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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

INTERPRETANDO OS SALMOS CRISTOCENTRICAMENTE COM ISAAC WATTS

O teólogo Congregacional Isaac Watts
Douglas Bond
FIEL


No prefácio de Canções Divinas Cantadas na Linguagem Simples Para o Uso de Crianças, Isaac Watts afirmou estar diminuindo seu trabalho com poemas infantis a fim de voltar a trabalhar em sua interpretação poética dos Salmos. Ele havia sido encorajado a parafrasear os Salmos por colegas quando ainda adolescente na Academia Newington, e seu irmão Enoch havia muitas vezes encorajado Watts a realizar o projeto. “Há uma grande necessidade de uma pena”, escreveu Enoch, “tão vigorosa e viva quanto a sua, para despertar e reviver a devoção moribunda da época, a qual nada mais pode dar tal assistência quanto a poesia forjada com o propósito de elevar-nos até mesmo acima nós mesmos”.1 Outra carta, esta proveniente de seu amigo de longa data John Hughes, escrita em 6 de novembro de 1697, revela que Watts começou o seu trabalho sobre os Salmos mais de duas décadas antes de publicar Os Salmos de Davi Seguindo a Linguagem do Novo Testamento e Aplicados à Condição e Adoração Cristã (1719). Hughes escreveu: “Dou-lhe o meu agradecimento cordial por sua paráfrase engenhosa, pela qual você tão generosamente resgatou o nobre salmista das mãos destruidoras de Sternhold e Hopkins”.2

É importante notar que o amigo de Watts não denegriu os salmos inspirados em si. Foi a “carnificina” dos versificadores bem intencionados, Thomas Sternhold e John Hopkins, os quais tinham por costume realizar uma metrificação frase por frase dos Salmos ingleses. Como Hughes, Watts também “protestou contra a apatia e crueza de expressão, e a total ausência do Evangelho do Novo Testamento no conteúdo dos Salmos”, escreve Erik Routley, novamente falando não dos Salmos em si, mas de sua manipulação desajeitada em verso inglês. Como poeta, Watts foi particularmente “ofendido pela deselegância dos Salmos de Barton”, mais uma versão inadequada usada em seus primeiros anos. Em meio a tudo isso, Watts começou a perguntar a si mesmo: “Por que não podemos mais cantar de Cristo como Deus? Se Cristo renova todas as coisas, por que nossos louvores permanecem na Antiga Aliança?”3 A partir dessas reflexões, a ideia de um método totalmente novo de interpretar e parafrasear os Salmos em versos começou a se formar na imaginação de Watts.

O PRINCÍPIO REGULADOR

O princípio regulador do culto afirma que nada que não esteja especificamente previsto na Sagrada Escritura deve ser feito no culto. No entanto, muitos na tradição da Reforma estavam divididos quanto a se este princípio proibia o canto de hinos não-inspirados. Desde a Reforma, luteranos haviam cantado hinos de composição humana, juntamente com Salmos no adoração. Embora João Calvino tenha recomendado o cântico dos Salmos em francês, ele nunca proibiu hinos especificamente, e ele mesmo pode ter escrito o hino semelhante a salmo “I Greet Thee, Who My Sure Redeemer Art” [Eu Saúdo a Ti, Meu Verdadeiro Redentor]. De qualquer maneira, ele o incluiu no Saltério de Genebra de 1551, uma forte indicação de que não defendia a salmodia exclusiva.

Calvinistas posteriores, no entanto, torciam o princípio regulador em prol da exclusão de qualquer poesia humana composta para o canto em cultos divinos. Na Grã-Bretanha, a salmodia exclusiva reinou. Infelizmente, porém, muitos dos esforços bem-intencionados de versificar os textos dos Salmos em rima e métrica inglesa passaram longe dos esplendores da poesia original em hebraico.

DAVI, O CRISTÃO

Watts não pediu desculpas por seu ataque frontal às prevalecentes versificações dos Salmos de Sternhold e Hopkins, bem como a de Nahum Tate e Nicholas Brady, os quais produziram uma coleção de versificações de Salmos em 1696. Não há dúvida de que estas eram muitas vezes difíceis, e muitos delas eram praticamente impossíveis de serem cantadas. Então, Watts tomou emprestada a hermenêutica histórico-redentiva empregada pelos melhores pregadores e desenvolveu a partir dela um método de interpretar e aplicar poeticamente os Salmos para o canto no culto. Sua defesa do método indica que Watts queria que o Antigo Testamento fosse entendido à luz de seu cumprimento em Cristo:

Quando o salmista... fala do perdão do pecado através das misericórdias de Deus, eu adicionei os méritos de um Salvador. Onde ele fala de sacrificar cabras ou bezerros, eu prefiro optar por mencionar o sacrifício de Cristo, o Cordeiro de Deus. Onde ele promete abundância de riqueza, honra e vida longa, eu substituí algumas dessas bênçãos típicas por graça, glória e vida eterna, as quais são trazidas à luz pelo Evangelho, e prometidas no Novo Testamento. E estou plenamente satisfeito, que mais honra seja dada ao nosso bendito Salvador por mencionar o seu nome, a sua graça, suas ações, em sua própria linguagem, de acordo com as revelações que ele agora tornou mais brilhantes, do que voltando às formas judaicas de adoração e à linguagem de tipos e figuras.4

Não fazia sentido para Watts que os novos santos do pacto devessem abster-se de tomar o nome de Jesus, “nosso bendito Salvador”, em seu canto. Ele entendeu que as formas de adoração judaica, os tipos e as sombras do evangelho na antiga aliança, estavam, como Paulo disse, “sendo levado[s] a um fim” (2 Cor. 3:7), que “o que, outrora, foi glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual sobre-excelente glória” (v. 10). Watts acreditava que ao cantar apenas as cruas versificações inglesas dos Salmos, um véu permanecia sobre os corações dos adoradores da nova aliança, “que, em Cristo, é removido” (v. 14) .

É importante lembrar que Watts escreveu seus hinos e interpretou os Salmos em poesia ao lado de seus deveres como um pregador do evangelho. Ele sabia que era inconcebível para ele, enquanto pregador, negligenciar apresentar Cristo ao seu rebanho, que aparece como o cumprimento da lei em todas as Escrituras e, portanto, nos Salmos. Para Watts, a interpretação poética histórico-redentiva dos Salmos era a única hermenêutica possível, exatamente como era quando ele estava pregando.

Watts não estava realmente sendo hermeneuticamente inovador aqui, como alguns sugerem. Toda a sua aprendizagem provinha da tradição Calvinista e Reformada, então ele estava apenas tentando incitar uma continuidade entre a pregação Reformada centrada em Cristo e o canto Reformado no culto. O próprio Calvino havia escrito: “Devemos ler as Escrituras com o objetivo expresso de encontrar Cristo nelas. Quem quer que se desvie desse objeto, mesmo que esgote-se ao longo de toda a sua vida na aprendizagem, nunca alcançará o conhecimento da verdade”.5 Quando foi chamado para ser pregador em Londres no púlpito de John Owen, Watts declarou à congregação ter “a mesma forma de pensar que o seu reverendo pastor anterior, Dr. John Owen”,6 que havia escrito sobre a pregação historico-redentiva décadas antes dos Salmos de Watts serem publicados, dizendo: “Mantenha a Jesus Cristo fixo em seus olhos enquanto procede com a leitura cuidadosa das Escrituras, como o seu fim, escopo e substância; tenha a Cristo como a própria substância, medula, alma e escopo de toda a Escritura”.7 Mais tarde, C. H. Spurgeon, que foi subornado quando menino a memorizar muitos dos hinos de Watts, escreveu sobre como ele interpretava as Escrituras: “Eu tomo qualquer que seja o texto em que eu esteja e faço um conexão com a Cruz”.8

Os melhores expositores entendem que a interpretação centrada em Cristo não é uma questão de gosto metodológico que funciona para alguns e não para outros. J. I. Packer escreve: “Cristo é o tema verdadeiro da Escritura: tudo foi escrito para dar testemunho dele. Ele é a totalidade de toda a Bíblia, profetizado, tipificado, prefigurado, exibido, demonstrado, podendo ser encontrado em cada página, em quase todas as linhas, como se as Escrituras fossem os próprios cueiros do menino Jesus”.9 Em seu livro Christ-Centered Preaching [Pregação Cristocêntrica], Bryan Chapell escreve: “O método histórico-redentivo... é uma ferramenta vital e fundamental que os expositores precisam para interpretar com precisão e graça textos em seu contexto completo”.10 Para Watts, nenhum outro método tem a carga do texto do salmo antes dele – Jesus.

Alguns acusam Watts de adulteração da inspiração divina por sua manipulação dos Salmos. No entanto, poucos tinham uma visão tão elevada dos Salmos como Watts, e sem dúvida, se ele tivesse crescido no mundo antigo de fala hebraica, onde a poesia e conteúdo inspirados permaneceram intocados, não diminuídos pela tradução, Watts poderia ter surgido com outro método. Erik Routley comentou sobre o que Watts estava fazendo: Deixe um homem deslumbrar-se e compartilhar o seu deslumbramento com seus companheiros na igreja – assim disse Watts, e de onde ele tirou isso, senão dos próprios Salmos? Onde existe tal visão cósmica, tal deslumbramento tão puro e abnegado como lá? Watts protestou contra a falta de Evangelho cristão nos Salmos, mas ele tomou deles essa qualidade de deslumbrar-se, que fez dele, mesmo em seus momentos menos inspirados, um homem com o toque do poeta.11

Observe como, na paráfrase de Watts do Salmo 136, como um bom expositor em um sermão, ele vira o rosto de seu ouvinte em direção a Cristo:

He sent his Son with pow’r to save
From guilt and darkness and the grave
Wonders of grace to God belong;
Repeat his mercies in your song.12

 
[Ele enviou seu Filho com poder p’ra salvar
Da culpa e trevas e do sepulcro livrar:
Maravilhas da graça de Deus todas são;
Entoem suas misericórdias numa canção.]


Neste método de interpretar os Salmos poética e teologicamente, Watts pode ter sido ainda suportado por Paulo, que escreveu que devemos fazer tudo, “seja em palavra, seja em ação”, no nome do Senhor Jesus, e ele escreveu isso no contexto imediato de cantar “salmos, e hinos, e cânticos espirituais” (Cl. 3.16-17). Para Watts, o que era verdade para ser pregado no culto da nova aliança era igualmente verdadeiro para cantar. Seu quase contemporâneo, Blaise Pascal, articulou a hermenêutica histórico-redentiva dos reformadores e seus descendentes: “Sem a Escritura, que possui Jesus Cristo somente como seu objeto, não podemos saber nada”.13
 __________________________________

Fonte: Trecho do Livro O Encanto Poético de Isaac Watts, lançamento da Editora Fiel

Referências

1. Watts, The Poetic Interpretation of the Psalms, 262.
2. Fountain, Isaac Watts Remembered, 37–38. Thomas Sternhold (1500–1549) foi o principal autor da primeira versão métrificada dos Salmos. John Hopkins publicou Sternhold’s Psalms e mais tarde adicionou alguns de seus próprios.
3. Routley, Hymns and Human Life, 63.
4. Bailey, The Gospel in Hymns’, 52.
5. João Calvino, Commentary on the Gospel According to John (Grand Rapids: Baker, 1999), 218.
6. Watts, The Poetic Interpretation of the Psalms, 243.
7. Citado em J. I. Packer, A Quest for Godliness (Wheaton, Ill.: Crossway, 1990), 103.
8. Citado em Lewis A. Drummond, Spurgeon: Prince of Preachers (Grand Rapids: Kregel, 1992), 277.
9. Ibid.
10. Bryan Chapell, Christ-Centered Preaching (Grand Rapids: Baker Academic, 2008), 305.
11. Routley, Hymns and Human Life, 64–65.
12. Do hino “Give to Our God Immortal Praise” de Isaac Watts, 1719.
13. Blaise Pascal, Pensees (Londres: J. M. Dent & Sons, 1954), 147

GRANDE COMISÃO: TODOS DEVEM IR?

 Karl Dahlfred
 FIEL


Parece ser uma ordem tão simples! “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19). Mas quem exatamente deve ir? Alguns têm sustentado que a ordem de Jesus para ir e fazer discípulos era apenas para os apóstolos originais e que a Grande Comissão foi, subsequentemente, cumprida por aqueles apóstolos. Mas era impossível que uma tarefa tão grandiosa fosse completa por apenas onze homens. E a promessa de que Jesus estaria com eles “até a consumação dos séculos” implica que a validade da sua comissão se estenderia para além do tempo de vida dos apóstolos. Se é assim, a igreja herdou essa comissão dos apóstolos. E é a responsabilidade da igreja obedecer a ordem de Cristo até que ele venha outra vez.
É importante observar que a comissão de Cristo para ir e fazer discípulos é dada à igreja como um todo, não apenas a cristãos em particular. É comum enxergar a Grande Comissão como uma ordem para que cada cristão em particular se envolva em evangelização. E algumas missões têm advogado que, a menos que você tenha um chamado específico para permanecer em sua terra natal, você deve se tornar um missionário transcultural em obediência à Grande Comissão. Por mais bem intencionadas que essasperspectivas possam ser, elas erram o alvo ao deixar de pôr a ordem Cristo no contexto do ensino do Novo Testamento acerca do corpo de Cristo.
O apóstolo Paulo escreveu: “Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada” (Romanos 12.4-6). Embora cada cristão tenha um papel a desempenhar na Grande Comissão, nem todos nós temos o mesmo papel.
Certamente, há alguns que têm o papel de missionários, evangelistas, pastores, ou mestres da Bíblia. E alguns irão para o outro lado do planeta para cumprir esses papéis. Há uma imensa necessidade no mundo hoje de missionários transculturais, e o campo missionário é um lugar fantástico para servir a Cristo. Mas não é para todo mundo.
Quando Jesus disse: “Ide”, ele não estava ordenando que todos os seus discípulos fossem para o exterior. Logo antes de sua ascensão, Jesus foi bastante específico acerca dos pontos geográficos aonde ele esperava que seus discípulos fossem. Ele lhes disse: “E sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1.8). Jesus e os seus discípulos estavam em Jerusalém quando ele disse essas palavras. Jesus queria que eles começassem a dar testemunho da sua vida, morte e ressurreição ali mesmo onde eles estavam – em Jerusalém.
Mas eles não deveriam parar ali. Alguns deles iriam para as outras partes da Judeia, compartilhando o evangelho com outros judeus. Mas outros iriam cruzar fronteiras culturais e religiosas, fazendo discípulos em Samaria. E, mais além, alguns dos discípulos de Jesus iriam aos confins da terra, fazendo discípulos em lugares que eram completamente distintos de sua terra natal.
Jesus tinha certeza de que alguns dos seus discípulos iriam até os lugares mais remotos da terra. Mas ele não vislumbrava todos os seus discípulos descendo de barco para alguma área longínqua do mundo. O Novo Testamento põe uma ênfase muito maior na fidelidade diante da situação em que nos encontramos do que numa viagem física. Como escreve o apóstolo Paulo: “Procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado;para que andeis honestamente para com os que estão de fora e não necessiteis de coisa alguma” (1Tessalonicenses 4.11-12, ARC).
Embora nem todos nós viajaremos pelo globo para compartilhar o evangelho nem ensinaremos e batizaremos em nossa igreja local, isso não significa que nós não possamos estar envolvidos no “ide” da Grande Comissão. Assim como os discípulos originais que estavam em Jerusalém, nós buscamos viver com fidelidade no lugar em que nos encontramos, “estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1Pedro 3.15). E, a despeito da nossa condição de vida, sempre há algum modo de tomarmos nossa parte em fazer discípulos de todas as nações.
Para os que estão começando, podemos aprender sobre evangelização e missões. Leia uma biografia missionária, como a história de Adoniram Judson ou John Paton. Descubra quais missionários a sua igreja apoia. Inscreva-se na lista de correspondência deles, leia os pedidos de oração em suas cartas, e ore por eles. Apoie missionários financeiramente.
Lembre-se também de que, em nosso mundo globalizado, as pessoas estão viajando como nunca antes e as nações estão vindo a nós. Saia para almoçar com um estudante estrangeiro ou acolha a família de imigrantes que se mudou para a sua rua. Fique de olho naqueles em sua igreja que possam ser bons candidatos a missionários, encoraje-os e apoie-os nessa direção.
Embora nem todos os cristãos devam “ir” no sentido físico, todos nós somos parte do corpo de Cristo e temos um papel a desempenhar. Como você “irá” hoje?

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

NINGUÉM VAI PARA O CÉU

Por Roberto de Carvalho Forte



É comum, nos dias de hoje, em grande parte das igrejas, ao tratarem sobre a escatologia, afirmarem que quando Cristo vier, a igreja irá morar no céu. Há até mesmo muitas canções que declaram isto, e pelo fato de muitos não examinarem as Escrituras quanto a tudo o que ouvem, lêem ou cantam, acabam formando sua “teologia” baseada apenas em alguns clichês ou canções, e também por conta de uma forte influência do dispensacionalismo. O cantor Lázaro, em sua música “Morar No Céu”, declara enfaticamente: “Ainda bem que eu vou morar no céu”.

Anthony Hoekema, comenta: “A partir de certos hinos, temos a impressão de que os crentes glorificados passarão a eternidade em algum céu etéreo, em algum lugar no espaço, bem longe da terra”. [1]

Mas, afinal de contas, onde a igreja habitará?

O termo “morar no céu” certamente é citado por muitos por causa da passagem em João 14, que diz: Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. (v.2). Seria essa “morada de Deus” o céu, neste contexto? O versículo 23, deste mesmo capítulo, responde: “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.”. O substantivo grego no singular μονή, e no plural μοναὶ, aparecem apenas duas vezes no NT, que correspondem à “morada” e “moradas”, respectivamente, e só são encontradas neste capítulo. Jesus disse aqui aos discípulos que subiria ao céu, mas não os deixariam órfãos, pois os enviariam o Consolador (v.16), e que faria morada nos crentes (v.23), e esta promessa já se cumpriu com a vinda do Espírito Santo. (Para um entendimento mais amplo sobre isto, sugiro a leitura de um artigo no site da Mackenzie, fonte no rodapé [2])

Mas o que vemos nas Escrituras são textos bíblicos que apontam para novo céu e nova terra, que é o caso de 2 Pe 3:13, que diz: “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.”. Jesus disse em Mateus 5: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (v.5). E ainda em Apocalipse 21, referindo à eternidade: E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.” (v.1). No AT, temos esta promessa em Isaías 65: “Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão.” (v.17), e em Isaías 66: “Porque, como os novos céus, e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante da minha face, diz o Senhor, assim também há de estar a vossa posteridade e o vosso nome.” (v.22). 

Hoekema, comenta: “Existe uma passagem no livro de Apocalipse que fala acerca de nosso reinado sobre a terra: ‘Digno és [Cristo] de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra’ (Ap 5:9-10). Embora alguns manuscritos tragam o verbo ‘reinarão’ no tempo presente, os melhores textos trazem o tempo no futuro. O reinado sobre a terra dessa grande multidão redimida é representado aqui como a culminação da obra redentora de Cristo por seu povo.” [3]

A terra que hoje vivemos será restaurada, e não aniquilada. Como escreveu William Hendriksen: “Os céus e a terra que agora existem foram reservados para o fogo, de forma que logo os céus estarão queimando [..] serão dissolvidos e os elementos derreterão com calor fervente” [4]. E ele conclui: “O fogo não anulará o universo. Depois do fogo ainda existirão os mesmos ‘céus e terra’, mas gloriosamente renovados, como explicado em 2 Pe 3.13; Apocalipse 21:1-5.” [4]

Pedro, o apóstolo, escreve: “Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão [...] em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?”  (2 Pe 3:7,10,11,12). 

Depois dessa restauração, a nova Jerusalém (símbolo da Igreja de Cristo) descerá do céu à nova terra, “adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21:2) e reinará eternamente com Cristo.

Podemos afirmar, portanto, que não só teremos o céu na eternidade, mas habitaremos no Novo Céu e na Nova Terra, e Cristo será eternamente o Rei: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.” (Apocalipse 21:3)


___________
Notas:
1 – A Bíblia e o Futuro, Anthony A. Hoekema, pág. 292.
2  Jesus e as moradas na casa do Pai: interpretando monai em João 14
3 – A Bíblia e o Futuro, Anthony A. Hoekema, pág. 300.
4 – A Vida Futura Segundo a Bíblia, William Hendriksen, pág. 257.

NA IGREJA, DEIXE SUA PREFERÊNCIA MUSICAL DE FORA

Por Bobby Jamieson


O que houve com os fones de ouvido? Ou até mesmo com os intra-auriculares, seus discretos sucessores?
Desde o advento do iPhone, parece-me que mais e mais pessoas projetam suas músicas no ambiente ao seu redor, em vez de nos seus ouvidos. Eu vejo isso – aliás, eu ouço – em todo lugar: na academia, no aeroporto, no açude perto de casa em torno do qual caminho. Eu constantemente me deparo com as bolhas pessoais de Beyoncé ou Bieber de outras pessoas.
Eu poderia falar sobre como as tecnologias, a exemplo dos pequenos alto-falantes, apenas revelam a autoabsorção já presente no coração, mas não o farei. Em vez disso, há uma parábola aqui que eu desejo investigar, uma parábola que retrata a diferença entre como nós tendemos a ouvir música individualmente e como nós deveríamos lidar com a música na igreja.

Trilhas sonoras personalizadas

Essas esferas musicais projetadas retratam o fato de que, para muitas pessoas hoje, a música serve como um tipo de trilha sonora personalizada para as nossas vidas.
Por que você escuta as músicas que escuta? As razões são, provavelmente, multifacetadas e, algumas vezes, subconscientes. Em alguma medida, as escolhas estéticas da maioria das pessoas são intuitivas: você gosta porque gosta. Mas preferências musicais também são influenciadas pelo lugar onde você cresceu, o que seus pais costumavam ouvir, o que seus pais proibiam você de ouvir, e – especialmente –, o que seus amigos ouvem. E essas preferências podem mudar ao longo do tempo de maneiras radicais ou discretas.
O que você ouve também depende de como você se sente e de como você deseja se sentir. Se você estiver deprimido, uma música melancólica pode levá-lo à catarse. Se estiver fazendo exercícios, você quer manter seu sangue bombeando a todo vapor. Está-se trabalhando ou estudando, você provavelmente quer uma música que irá afastar as distrações, sem se tornar ela mesma uma distração.
E o que você ouve depende da companhia presente. Daí vêm as brigas eternas, em algumas famílias, pelo controle do som do carro.
Qual é a grande questão aqui? Na modernidade ocidental tardia, e cada vez mais pelo resto do mundo, a música funciona para muitos como uma trilha cinematográfica. Ela indica o nicho cultural das personagens, estabelece o humor, e intensifica a ação.
Que a música funcione desse modo é mais ou menos um fato da vida hoje, mas não é um fato da natureza. O consumo personalizado de música é possível apenas por causa da tecnologia e das estruturas comerciais que a viabilizam. Grosso modo, antes do advento da mídia de massa, a experiência musical da maioria das pessoas era exatamente como a de todos os seus vizinhos: eles ouviam e cantavam as canções do seu povo. As pessoas costumavam sussurrar canções populares, a herança comum de várias gerações, enquanto aravam o campo e assavam o pão. Em contraste, a cornucópia de opções que caracteriza o consumo musical de nossos dias é uma novidade do capitalismo avançado.
Isso não o torna errado. Mas significa que nós deveríamos atentar para alguns instintos programados pelo hábito do consumo personalizado e que podem precisar ser desprogramados quando entramos na igreja no domingo de manhã.

Domingo de manhã

Por quê? Porque a música na igreja está ali com um propósito bem diferente daquele pelo qual ela está em nossos iPhones.
Em Colossenses 3.16, Paulo escreve: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.”  A passagem paralela em Efésios 5.18-19 nos exorta a não nos embriagarmos com vinho, mas, em vez disso, a “[enchermo-nos] do Espírito, falando entre [nós] com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais”.
Nessas passagens, Paulo se dirige a toda a congregação. Ele ordena toda a congregação a cantar, assim como Deus frequentemente ordena seu povo a cantar-lhe ao longo do Antigo Testamento (p.ex., Salmo 9.11; 30.4; 33.3; 47.6).
Não é o grupo de louvor que toca a música à frente, enquanto todo mundo ouve ou, talvez, canta junto, como num show. Em vez disso, a igreja é o grupo de louvor. Haja o acompanhamento que houver, ele simplesmente serve e dá suporte ao canto da igreja.
Na igreja, música não é algo que consumimos, mas algo que nós criamos.
E para que exatamente essa música serve? É um meio pelo qual nós fazemos uma melodia ao Senhor e damos graças a ele. É também um meio pelo qual nós nos dirigimos uns aos outros, admoestando-nos e instruindo-nos. O nosso canto na igreja é dirigido a Deus e uns aos outros. Ele tem por alvo a glória de Deus e o bem do corpo. Como Paulo escreve em 1Coríntios 14.26, “Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, [...] Seja tudo feito para edificação”.
O fato de esse canto ser corporativo, em vez de particular, não é acidental, mas essencial. Paulo ora pela igreja de Roma: “Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 15.5-6). Paulo deseja que a igreja em Roma viva como um só corpo, de modo que eles possam glorificar a Deus como um só corpo. Ele deseja que o cântico deles em unidade expresse a vida de unidade deles como igreja. Nós glorificamos a Deus ao cantarmos juntos porque, em Cristo, Deus nos ajuntou.
Na igreja, a música é o meio pelo qual todos nós, como um só corpo, glorificamos o Senhor e edificamos uns aos outros ao cantar as excelências daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

Diferenças

Longe de ser uma trilha sonora personalizada, a música na igreja é mais como a partitura de uma orquestra: a igreja é a orquestra, e cada membro em particular é um instrumento. Observe que, ao mudarmos da música cotidiana para a música na igreja, nós passamos do passivo ao ativo. Novamente, você não consome música na igreja; você a cria.
Nós também passamos do individual ao corporativo. O foco da música na igreja não é que você terá uma experiência espiritual individual da presença de Deus, enquanto canta ou outros tocam. Em vez disso, o foco é que a sua voz combinará com dúzias ou centenas de outras em uma só voz que louve a Deus e proclame a sua graça ao seu povo.
Quando uma orquestra se apresenta para tocar, todos sabem que é um trabalho em equipe. Dúzias de músicos tocam uma única partitura, de modo que a orquestra toca em unidade. Das dúzias de músicos vem um som unificado. Seria impensável que os membros da orquestra insistissem em tocar apenas as partes que estivessem de acordo com suas preferências pessoais. Para que os muitos soem como um só, os muitos devem abrir mão de quaisquer projetos que tenham o potencial de fragmentar a sua unidade.
Ao mudarmos da música cotidiana para o domingo, nós também passamos dos propósitos pessoais aos propósitos ordenados. No seu tempo pessoal, contanto que esteja amando a Deus e ao seu próximo, você pode fazer o que quiser com a música. Mas, como vimos, a música na igreja tem propósitos que são precisamente ordenados por Deus.
Toda a música na igreja deve habilitar a igreja para a edificação mútua e o louvor a Deus. Essa é uma questão que envolve a obediência ou a desobediência de toda a igreja à Palavra de Deus. O que mais importa na música da igreja é que ela faça a palavra de Cristo habitar ricamente na igreja. Conteúdo, portanto, é mais importante que estilo. E as questões mais importantes sobre estilo não são se ele se combina com as preferências de alguém, mas se o estilo da música serve aos propósitos divinamente ordenados de servir como louvor e admoestação para toda a igreja.

Preferências

Então, o que você deveria fazer com as suas preferências musicais ao entrar na igreja? Sem meias palavras, deixe-as do lado de fora.
Você pode ligar o seu iPod de novo assim que entrar no carro e dirigir de volta para casa. Na igreja, porém, ponha de lado as suas preferências e alegremente cante o que o corpo cante. O olho, o ouvido, a mão e o pé podem ter cada um as suas preferências, mas o corpo canta como um só.
Você deve se certificar de deixar as suas preferências na porta da igreja, primeiro, por causa das diferenças entre como nós costumamos consumir música enquanto indivíduos e como nós devemos criar música na igreja. Eu não estou sugerindo que a maioria dos cristãos pensa que pode tratar a ordem de culto da sua igreja como uma lista de reprodução do iTunes. Mas eu de fato penso que a nossa cultura de consumo musical está tão arraigada que é preciso trabalho duro para deixar de lado as preferências, em vez de insistir nelas. Estamos tão acostumados a elaborar nossas próprias trilhas sonoras que é preciso esforço para cultivar uma cultura musical na qual os muitos importam mais do que o um.
E abrir mão de nossas preferências pelo bem do corpo é exatamente o que o evangelho nos chama a fazer. O evangelho nos chama a perder para que outros possam ganhar, a considerar os outros superiores a nós mesmos, assim como Cristo fez por nós (Filipenses 2.1-11). Então, imite Cristo à medida que você canta para Cristo no corpo de Cristo. Se glorificar a Deus ao cantar é um sacrifício de louvor (Hebreus 13.15), não fique surpreso se isso custá-lo alguma coisa.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

UM CRENTE PODE APOSTATAR?

Por: R. C. Sproul



Nós podemos viver em uma cultura a qual crê que todos serão salvos, que nós somos “justificados pela morte” e que tudo de que você precisa para ir para o céu é morrer, mas a Palavra de Deus certamente não dos dá o luxo de crer nisso. Qualquer leitura rápida e honesta do Novo Testamento mostra que os apóstolos estavam convencidos de que ninguém pode ir para o céu a menos que creia somente em Cristo para a sua salvação (João 14.6; Romanos 10.9-10).

Historicamente, os cristãos evangélicos têm largamente concordado sobre esse ponto. Onde eles diferem tem sido na questão da segurança da salvação. Pessoas que concordariam que apenas aqueles que confiam em Jesus serão salvos têm, por outro lado, discordado acerca de se alguém que verdadeiramente crê em Cristo pode perder a sua salvação.

Teologicamente falando, o que estamos discutindo aqui é o conceito de apostasia. Esse termo vem de uma palavra grega que significa “estar longe de”. Quando falamos sobre aqueles que se tornaram apóstatas ou que cometeram apostasia, estamos falando daqueles que caíram da fé ou, no mínimo, da profissão de fé em Cristo que eles um dia fizeram.

Muitos crentes têm sustentado que, sim, verdadeiros cristãos podem perder a sua salvação porque há vários textos no Novo Testamento que parecem indicar que isso possa acontecer. Estou pensando, por exemplo, nas palavras de Paulo em 1Timóteo 1.18-20:

Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate, mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem.

Aqui, em meio a instruções e admoestações relativas à vida e ao ministério de Timóteo, Paulo alerta Timóteo a manter a fé e uma boa consciência, e lembrar-se daqueles que não o fizeram. O apóstolo se refere àqueles que “vieram a naufragar na fé”, homens que ele havia entregado a Satanás, “para que aprendam a não blasfemar” (ARC). O segundo ponto é uma referência à excomunhão daqueles homens por Paulo, e a passagem inteira combina uma sóbria advertência com exemplos concretos daqueles que gravemente decaíram de sua profissão cristã.

Não há dúvida de que cristãos professos podem cair, e caem radicalmente. Pensemos em homens como Pedro, por exemplo, que negou a Cristo. Mas o fato de que ele foi restaurado mostra que nem todo crente professo que cai ultrapassou o ponto em que não é mais possível retornar. Nesse particular, nós devemos distinguir uma queda séria e radical de uma queda total e definitiva. Os teólogos reformados têm notado que a Bíblia está cheia de exemplos de verdadeiros crentes que caem em pecados graves e, até mesmo, em períodos prolongados de impenitência. Então, cristãos de fato caem, e caem radicalmente. O que poderia ser mais sério do que a negação pública de Jesus Cristo por Pedro?

Mas a pergunta é: acaso essas pessoas culpadas de uma verdadeira queda são irremediavelmente caídas e eternamente perdidas, ou essa queda é uma condição temporária que irá, em última análise, ser remediada pela sua restauração? No caso de um indivíduo como Pedro, nós vemos que a sua queda foi remediada pelo seu arrependimento. Contudo, o que dizer daqueles que decaem de modo definitivo? Acaso eles foram algum dia crentes verdadeiros?

Nossa resposta a essa pergunta deve ser não. 1João 2.19 fala dos falsos mestres que haviam saído da igreja como nunca tendo sido verdadeiramente parte da igreja. João descreve a apostasia de pessoas que haviam feito uma profissão de fé, mas nunca haviam sido de fato convertidas. Além disso, nós sabemos que Deus glorifica todos aqueles a quem ele justifica (Romanos 8.29-30). Se uma pessoa tem uma verdadeira fé salvadora e é justificada, Deus irá preservar aquela pessoa.

Nesse ínterim, contudo, se o indivíduo que caiu ainda está vivo, como nós sabemos se ele é um completo apóstata? Uma coisa que nenhum de nós pode fazer é ler o coração de outras pessoas. Quando vejo um indivíduo que fez uma profissão de fé e depois a rejeita, eu não sei se ele é alguém verdadeiramente regenerado que está no meio de uma queda séria e radical, mas que em algum ponto no futuro certamente será restaurado; ou se ele é alguém que nunca foi de fato convertido, cuja profissão de fé era falsa desde o começo.

Essa questão sobre se uma pessoa pode perder a sua salvação não é uma questão abstrata. Ela nos afeta bem no âmago de nossa vida cristã, não apenas no que concerne a nossas preocupações com nossa própria perseverança, mas também com a de nossos familiares e amigos, especialmente aqueles que pareciam, por todas as evidências externas, ter feito uma profissão de fé genuína. Nós pensávamos que a profissão deles era crível, nós os abraçamos como irmãos ou irmãs, apenas para descobrirmos que eles rejeitariam aquela fé.

O que você faz, na prática, em uma situação como aquela? Primeiro, você ora e, então, você espera. Nós não sabemos o resultado final da situação, e tenho certeza de que haverá surpresas quando chegarmos ao céu. Ficaremos surpresos em ver pessoas as quais achamos que não estariam lá, e ficaremos surpresos em não ver pessoas as quais tínhamos certeza de que estariam lá, porque nós simplesmente não sabemos a condição interior de um coração humano ou de uma alma humana. Apenas Deus pode ver essa alma, transformar essa alma e preservar essa alma.
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