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terça-feira, 21 de abril de 2015

ADORAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO



Por Joelson Gomes


INTRODUÇÃO




A Igreja Primitiva nos serve de exemplo para diversas coisas e na questão da adoração não poderia ser diferente. Vivemos em um contexto no Brasil em que tem surgido muita novidade, um novo “ministério” de adoração, uma nova “igreja” com uma nova “estratégia”, um novo livro que trás um novo ensino sobre o culto são cada vez mais comuns. Com isso, cada vez mais novas práticas vão sendo incorporadas nas liturgias das igrejas, e muitas destas coisas são até antibíblicas.



Lideres no afã de encher seus templos, e deixar os fiéis de suas igrejas a vontade têm incorporado inovações ao culto deixando a celebração beirando um programa de auditório, em muitos lugares comparar o que se chama de culto com programa de auditório é ser cruel... com o programa de auditório.



A Igreja Primitiva pode ajudar aqui? Pode. Como os irmãos da Igreja na época do NT adoravam? O que fazia parte de seus cultos? Será que sua igreja adora como a Igreja da Bíblia? Prepare-se, acho que nessa lição você vai descobrir.




I- Palavras importantes.




Do mesmo modo que os escritores do AT, os autores do NT empregam diversas palavras gregas para designar adoração. O conhecimento destes termos é de suprema importância para nossa lição.




a) Latreuô (λατρευω). Esta palavra significa servir, prestar culto, honrar (Fp. 3.3). Note que no AT Moisés pediu a Faraó que deixasse o povo de Israel ir para servirem a Deus (Êx. 7. 16). Trata-se aí de cultuar, oferecer atos de adoração que agradem a Deus. No AT como no NT a relação do homem com Deus não deixa de ser de serviço. O autor da Carta aos Hebreus nos diz que Cristo morreu por nós para que pudéssemos “servir” ao Senhor (Hb. 9.14). E era isso que a profetiza Ana fazia no templo diariamente (Lc. 2.37, veja ainda Mt. 4.10; Rm. 12. 1).




b) Sebázomai (σεβάζομαι). Significa reverenciar, temer (Mt. 15.9; Rm. 1.25). A majestade de Deus impele o pecador a afastar-se com temor. O uso desta palavra para adoração mostra que a reverência é o modo correto de o adorador se aproximar de Deus. Todo que vai ao Senhor em adoração deve ir tendo consciência de Sua grandeza e da finitude da condição humana.




c) Prokuneô (προσκυνέω). Significa prostrar-se em sinal de sujeição, adorar (Mt. 2.2; Ap. 4.10). Entre os gregos este termo era usado para adorar os deuses, ficando de joelhos e prostrando-se. É assim que João descreve os seres celestiais diante do Cordeiro em Apocalipse 4. 9-10. Antigamente os bancos das igrejas tinham um genuflexório anexado atrás (peça de madeira para se ajoelhar), hoje isso não existe mais. Adorar parece ter deixado de ser rendição, prostração, para ser festa. Quando se diz “vamos adorar” hoje em dia ao invés de se abaixar pede-se que as pessoas fiquem de pé. Uma contradição imensa, antes se abaixavam, hoje se levantam, mais oposto impossível. É sinal dos tempos e do conceito de adorar que campeia nos arraiais evangélicos.



Compreendendo as palavras usadas por nossos irmãos no NT, agora vamos nos ater as características da adoração da Igreja Primitiva.




II- A adoração na Igreja Primitiva.




Conhecer a adoração no NT é conhecer a adoração da Igreja nascente. Que marcas tinha este culto? Será que o culto contemporâneo passa no teste se comparado com o antigo? Observe como era a adoração na época dos apóstolos.




a) Era cristocêntrica. A distinção da congregação em adoração para as outras religiões era a presenção de Cristo no meio (Mt. 18.20). Todas as partes da adoração eram calculadas para levar o adorador a ter noção da presença de Jesus.




Confissões de fé proclamavam seu senhorio (Fp 2.11; Rm 10.9; 1Co 12.3). Os hinos e as odes louvavam não somente sua pessoa como Deus-Feito-Homem, mas também a obra salvadora mediante sua morte e ressurreição (Fp 2.6-11; Cl 1.15-20; 1Tm 3.16)... Na mesa da ceia do Senhor, era sua ceia (1Co 11.20) que era relembrada e perpetuada; sua morte (1Co 11.26) era proclamada, e seu corpo, discernido (1Co 11.29. E era aguardada sua futura vinda em glória (1Co 11. 26) (Ralph P. Martyn. Adoração na Igreja Primitiva, p. 165).




b) Era pneumatológica. O Espírito Santo leva os crentes a glorificar e confessar o senhorio de Cristo (Jo. 16. 13-14; 1Co. 12.3) e refreia a adoração errada. É o Espírito quem inspira a oração (Rm. 8. 26-27; Ef. 6.18), o louvor (Ef. 5.18-19). Por Ele somos levados a verdades profundas da Palavra de Deus (Jo. 16.13ss; 1Co. 2). Ele transmite os dons (1Co. 12). Paulo resume tudo na frase: “adoramos a Deus por meio do seu Espírito (Fp. 3.3).




c) Era edificante. Isto pode ser visto nos seguintes aspectos:




1- O propósito dos dons espirituais. Com isso queremos dizer que o Espírito Santo dirigia tudo; a manifestação dos espirituais era visível. Mas, Paulo que em meio a operação do pode espiritual, o cristão deveria entender que o objetivo maior seria a edificação do irmão. A Igreja, a coletividade deveria ser a beneficiária com os dons na adoração (1Co. 12.7, 25; 14. 5, 12-19, 26), se não fosse assim seria perca de tempo (1Co. 14. 6-9, 12-17).




2- Tudo deveria ser didático. Todos os que estavam no culto deveriam entender o que estava acontecendo. Paulo faz questão de enfatizar que só havia adoração verdadeira quando todos participassem sabendo o que estavam fazendo (Rm. 12. 1; 1Co. 14).




d) Era participativa, mas organizada. O culto do NT parece que era muito movimentado, pelo menos na igreja de Corinto (1Co. 14.26). Havia lugar para que os crentes usassem os dons para a edificação geral. Mas, Paulo faz questão de salientar que esta espontaneidade não poderia descambar na bagunça. Tudo deveria ser feito na mais perfeita ordem (1Co. 14.40). A liberdade do Espírito não desemboca em desorganização, o espírito do profeta está sujeito ao profeta; descontrole e confusão não coisas de Deus (1co. 12. 1-3; 14. 26-33). 




e) Era com ações de graça. Havia uma nota de gratidão nas convocações cristãs primitivas. Isso era expressado oralmente (hinos, orações), e nas contribuições em dinheiro para o serviço, e na observância  das ordenanças sagradas (batismo e ceia do Senhor: At. 2.45; 4. 32-35; 1Co. 14. 16; Ef. 5. 19-20; Cl. 3. 16-17).




III- Organização não é formalismo. 




Muitas pessoas confundem desordem espiritual com espiritualidade (interpretando mal 2Co. 3.17, pois ali Paulo da liberdade que a Aliança da Graça traz em contraposição a Aliança da Lei), e dizem quando o Espírito está no controle as coisas acontecem  sem se pensar em muita ordem, a decência vira segundo plano, ninguém pode controlar o Espírito, essas coisas. Liturgia fixa é vista como coisa de homem. Bem, esse tipo de pensamento não é bíblico. Mesmo já tendo tocado nesse assunto no ponto anterior letra d, penso que dada a importância do tema, devemos tratá-lo com mais atenção aqui.




a) As origens da adoração cristã. O jeito de adorar da Igreja Cristã primitiva está fundamentado na adoração do AT. Quem lê o Pentateuco vai encontrar ali todas as descrições de como o culto deveria ser no Tabernáculo. Tudo era muito organizado, Deus dá o modo como deveria ser feito, o que se deveria usar, e mostra até as pessoas que deveriam participar, e como (Êx. 25-31; 36-39; Lv. 1-8; 10; 16; 23-24; Nm. 9; 28-29; Dt. 23.1-7). A organização era tanta que chegava até a roupa dos oficiantes (Êx. 28. 3-43). Quando o Templo é construído a organização continua. Existem várias descrições concernentes até ao louvor; quem deveria cantar, tocar, e como executar tudo (1Cr. 22-26.19).



Quando o povo vai para o cativeiro babilônico desenvolve as Sinagogas, e o culto ali era também muito organizado. A estrutura está: louvor, oração, sermão, bênção. Dependendo o dia da semana o padrão poderia mudar, mas a tríade louvor, oração, sermão sempre está presente (veja descrição em: Ralph P. Martyn. Adoração na Igreja primitiva, pp. 34-38).




b) Paulo e a organização. O culto cristão tem sua origem nesta estrutura organizada do povo judeu. Quando Paulo se depara com uma igreja que estava fazendo pouco caso da organização no culto, ele é duro com ela (1Co. 11. 17-34). Nas suas palavras chega a sugerir uma ordem de culto (14. 26), e reitera o fato da ordem e da decência.



c) Formalismo também é condenado. Ordem no culto não implica em frieza ou formalismo, pois a mesma Bíblia que prega a organização combate o formalismo. Jesus condena a adoração que é focada em lugares e tradições (Jo. 4. 20-24). Se o culto do AT estava ligado a status (sacerdote), e lugares (templo), com a chegada dEle isso mudou. Todo lugar onde tem um santo é lugar de culto. Ele condena também os exibicionismos e vãs repetições de palavras (Mt. 6.7); práticas de rituais em substituição a retidão genuína (Mc. 7.6ss).




Seguindo a verdadeira tradição profética, Jesus não tolerava a perversão da piedade mediante o formalismo oco. Jesus censura não somente o exibicionismo na oração, mas também a oração que consiste em repetições sem sentido (R. N. Champlin. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, vl. 1, p. 59).




Em adoração as palavras e exemplos de Cristo norteavam a vida de adoração da Igreja no NT.




CONCLUSÃO




A adoração na Igreja Primitiva era algo essencial, vital. Todos os dias, de casa em casa ou no templo, os irmãos se reuniam para celebrar ao Senhor (At. 2. 46). Entende-se que a adoração era vista como serviço reverente a Deus, por meio de Jesus Cristo, e impulsionada pelo Espírito Santo. O culto racional dos irmãos era prestado visando o bem comum, e em ação de graças ao Senhor que tudo fez e proporcionou a salvação. Assim, como soberano, Ele, e só Ele, deveria ser adorado. Esta era a compreensão daquele povo.



Para aqueles irmãos a adoração poderia ser espontânea e carismática, sem implicar em desordem ou bagunça. O Espírito que os unia, também os levava a ordem e a decência, sem com isso transformar-se o culto num ritualismo morto. Se a Igreja atual quiser cultuar a Deus, fazendo um culto que Ele aceite, deve urgentemente se espelhar na adoração do NT.

quarta-feira, 25 de março de 2015

ADORAÇAO EM APOCALIPSE



Por Joelson Gomes


O livro do Apocalipse é permeado por expressões de adoração. Em quase todos os capítulos encontra-se os sons do louvor. Ralph P. Martyn escreveu:


O Apocalipse de João está cheio de sons da adoração celestial que ecoam a nota de louvor adorador a Deus como Criador (4.8-11) e Redentor (5.8-14). A Igreja na terra compartilha desse reconhecimento exultante no exercício de seu ministério sacerdotal (1.6) (Adoração na Igreja Primitiva, p. 173).


            Sim, realmente o Apocalipse está cheio de adoração, até a pregação do Evangelho Eterno é uma convocação para adorar (14.6-7). Então, neste livro cheio de culto vamos aprender os princípios certos para uma adoração sadia, pois, o Apocalipse não só fala de adoração, mas mostra como vivê-la.


            I- O que é Apocalipse.


Antes de tudo é bom começarmos com algumas definições, pois a palavra “apocalipse” mesmo sendo velha conhecida dos leitores da Bíblia, temo que muitos tenham uma impressão incompleta dela. Assim, vamos começar explicando o seu significado.


a) Estilo literário. Apocalíptica, segundo D.S. Russel: “Trata-se, com efeito, de expressão técnica que a Igreja Cristã veio a usar do século segundo em diante para indicar um tipo de literatura” (Desvelamento Divino, p. 25). Assim, Apocalipse/Apocalíptica designam um estilo literário, um jeito de escrever. É um gênero de literatura de revelação que faz muito uso de símbolos, metáforas. Muitas partes da Bíblia usa essa linguagem simbólica (Is. 24-27; 65-66; Ez. 1-3; 9; 26-27; 38-48; Dn. 7-12; Zc. 1-8; 12-14). 


b) Livro bíblico.  Apocalipse é também o nome que se dá ao último livro das Escrituras que foi escrito por João em estilo apocalíptico. Este livro descreve em linguagem simbólica a vitória de Jesus Cristo e sua Igreja (a noiva do Cordeiro) contra o dragão (Satanás) e seus seguidores. Seu autor é o discípulo João (1.1, 4, 9; 22.8), e até agora os argumentos apresentados para comprovar esta afirmação são convincentes (Veja Erich Mauerhofer. Uma Introdução aos Escritos do Novo Testamento, pp. 569-573).


Bem, entendido o que é “apocalíptica” e “apocalipse”, vejamos agora como o livro de João se nos apresenta como um belo guia na questão adoração.


II- Apocalipse e a adoração na terra.


            Quando analisamos os textos sobre adoração neste livro, ao tentarmos uma sistematização notamos que muitos princípios podem ser extraídos. 


a) João e a visão do Cristo glorificado. No começo do livro (1.12-20), seu autor, descreve uma visão de Cristo em glória, e o teto nos diz que como reação a isso, João cai por terra. Muitas qualidades de Cristo são apresentadas por meio de símbolos: sacerdócio (a longa túnica (13): Êx. 28.4; 29.5); realeza (cinto de ouro (13): era um adereço peculiar aos reis); eternidade (os cabelos brancos como o ancião de Dn. 7.9); ciência divina (olhos perscrutadores como chama de fogo (2.23)); estabilidade (os pés de bronze). Tudo demonstra sua majestade, no brilho do rosto, no som da voz. A Majestade que merece adoração está presente e João entende isso na própria carne, ele cai, pois não suporta a presença do Divino.


b) A salvação e a condenação estão ligadas a adoração. Dentro desta visão de tomar os textos de Apocalipse também como princípios, modelos para uma correta adoração, notamos que o seu autor é claro em demonstrar que grande pecado é a adoração de ídolos pelos que habitam a terra (9.20-21). Quem adora a besta e o dragão comete desvio (13. 1-4), e esta característica de adoração falsa pertence aos não salvos (13.8, não ter o nome no livro do Cordeiro). O principio demonstrado é que adorar só a Deus em Cristo é sinal dos salvos, dos regenerados; adorar a besta, a ídolos, adoração falsa, é sinal dos réprobos. Algo muito sério é colocado aqui: para João salvação e reprovação se expressam através da adoração. A quem você adora diz se você é salvo ou condenado (14. 9-12), vencedores adoram a Deus (15. 2-4), condenados adotam ídolos (16. 2). Para João, na terra, a marca de quem guarda a perseverança dos santos, os mandamentos de Deus, e a fé em Jesus (14.12), está expressa em que adoram só a Deus por Jesus Cristo (1Pe. 4.11).



III- Apocalipse e a adoração no céu.


Além de mostrar diversas cenas de adoração na terra, o Apocalipse também mostra muitas cenas no céu. Olhando estes quadros pintados por João com atenção é possível também extrair princípios para uma adoração bíblica.


a) Jesus Cristo adorado. Algumas seitas pseudo cristãs pregam que Jesus Cristo é um ser menor que Deus, e por isso adoração só deve ser dirigida ao Deus Pai que é Todo-Poderoso. O próprio Cristo disse em Mateus 4.10 que só a Deus se deve adorar. Se você ficou em dúvida o Apocalipse responde.

1- Jesus Cristo é Todo-Poderoso. João abre seu livro mostrando que aquele que virá em glória nas nuvens, e que todo olho verá, é o mesmo que foi traspassado na cruz, e é na verdade o Todo-poderoso (1.7-8).


2- Jesus Cristo adorado por todos. Depois, Jesus é apresentado como o Cordeiro que foi morto e que é digno de receber toda adoração de todos no céu e na terra (5. 1-6, 8-14).


·         Uma nota sobre reverência. Ora, já vimos nesta revista que adoração significa também reverência, é impossível se achegar a Deus para adorar de forma correta sem a devida reverência que Ele merece. Veja que a adoração descrita por João é extremamente reverente, isso é claro na atitude de João, dos seres espirituais, dos 24 anciãos diante do Cordeiro (1.17; 4.10-11; 5.8, 14; 19. 4, 10).


b) Deus adorado. As cenas de adoração a Deus pelas criaturas do céu também são frequentes em Apocalipse. Em 4. 4-11, Ele é adorado por todas as criaturas espirituais. Os quatro seres viventes vistos não só adoram, mas é dito que estão em “constante” adoração (4.8). A cena de adoração a Deus no céu se repete em 7. 9-12, e em 11. 15-18, com uma diferença. Aqui os 24 anciãos dão a razão da adoração. Eles adoram porque Deus é eterno, Rei (17), juiz, galardoador (18). E o clímax está em 19. 4-9, onde as Bodas do Cordeiro convoca a todos os remidos para a adoração a Deus em Cristo na vitória final contra o mal. A festa está pronta.


A quem se deve adorar no céu? Ao Cordeiro que é Deus Todo-Poderoso, não havendo divisão. Apocalipse mostra que quem adora a Deus, adora a Jesus e vice versa. A honra devida ao Pai é a mesma devida ao Filho (Jo. 5. 23), quem conhece ao Filho, conhece ao Pai (Jo. 14.9; 1Jo. 2. 22-23).

Quando João mostra as cenas de adoração no céu, a verdade que comunica é a mesma de quando mostra as cenas da terra: toda idolatria é pecado, e adoração e reverência devem ser dirigidas exclusivamente a Deus.



CONCLUSÃO


A Reforma Luterana do século XVI tinha alguns princípios que muitos chamam de “solas”. Entre estes estava o principio do Soli Deo Gloriae (Só a Deus Glória). Este principio proclama que diferente da Igreja Romana, que glorificava homens, imagens, e “santos”; os Protestantes só davam glória a Deus por tudo que recebiam, e entendiam que o único objeto de sua glorificação no céu e na terra, deveria ser o Criador.

João em Apocalipse parece concordar com este princípio. Em todas as suas divisões onde aparecem cenas de adoração, seja no céu ou na terra, o único objeto adorado, honrado, reverenciado é Deus em Cristo. Para este autor a marca de uma pessoa não salva reside justamente no fato de ela deixar de adorar ao Deus Todo-Poderoso, para se misturar com os ídolos seja de que espécie for.

A “Igreja” brasileira que virou uma fábrica de ídolos e vive incensando cantores e pastores famosos, faria bem se atentasse para os princípios de adoração descritos por João em no Apocalipse.


quarta-feira, 4 de março de 2015

POR UMA NOVA DANÇA

 Por Carol Gualberto


Parece que foi ontem. A dança chegando tímida ao espaço eclesial, procurando um cantinho nos púlpitos das igrejas, mas, antes de tudo, buscando um lugar no corpo de cada cristão que se arriscava a assumi-la em contexto tão “puritano”. Os anos voaram e vivemos um outro extremo: púlpitos-palcos, inúmeros ministérios de dança com uma enorme quantidade de participantes que se atrevem a se apropriar dessa arte e criar uma “teologia” à parte, feita de modismos e bizarrices.

Quem me conhece, sabe da minha posição contrária ao rumo da dança dentro da igreja evangélica. A confusão doutrinária, teológica, litúrgica, espiritual que vivemos hoje “colaborou” para que surgisse e se fortalecesse esse “movimento” de reivindicação do lugar da dança na Igreja e da criação de conceitos em dança, sem fundamentação bíblica. Deixo claro que não quero uniformizar um pensamento; nunca foi meu objetivo nem acredito nisso. Porém, não compactuo com a baderna no mau uso de textos bíblicos e o “achômetro” de alguns.

O mais importante aqui, entretanto, é ressaltar que, até pouco tempo atrás, essa reflexão seria direcionada apenas aos que participam dos ministérios de dança. Hoje, com o “boom” do gueto gospel, dirijo-me a todos nós, plateia e -- por que não? -- consumidores, uma vez que escolhemos e adquirimos produtos artísticos.

Muitos de nós têm deslumbrado-se com essa “onda da dança” e engolido espetáculos, apresentações, DVDs, oficinas etc. sem o exercício da avaliação a partir do crivo do evangelho. Com o surgimento de grupos de destaque, que têm infraestrutura e elenco com boa técnica, a coisa piora! Acostumados a ver uma dança “mais ou menos” feita em nome de Deus e a não questioná-la, nem hesitamos em consumir quando há produção e bons bailarinos. O critério não pode ser “tem boa técnica versus não dança bem”. O grande problema é o que está por trás da “dança da igreja evangélica”. Minha questão aqui é mais teológica e bíblica do que qualquer outra coisa.

Estamos distantes do evangelho de Cristo, inclusive a dança que produzimos. Isso se revela na sua falta de relevância e na “teologia da dança”, criada a partir das loucuras em nome de Deus e de um mercado gospel que, à medida que o consumimos, nos consome também. Não sou contra a dança entre os cristãos evangélicos, mas estou cansada da “dança dos cristãos evangélicos”.

Qual é a fundamentação da “dança gospel”? Por que e para quê uma “dança gospel”? Nosso Cristo viveu “no” mundo, sem ser “do” mundo. Nosso Mestre era parte do povo dele, confundia-se com ele e, dessa forma, tornava sua mensagem ainda mais relevante. Bastaria sermos, portanto, de fato e em tudo, cristãos, e nossa dança, como consequência da nossa liturgia diária, seria coerente com o evangelho. Seria bonita de se ver, forte contra o sistema “do” mundo, e -- por que não? -- necessária e fundamental para o pleno estabelecimento do reino. Sejamos criteriosos, em nome de Cristo, por uma nova dança, por um movimento novo.

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Carol Gualberto é coreógrafa da UFMG e membro da Comunidade Presbiteriana Central em Belo Horizonte, MG, é cantora e tem três cds gravados cujas capas ilustram este texto.

terça-feira, 3 de março de 2015

UM FILME QUE VOCÊ PRECISA ASSISTIR: Selma: Uma Luta pela Igualdade

Assista e conheça um pouco da história do Pastor e líder negro Martyn Luther King.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

"PREGAÇÃO" MODERNA




Venha ser feliz
É a ladainha
Sofrer mais nunquinha
O enganador diz
Filial ou matriz
É essa a cantiga
E ainda há quem diga
Que a coisa é de Deus
Só se for os seus 
Mas não o da Bíblia
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