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sábado, 13 de setembro de 2014

BRASIL UM PAÍS RACISTA


"O Governo Brasileiro reconheceu e reconhece sua responsabilidade e criou a Secretaria de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em 2003."
O comentário, enviado à BBC Brasil pela secretaria com status de ministério, responde a um relatório divulgado nesta sexta-feira pela ONU. O órgão mundial afirma que o racismo "permeia todas as áreas da vida" no Brasil.
Tanto a ONU quanto o governo, entretanto, também destacam avanços nas políticas para afrodescendentes no Brasil.
Segundo o Planalto, a implementação de cotas raciais na educação e no serviço público e a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra foram medidas importantes no processo de reversão deste problema histórico no país.
A ONU concorda e diz que os principais avanços ocorreram durante o governo do ex-presidente Lula.
As críticas do relatório e o posterior "mea culpa" são resultado da visita de um grupo de trabalho da ONU a Brasília, Pernambuco, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, em dezembro do ano passado.
Os especialistas foram recebidos por representantes do governo, do judiciário e de organizações da sociedade civil.

Desigualdade

O texto do relatório informa que "o racismo permeia todas as áreas da vida no país" e que é difícil para os negros discutir o tema, já que "o país vive um mito de democracia racial".
Segundo a ONU, o desemprego é 50% maior entre afrodescendentes e a média salarial dos brancos, por sua vez, é o dobro do salário dos negros.
Enquanto a expectativa de vida entre os negros não passa de 66 anos, a dos brancos é seis anos maior. Mais da metade dos negros não tem saneamento básico adequado no país - a média chega a 3 em cada 10 brancos.
Crianças no complexo da Maré, no Rio de Janeiro
As Nações Unidas reconhecem que o país conta com "diversas instituições para a promoção da igualdade social" e "diversos avanços expressivos foram feitos na legislação sobre a igualdade racial", especialmente nos últimos dez anos.

"Os mecanismos de reprodução das desigualdades raciais se atualizam no Brasil. O reconhecimento do papel estruturante do racismo é o principal fator para que a atual gestão apoie decididamente ações afirmativas para produzir as mudanças que, por longo tempo, foram impedidas de acontecer na sociedade brasileira", disseram os porta-vozes do governo à reportagem da BBC Brasil.
"Esses ganhos ainda são acompanhados pela persistência das desigualdades raciais", afirma o governo federal. Segundo o Planalto, as diferenças entre brancos e negros demandam "um renovado esforço de articulação de iniciativas capazes de neutralizar seus efeitos deletérios sobre as oportunidades de inclusão que se abrem no Brasil de hoje".
"É um processo", diz a pasta.

'Ideologia de embranquecimento'

Entre os resultados da pesquisa, a ONU aponta que a educação é uma das principais áreas de discriminação e uma das principais fontes de desigualdade. "É importante que se desconstrua a ideologia de embranquecimento que continua a afetar uma parcela significante da sociedade", diz a ONU.
Segundo o órgão internacional, "políticos conservadores desvalorizam ações afirmativas, políticas e leis" direcionadas aos afrodescendentes - que têm menos acesso à saúde e educação, menor expectativa de vida, menos cargos públicos e maior presença nas prisões.
O relatório critica as administrações estaduais e municipais, onde "faltam recursos materiais e financeiros para que as atividades possam ser conduzidas".
O órgão ainda destaca o trabalho de redução do racismo institucional em Pernambuco, com trabalhos de sensibilização e capacitação de policiais, e um grupo de trabalho contra o racismo criado pelo Ministério Público pernambucano.
Segundo o órgão internacional, o foco nos policiais é "importante para transformar a cultura de violência sob pretexto de segurança nacional" - três negros morreram em cada quatro homicídios cometidos no Brasil em 2010.

Justiça

A dificuldade de acesso à justiça pela população negra é, para a ONU, um dos pontos-chave da discussão.
Segundo o órgão, como a sociedade ainda nega a existência de praticas racistas, estas questões acabam não chegando no judiciário e, quando chegam, dificilmente são penalizadas. As Nações Unidas indicam ainda que a polícia atua com critérios "baseados na cor da pele" dos cidadãos.
"O papel da polícia é garantir a segurança pública", diz o relatório. "Mas o racismo institucional, a discriminação e a cultura de violência levam a práticas de tortura, chantagem, extorsão e humilhação, em especial contra afro-brasileiros."
Ainda segundo o documento, "o direito à vida sem violência não é garantido pelo Estado".

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

QUEM SÃO OS EVANGÉLICOS

Por Ricardo Alexandre


Homofóbicos, cortejados pela presidente, fundamentalistas. Massa de manobra de Silas Malafaia, conservadores, determinantes no segundo turno das eleições. De tanto que se falou sobre os evangélicos nas últimas semanas, nos jornais e nas redes sociais, talvez caiba uma pergunta: afinal, quem são “os evangélicos”?

A resposta mais honesta não poderia ser mais frustrante: os evangélicos são qualquer pessoa, todo mundo, ou, mais especificamente, ninguém. São uma abstração, uma caricatura pintada a partir do que vemos zapeando pelos canais abertos misturado ao que lemos de bizarro nos tabloides da internet com o que nosso preconceito manda reforçar. Dizer que “o voto dos evangélicos decidirá a eleição” é tão estúpido quanto dizer a obviedade de que 22,2% dos brasileiros decidirão a eleição. Dizer que “os evangélicos são preconceituosos”, significa dizer que o ser humano é preconceituoso. É não dizer nada, na verdade.

Acreditar que há uma hegemonia de pensamento, de comportamento ou de doutrina evangélica é, em parte, exatamente acreditar no que Silas Malafaia gosta de repetir, mas é, em parte, desconhecer a história. A diversidade de pensamento é a razão de existir da reforma protestante. E continuou sendo pelos séculos seguintes, quando as igrejas reformadas do século 16 deram origem ao movimento evangélico, aos pentecostais, e estes aos neopentecostais, todos microdivididos até o limite do possível, graças, novamente, à diversidade de pensamento – sobre forma de governo, vocação e pequenos e grandes pontos doutrinários. E boa parte dessas denominações não tem sequer organização central nem “presidência”, muito menos representantes possíveis, com as decisões sendo tomadas nas comunidades locais, por votação democrática.

Assim como não existe “os evangélicos” também não existe “os pentecostais”, nem “os assembleianos”: dizer que Malafaia é o “papa da Marina Silva” como disse Leonardo Boff, apenas porque ambos são membros da Assembléia de Deus, é ignorar que, por trás dos 12,3 milhões de membros detectados pelo IBGE, a denominação é rachada entre ministérios Belém, Madureira, Santos, Bom Retiro, Ipiranga, Perus e diversos outros, cada um com seu líder, sua politicagem e sua aplicação doutrinária. A Assembléia de Deus Vitória em Cristo de Malafaia, aliás, sequer pertence à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.

Ignorância parecida se manifesta em relação ao uso do termo “fundamentalista”, como sinônimo de “literalista”, aquele incapaz de metaforizar as verdades morais dos livros da Bíblia. A teologia cristã debate há dois mil anos sobre a observação, interpretação e aplicação dos escritos sagrados, quais são alegóricos e quais são históricos, quais são “poesias” e quais devem ser tomados ao pé da letra. O deputado Jean Wyllys, colunista da Carta Capital, do alto de alguma autoridade teológica presumida, já chegou à sua conclusão: o que não for leitura liberal, é fundamentalista e, portanto, uma ameaça às minorias oprimidas. (Liberalismo teológico é uma corrente do final do século 19 que propôs uma leitura crítica das escrituras, completamente alegorizada, negando sua autoridade sobrenatural, a existência dos milagres, e separando história e teologia).

Só que isso simplesmente não é verdade. Dentro da multifacetação das igrejas de tradição evangélicas, há as chamadas “inclusivas”, mas há diversas igrejas históricas, tradicionais, teologicamente ortodoxas, que acreditam nos absolutos da “sola scriptura” da Reforma Protestante, mas que têm política acolhedora e amorosa com as minorias. Algumas criaram pastorais para tratar da questão homossexual, outras trabalham para integrá-los em seus quadros leigos; ou, ainda, como disse o pastor batista Ed René Kivitz, estão mais dispostos a aprender como tratar “uma pessoa que está diante de mim dizendo ter sido rejeitado pela família, pela igreja” do que discutir a literalidade dos textos do Velho Testamento.

O panorama da questão pode ser melhor entendido em Entre a cruz e o arco-íris: A complexa relação dos cristãos com a Homoafetividade (de Marília de Camargo César, da Editora Autêntica), livro que tive a honra de editar. Nele, o pastor batista e sociólogo americano Tony Campolo, ex-conselheiro do presidente Bill Clinton, diz: “Se você vai dizer à comunidade homossexual que em nome de Jesus você a ama (...) não teria que lutar por políticas públicas que demonstrem que você as ama? Pode haver amor sem justiça? Eu luto pela justiça em favor de gays e lésbicas, porque em nome de Jesus Cristo eu os amo.” Campolo, entretanto, faz distinção entre direitos e casamento: “O governo não deve se envolver nem declarar, de forma alguma, o que é casamento, quem pode ou não se casar”, ele disse. “Governo existe para garantir os direitos das pessoas. Casamento é um sacramento da igreja – governos não devem decidir quem deve ou não receber esse sacramento.” Campolo acredita que esta será a visão dominante entre cristãos americanos “em cinco ou seis anos”.

Entre os evangélicos brasileiros, há quem pense desde já como Campolo – distinguindo união civil de casamento. Há quem pense de forma ainda mais radical: que a união civil, com implicações patrimoniais e status de família, deveria valer não apenas para casais homossexuais, mas para irmãos, primos ou quem quer que se entenda como família. Há quem defenda o acolhimento dos gays nas igrejas, mas que se reserve o celibato para eles. Quem, embora sabendo que mais da metade das famílias brasileiras já não são no formato pai-mãe-filhos, ainda luta para restabelecer esse padrão idealizado. Há, sim, quem acredite que o seu conjunto de doutrinas e o seu modo de vida são fundamentais. Há aqueles ainda que, enquanto discutimos aqui, estão mais preocupados se a melhor tradução do grego é a João Ferreira de Almeida ou a Nova Versão Internacional. E há quem acorde diariamente acreditando ser o porta-voz do “povo de Deus”, pague espaço em redes de televisão para multiplicar esse delírio (mas, a julgar pelo 1% de intenção de voto do Pastor Everaldo, somente ativistas gays e jornalistas desmotivados acreditam nesse discurso). Esses são “os evangélicos”.

Na fatídica sexta-feira em que o PSB divulgou seu programa de governo, enquanto Malafaia gritava no Twitter em CAPSLOCK furibundo, o pastor presbiteriano Marcos Botelho, postou: “Marina, que bom que vc recebeu os líderes do movimento LGBTs, receba as reivindicações com a tua coerência e discernimento de sempre e um compromisso com o estado laico que é sua bandeira. Vamos colocar uma pedra em cima dessa polarização ridícula entre gays e evangélicos que só da IBOPE para líderes políticos e pastores oportunistas.”

Botelho não representa “os evangélicos” porque não existe “os evangélicos”. Mas Marcos Botelho existe e é evangélico. Assim como existe William Lane Craig, o filósofo que convida periodicamente Richard Dawkins para um debate público, do qual este sempre se esquiva; existe o geneticista Francis Collins vencendo o William Award da Sociedade Americana de Genética Humana; existe o presidente Jimmy Carter, dando aula na escola bíblica no domingo e sendo entrevistado para a capa da Rolling Stone por Hunter Thompson na segunda-feira; existe o pastor congregacional inglês John Harvard tirando dinheiro do próprio bolso para fundar uma universidade “para a glória de Deus” nos Estados Unidos que leva seu sobrenome até hoje; existe o pastor batista Martin Luther King como o maior ativista de todos os tempos; existe o jovem paulista Marco Gomes, o “melhor profissional de marketing do mundo”, pedindo licença para “falar uma coisa sobre os evangélicos”. E existe o Feliciano, o Edir Macedo, a Aline Barros, o Thalles Roberto, o Silas Malafaia e o mercado gospel. Como existe bancada evangélica, mas existem os que lutaram pela “separação entre igreja e estado” na constituição, e existem os que acreditam que levar Jesus Cristo para a política é trabalhar não para si, mas para os menos favorecidos.

Existe o amor e existe a justiça, como existe o preconceito, o dogmatismo, o engano, o medo, a vaidade e a corrupção. Não porque somos evangélicos, mas porque somos humanos.

* Ricardo Alexandre é jornalista e escritor, radialista e blogueiro, Prêmio Jabuti 2010, ex-diretor de redação das revistas Bizz, Época São Paulo e Trip. E é membro da Igreja Batista Água Viva em Vinhedo, interior de São Paul

terça-feira, 26 de agosto de 2014

ATEUS E ATEUS

Por Olavo de Carvalho

 
Há dois tipos de ateus: os que não acreditam que Deus existe e os que acreditam piamente que Deus não existe. Os primeiros relutam em crer naquilo de que não têm experiência. Os segundos não admitem que possa existir algo acima da sua experiência. A diferença é a mesma que há entre o ceticismo e a presunção de onissapiência. 

Acima da distinção de ateus e crentes existe a diferença, assinalada por Henri Bergson, entre as almas abertas e as almas fechadas. Vou explicá-la a meu modo. Como tudo o que sabemos é circunscrito e limitado, vivemos dentro de uma redoma de conhecimento incerto cercada de mistério por todos os lados. Isso não é uma situação provisória. É a própria estrutura da realidade, a lei básica da nossa existência. Mas o mistério não é uma pasta homogênea. Sem poder decifrá-lo, sabemos antecipadamente que ele se estende em duas direções opostas: de um lado, a suprema explicação, a origem primeira e razão última de todas as coisas; de outro, a escuridão abissal do sem-sentido, do não-ser, do absurdo. Há o mistério da luz e o mistério das trevas. Ambos nos são inacessíveis: a esfera de meia-luz em que vivemos bóia entre os dois oceanos da claridade absoluta e da absoluta escuridão.

O simbolismo imemorial dos estados "celestes" e "infernais" demarca a posição do ser humano no centro do enigma universal. Essa situação - a nossa situação - é de desconforto permanente. Ela exige de nós uma adaptação ativa, dificultosa e problemática. Daí as opções da alma: a abertura ao infinito, ao inesperado, ao heterogêneo, ou o fechamento auto-hipnótico na clausura do conhecido, negando o mais-além ou proclamando com fé dogmática a sua homogeneidade com o conhecido. A primeira dá origem às experiências espirituais das quais nasceram os mitos, a religião e a filosofia. A segunda leva à "proibição de perguntar", como a chamava Eric Voegelin: a repulsa à transcendência, a proclamação da onipotência dos métodos socialmente padronizados de conhecer e explicar. 

A religião é uma expressão da abertura, mas não é a única. A simples admissão sincera de que pode existir algo para lá da experiência usual basta para manter a alma alerta e viva. É possível ser ateu e estar aberto ao espírito. Mas o ateu militante, doutrinário, intransigente, opta pela recusa peremptória do mistério, deleitando-se no ódio ao espírito, na ânsia de fechar a porta do desconhecido para melhor mandar no mundo conhecido. 

Dostoiévsky e Nietzsche bem viram que, abolida a transcendência, só o que restava era a vontade de poder. Aquele que proíbe olhar para cima faz de si próprio o topo intransponível do universo. É uma ironia trágica que tantos adeptos nominais da liberdade busquem realizá-la através da militância anti-religiosa. As religiões podem ter-se tornado violentas e opressivas ocasionalmente, mas a anti-religião é totalitária e assassina de nascença. Não é uma coincidência que a Revolução Francesa tenha matado dez vezes mais gente em um ano do que a Inquisição Espanhola em quatro séculos. O genocídio é o estado natural da modernidade "iluminada".

terça-feira, 12 de agosto de 2014

ADORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO


Por Joelson Gomes

Texto Base: Sl. 96

Texto áureo: Sl. 95. 6.

Objetivo da lição: Ao término da lição o aluno deverá conhecer os termos usados para adoração, compreender sobre o desenvolvimento da prática, e refletir sobre princípios atemporais da adoração na Antiga Aliança que podem ser aplicados hoje.

A Bíblia na semana

Seg. Sl. 149
Ter. 2Cr. 5. 2-14
Qua. Êx. 3. 1-6
Qui. Is. 1. 10-17
Sex. Is. 58. 1-12
Sáb. Sl. 150
Dom. Sl. 96


INTRODUÇÃO

O tema da adoração no Antigo Testamento aparece desde seus capítulos iniciais, já com os primeiros filhos do primeiro casal temos a noção de oferecer sacrifícios em adoração ao Senhor (Gn. 4). O povo de Israel foi chamado para ser um povo adorador no Antigo Testamento, a finalidade de Deus tirar o povo da escravidão era para que este povo reunido em uma grande assemble
ia o “servisse” (adorasse) (Êx. 7.16; 8.20). Deus criou as pessoas para Sua glória e é assim que se deve viver (Is. 43.7).
Mas, se o Antigo Testamento fala de adoração, como era esta adoração? Seria como eu penso? Tenho o conceito correto sobre ela? O que as pessoas fazem hoje na maioria das igrejas e eventos ditos cristãos pode ser comparável a adoração descrita nesta primeira parte da Bíblia?
Esta lição se propõe a lidar com o tema adoração de forma a oferecer elementos para que você possa ao fim do estudo ter pistas para responder as perguntas feitas acima. Tome uma posição confortável porque o assunto é ótimo.

I- Conhecendo algumas palavras hebraicas.
Quando pensamos na adoração no Antigo Testamento existem alguns termos hebraicos fundamentais que precisamos conhecer, aliás, a definição das palavras é de importância crucial para que entendamos sua função e conteúdo.

a) Hishahawah. Esta palavra significa literalmente “curvar-se”. O uso dela enfatiza a posição correta do adorador, na qual deve chegar diante da divindade. “O significado pleno da palavra se vê quando empregada em referência a um hebreu que se achega a Deus em total reverência, reconhecendo-o como o grande Rei e Senhor soberano (Gn 24.52; 2Cr 7.3; 29.29)" (Ralph P. Martyn. Adoração na Igreja Primitiva, p. 18).

b) Abodâh. Aqui temos outro termo muito importante. É traduzida como serviço e vem da mesma raiz de “ebed”: servo, escravo. O homem temente a Deus no Antigo Testamento se deleitava em ser chamado servo dEle (veja Sl. 116.16). Vale notar que esta palavra não significava ser rebaixado, cativo, mas tem a conotação de relacionamento entre o Senhor bondoso e seu servo (Êx. 21.1-6). Por isso os grandes líderes são chamados “servos de Deus” (Sl. 89. 3, 20).

c) Sachah. Este vocábulo significa prostrar-se, curvar-se (Lv. 26.1; Sl. 99.5),  dando com isso a entender uma atitude de total reverência.
Quando se observa com atenção as palavras usadas para o adorador e o ato de adorar no Antigo Testamento, vemos que a pessoa é convocada a comparecer diante de Deus e deve atender este chamado em total reverência (veja Sl. 42; 43; 65; 84; 122).

II- Desenvolvimento da prática da adoração no período antigo.

Durante todo tempo as páginas do Antigo Testamento notamos uma evolução na prática da adoração. Observe: 

a) Adoração primitiva. O primeiro registro de culto que temos está em Gênesis 4.1-7. Ali os dois irmãos Caim e Abel vão juntos prestar culto ao Senhor. E aqui Antônio Neves Mesquita faz uma observação importante; ele supõe que a oferta de Caim foi rejeitada porque não foi acompanhada de um espírito de adoração, mas ele estava apenas se conformando com a tradição familiar. Caim traz apenas dos frutos, não há especificação; Abel traz do melhor do rebanho, aqui há especificação. Caim é superficial, cumpre sua religiosidade. Abel dá o melhor, intenso, homem de fé (Hb. 11.4), é adorador (Estudo no Livro de Gênesis, pp. 114-116).

Nesta cena quem vai oferecer os sacrifícios são os próprios sacrificantes, não existe sacerdote intermediário, é tudo muito simples. Nos inícios da adoração no Antigo Testamento é sempre assim, há uma grande ênfase na adoração doméstica, é o pai de família quem invoca Deus, constrói altares, oferece sacrifícios (Gn. 8.20; 12.7; 26.25; 35. 1; Êx. 17.15). Esta adoração doméstica, mesmo depois da construção do Tabernáculo não perece, a Páscoa que a família israelita celebrava em casa é seu exemplo (Êx. 12), mas a ênfase vai recair na adoração coletiva.

b) Adoração coletiva. O povo saiu da adoração particular para o culto coletivo no templo, com muito simbolismo e liturgia rebuscada (1Cr. 29. 20-36; Sl. 42.4). A construção da Tenda da Congregação estabelece todo um sistema de adoração coletiva. Este sistema comportava:

1- Sacerdotes. Estes agiam como intermediários entre o povo e Deus (Êx. 28);
2- Sacrifícios. Desde o começo os holocaustos faziam parte da adoração bíblica. O livro de Levítico divide-os em diversas categorias (Lv. 1-6).
3- Festas. A adoração do povo quase toda se concentrava em torno de grandes festas (Lv. 23). Nestes dias todos os fieis deveriam se apresentar diante de Deus com ofertas apropriadas; ninguém deveria ir a presença do Senhor de mãos vazias (Dt. 16. 16-17). O sistema de culto visto no Tabernáculo e depois no templo restringia a adoração a um lugar (templo), e a uma casta de pessoas (sacerdotes), mostrando com isso a imperfeição que permeava aquela dispensação (não se assuste dispensação é termo bíblico (Ef. 3.2)). O autor de Hebreus diz que tudo aquilo tinha prazo de validade, e acabaria quando Cristo, a realidade que cumpriu aqueles símbolos chegasse (Hb. 8-10).

c) Adoração na sinagoga. Quando o povo do Reino do Sul foi levado ao cativeiro para a Babilônia (o Reino do Norte já havia ido para a Assíria (2Rs. 17; 25)) perdeu seu templo, seu centro de culto. Então desenvolve-se nesta situação as sinagogas, casas de instrução da Lei do Senhor, onde o povo se reunia mesmo no exílio para estudar a Lei e adorar a Deus (veja André Paul. Judaísmo Tardio, p. 170). O povo a terra, perde a liberdade, mas não perde a adoração, ela é essencial na vida e é Deus quem o exige.

III- Princípios de adoração do Antigo Testamento.

É claro que a adoração do Antigo Testamento estava carregada de coisas que foram postas “até ao tempo oportuno de reforma” (Hb. 9.10). “Quando, porem, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados” (Hb. 9.11), o que estava envelhecido e prestes a desaparecer, passou (Hb. 8. 13), mas a tudo subjaz alguns princípios atemporais que queremos observar.

a) A adoração deve ser verdadeira. Sim, no Antigo Testamento Deus deve ser adorado do mais profundo do coração (Abel e sua fé), e não religiosamente apenas (Caim e seus frutos). Os profetas condenavam veementemente o formalismo religioso (1Sm. 15.22). A aparência vazia é recusada (Dt. 6.5; Is. 1. 10-17; 58; Ml. 1), e a retidão do povo é exigida (Am. 5. 24-27).

b) A Adoração deve ser só a Deus. O texto áureo do povo do Antigo Testamento, os Dez Mandamentos, começa com a ordem expressa: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx. 20. 3).  A idolatria, o ato de colocar qualquer coisa no lugar, ou ao lado de Deus é expressamente condenada (Êx. 20.4-6; 1Rs. 13. 1ss; 14. 7ss; 18; Am. 4. 15; Os. 8.1; Mq. 5. 13ss).

c) A adoração deve ser sacrificial. O princípio do sacrifício: substituição pelo pecado, ou oferta pacifica está estabelecido no culto do Antigo Testamento. Ninguém se aproximava de Deus a seu bel prazer, o sacerdote era o intermediário para oferecer sacrifícios pelos pecados do povo, bem como ofertas de adoração (Lv. 1-6). O grande cume da adoração nacional era o Dia da Expiação nacional (Lv. 16), onde o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, oferecendo um sacrifício por ele, e depois no Propiciatório (a tampa da Arca da Aliança), oferecia um sacrifício pelo pecado nacional. Os pecados devem ser expiados para se chegar a presença de Deus.
  
*Os dois altares. O caminho entre o altar do holocausto e o altar do incenso (adoração) era salpicado com sangue do sacrifício. Sem o sangue do holocausto ninguém chegaria ao altar do incenso. Este belo símbolo mostra que a adoração tem que ser sacificial; só adora (altar do incenso) quem já foi aspergido com o sangue (altar do holocausto). Deus só aceita adoração de quem já foi lavado; culto só faz quem já foi purificado. Quem é convertido encontrou não um altar, mas dois altares, em um está a sua purificação, no outro a sua adoração (veja Sl. 84. 3).

d) A adoração deve ser reverente. Moisés quando teve uma visão de Deus na Sarça foi advertido que até as sandálias tirasse (Êx. 3.1-5). No Sinai, o povo na presença de Deus não podia se aproximar do monte, e o temor tomou conta de todos (Êx. 19. 16-25; 20. 18-19). No Tabernáculo e no Templo só os sacerdotes oficiavam e o manuseio dos objetos era para ser feito com o máximo de cuidado. A presença de Deus sempre resulta em temor e prostração (1Rs. 18. 38-39; 2Cr. 7.1-3; Sl. 95. 6; Is. 6. 1-5). O adorador ao aproximar-se da Majestade divina deve fazer sabendo onde está pisando, ali é lugar sagrado (Ec. 5. 1-20).

e) A adoração deve ser alegre. A reverência não exclui alegria. Não se pode confundir reverência com morte, formalismo, frieza. O culto no Antigo Testamento tinha muita movimentação, festa. O povo tocava, cantava, dançava, se alegrava na presença de Deus (2Sm. 6; Sl. 95. 1-7; 100; 150). Os Levitas eram encarregados da execução do canto e de tocar os instrumentos (1Cr. 15.16; 16.4-6; 2Cr. 5. 12-14). O culto deve ser celebrativo, e exultante.

f) A Santa Convocação deve ser respeitada. Todo povo tinha o dever de atender as “santas convocações” de Deus para coletivamente se unirem em adoração (Lv. 23). Do mesmo jeito que a adoração particular tinha importância na vida deles, a adoração coletiva, no Tabernáculo ou Templo, não poderia ser descuidada. Uma não eliminava a outra. Quanto mais contrito com sua família o homem fosse, mais deveria se unir aos outros na adoração.

CONCLUSÃO

Nossa rápida analise da adoração no Antigo Testamento, mesmo eivada pelas enormes limitações deste autor, nos abre os olhos para muitas coisas a respeito deste tema. As palavras usadas demonstram a atitude de respeito e reverência que todos devem ter para com Aquele que chama desde o principio (começando com a primeira família da terra) adoradores. Encontramos todo tipo de adoração (particular, coletiva) fazendo parte da vida as pessoas naquela época, e princípios eternos são extraídos da maneira como Deus organizou sua adoração.
A adoração bíblica tem o padrão de Deus, não se deve as preferências do adorador, mas as diretrizes divinas. Assim, não está baseada nas emoções (ainda que emotiva) do ser humano, mas na sadia Teologia de quem conhece a Deus e a Sua palavra.
Precisamos hoje moldar nosso culto ao culto bíblico e creio que aqui tivemos muitos princípios a serem seguidos em nossas vidas particulares e em nossas igrejas.

Aprofundando.

1- Como você entende o culto?
2- Você acha que o que estudamos da adoração no AT pode ajudar? Em que?
3- Cite 03 características que vimos na adoração do AT.
4- Deus aceita culto de quem não é convertido?

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Lição publicada na revista "Adoração, o serviço sacerdotal da Igreja", da Aliança Congregacional. Pedidos: alianca.b@hotmail.com

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A TRIQUETRA É DO CAPETA?



Triquetra
Por Joelson Gomes


O CONTEXTO- Às vezes um simples símbolo causa muita  polêmica. Recentemente uma denominação mudou o seu símbolo porque achavam que o mesmo contradizia a Bíblia. Pois é, a Igreja Presbiteriana do Brasil em sua última reunião de lideres tirou a pomba do seu logotipo. Outro caso é o da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil onde em seu último Concilio Nacional um novo símbolo foi apresentado, mas causou tanto alvoroço entre pastores que está às portas de também ser trocado. Que símbolo é este? É a Triquetra.
 A polêmica toda surgiu porque muitos disseram que este sinal era usado pelos adeptos da Nova Era. Pois bem vamos aos fatos.

O SÍMBOLO- A Triquetra é um símbolo anterior ao Cristianismo então se é usado pelos partidários da Nova Era, também era usado pelos da "antiga era". Alguns dizem que sua origem é celta, mas não há certeza para isso. O que se sabe é que é um símbolo muito antigo e usado por muita gente e com muitos significados. O símbolo é usado pelos cristãos para representar a Trindade e também é usado em religiões pagãs como o Wicca. Ora, dirão alguns, "aí está, não podemos usar isso, é símbolo pagão". Será que o fato de um símbolo ser usado por uma religião ou um grupo qualquer fora do Cristianismo faz do mesmo coisa imprestável que não pode ser usado pelos cristãos? Bem, vamos com calma.

Símbolo Rosa-Cruz
O USO DOS SÍMBOLOS- É fato que muitos símbolos em si são dinâmicos e neutros, pode se dar aos mesmos o significado que se quiser. O contexto, o tempo, a cultura são fatores determinadores de seus significados. Diversos símbolos conhecidos são usados pelos mais diversos grupos que se apropriam e dão aos mesmos os mais diversos sentidos. Senão veja:
     
Cruz no circulo sinal de Baal, 1.300 a. C.
     a) A Cruz- Este é um símbolo muito usado pelos cristãos em geral. Para muitos a cruz é sem sombra de dúvida um sinal do cristianismo e pronto. As igrejas evangélicas ou católicas romanas estão cheias de cruzes. Mas, muitos se surpreenderiam se soubessem que nem sempre foi assim. No começo da Igreja Cristã a cruz não era usada como designativo cristão e era até desaconselhado fazer uso dela. E também este sinal não foi inventado pelos cristãos, mas a cruz nas mais diversas formas, tem seu uso vindo de tempos muito antigos em diversas culturas, crenças e religiões com o significado de boa sorte e coisas mais. Os Celtas já usavam a cruz muito tempo antes do Cristianismo como símbolo da fertilidade. Quem não conhece a famosa Cruz Celta? Desde 1.300 antes de Cristo já se tem desenho da cruz como sinal do deus sol Baal (veja imagem a direita).  No Império Romano a cruz era um instrumento de execução e não símbolo religioso dos seguidores do Cristianismo. Os Rosa-Cruzes, por exemplo, usam hoje a cruz no seu emblema e tantos seguidores do ocultismo também fazem uso dela. Será que isso faz da cruz  um símbolo pagão?
Pomba na bandeira da Umbanda

    b) A pomba- Para muitos cristãos a pomba é símbolo do Espírito Santo. Mas, a Umbanda hoje usa a pomba no centro da sua bandeira como seu símbolo. E a Nova Era usa a pomba com um ramo no bico como sinal da Era de Aquário, uma era de paz.



Dagon deus-peixe
    c) O peixe- Antes de usarem a cruz os cristãos primitivos usavam o peixe como seu símbolo de identificação. Mas os antigos inimigos de Israel, os Filisteus, tinham um deus chamado Dagon que era representado como deus-peixe desde os tempos do Antigo Testamento.

      d) Triângulo- Este é um instrumento que todo mundo tem no seu carro e usa-o em momentos de perigo na estrada quando o carro tem problemas. O triângulo serve a muitos crentes. Mas também este sinal é muito usado para invocação de divindades pagãs, e em muitos lugares é o símbolo da deusa tripla.
Poderia se multiplicar aqui tantos símbolos usados por tantas culturas e religiões, mas estes já bastam. O centro do argumento aqui é que os símbolos sempre foram e serão usados na história da humanidade com significados variados. Um mesmo signo que significa uma coisa numa cultura ou religião, significa outra coisa bem diferente em outra cultura ou religião. Os cristãos devem deixar de usar um símbolo qualquer destes porque um grupo diferente está usando com outro sentido? Claro que não. Pois, se fosse assim não usaria mais símbolo nenhum.

Triquetra na capa da Bíblia King James
A TRIQUETRA- A Triquetra tem seu uso tão difundido no meio cristão que a encontramos em capas de livros e até de Bíblia, como da famosa King James (veja imagem ao lado). O seu uso maior é sempre para representar o Pai, o Filho e o Espírito Santo (a Trindade), uma busca rápida em livro que fale sobre símbolos ou na internet servirá para comprovar isso. 

Logo, o que se tem no meio evangélico é muita superstição e saliva gasta com coisas que não merecem tanta atenção quanto outras, que infelizmente nem se fala. Em muitas igrejas se diz do púlpito e se faz no culto coisas que fariam corar os anjos. As "liturgias" de certas igrejas tem tantos elementos estranhos no que chamam de culto que usar um símbolo ou não, não fará a menor diferença. Temos hoje "culto de aniversário de pastor, de casamento, etc", grupos dança gospel com meninas e meninos efeminados se requebrando durante o que chamam de culto para o povo aplaudir, músicas antibíblicas cantadas a três por dez, profetadas, gritarias. Falta reverencia, o povo sabe de nada de doutrina porque os líderes sabem menos ainda. Não existe Escola Dominical, e quando existe é uma lastima usando revista de neopentecostal. 

 Mas, muitos preferem "coar um mosquito e engolir gigantescos camelos". Já dizia o profeta "não há nada há de novo debaixo do sol", e o Mestre não havia falado disso (Mt 23.24)?

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