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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

A SITUAÇÃO DA IGREJA NO BRASIL (sextilhas)

 I

Tem político roubando

Com uma Bíblia na mão

Mete grana na cueca

E se chama de cristão

Embolsa sua propina

E ainda faz oração

 

II

Essa turma de pilantras

Travestido de evangélico

Arquitetam suas tramas

De fundo maquiavélico

Manipulando pessoas

Tratando como boneco

 

 

 

III

Quanto mais o tempo passa

Mas é difícil encontrar

Uma igreja que decida

O evangelho pregar

Só tem conversa fiada

Pra multidão enganar

 

IV

Faladores da “vitória”

Das “unções” e tudo mais

Não se encontra uma mensagem

Que seja bíblica nos tais

Só campanhas e campanhas

Para arrecadar reais

V

Falta o arrependimento

Falta ética e moral

Falta mostrar as pessoas

O seu verdadeiro mal

O render-se a Jesus

O Senhor e maioral

 

 

VI

A Bíblia foi esquecida

Só se quer revelações

A razão já não existe

Perde para as emoções

Tudo pra manietar

E arrecadar milhões

 

 

VII

Usam a Bíblia como querem

Trocam o sentido do texto

Pegam versos isolados

Sem respeitar o contexto

Fazem leitura incorreta

Usam só como pretexto

 

 

VIII

Cristo morto numa cruz

Pra libertar do pecado

Arrepender-se e mudar

Para assim ser perdoado

Esse sim é o evangelho

Cada vez menos pregado

 

 

 

IX

 

Ainda existe quem pregue

A mensagem que liberta

Que não vendeu sua alma

Nem com essa corja flerta

Existe um remanescente

Que prega a mensagem certa

 

 

X

O evangelho da Bíblia

Tem que ser anunciado

Mesmo que a maioria

Passe para o outro lado

Tem que haver pregadores

Sem ter preço estipulado

 

XI

 

Jesus Cristo salvador

O preço da conversão

Uma vida de humildade

Santidade e oração

Devem ser nossas palavras

Essa é a pregação

 

O COMÉRCIO DA FÉ (glosa ao mote)

 I

Tem camisa com nome bem escrito

Tem bonezinho pintado e estiloso

Tem disco com cantor ruim, fanhoso

E tem cordão com pingente esquisito

Tem pulseira com o nome de Cristo

Também tem o bom óleo da unção

E os lobos enricando de montão

Té parece que fazem por pirraça

No comércio da fé Jesus não passa

De um produto vendido à prestação

 

 

 

 

 

II

 

 

O "pastor" faz ginástica e aliena

"Foi Jesus quem mandou tem que pagar

E tá no Inferno aquele que negar

E pague logo porque vale a pena"

Muito triste é contemplar a cena

Desses lobos roubando a multidão

Pastoreiam bolso do irmão

Falso profeta no meio da massa

No comércio da fé Jesus não passa

De um produto vendido à prestação

 

 

 

 

 

III

 

 

Retratinho, santo, escapulário

Livro, reza, receita de oração

Tem de tudo na feira da ilusão

Te depenam te levam o salário

Tem a fala mansinha do vigário

Do “pastor” vigarista, espertalhão

Que se formou no curso de ladrão

Tenho um nojo danado dessa raça

No comércio da fé Jesus não passa

De um produto vendido à prestação

 

 

 

 

 

 

IV

 

 

Tem o padre da coreografia

Se rebola para atrair fiéis

Vende broches, pulseiras e anéis

Caso pudesse vendia a sacristia

Inda chama-se filho de Maria

É mentira não creio nisso não

Virgem Maria não foi mãe de ladrão

Ela foi uma mulher cheia de graça

No comércio da fé Jesus não passa

De um produto vendido à prestação

 

 

 

 

 

V

 

 

Caso Cristo resolvesse aqui andar

Ensinando, pregando, dando exemplo

Expulsava esses vendilhões do templo

Com chicote no lombo até ralar

E dava um banho de sal pra ajeitar

Esse bando de enganador ladrão

Sou pastor e me sinto na razão

Comem dinheiro parecem uma traça

No comércio da fé Jesus não passa

De um produto vendido à prestação

NO MUNDO O QUE ME FALTA FAZER MAIS (glosa ao mote)

 


 

I

Escalei a montanha do Himalaia

E ensinei sabedoria a Salomão

Ganhei queda de braço pra Sansão

E Instrui o nosso Águia de Aia

Ainda fiz o Lampião botar uma saia

Também domei uns quinhentos animais

E inventei uma linguagem de sinais

O automóvel eu criei numa aposta

Ainda hoje todo mundo anda e gosta

E no mundo o que me falta fazer mais

 

Refrão

E o que que me falta fazer mais

Se o que eu fiz até hoje ninguém faz

 

 

 

II

Lá no Egito em tempos atrasados

Com Moisés me encontrei com Faraó

E nos mágicos do império dei um nó

Aqueles magos eu deixei envergonhados

Com o monarca e os seus admirados

“Não venha puxar dos seus punhais

Nem por sonho pergunte: aonde vais?

Todo o povo de Israel saiu a pé

E eu inda disse: “Isso aqui é de Javé”

E no mundo o que me falta fazer mais

 

Refrão

E o que que me falta fazer mais

Se o que eu fiz até hoje ninguém faz

III

 

Fiz assaltos a muitas diligências

Era no Oeste um cowboy fora da lei

E lutei contra Nassau e sua grei

Sempre fui o rei das inteligências

Na Palestina acertei as malquerenças

E demarquei os quatro pontos cardeais

Criei todas as casas decimais

E romances pra Machado escrevi

Os continentes fui eu que dividi

E no mundo o que me falta fazer mais

 

Refrão

E o que que me falta fazer mais

Se o que eu fiz até hoje ninguém faz

 

 

IV

 

No Mar Salgado eu pesquei a minha janta

E dei anéis de Saturno ao meu amor

Fiz a linha que corta o Equador

Coloquei em Guadalupe a sua santa

Desenvolvi a teoria dos Quanta

E com o Tácito escrevi os seus Anais

Fui amigo do bom João de Calais

Como cantor fiz sucesso sem parar

O Billy The Kid ensinei a atirar

E no mundo o que me falta fazer mais

 

Refrão

E o que que me falta fazer mais

Se o que eu fiz até hoje ninguém faz

 

 

V

 

Fui jagunço com o rei do cangaço

Tendo ajudado o Camões a escrever

Um olho cego ele mal podia ver

Então eu disse: “deixe o resto que eu faço”

Os Lusíadas, grande calhamaço

Ajudei e fiz os versos capitais

Ajustei rima, ponto e coloquei vogais

E não fiz mais porque o tempo não deu

Quem descobriu o Brasil também fui eu

No mundo o que me falta fazer mais

 

Refrão

E o que que me falta fazer mais

Se o que eu fiz até hoje ninguém faz

domingo, 1 de setembro de 2019

MAUS - UMA HQ PROFUNDAMENTE HUMANA


 Por Líllian Régis
(contém spoilers)



Casar com um homem que coleciona HQs é uma maravilha! Se você, como eu, gostar de gibis (desde criança), vai ter sempre histórias para compartilhar, spoilers para contar, porque a trama é tão boa que você não se contém, além de poder ler o mesmo Quadrinho juntos, que é uma coisa muito prazerosa na vida a dois. (Acredite, esse é um dos melhores hábitos que um casal pode ter!) Mas o que isso tem a ver com MAUS? Você já vai descobrir.

300 páginas que você não vai conseguir parar de ler! Foi assim minha experiência com a HQ de Art Spielgeman. Contada a partir da perspectiva de Vladek, pai do autor, em preto e branco e com um desenho simples, MAUS nos apresenta as memórias de um judeu sobrevivente ao Holocausto. Na tentativa de reconstituir a história de sua família, Art entrevista seu pai, um personagem ranzinza e sovina que, quase ao final da leitura, encheu meus olhos de lágrimas. Art não tenta maquiar a imagem do pai e o relato, em minha opinião, funciona como uma espécie de diário em que o escritor revela as dificuldades de convivência entre os dois.

Em MAUS – termo que significa rato em alemão, os judeus são representados como ratos, (a propaganda nazista utilizou esse animal para comparar os judeus a pragas que espalhavam doenças), os alemães são gatos e os americanos são cães. A escolha desses animais não foi à toa. Talvez Art estivesse pensando na ideia de que “cão caça gato, que caça rato, que tenta escapar como pode das presas do felino”.  É exatamente isso que acontece na HQ. E foi isso, também, que aconteceu na História com os americanos (ingleses, soviéticos e franceses) derrotando os alemães e o fim da Segunda Guerra. Sabendo disso, você lerá a HQ de outro “lugar”. 

Mas MAUS não é só metáfora! É uma história profundamente humana ao apresentar nossa bondade e compaixão em cenas de tirar o fôlego e deixar nosso coração em suspense. Também coloca nosso senso de sobrevivência e valores em xeque ao mostrar traições de ratos para com ratos. Em meio a tudo isso, ainda é possível rir com MAUS. E chorar com a história de amor de Vladek e Anja. E é aqui que eu explico o que a história tem a ver comigo (e com você, talvez). Durante a leitura, me perguntei várias vezes: “E se fosse comigo e Joelson, será que eu teria tanta coragem? Será que eu teria feito a mesma coisa?”

Art Spielgeman
O amor do casal Spielgeman fica registrado nas cenas em que Vladek se apaixona por Anja “porque depois de falar com ela, você começa a amar mais e mais”, em que ele deixa de comer (mesmo definhando) para a esposa comer e em cada tentativa desesperada de encontrar o outro (sim, eles ficam em campos de concentração diferentes num dado momento). Um tipo de amor que me lembrou do amor de Cristo – sofredor e abnegado, incansável em procurar o bem do ser amado, invencível. E me fez pensar em meu amor por meu marido. Talvez nenhum de nós passe por provação semelhante à de Anja e Vladek.  Queira Deus que o Holocausto jamais se repita! Mas, certamente, a vida vai se encarregar de provar o nosso amor. Quem sabe será uma doença (temporária ou crônica), uma crise financeira, um acidente que tirará a beleza do nosso rosto...  Em tudo isso, a Escritura do Deus amoroso e sábio continuará nos dizendo: 

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co 13. 4-7). 

MAUS é um retrato da nossa humanidade caída, de nossas misérias e maldades elevadas a um ponto nunca antes imaginado. Mas é, também, o registro da bondade e misericórdia que os homens herdaram do Deus que os criou. Uma história de amor incrível que vale cada quadrinho lido!

Se você já leu, não deixe de comentar! Se ainda não leu, ficou com vontade? Compartilha sua opinião com a gente! Até a próxima!
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FICHA TÉCNICA: 

Autor: Art Spielgeman
Ano de publicação: 2009 (25ª reimpressão)
Páginas: 296
Onde comprar: Amazon

NÃO PARE AQUI VÁ PARA OS TEXTOS MAIS ANTIGOS.