinham sido testemunhas oculares deles. Mas isso não bastava; eles nunca poderiam convencer ninguém enquanto o poder do espírito não estivesse neles. Somente ele pode iluminar e convencer (Martyn Lloyd-Jones. Cristianismo Autêntico. Vl. 2,  pp. 264-265).

Portanto, se a salvação é o receber a vida espiritual de Deus e nascer de novo, só o Espírito da vida pode fazer alguém ter a vida. Daí que sem o poder do Espírito não há missão.

CONCLUSÃO

Chegamos ao final desta lição e também da revista. Foi uma longa estrada, muitos conhecimentos adquiridos, questionamentos também, pois fazem parte de todo aprendizado. Mas, acredito que acima de tudo ficou muito claro como precisamos do Deus Espírito Santo para nos guiar na jornada cristã. Entendemos como necessitamos dEle para tudo o que somos, e também para tudo que fizermos no Reino de Deus. Seus dons são o equipamento de maturidade da Igreja durante todo seu tempo na terra. Seu poder é a energia da igreja para a execução de seu trabalho. Ele é o Espírito de toda vida, Aquele sem o qual não há criação, não há salvação. Cada nascimento natural de todas as criaturas de Deus é um ato do Espírito (Sl 104. 30), cada nascimento espiritual de uma pessoa que enxergou o Evangelho é uma obra Espírito (Jo 3. 5-6; Tt 3. 56). Por isso devemos procurar o poder do Espírito para sermos cristãos no modelo de Deus, no jeito de Deus.

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