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sábado, 20 de junho de 2015

QUEM É O BOECHAT QUE ESTÁ BRIGANDO COM MALAFAIA?

 
Nessa semana a internet foi tomada pela noticia do rolo entre Ricardo Boechat(o) e Silas Mala(cheia)faia. Pois bem, não tenho aqui procuração para defender o Mala e já falei e falo do meio mundo de insanidade das campanhas financeiras, companheiros nada ortodoxos, e pirações teológicas que ele vocifera. Isso para mim o desqualifica como cristão Protestante. Mas, como eu acho que ele nem quer ser Protestante, mas ele é "evangélico" essa nova religião diferente do Cristianismo Protestante que surgiu recentemente, creio que ele não se chateará. 

Bem, do outro lado está o Boechat(o) que se mostra como paladino da verdade e da imparcialidade. Ele já criticou deseducadamente a jornalista do SBT Rachel Sherazade pelas opiniões dadas em favor da família, moral cristã e etc., e agora desceu a lenha nos evangélicos pelo caso de uma menina adepta do Candomblé que foi agredida em São Paulo.Boechat disse que quem agrediu foram evangélicos generalizando e dizendo que era um caso de intolerância religiosa. Malafaia foi contra e disse que ele estava errado. Aí Boechat(o) subiu no salto, rodou a baiana, balançou os ombrinhos e mandou o Mala procurar uma rol***. Isso mesmo, e ele mandou várias vezes. 
Transexual "crucificada" na parada gay em SP

Entendendo isso tenho duas coisas que encasquetam.

1- Porque Boechat(o) não criticou os gays na parada de São Paulo por tudo que fizeram com os símbolos Católicos romanos? Aquilo não é intolerância religiosa? Ora, tudo que os depravados fizeram, botando gay na cruz como Jesus se não é afronta é o que? Só que Boechat(o) ficou pianinho, não falou nada em seu programa.

Gays desrespeitam símbolos religiosos na Parada em SP
2- Boechat(o) tem moral para ficar falando de verdade? Você sabia que antes de ser da Band (também a Band só pega coisa boa vide Boris Casoi aquele que desrespeitou os garis ao vivo) ele era das organizações Globo. Mas, foi demitido por justa causa e você sabe porque? Acompanhe toda a história abaixo é bom relembrar, pois o povo tem memória curta. Eu sei é grande, mas só assim você quem sabe deixará de assistir o jornaleco que ele apresenta na Band e saberá quem tem razão nessa resenha.

"Os detalhes do imbróglio que resultou na demissão de Ricardo Boechat, então um jornalista respeitado. da Globo e da TV Globo.

Por Reinaldo Azevedo 

Veja

Leitores ficaram curiosos para saber detalhes do imbróglio que resultou na demissão de Ricardo Boechat, então um jornalista respeitado, do jornal O Globo e da Rede Globo. Ela se seguiu a uma reportagem da VEJA, publicada em junho de 2001. Boechat me ataca na rádio sem ler o que escrevi. Eu leio o que ele fez e não o ataco. Apenas constato… Acompanhem.
O empresário Nelson Tanure é conhecido por se meter em grandes negócios. Baiano, 50 anos, formado em administração de empresas, em pouco mais de uma década já se aventurou por vários setores da economia nacional – quase sempre deixando atrás de si um rastro de polêmica. Foi assim com a Sade, produtora de turbinas para geração de energia elétrica. Em 1990, num controvertido episódio da era Collor, um grupo de fundos de pensão de estatais enterrou 11 milhões de dólares na empresa, que vivia em dificuldades financeiras. Por trás da compra da companhia de Tanure, estaria a mão forte da amiga do peito do empresário e então ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, que teria pressionado os fundos a aderir à operação. Em sua meteórica trajetória ao olimpo dos grandes empresários, Tanure chegou a ser dono de três grandes estaleiros, que detinham 80% de toda a capacidade instalada da indústria naval do Brasil. Acumulou dívidas tão pesadas que, em 1997, afundou em sua megalomania, sendo obrigado a retalhar seu latifúndio. No ano passado, estima-se que tenha botado no bolso 100 milhões de reais, numa transação espetacular: foi o preço para acertar os ponteiros com os antigos proprietários do Banco Boavista, contra quem vivia em guerra judicial – estes por sua vez tiveram de aceitar o acordo com Tanure para conseguir vender o banco ao Bradesco, que queria comprá-lo sem nenhuma pendência judicial. Recentemente, Nelson Tanure comprou um dos mais tradicionais diários do país, o centenário Jornal do Brasil, estreando no ramo da comunicação.

Nos últimos três meses, Tanure tem-se dedicado de corpo e alma a outro negócio. Coisa de grande vulto e intrincada, como parece ser do seu gosto. Uma empreitada que, segundo se comenta nos meios empresariais, poderá engordar sua conta bancária em até 40 milhões de dólares, caso seja bem-sucedido. Trata-se de uma negociação para o grupo de telecomunicações canadense TIW, sócio de duas empresas de telefonia celular no Brasil: a Telemig Celular e a Tele Norte Celular, avaliadas em 2 bilhões de dólares. A tarefa de Tanure é desfazer o nó em que a TIW se embolou ao formar uma complicada e nada amigável sociedade com o Banco Opportunity, de Daniel Dantas, outro baiano não menos polêmico. A sociedade foi formada na privatização do sistema Telebrás, em 1998, e tem ainda como parceiros cinco grandes fundos de pensão. O embaraço está no acordo de acionistas que Dantas conseguiu produzir, numa jogada de mestre. A TIW, por exemplo, uma operadora de telefonia que, pelo menos em tese, deveria intervir na gestão de uma companhia telefônica, não tem poder nem para nomear um contínuo. Por causa desse acordo, há quase três anos os sócios se engalfinham numa disputa sem tréguas pelo controle das empresas. 

Agora surge mais um ingrediente nesse enredo. Uma série de fitas, que mostram com crueza impressionante a montagem de uma operação de guerra para derrubar um adversário do mundo dos negócios. Nas últimas semanas, a existência dessas fitas, ao que tudo indica gravadas ilegalmente entre os meses de março e abril, tornou-se o rumor da hora entre jornalistas bem informados, empresários e políticos. VEJA teve acesso ao material gravado. Ali se apresenta um exemplo extraordinário de como funcionam os bastidores de algumas grandes negociações. Dos diálogos saltam estratégias secretas e ataques pesados, que permaneceriam para sempre camuflados pelos discursos oficiais, obviamente mais polidos, articulados. Pela primeira vez os bastidores de um caso concreto são revelados em estado bruto. As fitas mostram apenas um lado atuando, e o leitor deve levar essa peculiaridade em consideração.

As gravações reproduzem diálogos de Tanure com o presidente mundial da TIW, o canadense Bruno Ducharme, definindo estratégias de atuação contra o Banco Opportunity, de Daniel Dantas. Foram flagradas também conversas do principal assessor de Tanure, Paulo Marinho, uma peça ativa nas negociações em favor dos canadenses. Marinho, que até o ano passado trabalhava para Daniel Dantas, é um personagem bastante conhecido na sociedade carioca. Está sempre próximo de cabeças coroadas do mundo dos negócios e de mulheres bonitas, como a atriz Maitê Proença, com quem foi casado. As gravações envolvem também um dos mais influentes e respeitados jornalistas do país, o colunista Ricardo Boechat, do jornal O Globo.

Na fita, ele aparece participando de uma operação para ajudar Tanure. Em um dos diálogos, ocorrido em 15 de abril, Boechat conta a Marinho os termos da reportagem que está escrevendo para revelar manobras do Opportunity e que seria publicada no dia seguinte em O Globo. Pela conversa, fica evidente que a direção do jornal não foi informada sobre o grau de ligação do jornalista com Nelson Tanure e sobre o fato de que a reportagem foi minuciosamente discutida com Paulo Marinho (veja a reprodução de trechos). Não há nenhuma menção a favor, pagamento e outras práticas irregulares de compensação. Boechat e Marinho são, aliás, compadres e amigos de longa data. Curiosamente, a reportagem acabou sendo usada, dez dias depois, como peça de processo na ação judicial dos fundos de pensão – aliados da TIW – contra o Opportunity. Advogados utilizam com frequência reportagens para embasar ações que impetram. No caso de Boechat, a combinação anterior pelo telefone com Marinho – e, muito especialmente, os termos usados na conversa – é que torna a história constrangedora. “Minhas fontes não são o cardeal Eugênio Sales nem o presidente do Supremo Tribunal Federal. Já negociei matérias com Daniel Dantas também. Não levo vantagem financeira com isso”, diz Boechat. “O que quero é a notícia.” Em outro diálogo, não reproduzido nesta reportagem, o jornalista instrui Tanure sobre como agir e o que falar numa conversa com João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, para passar a imagem de um empresário sem ambições políticas nem projeto de poder – características que a Globo não veria com simpatia no concorrente dono do Jornal do Brasil. Uma análise feita na semana passada, a pedido de VEJA, pelo perito Ricardo Molina concluiu que “todas as evidências indicam que, acima de qualquer dúvida razoável, a voz analisada é do jornalista Ricardo Boechat”. Molina afirma também que “não existe nenhum indício de manipulação que possa representar tentativa de montagem”.

É evidente que o mundo dos negócios não vive permanentemente nesse clima de ataques abaixo da linha da cintura. Mas quando um dos personagens da briga é Daniel Dantas, um economista de 45 anos, considerado um dos mais brilhantes de sua geração, dificilmente se pode esperar um cenário de calmaria. O dono do Opportunity é um operador audacioso como poucos. Em apenas seis anos transformou seu banco num colosso que administra fundos de investimento no valor de 3,4 bilhões de dólares. Seus domínios se estendem a setores tão diversos quanto saneamento, transportes, telecomunicações, portos, metrô, internet e futebol. Tem uma capacidade para fazer inimigos tão espetacular quanto seu talento para os negócios. A briga pela Telemig Celular e pela Tele Norte Celular é a mais perfeita tradução do jeito Daniel Dantas de atuar.

Para participar do leilão de privatização das duas empresas, em 1998, o Opportunity se associou à TIW e aos fundos de pensão. A TIW entrou com 49% dos recursos necessários para a compra das empresas. Os fundos de pensão, por sua vez, entraram com 24% de investimento direto, mais 27% através de recursos aplicados em um fundo de investimento do Opportunity, que colocou ali uma parcela correspondente a menos de 1% do valor da operação. No leilão, o sócio canadense desembolsou, sozinho, 380 milhões de dólares, com a promessa de ter participação na gestão das empresas adquiridas. Foi feita uma carta de intenções estabelecendo essas bases para o contrato. Tudo ficou só como intenção. 

Batido o martelo, começou a confusão. Quinze dias depois do leilão, Dantas sinalizou para os canadenses que o acordo inicial não valia mais. Num estranho acerto com os presidentes dos fundos de pensão, o Opportunity montou uma sociedade totalmente diferente da desenhada inicialmente com os parceiros estrangeiros. Na época, os fundos eram capitaneados por Jair Bilachi, da Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil, e por Francisco Gonzaga, da Petros, o fundo de pensão da Petrobras, que deixaram o cargo sob suspeita de má gestão dos recursos dos fundos. A estratégia de Dantas foi juntar os recursos dos fundos de pensão em uma só empresa, a Newtel, que passou a deter 51% das ações da Telpart, holding da Telemig e da Tele Norte. Embora tivessem maioria das ações, os presidentes dos fundos concordaram em passar para Dantas o poder de gerir a companhia, incluído aí o direito de escolher todos os dirigentes das duas celulares e de definir todos os fornecedores. Assinaram ainda uma cláusula bizarra, em que os conselheiros dos fundos se obrigam a votar com o Opportunity, qualquer que seja a decisão do banco. Caso votem contra, são imediatamente destituídos. Dantas conseguiu manter-se forte enquanto teve os fundos do seu lado. No entanto, as novas diretorias dos fundos de pensão começaram a questionar os acordos feitos por seus antecessores. A briga esquentou quando os dois sócios se uniram contra Dantas. Os fundos e os canadenses querem que a Newtel seja desfeita e que, em seu lugar, seja criada uma sociedade em que os três sócios tenham pesos iguais.

Foi em março, no meio dessa confusão, que Nelson Tanure surgiu na história como a figura que poderia salvar os canadenses. O presidente da TIW, Bruno Ducharme, vislumbrou a chance de encontrar um competidor à altura de seu adversário. Tanure era o homem. O que fica claro nessa história é que os canadenses, que entendem quase nada de Brasil, acharam que Tanure conhece suficientemente as artimanhas do adversário para jogar um jogo de igual para igual. A manobra parece ter começado a dar resultado. Há cerca de um mês os sócios conseguiram uma vitória em cima do parceiro indesejado. Emplacaram o novo presidente da Telemig e da Tele Norte, que passou a ser o executivo Gunnar Vikberg. A manobra para a escolha do novo executivo foi montada com a ajuda de Tanure, que combinou a operação com Ducharme, por telefone. “Nosso foco é para tentar tirar o diretor (escolhido por Dantas)”, explica Tanure, num dos trechos grampeados. Deu certo, embora seja uma vitória provisória, questionada na Justiça pelo Opportunity, que já conseguiu destituir Vikberg da presidência da Telpart.

Enquanto os dois sócios se armam para tentar enfraquecer Daniel Dantas nas duas telefônicas, o banqueiro baiano tenta garantir as conquistas obtidas. Nos últimos meses, tem feito ofertas aos fundos para a compra das empresas. Quanto aos canadenses, embora sejam o maior acionista individual, suas ações não têm o mesmo poder de fogo sem o controle das empresas, que continua nas mãos de Dantas. Até o final da contenda, as entranhas dessa guerra bilionária deverão ficar cada vez mais à mostra. Mesmo porque o jogo de poder entre Dantas, Tanure, canadenses e fundos de pensão está longe do epílogo. Estão todos operando os meios à disposição com ferocidade.

Leiam este diálogo de Boechat com Paulo Marinho, assessor de Nelson Tanure:

Síntese:
Nesta conversa que teve com Paulo Marinho, braço direito de Tanure, Boechat relata os detalhes de uma reportagem que escreveu e seria publicada no jornal O Globo no dia 16 de abril contando as manobras planejadas por Daniel Dantas para uma assembléia. O jornalista leu a reportagem inteira para o assessor de Tanure, que aprovou. “Tá ótima”, comentou Paulo Marinho. “A matéria diz tudo que a gente queria falar.” Dez dias depois, a reportagem de Boechat integraria os documentos de uma ação judicial (reproduzidos acima) movida pelos fundos de pensão contra o Opportunity. Tanure e os fundos estão do mesmo lado da trincheira.

Secretária – Pronto.
  Boechat – Oi, o Paulo, por favor.
  Secretária – Quem deseja?
  Boechat – Ricardo Boechat.
  Secretária – Um momento…

  Boechat – Obrigado.
  Paulo Marinho – Oi.
  Boechat – Oi.
  Paulo – Diga lá…
  Boechat – Seguinte: primeiro acho que a matéria talvez saia assinada…
  Paulo – Hum, por você?
  Boechat – É…
  Paulo – Tá…
  Boechat – E aí temos que ver o seguinte… Eu estive pensando… Esta é uma possibilidade que eu preferi não perguntar. Vou te dizer o seguinte: eu também meio que descobri que não adianta muito tentar dissimular esta relação, não.
  Paulo – Entendi.
  Boechat – Eles já identificaram esta relação, certo?
  Paulo – Certo.
  Boechat –que acabou sendo meio escancarada com este convite pra eu ir pro JB.
  Paulo – Perfeito.
  Boechat – E, por mais que eu tenha dado como uma iniciativa do Mario Sérgio (Conti, diretor de redação do JB)… Ninguém… ficou aquela… o João Roberto, o Merval, o Luiz Eduardo (integrantes da cúpula do jornal O Globo)… Todo mundo sabe que o Nelson (Tanure) tem uma relação de amizade pessoal.
  Paulo – Certo.
  Boechat – Eu pensei em dizer ‘não assina, não’. Mas preferi ficar calado.
  Paulo – Acho que você dizer pra não assinar eu acho um erro. Tu não pode dar esta montaria pra esses caras…
  Boechat – Sabe o que mais? O último detalhe é o seguinte: aquela última nota nossa do dia 3, quando a gente… quando teve a reunião do conselho, que eu dei a história da demissão, lembra? Da demissão do Arthur(Carvalho, cunhado, braço direito de Daniel Dantas no Opportunity e o representante do banco nos conselhos de administração das telefônicas)…
 
Paulo – Lembro.
  Boechat – Eles… quando deu, eu assinei. Eu dei na Agência Globo sem assinar.
  Paulo – Eu sei, você disse que eles identificaram em dois minutos que era sua a nota…
  Boechat – Eles botaram no ar um desmentido com meu nome. Então é ridículo eu ficar dissimulando…
  Paulo – Claro.
  Boechat – Se fosse uma coisa clandestina.
  Paulo – Também acho, você tem razão.
  Boechat – Conheço o cara e… ele é uma fonte e tá me dando uma notícia…
  Paulo – Exatamente. Aliás, é um erro dissimular isso. Agora também é o seguinte, quer dizer…
  Boechat – (inaudível) escancarar.
  Paulo – Mas também se os caras não colocarem com seu nome, você não vai reclamar por causa disso.
  Boechat – Não, de jeito nenhum. Enfim, outra coisa, diferentemente do seu material é preciso falar com o Nelson: “Nelson, a adjetivação não é uma característica da notícia. Não tem como adjetivar”.
  Paulo – Perfeito.
  Boechat – Então, o texto que eu mandei pro Duda, o cara que tá fechando a edição pra amanhã…
  Paulo – Rãrã…
  Boechat – Me disse que tá dando bem. Então, suponho que ele vá dar a matéria na íntegra, pá-pá-pá. Não sei que título ele vai dar. Seguinte: o texto que eu mandei, eu disse assim pro Mineiro (Luiz Antonio Mineiro, editor de Brasil de O Globo): ‘Mineiro, aí vai a matéria. Eu não consegui falar com o pessoal da Economia, mas tentarei mais tarde. Estou no telefone tal. Se for preciso peça à telefonista… Acho que este assunto vai dar um bom caldo. A intenção de demitir os conselheiros dos fundos consta da ata da assembléia convocada pelo Opportunity no dia 17 no Monitor Mercantil (jornal carioca de economia). E a estréia do ex-governador (Antônio) Britto (que acabara de ser contratado pelo Opportunity) no fascinante mundo do lobby financeiro, quem diria?, ainda não foi revelada por ninguém’. Aí vai o texto…’. Um abraço, Boechat’ e tal. Aí, começei da seguinte maneira. É um texto curto e tal. Dizendo assim: (O jornalista lê na íntegra a reportagem que foi publicada em O Globo no dia seguinte.)
 
Paulo – Tá ótima a matéria, diz tudo o que a gente queria falar.
  Boechat – Agora, não dá pra dizer que a atitude é ilegal, entendeu? Mas é isso aí.
  Paulo – A matéria tá muito bem-feita, meu querido. Tá na conta. Não precisa botar mais p… nenhuma, não. O resto é como você falou: é adjetivação que você não pode colocar. (…)
  Boechat – Os caras disseram que vão dar bem a matéria, vamos ver. (…)
  Paulo – Amanhã, eu te ligo pra te dar notícia da matéria.
  Boechat – Pra saber se deu certo."


E aí o Boechat(o) tem moral para ficar cantando de galo?

sexta-feira, 12 de junho de 2015

A FORMAÇÃO DE DISCIPULOS- II

Por René Padilla
Ultimato


O mandato de Jesus Cristo é claro: “Fazei discípulos [...], ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28.19, 20). Sabemos que o conteúdo do ensino sobre a formação de discípulos não é apenas teórico. Sem negar a importância da doutrina ou da teologia, a ênfase recai na prática do ensinamento de Jesus Cristo -- a prática da verdade. Com o batismo inicia-se um processo de transformação que abarca a totalidade da vida; um processo de aprendizagem do que significa a obediência ao ensinamento de Jesus Cristo, isto é, à vontade de Deus. Sem obediência à vontade de Deus, não há discipulado genuíno. Sob a perspectiva bíblica, a “ortopraxia”, a obediência a tudo o que Jesus ordenou a seus discípulos, é no mínimo tão importante quanto a “ortodoxia” -- se não for mais, já que sua meta é que os discípulos vivam em função do amor e assim sejam filhos do Pai que está nos céus, perfeitos, assim como ele é perfeito (Mt 5.45, 48).

Os discípulos de Jesus não se distinguem por serem meros adeptos de uma religião (um culto a Jesus), mas sim por terem um estilo de vida que reflete o amor e a justiça do reino de Deus. Portanto, a igreja não pode limitar-se a proclamar uma mensagem de “salvação da alma”: sua missão é fazer discípulos que aprendam a obedecer ao Senhor em todas as circunstâncias da vida diária, tanto no privado como no público, tanto no pessoal como no social, tanto no espiritual como no material. O chamado do evangelho é um chamado a uma transformação integral que reflita o propósito de Deus de redimir a vida humana em todas as suas dimensões. Uma transformação baseada no evangelho integral, ou seja, centrada em Jesus Cristo e orientada para o cumprimento do desejo de Jesus de que seus discípulos sejam “sal da terra” e “luz do mundo”.

Assim entendido, o discipulado tem um custo inevitável. E um aspecto desse custo é a renúncia a tudo o que interfere na lealdade absoluta a Jesus Cristo como Senhor. Ele mesmo definiu as condições do discipulado. E as definiu de tal modo que não deixou dúvida de que seu chamado é para um discipulado radical, que envolve uma obediência coerente com a vontade de Deus em todas as áreas da vida, desde as relações familiares até as posses materiais (ver Lucas 14.25-33).

A formação de discípulos à imagem de Cristo acontece no contexto da comunidade de fé, não fora dela. Jesus diz: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35). É claro que, para Jesus, a marca do discípulo é o amor. No entanto, ninguém pode aprender a amar estando isolado dos demais. Efetivamente, a experiência do amor de Cristo, que segundo Paulo “excede todo entendimento”, só é possível “com todos os santos” (Ef 3.18-19). Só é possível na igreja, “a família de Deus”, onde os discípulos aprendem a amar, e não só a amar, mas também a servir, a orar, a resistir ao mal, a cultivar o bem. Na igreja, o Corpo de Cristo, onde os discípulos descobrem e exercem seus dons e crescem para chegar “à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13). Para iniciar o caminho do discipulado é preciso arrependimento, ou seja, uma decisão pessoal que envolve a renúncia irrevogável a uma vida dirigida por Deus e a disposição de identificar-se com Jesus em seus sofrimentos. Aqueles que começam a seguir Jesus só podem avançar em sua peregrinação conforme experimentam a graça de Deus “na” igreja e “por meio” dela.

A FORMAÇÃO DE DISCIPULOS - I

Por René Padilla
Ultimato

Na essência da missão está a tarefa da evangelização. No entanto, não podemos considerar que todos os cristãos concordam com o significado de tal afirmação. Minha intenção é mostrar que a evangelização genuína está a serviço exclusivo do evangelho por meio do que é, do que faz e do que diz. Consequentemente, não visa apenas ganhar convertidos para aumentar o número de membros da igreja, mas também formar “discípulos que aprendam a obedecer a tudo o que Jesus Cristo ordenou a seus seguidores” (Mt 28.20). Neste artigo, e nos três subsequentes, proponho-me a desenvolver essa afirmação em quatro princípios.

O primeiro é que a compreensão adequada do evangelho é um requisito básico para compreender a evangelização. Evangelizar é comunicar as boas novas, e as boas novas que como cristãos somos chamados a comunicar estão centradas em Jesus Cristo, incluindo sua encarnação, sua vida, sua morte, sua ressurreição, sua exaltação e sua segunda vinda. O evangelho completo inclui todos estes “eventos salvíficos”, como são chamados, e nenhum deles pode ser esquecido sem que nossa compreensão do evangelho seja afetada.

Cresci num lar evangélico e dou graças a Deus por minha herança evangélica. Entretanto, com o passar do tempo, reconheci que minha compreensão do evangelho era inadequada: havia aprendido que a salvação é pela graça, por meio da fé, “é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9), mas não havia aprendido que “somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (v. 10). Em outras palavras, havia recebido um evangelho que enfatizava os benefícios da salvação, mas deixava de lado o propósito que Deus quer realizar por meio de seu povo, no qual eu me incluo. Na prática, havia recebido um evangelho incompleto.

Posteriormente, percebi que minha falta de uma compreensão adequada do evangelho resultava do tipo de evangelização mais ou menos comum nos círculos evangélicos do meu país: uma evangelização que se especializa na “salvação individual”, entendida frequentemente como uma experiência subjetiva de perdão de pecados, mas que tem pouco ou nada a dizer sobre “a vontade de Deus de conduzir a humanidade à comunhão com ele, reconciliar os membros da raça humana entre si e restaurar toda sua criação, conforme seu propósito original”.

Quando entendi minha própria salvação à luz do propósito eterno de Deus, ficou claro que não fui salvo para ser feliz, ou para ter sucesso material, ou para livrar-me do sofrimento, mas com o fim de cooperar com Deus, ainda que modestamente, no cumprimento de seu propósito na história. E percebi a importância de me ver como membro do Corpo de Cristo e, como tal, uma pessoa chamada a participar na missão de transformar o mundo de modo que reflita a glória de Deus, a justiça e a paz do reino que se fez uma realidade presente na pessoa e obra de Cristo Jesus. A evangelização integral só é possível sobre a base do evangelho integral.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

PORQUE NÃO CANTO A MÚSICA "RARIDADE"

Por Richardson Gomes



Não coincidentemente, a música mais tocada dos últimos dias é ela, “Raridade”, campeã de solicitações nas rádios e de quantidade de vezes que é cantada nas igrejas. Feita por Anderson Freire, essa música conseguiu atingir a todo o Brasil, “impactando” os corações até de quem não professa a fé cristã. Eis aqui os motivos, frase por frase, pelos quais EU não canto essa música.

"Não consigo ir além do teu olhar, tudo que eu consigo é imaginar a riqueza que existe dentro de você."

A música começa com uma daquelas frases poéticas que você não entende o porquê dela estar ali, mas ela dá um efeito bonito – e até romântico – na música. Não me surpreendo com isso vindo de uma música feita para vender. Além disso, notamos a presença da velha e boa sacada de músicas de rádio: exaltação do homem. Sim, caro leitor, a primeira frase já começa com uma boa massagem no ego de qualquer um que a escute. E quem não gosta disso, não é verdade? E a Bíblia? O que ela diz sobre o que há dentro de nós? A Bíblia diz que o homem natural é inútil, impossibilitado de fazer o bem, pecador, e não tem temor a Deus (Is 64:6; Jo 6:44, 65; Rm 1:21-32; Rm 3:10-18, 23) Porém, você pode dizer: “Essa música foi feita para o cristão. O que há dentro dele é Jesus.” Primeiro que se fosse mesmo Jesus nesta frase, o autor não diria “tudo que eu consigo é imaginar”, a não ser que ele não saiba que Jesus pode ser conhecido na Bíblia que nos foi revelada. Segundo que o fato de Jesus habitar em mim nunca deve ser motivo para que eu me ache raro. O evangelho é tesouro em VASOS DE BARRO, para que a excelência do poder seja de Deus e NÃO DE NÓS (2 Co 4:8).

"O ouro eu consigo só admirar, mas te olhando eu posso a Deus adorar, sua alma é um bem que nunca envelhecerá."

Como se já não bastasse o fato dessa música ser totalmente antropocêntrica, muitos ainda fazem questão de colocá-la no culto congregacional (é até engraçado como alguns esquecem que o culto é PARA DEUS e não para o homem). O ouro realmente é algo raro, algo valioso. O ouro é raro justamente por ser ouro. O metal não é como o ouro. O cobre não é como o ouro. O bronze não é ouro. Ouro é raro porque é ouro. O ser humano, em si, é valioso. É a única criatura que possui a imagem e a semelhança de Deus. Nenhuma outra ganhou esse privilégio. Nem os anjos!

Mas pense comigo: se o ouro começa a deixar de ser ouro puro, ele vai perder o valor, não é? A grande questão é que o ser humano, por causa do pecado, contaminou completamente a imagem e semelhança que ele tinha de Deus. Se a ideia dessa frase é mostrar o valor que o ser humano tem por ser humano, conseguiu. Mas ela tem um probleminha crucial: Ela se refere a mim e a você: PECADORES. Ainda que regenerados, mas ainda assim pecadores. E por isso não podemos, de maneira alguma, ser intermediadores de ligação alguma do homem para com Deus. O grande e único intermediador, o único ser humano que foi PERFEITAMENTE humano, o humano que deveríamos ser foi Jesus Cristo. Nós falhamos todos os dias em sermos humanos, mas alguém venceu. É por essa vitória que podemos olhar para Ele e adorarmos a Deus. Ele sim é uma raridade. JESUS é o grande centro do Evangelho.

A nossa alma nunca envelhecerá, mas ela poderá ter dois eternos caminhos. O de morte ou o de vida. Minha alma "rara porque nunca envelhecerá", por merecimento, deveria "não envelhecer" no inferno. Somente por causa de vida de Cristo, do que Ele fez por nós, é que podemos ter vida e vida em abundância. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Coríntios 15:57)

"O pecado não consegue esconder a marca de Jesus que existe em você. O que você fez o deixou de fazer não mudou o inicio, Deus escolheu você."

Como disse o Rev. Francisco Macena: “Em boa parte das músicas evangélicas dos nossos dias canta-se demasiadamente sobre a centralidade do homem. Em nome da necessidade de levantar a autoestima, conceitos teológicos são invertidos e adaptados para fins psicológicos. Um exemplo dessa inversão pode ser visto na canção “Raridade” interpretada por Anderson Freire.”

Existe um problema e não podemos deixar que ele ganhe espaços quando falamos de música cristã. Achamos que falar verdades já é o suficiente. Quando na verdade, deveríamos analisar uma música como um todo e que mensagem realmente ela quer passar – mesmo que contenha algumas verdades. Dito isso, eu diria que a única parte que eu cantaria em toda a música seria essa. Mas, meu convite é que façamos os que os profetas faziam: Ainda diante de boas ações, eles analisavam as MOTIVAÇÕES! Por exemplo, é verdade que o pecado não consegue esconder a marca de Jesus em nós. Uma vez justificados, nenhuma condenação pode cair sobre nós. É Deus quem nos justifica (Rm 8:1; 33-34). Mas é isso mesmo que a música quer passar?

Li um artigo do pastor Aaron Menikoff sobre letras de músicas e logo após o primeiro questionamento “A letra é verdadeira?” surge este: "A letra é verdadeira, porém, enganosa?" Diante de uma música antropocêntrica, onde a raridade do homem é exaltada, demonstrando merecimento na graça de Deus, será mesmo que essa frase corresponde à verdade bíblica de que “onde abundou o pecado superabundou a graça”? A frase da música não seria um conforto para se viver no pecado? Isoladamente, tal frase seria até boa para pregarmos o evangelho a um não crente (ainda que seja bem perigoso afirmar a eleição de um ainda não convertido). Mas diante de uma música sem identidade, sem público definido, feita para vender, tão subjetiva, acho muito estranho afirmar coerência teológica nessa frase sobre a eleição em uma música que carrega o título “Raridade” direcionada ao HOMEM. É simples: troque “Deus escolheu você” por “Deus predestinou você” e o número de pessoas a cantar tal música diminuirá significativamente. As pessoas querem ser escolhidas, mas não predestinadas. Elas querem ser escolhidas por ALGO. Ainda que a letra afirme que o que eu fiz ou deixei de fazer não mudou o inicio (que é uma verdade), ela afirma que o que eu sou me fez ser escolhido. E a Bíblia rejeita isso. Deus rejeita isso. Logo, pois, [Deus] compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer” (Romanos 9:18). Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de DEUS.” (Efésios 2:8)

"Sua raridade não está naquilo que você possui ou que sabe fazer. Isso é mistério de Deus com você."

Novamente, aparece mais uma daquelas frases poéticas que são difíceis de entender e explicar. Sabemos que existem coisas sobre Deus que realmente não estão disponíveis para o homem, por pertencerem somente ao Senhor (Dt 29:29). Geralmente, chamamos isso de mistério, pois não nos foi revelado nas Escrituras Sagradas. Mas alguns vêm utilizando este termo quando não encontram base bíblica para sustentar posicionamentos de assuntos que, muitas vezes, estão claros na Bíblia. Talvez seja isso o que está acontecendo nesta parte da letra. A Bíblia é clara que é pela misericórdia de Deus que fomos salvos, não dependendo de alguma coisa eu faço (Rm 9:11), mas NÃO porque somos raros. Portanto, numa tentativa de mostrar que nossa raridade não é meritória, é dito que é um mistério de Deus. Oh, se fosse trocada a palavra "raridade" por "eleição" Desta forma, sim, seria bíblico. E pra piorar, dentro do que estamos vendo durante toda a letra, o autor talvez pense desta forma: "sua raridade não está naquilo que você possui ou que sabe fazer, mas sim no que você é." E como não enxergar méritos nisso?" Não sei e nem me pergunte, "isso é mistério de Deus com você".

"Você é um espelho que reflete a imagem do Senhor. Não chore se o mundo ainda não notou. Já é o bastante Deus reconhecer o seu valor."

Continuando o antropocentrismo e a exaltação humana, o refrão nos chama de espelho que reflete a imagem do Senhor. Sim, somos à imagem e semelhança de Deus, mas depois da queda, NÃO somos a perfeita imagem de Deus. Se somos um tipo de espelho, somos do tipo QUEBRADO. É evidente que devemos refletir à glória de Deus. Mas nem tudo que fazemos reflete, pois pecamos. Devemos, em tudo que fizermos, procurarmos refletir Sua imagem, enquanto somos moldados à imagem de Cristo, mas, infelizmente, não é isso que a música diz. E aí vem a pergunta: Pra quê devemos refletir a imagem do Senhor? A Bíblia nos responde: Assim resplandeça a vossa luz diante dos HOMENS, para que VEJAM as vossas boas obras e GLORIFIQUEM a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16). É o mundo que devemos iluminar. Se o mundo não notou que somos diferentes, que não somos como ele, se as pessoas sem Cristo acham que somos como eles, se elas não percebem, e nem se incomodam com a santidade que estamos buscando, devemos sim chorar.

Quando a Bíblia diz que devemos falar não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações (1 Ts 2:4), não é sobre os homens não notarem, é sobre NÃO AGRADÁ-LOS, pois ao homem natural, a palavra do Evangelho sempre será dura e confrontadora, como se fosse loucura. O ser humano tem um grande valor pra Deus, e sua Igreja Gloriosa ainda mais. Mas você? Suas obras? Sua raridade? Deixe Deus medir o valor de suas obras, o valor sua vida longe do sacrifício de Cristo, sem a santidade que Ele, por graça dá, e veja o quão certa será sua CONDENAÇÃO (Is 64:6)!

"Você é precioso, mais raro que o ouro puro de ofir. Se você desistiu, Deus não vai desistir. Ele está aqui pra te levantar se o mundo te fizer cair."

Propositalmente, vou deixar a primeira parte da frase para o final. Como toda música "gospel", a letra termina com um daqueles jargões que quase todo artista "gospel" diz para soar espiritual e comovedor: "Se você desistiu, Deus não vai desistir." E então eu me lembro de uma célebre frase do Paul Washer: "Deus nunca desistiu de você porque ele não pôs esperança em você." O problema é que dentro do contexto da música, podemos inferir que "se você está cansado de buscar a santidade, se você está cansado de lutar, não tem problema... Se você desistiu, Deus não vai desistir".

Lembro-me de uma pregação do John Piper na qual ele fazia uma pergunta: "Você treme diante do fato de que Deus está agindo em sua vida?" Porque a grande verdade, meu amigo, é que se não há fome por santidade em você, não há ação de Deus em sua vida. E isso é um perigo, pois a justiça dEle (e não Sua misericórdia) está sobre sua vida. Se você não quer mais lutar, se você está desistindo da vida cristã, por que você diria Não sou eu quem vivo, mas Cristo vive em mim (Gl 2:20)? Cuidado! Essa frase pode gerar uma grande margem para uma vida em pecado com o pensamento de que "Deus não vai desistir". Deus não nos predestina para viver em pecado, Deus nos escolheu nele antes da Criação do Mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença (Ef 1:4). Quando caímos, Deus nos levanta. Sim, Ele nos preserva! Até o fim. Mas não é por isso que devemos viver caindo ou e nem nos conformarmos com nossas falhas. Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? (Rm 6:1-2). Ele não está só para nos levantar. Ele está aqui para ser devidamente glorificado!

E para terminar essa análise, deixo-vos esta passagem:

Clamai, pois, o dia do Senhor está perto; vem do Todo-Poderoso como assolação. Portanto, todas as mãos se debilitarão, e o coração de todos os homens se desanimará. E assombrar-se-ão, e apoderar-se-ão deles dores e ais, e se angustiarão, como a mulher com dores de parto; cada um se espantará do seu próximo; os seus rostos serão rostos flamejantes. Eis que vem o dia do Senhor, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação, e dela destruir os pecadores. Porque as estrelas dos céus e as suas constelações não darão a sua luz; o sol se escurecerá ao nascer, e a lua não resplandecerá com a sua luz. E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos. Farei que o homem seja mais precioso do que o ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir. - Isaías 13:6-12

sábado, 30 de maio de 2015

AVALIAÇÃO DO ARTIGO "EM DEFESA DO ARMINIANISMO"


Por Franklin FerreiraFonte    Perfil do autor no Facebook 
Publicado no Bereianos com permissão.
 
 

Em linhas gerais, o texto “Em defesa do arminianismo” (publicado na revista Obreiro Aprovado Ano 36, nº 68) é bom. O autor, o pastor assembleiano Silas Daniel, acerta ao distinguir entre o calvinismo (denominado no texto de “compatibilista”) e o hipercalvinismo (que, suponho, seja o que o autor chama de “calvinismo fatalista”). E ele também acerta ao tratar o primeiro como uma interpretação cristã legítima, e o segundo como um erro sério que precisa ser rejeitado. E sugere algumas boas razões para o ressurgimento da fé reformada no Brasil (prevalência do pelagianismo em muitos púlpitos, críticas caricaturais ao calvinismo e a superficialidade neopentecostal). Ao fim do artigo, o autor fala em tons fortes e vigorosos da graça salvífica oferecida pela fé em Cristo, de forma bíblica. Então, o tom irênico do autor é bom e saudável.

Na tradição batista onde fui criado (fundamentalista e pietista, com alguma abertura à teologia liberal), o calvinismo ainda é tolamente tratado por alguns como uma “heresia perniciosa” (para usar as palavras do autor), muitas vezes assim rotulado ao lado de G12, “guerra espiritual” e outras esquisitices presentes no cenário evangélico brasileiro. Então, o tom adotado pelo pastor Silas em seu ensaio é um avanço importante no debate. E deve-se afirmar claramente, junto com o autor: o arminianismo não é pelagianismo, apesar desta posição ter prevalecido e ainda ser a visão religiosa de muitos pregadores e mestres evangélicos no Brasil, que têm como modelo Charles Finney; mas, dependendo de que autor se lê (já que uma das poucas confissões de fé arminianas representativas são os “Artigos da religião”, revisados por John Wesley), esta tradição pode ser considerada semipelagiana ou semiagostiniana (mencionados, mas não definidos no texto). 

Posto isso, o texto tem vários e sérios problemas, no campo da teologia e da história do pensamento cristão. Sobre o uso da Escritura, os versículos bíblicos são tratados como textos-prova. Não há sugestão de exegese ou de estudo léxico das palavras-chave, ou mesmo referências ao lugar das passagens na teologia bíblica. Isso fica evidente, por exemplo, na interpretação do autor da expressão “aos que dantes conheceu” (Rm 8.29), reduzida a mera previsão geral divina (ao interpretar 1Pe 1.2). Também não são indicados comentários bíblicos para suplementar as pressuposições do autor. Simplesmente presume-se que os ensinos arminianos são auto-evidentes nos versículos bíblicos citados. Há muito tempo atrás fui arminiano, e usei muitos daqueles versículos que o autor citou para “provar” o arminianismo e atacar o calvinismo. Mas, para cada texto bíblico citado há uma interpretação, por assim dizer, “calvinista”, que é muito mais coerente e consistente com o texto bíblico em si, o livro onde este está inserido e o contexto global da Escritura – e o leitor pode ir aos comentários de Agostinho, Martinho Lutero e João Calvino, ou aos de D. A. Carson, Douglas Moo, Donald Guthrie, F. F. Bruce e John Murray, para conferir a exegese das passagens-chave desta controvérsia. 

Pelo menos, o autor reconhece as várias tensões (e, por que não, as contradições) presentes na teologia arminiana, como ao tratar da presciência divina e do alcance da expiação: em outras palavras, o problema posto é: se Deus já sabia quem receberia a Cristo, por que este precisaria morrer por todos? Ou quando trata do significado da palavra “mundo”, sem levar em conta o significado da propiciação realizada por Cristo (ao citar 1Jo 2.2 como texto-prova da expiação geral). E quando admite algum tipo de predestinação (“sim, ele predetermina muitas coisas, mas não tudo”) ao mesmo tempo que, ao pressupor que Deus previu antes de predestinar, não trata de uma pergunta crucial, isto é, quem criou o que Deus previu? 

Também há vários problemas no campo da teologia histórica. Trato apenas dos principais. Diferente do que o autor afirma, quase todos os grandes teólogos medievais criam na predestinação, seguindo em maior ou menor grau o que Agostinho ensinou no século V: Próspero, Gottschalk, Anselmo, Bernardo, Bradwardine, Tomás de Kémpis e Tomás de Aquino (cf. S. Th: I, q. 23, a. 1, a. 2, a. 4, a. 7, a. 8; I-IIae, q. 117, a. 5; II-IIae, q. 174; III, q. 24, a. 1, a. 3). Os pré-reformadores Jan Hus e John Wycliffe também afirmaram o ensino da predestinação em moldes agostinianos. Um detalhe que chama a atenção é que ainda que Agostinho seja citado, sua compreensão sobre a predestinação e a graça não é oferecida no texto. 

O mais surpreendente é quando o autor afirma que Lutero abrandou a posição afirmada em seu tratado “Da vontade cativa”, e que passou a crer na possibilidade de se cair da graça (lendo erroneamente os Artigos de Esmacalde III.42-45, que, na verdade, refutava distorções anabatistas). Ao tratar de uma mudança de ênfase na teologia de Lutero, ele cita Herman Bavinck como fonte, mas não mencionou que este autor também afirmou que Lutero “nunca reverteu sua posição sobre predestinação”, e que os “verdadeiros luteranos” rejeitaram o sinergismo de Filipe Melanchthon (“Teologia Sistemática”, v. 2, p. 364).

Obviamente, há diferenças significativas entre os teólogos cristãos, e mesmo entre teólogos da tradição reformada. Por isso, um bom ponto de partida para tratar de temas teológicos controversos é começar com o que afirmam as confissões de fé que resumem as posições das tradições professadas, e não com as posições de teólogos, por mais importantes que estes sejam (por exemplo, nem todos os teólogos reformados ficam satisfeitos com a afirmação da CFW VI.1, de que Deus determinou permitir o primeiro pecado, mas esta confissão, e não a opinião dos teólogos, representa a posição reformada/puritana). 

Sobre a participação dos arminianos no Sínodo de Dort – que talvez seja o mais importante concílio protestante já ocorrido – é necessário deixar claro que estes não foram vítimas inocentes do poder do Estado ou dos calvinistas, como o autor parece opinar. Como John de Witt afirmou: “Os arminianos (...) utilizaram de toda engenhosidade para evitarem qualquer declaração [clara de seus ensinamentos] (...), exigiram que fosse seguida sua própria pauta de assuntos em lugar da do Sínodo, praticaram evasivas táticas de retardamento e obstruções (...) e rejeitaram a autoridade do Sínodo em julgá-los; isto a despeito do fato de ser legalmente um Sínodo da Igreja em que ocupavam cargos, à qual confessavam pertencer, e a cuja disciplina estavam obrigados a se submeter em virtude de suas ordenanças e votos!” (cf. O Sínodo de Dort, em Jornal Os Puritanos [Ano 3 nº 2, Março/Abril 1995], p. 27-30) E, como o pastor Silas reconhece, “os seguidores de Arminius na Holanda acabaram, com o passar do tempo, se afastando progressivamente do pensamento original de seu mentor”, rejeitando doutrinas como o pecado original, a expiação substitutiva e penal e até mesmo a divindade de Cristo, tornando-se, como nota o autor corretamente, “liberais em teologia”. 

Quando trata da controvérsia arminiana do século XVIII, o autor (apoiando-se em uma única fonte secundária) poderia ter colocado toda a polêmica em contexto, o que seria muito instrutivo para nós, hoje. Em meados de 1740, houve um confronto entre Wesley e George Whitefield; o primeiro supunha, erroneamente, que a doutrina da predestinação poderia conduzir ao antinominianismo. Mas a leitura dos escritos puritanos, por parte de Wesley, conduziu-o a uma reavaliação desta posição e, com isso, alcançou-se um acordo entre ambos os lados, o que permitiu uma cooperação na pregação do evangelho, já que nos temas centrais (pecado original, justificação pela fé e santificação) havia acordo. Mas a contenda reiniciou-se em meados de 1770, por causa não da doutrina da predestinação, mas do ensino da justificação – o suíço John Fletcher (Jean de la Fléchère), colega de John Wesley, começou a negar a doutrina da imputação da justiça de Cristo ao fiel. Em síntese, ele afirmou que a justificação requereria santificação pessoal e não a fé somente (cf. “Fourth Check to Antinomianism”). Nesta altura, Wesley vacilou na defesa desta doutrina importantíssima para a fé evangélica. O contundente texto de Augustus Toplady, “Arminianismo: o caminho para Roma”, foi escrito nesta época – e em resposta a uma distorção da doutrina bíblica da justificação pela graça, recebida mediante a fé somente, com todas as implicações doutrinais e devocionais daí decorrentes. Richard Watson, talvez o mais habilidoso teólogo metodista, escreveu no século XIX, sobre Fletcher: “Embora muito admirado entre os wesleyanos, suas doutrinas não são admitidas como norma” (cf. Iain H. Murray, “Wesley and Men Who Followed”). E, diferente da perspectiva do autor, de que “o arminianismo ergueu-se vitorioso” da controvérsia, os metodistas arminianos saíram da igreja episcopal, que, na época, ainda era majoritariamente calvinista, para fundar um dos ramos do metodismo, e do qual se originou os movimentos de santidade (o outro ramo, seguidor do calvinismo, era o metodismo galês, e se tornou presbiteriano, e não congregacional, como afirmou o autor). 

O estudo da história do pensamento cristão é muito importante. Mas, no fim, o que irá decidir toda discussão no âmbito da fé é a Escritura, que é “o juiz supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas, e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o juiz supremo, em cuja sentença nos devemos firmar, não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura” (CFW I.10). Portanto, o que conta é o que a Escritura ensina. Que ela seja estudada por meio de “exegese, exegese e mais exegese”, sempre em dependência do Espírito Santo. Pois devemos nos apegar somente e fielmente à Palavra de Deus, revelada nas Escrituras somente.
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