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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

MAIS UMA DO "PASTOR CHEIRA BÍBLIA". ISSO É O QUE DÁ SÓ CHEIRAR AO INVÉS DE LER- Bizarroces gospel (112)

Por Thiago Oliveira



Lamentavelmente escrevo esse texto sabendo que muitos vão aqui comentar coisas do tipo: “Ele faz isso, mas ganha muitas almas para Jesus, e você o que faz além de julgar?” ou “Ele fez o que de errado? Ora, deixem ele falar do Evangelho.” Daí você se pergunta, quem é ele e o que ele faz/fez. Ok, vou explicar.
O Pr. Lucinho Barreto, da Igreja Batista da Lagoinha pregou no último Sábado (06/12) um sermão intitulado “E agora, quem poderá me defender?” Até aí tudo bem... Sobre a pregação, a intenção era falar sobre depender de Deus. Ótimo! Só que o Lucinho chega no púlpito vestido de Chapolin Colorado (veja aqui) e é ovacionado por isso. Diante dos aplausos ele arremata o bordão do famoso personagem do recém falecido Roberto Bolaños: “Não contavam com minha astúcia!”
No púlpito, o Lucinho conta diversas piadinhas e até faz referência a uma música da funkeira Anita (Pre-pa-ra). Ele grita, se ajoelha, acena, assobia, gargalha... enfim, um típico showman. Seria muito bom para uma empresa tê-lo como palestrante motivacional. Talvez algum programa televisivo fizesse sucesso com um apresentador tão eletrizante quanto ele. Mas para ser um mensageiro bíblico, o Lucinho com a sua personalidade narcisista, está distante do que Deus requer para o ofício de ser porta-voz da Palavra revelada.
Em seu excelente livro, Supremacia de Deus na Pregação, o Pr. John Piper fala que o alvo da pregação deve ser a glória de Deus. Ou é isso, ou de nada vale pregar. A partir do momento que um pastor ou mensageiro da Palavra começa a desfocar desse alvo, deixando de manter a sobriedade, este deixou de glorificar ao seu Senhor e até passa a querer ser o centro das atenções. E muitos em nosso meio costumam associar sobriedade com frieza. Se um pastor conduzir os ouvintes a quietude, muitos acharão que a mensagem foi enfadonha, morosa, lúgubre, etc. Segundo Piper (pág 49), muitos pastores têm se deixado levar por tal pensamento e o resultado disso é:
“...uma atmosfera de pregação e um estilo de pregação contaminados com trivialidades, leviandade, negligência, irreverência e uma sensação generalizada de que nada de proporções eternas e infinitas está sendo feita ou dita aos domingos”.

Obviamente que o pregador não precisa ser engessado ou robótico. Ele deve ser vibrante, entusiasmado, afinal, é do Evangelho que ele fala. E não há nada mais vibrante do que o Evangelho, não é mesmo? Charles Spurgeon, um dos maiores evangelistas da história da Igreja tinha um humor peculiar. O pastor presbiteriano Augustus Nicodemus é, atualmente, um bom exemplo de alguém que faz o bom uso do humor e conta suas anedotas vez ou outra. No entanto, leviandade é diferente de bom humor. Lógico que uma risada é sadia e que a alegria é marca de todo o cristão satisfeito em Cristo Jesus. Mas para tudo existe limite. Transformar um sermão num roteiro de stand-up comedy não é uma ideia sensata. A pregação é a forma que Deus estabeleceu para falar aos pecadores e auxiliar na perseverança dos santos. Se as pregações virarem palhaçada, como alguém dará crédito a esta mensagem?

O próprio Lucinho é exemplo disso. Ele inventou de “cheirar a Bíblia” para dizer que os jovens precisam ser loucos por Jesus. Sua iniciativa, com perdão do termo, abobada, virou matéria de um programa de TV e o apresentador não aguentou e mandou que a matéria deixasse de ser exibida, ao vivo (veja aqui). Um incrédulo censurou o Lucinho, que para a repórter que o entrevistava, disse que fazia essas coisas para atrair os adolescentes, pois estes acham os assuntos sobre Deus (ou religião) muito chatos.

É justamente nesse afã de querer incrementar o Evangelho que as bizarrices começam a se proliferar. Como disse anteriormente, alegria é inerente do cristão e o apóstolo Paulo escrevendo aos filipenses fala muito sobre alegria (Fl 4.4). Porém, na mesma carta, Paulo chora por causa dos inimigos da cruz de Cristo (Fl 3.18). Ou seja: nem tudo são flores! Se o alvo da mensagem é a glória de Deus, e Ele é glorificado quando chamamos pecadores ao arrependimento, esta mensagem não pode ser trivial. Se vestir de Chapolin é algo tão despojado que fere o caráter sóbrio da pregação que diz “arrependei-vos e convertei-vos”. Não só a sobriedade como também a seriedade desta mensagem, pois a resposta a ela resultará em vida eterna ou morte eterna.

Em 2 Timóteo 4.3 lemos o seguinte Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos. Isso é um retrato do que estamos vivendo. Incomodados com a agressão que é a Palavra de Deus (ou você acha que uma espada que penetra na divisão das juntas e medulas não causa dor?), os homens de nosso tempo forjam um pseudo-evangelho que massageia o ego e diz tudo aquilo que queríamos ouvir, e não o que devemos ouvir. Spurgeon, certa feita disse que chegaria um dia em que no lugar dos pastores alimentando as ovelhas haveria palhaços entretendo os bodes. Ele estava muito certo.

O egocentrismo de pastores feito Lucinho e outros que para serem notados e ganharem fama nas redes sociais vestem coisas bizarras (veja aqui) e falam palavrões, são um câncer que vem destruindo a Igreja progressivamente. Aonde estão os homens que pregam a cruz? Aonde estão os pastores que não querem o aplauso dos homens? Aonde estão as pregações que falam que Deus lançará no inferno os pecadores resolutos?

Não desanime, ainda existem homens comprometidos com o Evangelho ao ponto de negarem o aplauso dos seus ouvintes. Duvida? Então, se não conhece, recomendo a você a assistir o vídeo dessa pregação aqui no Paul Washer. E para terminar, contarei uma anedota que não me lembro onde li ou ouvi, sobre o já citado Charles Spurgeon. Mas ela diz que numa certa conferência na Inglaterra vitoriana, alguns jovens ao verem o pastor do primeiro dia pregar ficaram maravilhados e diziam entre si: “Você viu aquele pregador? Nossa como ele prega bem. Que oratória. Que sermão!”. No segundo dia, Spurgeon foi o preletor e após a conclusão da sua mensagem os jovens, novamente admirados, falavam uns com os outros: “Você viu como Jesus é perfeito? Como Jesus é bom! Como Jesus é admirável! Quão lindo é Jesus”.

Que Deus nos presenteie com pastores segundo o Seu coração! Soli Deo Gloria!
 
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OBS do autor deste blog. E agora quem poderá nos defender de aventureiros deste tipo?

A NOVA TRADUÇÃO NA LINGUAGEM DE HOJE É CONFIÁVEL?

Por Dr. Vilson Scholz



A Bíblia na Linguagem de Hoje, conhecida, desde 2001, como Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH), surgiu a partir de uma necessidade sentida por tradutores do Novo Testamento, além de ser uma resposta ao anseio da igreja brasileira. Uma equipe de tradução bíblica que atuava na região amazônica se dirigiu à Sociedade Bíblica Americana para indagar a respeito da possibilidade de conseguir um Novo Testamento em linguagem popular. Fizeram o pedido, porque sabiam que um projeto semelhante estava sendo executado em língua espanhola. Isto foi no começo da década de 1960. Mas como os primeiros ensaios de tradução foram feitos por brasileiros que moravam nos Estados Unidos, o projeto não foi bem visto por algumas lideranças brasileiras e teve de ser abandonado. Assim, pode-se dizer que a Bíblia na Linguagem de Hoje tem até mesmo uma pré-história marcada por controvérsia. (Para um relato mais pormenorizado desta história, veja o livro “40 anos de Bíblia na Linguagem de Hoje”, publicado pela SBB).

O projeto de uma “versão popular”, como se falava naquela época, foi retomado no Brasil, em 1966. E, depois de algumas idas e vindas, o Novo Testamento na Linguagem de Hoje foi finalmente publicado, em 1973, no ano do Jubileu de Prata da Sociedade Bíblica do Brasil.

Algumas porções já haviam sido lançadas antes de 1973 e muitos artigos tinham sido publicados em revistas evangélicas (especialmente “A Bíblia no Brasil”), com vistas a preparar o público evangélico para a nova tradução. Mas quando o Novo Testamento completo estava finalmente disponível, a discussão recomeçou. Alguns saudaram a Bíblia na Linguagem de Hoje com entusiasmo; outros a rejeitaram com veemência. Algumas das objeções formuladas naquele tempo ainda circulam por aí, na Internet.

Num olhar retrospectivo, pode-se dizer que a Bíblia na Linguagem de Hoje pagou o preço pelo pioneirismo. Surgiu numa época em que boa parte do público evangélico brasileiro não contava com a possibilidade de uma nova tradução da Bíblia, muito menos uma tradução tão diferente. Se a Almeida Revista e Atualizada, de meados do século XX, já sofreu resistência, por afastar-se da antiga Almeida numa proporção de 30%, que dizer de uma tradução em que os leitores da Bíblia não mais encontravam os seus termos teológicos favoritos! A reação foi – e, em muitos casos, continua sendo – “tiraram tudo da Bíblia”. Mas como sempre de novo se precisa responder: “Nada se perdeu, mas tudo se transformou!”

Transformação é uma palavra importante para se entender a Bíblia na Linguagem de Hoje. Eugene Nida, que desenvolveu a teoria da “tradução dinâmica”, gostava de fazer distinção entre “estrutura profunda” e “estrutura de superfície”. Na prática, isto significa que uma mesma mensagem (a estrutura profunda) pode ser expressa de várias maneiras (estruturas de superfície). Um exemplo é o uso de voz ativa e voz passiva para dizer, essencialmente, a mesma coisa. Muda, com certeza, a ênfase, mas a mensagem acaba sendo a mesma. Muitas línguas, inclusive indígenas do Brasil, não têm voz passiva. Isto significa que sempre será preciso transformar construções passivas em ativas. A Bíblia na Linguagem de Hoje optou por fazer isto, em muitos momentos, não porque não temos voz passiva em português, mas porque entendeu que é mais natural e comum, em português contemporâneo, usar a voz ativa. Na medida em que a voz ativa tende a explicitar o sujeito, isto contribui para a clareza da tradução. [Um caso típico é o assim chamado “passivo divino”, ou seja, uma construção passiva que foi adotada pelo escritor bíblico para, em atitude de respeito a um dos dez mandamentos, não ter de fazer uso do nome de Deus. Como em nossos dias não temos mais o mesmo receio, nada impede que se transformem esses “passivos divinos” em construções ativas. Um caso clássico são as Bem-Aventuranças, em que, por exemplo, “serão consolados” aparece em voz ativa como “Deus as consolará”.]

Por vezes se diz que “só se ama o que se conhece”. Muitos não conseguem aceitar a Bíblia na Linguagem de Hoje porque não conhecem os princípios de tradução que foram adotados. Ela é uma tradução dinâmica, o que significa que não adota uma consistência cega, em que se traduz um termo (por exemplo, “carne”) sempre da mesma forma, pouco importando o que significa nos diferentes contextos. Este caráter dinâmico transparece na forma diversificada de se traduzir o conceito “carne” na NTLH. Em João 1.14, “carne” foi traduzido por “ser humano”; em Atos 2.17, por “pessoas”; em Romanos 2.28, por “corpo”; em Romanos 7.5, por “a nossa natureza humana”, e assim por diante.

Contexto é outro conceito fundamental, no caso da Bíblia na Linguagem de Hoje. Não se faz tradução “palavra por palavra”, nem “versículo por versículo”, mas de unidades de texto maiores. A tão discutida tradução de Salmo 116.15 (“O SENHOR Deus sente pesar quando vê morrerem os que são fiéis a ele”) se justifica em grande parte por razões de ordem contextual. O contexto do Salmo 116 como que requer esta tradução.

Além de dinâmica e contextual, a NTLH é comunicativa (ou semântica). Entende que, por mais importantes que sejam as palavras uma por uma, um texto não é simples coleção de palavras. Um texto sempre é mais do que a soma das palavras. Um texto comunica como um todo, no parágrafo, e não no versículo ou em palavras isoladas. Mas continua forte a tradição de procurar (e pregar) apenas palavras, temas, e não textos. E, como Eugene Nida se expressou certa vez, “muita gente teme mais as palavras do que teme a Deus”.

Muitos dos que não gostam da NTLH integram um grupo de pessoas que não são o público-alvo dessa tradução. Ela não foi feita para pastores ou crentes antigos, acostumados com o texto de Almeida, mas para a maioria do povo brasileiro, pessoas com escolaridade média de sétima ou oitava série do ensino fundamental. Ela foi feita para quem tem dificuldade de ler textos mais longos, não tem muita familiaridade com a Bíblia ou nunca leu o texto sagrado. Raramente se ouvem reclamações vindas deste público. Quem a critica são pastores, líderes, bons conhecedores da Bíblia de Almeida e, em muitos casos, biblistas, que deveriam estar mais bem informados sobre as complexidades da tradução bíblica e das várias possibilidades tradutórias que determinado texto oferece. Há por trás dessa atitude um pretenso desejo de “defender a Palavra de Deus”, mas essa atitude acaba por revelar um sentimento elitista. “Se eu consegui entender (ou penso que entendo), todos podem fazer o mesmo esforço e chegar lá”. Ou, “se eu não preciso de uma Bíblia assim, ninguém precisa”.

Por que, então, ler a Nova Tradução na Linguagem de Hoje? Para muitos, a resposta é simples: para, pela primeira vez, entender o que a Bíblia diz. Mas a Nova Tradução na Linguagem de Hoje é muito boa para quem quer fazer uma leitura rápida da Bíblia. Especialmente em textos narrativos, que são 75% da Bíblia, a NTLH é imbatível. No caso desta tradução, ler trechos maiores, de forma mais rápida, é ler da forma correta, pois ela foi feita para ser lida exatamente assim.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

INTERPRETANDO OS SALMOS CRISTOCENTRICAMENTE COM ISAAC WATTS

O teólogo Congregacional Isaac Watts
Douglas Bond
FIEL


No prefácio de Canções Divinas Cantadas na Linguagem Simples Para o Uso de Crianças, Isaac Watts afirmou estar diminuindo seu trabalho com poemas infantis a fim de voltar a trabalhar em sua interpretação poética dos Salmos. Ele havia sido encorajado a parafrasear os Salmos por colegas quando ainda adolescente na Academia Newington, e seu irmão Enoch havia muitas vezes encorajado Watts a realizar o projeto. “Há uma grande necessidade de uma pena”, escreveu Enoch, “tão vigorosa e viva quanto a sua, para despertar e reviver a devoção moribunda da época, a qual nada mais pode dar tal assistência quanto a poesia forjada com o propósito de elevar-nos até mesmo acima nós mesmos”.1 Outra carta, esta proveniente de seu amigo de longa data John Hughes, escrita em 6 de novembro de 1697, revela que Watts começou o seu trabalho sobre os Salmos mais de duas décadas antes de publicar Os Salmos de Davi Seguindo a Linguagem do Novo Testamento e Aplicados à Condição e Adoração Cristã (1719). Hughes escreveu: “Dou-lhe o meu agradecimento cordial por sua paráfrase engenhosa, pela qual você tão generosamente resgatou o nobre salmista das mãos destruidoras de Sternhold e Hopkins”.2

É importante notar que o amigo de Watts não denegriu os salmos inspirados em si. Foi a “carnificina” dos versificadores bem intencionados, Thomas Sternhold e John Hopkins, os quais tinham por costume realizar uma metrificação frase por frase dos Salmos ingleses. Como Hughes, Watts também “protestou contra a apatia e crueza de expressão, e a total ausência do Evangelho do Novo Testamento no conteúdo dos Salmos”, escreve Erik Routley, novamente falando não dos Salmos em si, mas de sua manipulação desajeitada em verso inglês. Como poeta, Watts foi particularmente “ofendido pela deselegância dos Salmos de Barton”, mais uma versão inadequada usada em seus primeiros anos. Em meio a tudo isso, Watts começou a perguntar a si mesmo: “Por que não podemos mais cantar de Cristo como Deus? Se Cristo renova todas as coisas, por que nossos louvores permanecem na Antiga Aliança?”3 A partir dessas reflexões, a ideia de um método totalmente novo de interpretar e parafrasear os Salmos em versos começou a se formar na imaginação de Watts.

O PRINCÍPIO REGULADOR

O princípio regulador do culto afirma que nada que não esteja especificamente previsto na Sagrada Escritura deve ser feito no culto. No entanto, muitos na tradição da Reforma estavam divididos quanto a se este princípio proibia o canto de hinos não-inspirados. Desde a Reforma, luteranos haviam cantado hinos de composição humana, juntamente com Salmos no adoração. Embora João Calvino tenha recomendado o cântico dos Salmos em francês, ele nunca proibiu hinos especificamente, e ele mesmo pode ter escrito o hino semelhante a salmo “I Greet Thee, Who My Sure Redeemer Art” [Eu Saúdo a Ti, Meu Verdadeiro Redentor]. De qualquer maneira, ele o incluiu no Saltério de Genebra de 1551, uma forte indicação de que não defendia a salmodia exclusiva.

Calvinistas posteriores, no entanto, torciam o princípio regulador em prol da exclusão de qualquer poesia humana composta para o canto em cultos divinos. Na Grã-Bretanha, a salmodia exclusiva reinou. Infelizmente, porém, muitos dos esforços bem-intencionados de versificar os textos dos Salmos em rima e métrica inglesa passaram longe dos esplendores da poesia original em hebraico.

DAVI, O CRISTÃO

Watts não pediu desculpas por seu ataque frontal às prevalecentes versificações dos Salmos de Sternhold e Hopkins, bem como a de Nahum Tate e Nicholas Brady, os quais produziram uma coleção de versificações de Salmos em 1696. Não há dúvida de que estas eram muitas vezes difíceis, e muitos delas eram praticamente impossíveis de serem cantadas. Então, Watts tomou emprestada a hermenêutica histórico-redentiva empregada pelos melhores pregadores e desenvolveu a partir dela um método de interpretar e aplicar poeticamente os Salmos para o canto no culto. Sua defesa do método indica que Watts queria que o Antigo Testamento fosse entendido à luz de seu cumprimento em Cristo:

Quando o salmista... fala do perdão do pecado através das misericórdias de Deus, eu adicionei os méritos de um Salvador. Onde ele fala de sacrificar cabras ou bezerros, eu prefiro optar por mencionar o sacrifício de Cristo, o Cordeiro de Deus. Onde ele promete abundância de riqueza, honra e vida longa, eu substituí algumas dessas bênçãos típicas por graça, glória e vida eterna, as quais são trazidas à luz pelo Evangelho, e prometidas no Novo Testamento. E estou plenamente satisfeito, que mais honra seja dada ao nosso bendito Salvador por mencionar o seu nome, a sua graça, suas ações, em sua própria linguagem, de acordo com as revelações que ele agora tornou mais brilhantes, do que voltando às formas judaicas de adoração e à linguagem de tipos e figuras.4

Não fazia sentido para Watts que os novos santos do pacto devessem abster-se de tomar o nome de Jesus, “nosso bendito Salvador”, em seu canto. Ele entendeu que as formas de adoração judaica, os tipos e as sombras do evangelho na antiga aliança, estavam, como Paulo disse, “sendo levado[s] a um fim” (2 Cor. 3:7), que “o que, outrora, foi glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual sobre-excelente glória” (v. 10). Watts acreditava que ao cantar apenas as cruas versificações inglesas dos Salmos, um véu permanecia sobre os corações dos adoradores da nova aliança, “que, em Cristo, é removido” (v. 14) .

É importante lembrar que Watts escreveu seus hinos e interpretou os Salmos em poesia ao lado de seus deveres como um pregador do evangelho. Ele sabia que era inconcebível para ele, enquanto pregador, negligenciar apresentar Cristo ao seu rebanho, que aparece como o cumprimento da lei em todas as Escrituras e, portanto, nos Salmos. Para Watts, a interpretação poética histórico-redentiva dos Salmos era a única hermenêutica possível, exatamente como era quando ele estava pregando.

Watts não estava realmente sendo hermeneuticamente inovador aqui, como alguns sugerem. Toda a sua aprendizagem provinha da tradição Calvinista e Reformada, então ele estava apenas tentando incitar uma continuidade entre a pregação Reformada centrada em Cristo e o canto Reformado no culto. O próprio Calvino havia escrito: “Devemos ler as Escrituras com o objetivo expresso de encontrar Cristo nelas. Quem quer que se desvie desse objeto, mesmo que esgote-se ao longo de toda a sua vida na aprendizagem, nunca alcançará o conhecimento da verdade”.5 Quando foi chamado para ser pregador em Londres no púlpito de John Owen, Watts declarou à congregação ter “a mesma forma de pensar que o seu reverendo pastor anterior, Dr. John Owen”,6 que havia escrito sobre a pregação historico-redentiva décadas antes dos Salmos de Watts serem publicados, dizendo: “Mantenha a Jesus Cristo fixo em seus olhos enquanto procede com a leitura cuidadosa das Escrituras, como o seu fim, escopo e substância; tenha a Cristo como a própria substância, medula, alma e escopo de toda a Escritura”.7 Mais tarde, C. H. Spurgeon, que foi subornado quando menino a memorizar muitos dos hinos de Watts, escreveu sobre como ele interpretava as Escrituras: “Eu tomo qualquer que seja o texto em que eu esteja e faço um conexão com a Cruz”.8

Os melhores expositores entendem que a interpretação centrada em Cristo não é uma questão de gosto metodológico que funciona para alguns e não para outros. J. I. Packer escreve: “Cristo é o tema verdadeiro da Escritura: tudo foi escrito para dar testemunho dele. Ele é a totalidade de toda a Bíblia, profetizado, tipificado, prefigurado, exibido, demonstrado, podendo ser encontrado em cada página, em quase todas as linhas, como se as Escrituras fossem os próprios cueiros do menino Jesus”.9 Em seu livro Christ-Centered Preaching [Pregação Cristocêntrica], Bryan Chapell escreve: “O método histórico-redentivo... é uma ferramenta vital e fundamental que os expositores precisam para interpretar com precisão e graça textos em seu contexto completo”.10 Para Watts, nenhum outro método tem a carga do texto do salmo antes dele – Jesus.

Alguns acusam Watts de adulteração da inspiração divina por sua manipulação dos Salmos. No entanto, poucos tinham uma visão tão elevada dos Salmos como Watts, e sem dúvida, se ele tivesse crescido no mundo antigo de fala hebraica, onde a poesia e conteúdo inspirados permaneceram intocados, não diminuídos pela tradução, Watts poderia ter surgido com outro método. Erik Routley comentou sobre o que Watts estava fazendo: Deixe um homem deslumbrar-se e compartilhar o seu deslumbramento com seus companheiros na igreja – assim disse Watts, e de onde ele tirou isso, senão dos próprios Salmos? Onde existe tal visão cósmica, tal deslumbramento tão puro e abnegado como lá? Watts protestou contra a falta de Evangelho cristão nos Salmos, mas ele tomou deles essa qualidade de deslumbrar-se, que fez dele, mesmo em seus momentos menos inspirados, um homem com o toque do poeta.11

Observe como, na paráfrase de Watts do Salmo 136, como um bom expositor em um sermão, ele vira o rosto de seu ouvinte em direção a Cristo:

He sent his Son with pow’r to save
From guilt and darkness and the grave
Wonders of grace to God belong;
Repeat his mercies in your song.12

 
[Ele enviou seu Filho com poder p’ra salvar
Da culpa e trevas e do sepulcro livrar:
Maravilhas da graça de Deus todas são;
Entoem suas misericórdias numa canção.]


Neste método de interpretar os Salmos poética e teologicamente, Watts pode ter sido ainda suportado por Paulo, que escreveu que devemos fazer tudo, “seja em palavra, seja em ação”, no nome do Senhor Jesus, e ele escreveu isso no contexto imediato de cantar “salmos, e hinos, e cânticos espirituais” (Cl. 3.16-17). Para Watts, o que era verdade para ser pregado no culto da nova aliança era igualmente verdadeiro para cantar. Seu quase contemporâneo, Blaise Pascal, articulou a hermenêutica histórico-redentiva dos reformadores e seus descendentes: “Sem a Escritura, que possui Jesus Cristo somente como seu objeto, não podemos saber nada”.13
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Fonte: Trecho do Livro O Encanto Poético de Isaac Watts, lançamento da Editora Fiel

Referências

1. Watts, The Poetic Interpretation of the Psalms, 262.
2. Fountain, Isaac Watts Remembered, 37–38. Thomas Sternhold (1500–1549) foi o principal autor da primeira versão métrificada dos Salmos. John Hopkins publicou Sternhold’s Psalms e mais tarde adicionou alguns de seus próprios.
3. Routley, Hymns and Human Life, 63.
4. Bailey, The Gospel in Hymns’, 52.
5. João Calvino, Commentary on the Gospel According to John (Grand Rapids: Baker, 1999), 218.
6. Watts, The Poetic Interpretation of the Psalms, 243.
7. Citado em J. I. Packer, A Quest for Godliness (Wheaton, Ill.: Crossway, 1990), 103.
8. Citado em Lewis A. Drummond, Spurgeon: Prince of Preachers (Grand Rapids: Kregel, 1992), 277.
9. Ibid.
10. Bryan Chapell, Christ-Centered Preaching (Grand Rapids: Baker Academic, 2008), 305.
11. Routley, Hymns and Human Life, 64–65.
12. Do hino “Give to Our God Immortal Praise” de Isaac Watts, 1719.
13. Blaise Pascal, Pensees (Londres: J. M. Dent & Sons, 1954), 147

GRANDE COMISÃO: TODOS DEVEM IR?

 Karl Dahlfred
 FIEL


Parece ser uma ordem tão simples! “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19). Mas quem exatamente deve ir? Alguns têm sustentado que a ordem de Jesus para ir e fazer discípulos era apenas para os apóstolos originais e que a Grande Comissão foi, subsequentemente, cumprida por aqueles apóstolos. Mas era impossível que uma tarefa tão grandiosa fosse completa por apenas onze homens. E a promessa de que Jesus estaria com eles “até a consumação dos séculos” implica que a validade da sua comissão se estenderia para além do tempo de vida dos apóstolos. Se é assim, a igreja herdou essa comissão dos apóstolos. E é a responsabilidade da igreja obedecer a ordem de Cristo até que ele venha outra vez.
É importante observar que a comissão de Cristo para ir e fazer discípulos é dada à igreja como um todo, não apenas a cristãos em particular. É comum enxergar a Grande Comissão como uma ordem para que cada cristão em particular se envolva em evangelização. E algumas missões têm advogado que, a menos que você tenha um chamado específico para permanecer em sua terra natal, você deve se tornar um missionário transcultural em obediência à Grande Comissão. Por mais bem intencionadas que essasperspectivas possam ser, elas erram o alvo ao deixar de pôr a ordem Cristo no contexto do ensino do Novo Testamento acerca do corpo de Cristo.
O apóstolo Paulo escreveu: “Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada” (Romanos 12.4-6). Embora cada cristão tenha um papel a desempenhar na Grande Comissão, nem todos nós temos o mesmo papel.
Certamente, há alguns que têm o papel de missionários, evangelistas, pastores, ou mestres da Bíblia. E alguns irão para o outro lado do planeta para cumprir esses papéis. Há uma imensa necessidade no mundo hoje de missionários transculturais, e o campo missionário é um lugar fantástico para servir a Cristo. Mas não é para todo mundo.
Quando Jesus disse: “Ide”, ele não estava ordenando que todos os seus discípulos fossem para o exterior. Logo antes de sua ascensão, Jesus foi bastante específico acerca dos pontos geográficos aonde ele esperava que seus discípulos fossem. Ele lhes disse: “E sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1.8). Jesus e os seus discípulos estavam em Jerusalém quando ele disse essas palavras. Jesus queria que eles começassem a dar testemunho da sua vida, morte e ressurreição ali mesmo onde eles estavam – em Jerusalém.
Mas eles não deveriam parar ali. Alguns deles iriam para as outras partes da Judeia, compartilhando o evangelho com outros judeus. Mas outros iriam cruzar fronteiras culturais e religiosas, fazendo discípulos em Samaria. E, mais além, alguns dos discípulos de Jesus iriam aos confins da terra, fazendo discípulos em lugares que eram completamente distintos de sua terra natal.
Jesus tinha certeza de que alguns dos seus discípulos iriam até os lugares mais remotos da terra. Mas ele não vislumbrava todos os seus discípulos descendo de barco para alguma área longínqua do mundo. O Novo Testamento põe uma ênfase muito maior na fidelidade diante da situação em que nos encontramos do que numa viagem física. Como escreve o apóstolo Paulo: “Procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado;para que andeis honestamente para com os que estão de fora e não necessiteis de coisa alguma” (1Tessalonicenses 4.11-12, ARC).
Embora nem todos nós viajaremos pelo globo para compartilhar o evangelho nem ensinaremos e batizaremos em nossa igreja local, isso não significa que nós não possamos estar envolvidos no “ide” da Grande Comissão. Assim como os discípulos originais que estavam em Jerusalém, nós buscamos viver com fidelidade no lugar em que nos encontramos, “estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1Pedro 3.15). E, a despeito da nossa condição de vida, sempre há algum modo de tomarmos nossa parte em fazer discípulos de todas as nações.
Para os que estão começando, podemos aprender sobre evangelização e missões. Leia uma biografia missionária, como a história de Adoniram Judson ou John Paton. Descubra quais missionários a sua igreja apoia. Inscreva-se na lista de correspondência deles, leia os pedidos de oração em suas cartas, e ore por eles. Apoie missionários financeiramente.
Lembre-se também de que, em nosso mundo globalizado, as pessoas estão viajando como nunca antes e as nações estão vindo a nós. Saia para almoçar com um estudante estrangeiro ou acolha a família de imigrantes que se mudou para a sua rua. Fique de olho naqueles em sua igreja que possam ser bons candidatos a missionários, encoraje-os e apoie-os nessa direção.
Embora nem todos os cristãos devam “ir” no sentido físico, todos nós somos parte do corpo de Cristo e temos um papel a desempenhar. Como você “irá” hoje?

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

NINGUÉM VAI PARA O CÉU

Por Roberto de Carvalho Forte



É comum, nos dias de hoje, em grande parte das igrejas, ao tratarem sobre a escatologia, afirmarem que quando Cristo vier, a igreja irá morar no céu. Há até mesmo muitas canções que declaram isto, e pelo fato de muitos não examinarem as Escrituras quanto a tudo o que ouvem, lêem ou cantam, acabam formando sua “teologia” baseada apenas em alguns clichês ou canções, e também por conta de uma forte influência do dispensacionalismo. O cantor Lázaro, em sua música “Morar No Céu”, declara enfaticamente: “Ainda bem que eu vou morar no céu”.

Anthony Hoekema, comenta: “A partir de certos hinos, temos a impressão de que os crentes glorificados passarão a eternidade em algum céu etéreo, em algum lugar no espaço, bem longe da terra”. [1]

Mas, afinal de contas, onde a igreja habitará?

O termo “morar no céu” certamente é citado por muitos por causa da passagem em João 14, que diz: Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. (v.2). Seria essa “morada de Deus” o céu, neste contexto? O versículo 23, deste mesmo capítulo, responde: “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.”. O substantivo grego no singular μονή, e no plural μοναὶ, aparecem apenas duas vezes no NT, que correspondem à “morada” e “moradas”, respectivamente, e só são encontradas neste capítulo. Jesus disse aqui aos discípulos que subiria ao céu, mas não os deixariam órfãos, pois os enviariam o Consolador (v.16), e que faria morada nos crentes (v.23), e esta promessa já se cumpriu com a vinda do Espírito Santo. (Para um entendimento mais amplo sobre isto, sugiro a leitura de um artigo no site da Mackenzie, fonte no rodapé [2])

Mas o que vemos nas Escrituras são textos bíblicos que apontam para novo céu e nova terra, que é o caso de 2 Pe 3:13, que diz: “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.”. Jesus disse em Mateus 5: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (v.5). E ainda em Apocalipse 21, referindo à eternidade: E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.” (v.1). No AT, temos esta promessa em Isaías 65: “Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão.” (v.17), e em Isaías 66: “Porque, como os novos céus, e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante da minha face, diz o Senhor, assim também há de estar a vossa posteridade e o vosso nome.” (v.22). 

Hoekema, comenta: “Existe uma passagem no livro de Apocalipse que fala acerca de nosso reinado sobre a terra: ‘Digno és [Cristo] de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra’ (Ap 5:9-10). Embora alguns manuscritos tragam o verbo ‘reinarão’ no tempo presente, os melhores textos trazem o tempo no futuro. O reinado sobre a terra dessa grande multidão redimida é representado aqui como a culminação da obra redentora de Cristo por seu povo.” [3]

A terra que hoje vivemos será restaurada, e não aniquilada. Como escreveu William Hendriksen: “Os céus e a terra que agora existem foram reservados para o fogo, de forma que logo os céus estarão queimando [..] serão dissolvidos e os elementos derreterão com calor fervente” [4]. E ele conclui: “O fogo não anulará o universo. Depois do fogo ainda existirão os mesmos ‘céus e terra’, mas gloriosamente renovados, como explicado em 2 Pe 3.13; Apocalipse 21:1-5.” [4]

Pedro, o apóstolo, escreve: “Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão [...] em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?”  (2 Pe 3:7,10,11,12). 

Depois dessa restauração, a nova Jerusalém (símbolo da Igreja de Cristo) descerá do céu à nova terra, “adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21:2) e reinará eternamente com Cristo.

Podemos afirmar, portanto, que não só teremos o céu na eternidade, mas habitaremos no Novo Céu e na Nova Terra, e Cristo será eternamente o Rei: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.” (Apocalipse 21:3)


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Notas:
1 – A Bíblia e o Futuro, Anthony A. Hoekema, pág. 292.
2  Jesus e as moradas na casa do Pai: interpretando monai em João 14
3 – A Bíblia e o Futuro, Anthony A. Hoekema, pág. 300.
4 – A Vida Futura Segundo a Bíblia, William Hendriksen, pág. 257.
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