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terça-feira, 28 de agosto de 2018

A FRANÇA LEGALIZOU A PEDOFILIA NA PRÁTICA: ISSO NÃO É "FAKE NEWS"

Delegado de Polícia, Mestre em Direito Social, Pós – graduado em Direito Penal e Criminologia, Professor de Direito Penal, Processo Penal, Criminologia, Medicina Legal e Legislação Penal e Processual Penal Especial na graduação e na Pós – graduação do Unisal e Membro do Grupo de Pesquisa de Ética e Direitos Fundamentais do Programa de Mestrado do Unisal.


Recentemente foi divulgada na internet a notícia de que a legislação francesa, na prática, teria legalizado ou liberado a pedofilia, ao não permitir o estabelecimento de idade mínima para que alguém possa manter relação sexual com uma criança ou adolescente.
Um dos vídeos sobre o tema foi elaborado e exposto por Bernardo P. Küster, onde o autor informa sobre o estabelecimento expresso na nova legislação francesa de que não pode haver uma idade mínima para que uma pessoa possa praticar atos libidinosos de qualquer espécie com um (a) jovem. [2]

Logo em seguida, notícias como essa acima foram tachadas como “fake news” ou notícias falsas por veículos de aferição. 

Afirma-se que a França não tinha na legislação anterior uma idade mínima para a liberação de atos sexuais com menores, embora houvesse o reconhecimento da idade de 15 anos na prática. Então, alega-se que o que a nova lei faz é “somente” estabelecer explicitamente que não existirá a possibilidade de um marco de idade mínimo para considerar “ipso facto” configurado o abuso sexual de menores, tudo dependendo da análise da inexistência de violência, grave ameaça, fraude, ou mesmo falta de discernimento do menor no momento do consentimento. Este seria o teor da chamada “Lei Schiappa” (Lei 703/18, de 03.08.2018). [3] Ocorre que no corpo dos próprios desmentidos há contradição. Em primeiro lugar, há a atribuição do rótulo de “fake news”, de forma arbitrária, a uma interpretação, que é subjetiva, dos efeitos práticos de uma medida legislativa que simplesmente proíbe a existência, seja legalmente, seja por jurisprudência, de um marco mínimo para atos sexuais entre adultos e crianças. Em segundo lugar, num dos próprios desmentidos, há a afirmação de que a legislação francesa nunca previu uma idade mínima, ao mesmo tempo em que se aponta o artigo 22725 do Código Penal Francês, estabelecendo como “atteinte sexuelle” qualquer prática sexual com menores de 15 anos. [4] E essa afirmação é a verdadeira. Em pesquisa na própria net é possível encontrar rapidamente a legislação penal francesa traduzida para o espanhol, onde se verifica claramente o estabelecimento, em lei, de uma idade mínima, senão vejamos a transcrição:
“Artículo 227-25 CÓDIGO PENAL (Ley nº 98-468 de 17 de junio de 1998 art 18 Diário Oficial de 18 de junio de 1998) El hecho de cometer sin violencia, coacción, amenaza ni sorpresa un atentado sexual contra un menor de quince años por parte de una persona mayor de edad será castigado con cinco años de prisión y multa de 75.000 euros” (grifo nosso). [5]

A verdade é que o Código Penal Francês já previu sim uma idade mínima para atos sexuais com menores sem violência, fraude ou grave ameaça, a exemplo do que ocorre no Brasil com o chamado “Estupro de Vulnerável” (artigo 217 – A, CP). 

Ora, nesse passo, com o devido respeito, parece que os veículos de aferição é que estão propagando “fake news”, seja na medida em que apresentam textos absolutamente contraditórios e autofágicos, tornando a informação duvidosa para o leitor, seja porque apontam como “fake news” a interpretação subjetiva ou a avaliação ou prognóstico dos efeitos de uma legislação, coisa passível de livre e aberta discussão, não sendo possível simplesmente calar tal discurso com o rótulo de “fake news”, num chamado “efeito silenciador do discurso”, nada democrático, conforme descreve Fiss. [6] Seja finalmente porque veiculam informação efetivamente falsa, objetivamente falsa, não se tratando de uma discussão sobre os efeitos de uma alteração legislativa.

O sentido da justificada reação de revolta e preocupação contida em manifestações como a de Bernardo P. Küster, decorre do fato de que a legislação, ao remover um limite objetivo de idade com uma simples e reta proibição de atos sexuais, impondo aos maiores uma relação de responsabilidade e dever para com os menores, passa a equiparar as responsabilidades entre adultos e crianças ou adolescentes na prática do ato sexual, o que é, para além de imoral, uma violação óbvia ao Princípio da Legalidade em seu aspecto material (desiguais estão sendo tratados igualmente). A relação entre um adulto e uma criança ou adolescente não é de igualdade, de reciprocidade, mas de responsabilidade por parte do adulto. Cabe ao adulto conduzir essa relação com exercício de responsabilidade e dever de cuidado para com o menor. Nunca, jamais pode haver uma situação de equiparação moral, legal e de poder entre essas pessoas no que tange às práticas sexuais, a não ser realmente após certa idade que pode variar de acordo com os costumes e grau de informação e maturidade dos menores nos diversos países. A eliminação de um marco etário corresponde sim, perigosamente, a um prognóstico de liberalização das práticas sexuais, envolvendo adultos e menores. A questão não é somente moral, mas diz respeito à provável exploração sexual dos mais vulneráveis nesse relacionamento, tudo isso sob o pálio da lei e das decisões judiciais vindouras. 

Pode surgir o argumento de que se está exagerando na temeridade dessas consequências. Mas, um pequeno exemplo do que pode ocorrer com a manipulação da legislação num país como o Brasil, que estabelece legalmente um marco etário para a prática de relações sexuais com menores, será suficiente.

Como se sabe, o Código Penal Brasileiro simplesmente proíbe terminantemente que adultos mantenham, ainda que consensualmente, atos libidinosos de qualquer espécie com menores de 14 anos. Isso, como já dito acima, configura o crime de “Estupro de Vulnerável”, previsto no artigo 217 – A, CP. A redação do tipo penal confere aos intérpretes total segurança jurídica: 

“Artigo 217 – A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos:

Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos”.

Pois bem, mesmo com toda essa clareza solar da legislação pátria, há juristas que defendem que o marco dos 14 anos não é absoluto, mas relativo, merecendo apreciação em cada caso concreto, de acordo, por exemplo, com o fato de já haver o menor praticado atos sexuais anteriormente com terceiros. Ou seja, desconsidera-se a corrupção sexual que se reforça a cada prática induzida por um adulto, bem como se desconsidera a letra clara e evidente da lei. 

No sentido acima, por exemplo, encontram-se João José Leal e Rodrigo José Leal:
“a nosso ver a presunção de vulnerabilidade do menor de 14 anos pode, também, ser afastada diante da prova inequívoca de que a vítima de estupro possui experiência da prática sexual e apresenta comportamento incompatível com a regra de proteção jurídica pré-constituída”. [7]

Contudo, diante da clareza da legislação brasileira, não haveria perigo de que nosso Judiciário se arvorasse a seguir tais entendimentos, permitindo situações monstruosas de evidentes abusos sexuais de menores plenamente vulneráveis, não é verdade? Não!

Pois bem, fato é que em caso claro e evidente, versando sobre o estupro (na época “atentado violento ao pudor”) de uma criança de 5 (cinco) anos, em que o indivíduo procedeu a manipulações de seu órgão digital e sexo oral, o E. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, afirmou a inexistência de crime porque a criança teria “consentido livremente” (sic) no ato sexual sobredito. Consta desse julgado espúrio que “a vítima foi de espontânea vontade ao encontro do recorrente, atraída pelos dizeres do acusado”. E mais: “vamos, por assim dizer” que o ato se deu “com o consentimento da criança”, a qual “foi seduzida e não violentada” (sic). Por felicidade essa decisão absurda foi reformada em Recurso Especial 714979/RS pelo Superior Tribunal de Justiça. [8]

Uma decisão como esta é certamente sintoma daquilo que se pode, com absoluta razão, chamar de “esquizofrenia intelectual”, caracterizada pelo “amor deliberado à unidade na fantasia e a rejeição da unidade na realidade”. [9]

Ora, se algo desse jaez é possível de ocorrer numa corte de segundo grau de jurisdição, é de se concluir que a insanidade é algo que se pode espraiar por qualquer canto e nas mais variadas circunstâncias, inclusive quando se tem de julgar a capacidade e a vulnerabilidade vitimal de crianças de tenra idade e, pior ainda, de adolescentes pré - púberes. 

E a questão chegou a ser tão intensamente debatida na prática que obrigou o STJ a expedir a Súmula 593, em 25.10.2017, com os seguintes dizeres, que visam conter a sanha de relativização da idade – limite legalmente imposta: 

“O crime de estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante o eventual consentimento da vítima para a prática do ato, experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente”. 

Ora, é mais do que evidente que a preocupação externada em vídeos como o veiculado por Bernardo P. Küster não constitui “fake news” e nem é fruto de irrazoabilidade. A preocupação de Küster e muitos outros está ancorada na realidade dos fatos, tanto que o autor consta no título de seu vídeo que a pedofilia foi liberada “na prática”, não necessariamente por um decreto legal. O efeito prático da eliminação legal do marco etário é altamente perigoso no que tange a uma liberalização das práticas sexuais com menores, mesmo em tenra idade, tudo a depender da interpretação, nem sempre razoável ou mesmo sã, dos encarregados de prover à prestação jurisdicional. O exemplo acima, do Brasil, onde, mesmo com o marco legal evidente, há uma decisão doentia, acatando a capacidade de deliberação para atos sexuais de um menor de 5 (cinco) anos, é paradigmático. 

O contorno da legislação para que a prática pedófila seja legitimada por via de seguidas decisões judiciais ditas “liberais” ou “progressistas”, é facilitado por demais com a eliminação do marco legal mínimo. Verificou-se que mesmo havendo esse marco, há meios para tentar sua burla. 

Abre-se ainda mais o caminho para um ativismo judicial deletério capaz de promover a pedofilia, o que é ainda mais grave do que praticá-la. Isso porque a prática se dá com uma pessoa, em um ato ou até mesmo com várias em vários atos, mas não chega a se constituir em uma ação difusa e legitimadora do abuso de menores, o qual, aliás, passaria a ser “resignificado”, pela sua promoção judicial em decisões reiteradas, não mais como “abuso”, mas como prática natural e até um direito inerente à dignidade sexual das pessoas! Fato é que a medida legislativa francesa simplesmente transforma o que era uma abominação evidente, um absurdo indiscutível, em uma questão que pode ser posta em debate, analisada de acordo com incertas circunstâncias e argumentos os mais variados. Uma criança de cinco anos pode consentir em atos sexuais com um adulto de 35 anos? Ora, isso seria indiscutível com um marco etário (pelo menos seria possível conter a sanha relativista, a exemplo da Súmula 593, STJ no Brasil), mas agora passa a ser tema de discussão. Uma discussão asséptica, distanciada, mantida nas salas dos tribunais, nos gabinetes, bem longe do fedor e da podridão moral em que estarão jogadas as crianças e adolescentes na ruas e casas (especialmente as mais pobres), sob o jugo de exploradores que agora podem contar com a “compreensão” estatal de suas “cândidas” condutas.


 NOTAS:

[1] A palavra “pedofilia” será utilizada neste texto para explicitar o abuso sexual de menores por maiores. Sabe-se perfeitamente que se trata de um transtorno sexual na linguagem psiquiátrica, e que, na legislação brasileira inexiste tipo penal com tal denominação, mas sim, por exemplo, os crimes de “estupro de vulnerável”, de “Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável”, afora crimes previstos no Estatuto da Criança e Adolescente (Lei 8069/90), como v.g. artigos 240 a 241 – D.
[2] KÜSTER, Bernardo P. França legaliza pedofilia (na prática). Disponível em www.youtube.com , acesso em 27.08.2018.
[3] LOPES, Gilmar. A França aprovou uma lei que liberou a pedofilia? Disponível em www.e-farsas.com , acesso em 27.08.2018. No mesmo sentido: MATSUKI, Edgard. França aprova lei que legaliza pedofilia e sexo consentido com crianças #boato. Disponível em www.boatos.org , acesso em 27.08.2018.
[4] LOPES, Gilmar. Op. cit.
[5] Cf. CÓDIGO Penal. Disponível em https://www.legifrance.gouv.fr/content/location/1752 , acesso em 27.08.2018.
[6] FISS, Owen M. A Ironia da Liberdade de Expressão. Trad. Gustavo Binenbojm e Caio Mário da Silva Pereira Neto. Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 58.
[7] LEAL, João José, LEAL, Rodrigo José. Novo tipo penal de estupro contra pessoa vulnerável. Disponível em www.jusnavigandi.com.br , acesso em 27.08.2018.
[8] PESSI, Diego, SOUZA, Leonardo Giardin de. Bandidolatria e Democídio. São Luís: Resistência Cultural, 2017, p. 39 – 41.
[9] RUSHDOONY, Rousas John. Esquizofrenia Intelectual. Trad. Fabrício Tavares de Moraes. Brasília: Monergismo, 2016, p. 144.
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REFERÊNCIAS

CÓDIGO Penal. Disponível em https://www.legifrance.gouv.fr/content/location/1752 , acesso em 27.08.2018.
FISS, Owen M. A Ironia da Liberdade de Expressão. Trad. Gustavo Binenbojm e Caio Mário da Silva Pereira Neto. Rio de Janeiro: Renovar, 2005.
KÜSTER, Bernardo P. França legaliza pedofilia (na prática). Disponível em www.youtube.com , acesso em 27.08.2018.
LEAL, João José, LEAL, Rodrigo José. Novo tipo penal de estupro contra pessoa vulnerável. Disponível em www.jusnavigandi.com.br , acesso em 27.08.2018.
LOPES, Gilmar. A França aprovou uma lei que liberou a pedofilia? Disponível em www.e-farsas.com , acesso em 27.08.2018.
MATSUKI, Edgard. França aprova lei que legaliza pedofilia e sexo consentido com crianças #boato. Disponível em www.boatos.org , acesso em 27.08.2018.
PESSI, Diego, SOUZA, Leonardo Giardin de. Bandidolatria e Democídio. São Luís: Resistência Cultural, 2017.
RUSHDOONY, Rousas John. Esquizofrenia Intelectual. Trad. Fabrício Tavares de Moraes. Brasília: Monergismo, 2016.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

OS CRISTÃOS DEVEM SER ENCORAJADOS A SE ARMAREM?

Por John Piper




Como chanceler do Seminário e da Universidade de Bethlehem, eu quero enviar uma mensagem diferente para os nossos estudantes e para os leitores do Desiring God, do que a mensagem que Jerry Falwell Jr. enviou aos estudantes da Liberty University em um sermão na Capela do Campus no dia 4 de Dezembro.

Por uma questão de segurança em seu Campus, e em vista das atividades terroristas, o Presidente Falwell encorajou os estudantes a conseguirem permissão para carregarem armas.

Depois de dar a entender que tinha uma arma no seu bolso de trás, ele disse:

 "Eu quero aproveitar esta oportunidade para encorajar a todos vocês a conseguirem a suas permissões. Nós oferecemos um curso gratuito. E nós vamos lhe ensinar lições se eles aparecerem aqui."

Ele esclareceu no dia 9 de Dezembro que a política da Liberty University agora inclui permissão para carregar armas nos dormitórios.

Falwell e eu trocamos uma série de emails, e ele foi suficientemente gracioso para falar comigo no telefone e então eu pude entender tão claramente quanto possível.

Eu queria deixar bem claro que a nossa discussão é entre irmãos cristãos que são capazes de expressar apreciação um pelo ministério do outro e um pela pessoa do outro.

A minha principal preocupação neste artigo é com o apelo aos estudantes que os desperta para ter esta mentalidade: Vamos todos pegar em armas e lhes ensinar uma lição se eles vierem aqui.

A principal preocupação é forjar nos cristãos uma disposição para usar a força letal, não como os policiais ou como os soldados, mas como cristãos comuns e ordinários em relação aos adversários prejudiciais.

O problema não é primariamente sobre quando e se um cristão deve usar a força em defesa própria, ou em defesa de um membro da família ou de um amigo.

Existem respostas significativamente ambíguas na resposta para esta questão. O problema é sobre todo o teor e o foco e o comportamento e a atitude do coração da vida cristã.

Será que está de acordo com o Novo Testamento encorajar a atitude que diz, "Eu tenho o poder para matar você no meu bolso, então não mexa comigo."?

A minha resposta é não.

 Aqui estão nove considerações que me levam a esta conclusão.



1-      O Apóstolo Paulo chama os cristãos a não vingarem a si mesmos, mas a deixarem a vingança à ira de Deus, ao invés de pagarem o bem com o mal. E então, Paulo diz que Deus deu a espada (a arma) nas mãos dos governantes governamentais para expressar a ira na busca da justiça neste mundo.

            O movimento de Romanos 12.17 – 21 que define a mentalidade dos cristãos em relação aos seus inimigos, até Romanos 13.1 – 4, que define os direitos e os deveres do governo, é crucial.

Deus pretende revelar a Sua justiça na graça comum de policiais e de militares (Romanos 13.1 – 4).

E Deus pretende revelar o supremo valor de Seu Filho e da Sua salvação na graça especial das pessoas cristãs que tem o poder miraculoso para entregarem a si mesmo aos cuidados de Deus enquanto sofrem injustamente.

Romanos 12.17 – 21

            "Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai – vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito:

A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.

Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá – lhe de comer; se tiver sede,       dá – lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça.

             Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem."( Rm 12.17 – 21 ).

            Romanos 13.1 – 4.

             "Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.

            De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.

            Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem.

             Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal." (Rm 13.1 – 4).

             Para ter certeza, existem ambiguidades na maneira em que a misericórdia cristã e a justiça cívica se cruzam. Mas nenhuma delas pode ser absorvida pela outra.

            Qualquer exaltação, ou cristianização da espada que silencia Romanos 12.19 – 20 perdeu o seu caminho.

            Por exemplo, qualquer reivindicação de que na democracia os cidadãos são o governo, e que portanto, podem assumir o papel do governante portador da espada em Romanos 13, está elevando a extrapolação política acima da revelação bíblica.

            Quando o apóstolo Paulo diz em Romanos 13.4 que os governantes não trazem a espada em vão:"visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal." (Romanos 13.4); ele não quer dizer que os cidadãos cristãos deveriam todos carregar espadas para que o inimigo não tenha nenhuma ideia brilhante.



2-      O Apóstolo Pedro nos ensina que nós cristãos sempre vamos nos encontrar em sociedades aonde nós deveríamos esperar e aceitar maus tratos injustos sem retaliação.

Antes de dispararmos de volta as nossas objeções e exceções à esta verdade, vamos fazer o nosso melhor para escutar e abraçar e ser transformados em nossos corações auto – protegidos por estes textos de I Pedro.



    "porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus." ( I Pe 2.19 ).



    "Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus." ( I Pe 2.20 ).



    "não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança." (I Pe 3.9).



    "Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem – aventurados sois. Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados." (I Pe 3.14).



    "porque, se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal." (I Pe 3.17).



    "pelo contrário, alegrai – vos na medida em que sois co – participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando." (I Pe 4.13).



    "Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem – aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus." (I Pe 4.14).



    "mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome." (I Pe 4.16).



    "Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem." (I Pe 4.19).



     Poucas mensagens são mais necessárias entre os cristãos americanos nos dias de hoje do que I Pedro 4.12:



"Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós, para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse."



     As provas ardentes não são estranhas. E as provações em vista são hostilidades dos incrédulos, como o próximo versículo mostra:"pelo contrário, alegrai – vos na medida em que sois co – participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando." (I Pe 4.13).



            Estas provações são normais. Elas podem não ser a experiência americana, mas é uma verdade bíblica.

            O principal objetivo do apóstolo Pedro para os cristãos como "peregrinos e forasteiros" na terra, não é que ponhamos a nossa esperança nos direitos de proteção própria da segunda emenda, mas na revelação de Jesus Cristo em glória.



    "para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo." ( I Pe 1.7 ).



    "Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo." ( I Pe 1.13 ).



    "pelo contrário, alegrai – vos na medida em que sois co – participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando." ( I Pe 4.13 ).



    "Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co – participante da glória que há de ser revelada." ( I Pe 5.1 ).



     O objetivo do apóstolo Pedro é que nós soframos de maneira digna e mostrar que o nosso tesouro está no céu e nãos nos direitos de proteção própria.



3-      Jesus prometeu que a hostilidade violenta virá; e todo o teor de Seu conselho é sobre como suportar isto com o sofrimento e o testemunho, não com defesa armada.

   

    "Antes, porém, de todas estas coisas, lançarão mão de vós e vos perseguirão, entregando – vos às sinagogas e aos cárceres, levando – vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome; e isto vos acontecerá para que deis testemunho.

     Assentai, pois, em vosso coração de não vos preocupardes com o que haveis de responder; porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem.

     E sereis entregues até por vossos pais, irmãos, parentes e amigos; e matarão alguns dentre vós. De todos sereis odiados por causa do meu nome. Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça. É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma." ( Lc 21.12 – 19 ).



    "Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo" (Mt 10.28 ).



    "Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas.

     E acautelai – vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas; por minha causa sereis levados à presença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios.

     E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer, visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós.

     Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão. Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo" ( Mt 10.16 – 22 ).



            Para que serve o momento da vida mais perigoso e amedrontador? É para mostrar o quão poderosos e precavidos nós temos sido? É para mostrar a nossa astúcia – que nós temos uma arma em nosso bolso e podemos mostrar alguma coisa a você? Esta é uma resposta aprendida de Jason Bourne, e não de Jesus e da Bíblia.

             Esta resposta apela para tudo o que é terreno em nós, e não requer nenhum milagre do novo nascimento. É tão comum e tão fácil como comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.

            Jesus disse que o momento da vida mais perigoso e amedrontador será uma oportunidade para dar testemunho:"... e isto vos acontecerá para que deis testemunho." ( Lc 21.13 ).

            Será um momento para passos intrépidos rumo ao céu:"Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo."( Mt 10.28 ).

            Um momento para perseverar até o fim e ser salvo:"Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo."     ( Mt 10.22 ).

            Se ensinarmos aos nossos estudantes que eles deveriam carregar armas, e então os desafiarmos,"Vamos ensinar a eles uma lição se eles aparecerem aqui..", você realmente acredita que quando a oportunidade de largar as armas vier, eles vão fazer  o que Jim Elliot e seus amigos fizeram no Equador, e recusar a disparar as suas pistolas contra os seus assassinos, enquanto lanças mergulharem através de seus peitos.



4-      Jesus preparou o palco para uma vida de peregrinação neste mundo aonde nós carregamos o testemunho que este mundo não é o nosso lar, e não é o nosso reino, renunciando o estabelecimento e o avanço da nossa causa cristã com a espada.

   

            Jesus respondeu:"Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui."( Jo 18.36 ).



            Jesus disse para Pedro,"Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão."( Mt 26.52 ).



            Para ter certeza, existem muitas ambiguidades sobre ser exilado nesta terra com a nossa cidadania no céu ( Filipenses 3.20 ), enquanto, ao mesmo tempo sendo chamado para servir nas estruturas da sociedade ( I Pedro 2.13 ).



            "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo." ( Fp 3.20 ).

             "Sujeitai – vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano." ( I Pe 2.13 ).



     Mas nenhum livro da Bíblia luta com isto mais diretamente do que I Pedro, e a esmagadora verdade deste livro é esta: À medida em que você sofre pacientemente e até mesmo alegremente pela sua fé, você faz tanto bem que as pessoas vão perguntar a razão da esperança que está em você:



            "antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós." ( I Pe 3.15 ).



     Eu creio que posso dizer com completa confiança que a identificação da segurança cristã com armas ocultas não vão causar ninguém a perguntar a nós a razão da esperança que está em nós. Elas vão saber perfeitamente bem aonde é que a nossa esperança está. Está no nosso bolso.



5-      Jesus enfatiza o conceito de que a maneira dominante ( não a única ) maneira de os cristãos mostrarem o supremo valor de seu tesouro no céu é sendo tão livre do amor deste mundo e tão satisfeito com a esperança da glória que nós somos capazes de amar os nossos inimigos e não pagar o mal com o mal, mesmo se esperarmos ser prejudicados neste mundo.



    "Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta – lhe também a outra." ( Mt 5.38 – 39 ).



    "Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos." ( Mt 5.44 – 45 ).



    "Bem – aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai – vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós." ( Mt 5.11 – 12 ).



     O ponto de Mateus 5.11 – 12 é que os cristãos são livres para se regozijarem na perseguição por que os nossos corações tem sido tão transformados que nos estamos mais satisfeitos na esperança do céu do que na esperança da defesa própria.

     Esta é a base de dar a outra face e amar o inimigo.



     O amor misericordioso do Senhor é melhor do que a vida:"Porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam." ( Sl 63.3 ).



     Ou, como o apóstolo Paulo coloca,"Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda,  por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo" ( Fp 3.7 – 8 ).

     Jesus enfatizou o conceito de que a maneira de Seus discípulos demonstrarem mais fortemente o valor supremo do conhecimento de Cristo é através de deixar ir os bens, a parentela e também esta vida mortal, e chamar isto de lucro:"Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro."( Fp 1.21 ).



6-      A Igreja Primitiva, como nós vemos em Atos dos Apóstolos, esperava e suportava a perseguição sem resistência armada, mas sim com um sofrimento alegre, oração e a palavra de Deus.



    "agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus.

     Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus" ( At 4.29 – 31 ).



    "Chamando os apóstolos, açoitaram – nos e, ordenando – lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram. E eles se retiraram do Sinédrio regozijando – se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome."     ( At 5.40 – 41 ).



    "E Saulo consentia na sua morte. Naquele dia, levantou – se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria.

     Alguns homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram grande pranto sobre ele. Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava – os no cárcere."( At 8.1 – 3 ). [ veja Atos 9.1 – 2; Atos 12.1 – 5 ].

     Em todos os perigos que o apóstolo enfrentou no livro de Atos, não há sequer um indício de que ele jamais tenha planejado carregar ou usar uma arma para defesa própria contra seus adversários.

     Ele estava disposto a apelar para as autoridades em Filipos ( At 16.37 ) e Jerusalém ( Atos 22.25 ). Mas ele nunca usou uma arma para defender a si mesmo contra os perseguidores.



7-      Quando Jesus disse aos apóstolos para comprarem uma espada, Jesus não estava dizendo aos apóstolos para usarem a espada para escapar daquilo que Ele disse que os apóstolos deveriam enfrentar até à morte.



    "A seguir, Jesus lhes perguntou: Quando vos mandei sem bolsa, sem alforje e sem sandálias, faltou – vos, porventura, alguma coisa? Nada, disseram eles.

     Então, lhes disse: Agora, porém, quem tem bolsa, tome – a, como também o alforje; e o que não tem espada, venda a sua capa e compre uma. Pois vos digo que importa que se cumpra em mim o que está escrito: Ele foi contado com os malfeitores.

     Porque o que a mim se refere está sendo cumprido.

     Então, lhe disseram: Senhor, eis aqui duas espadas! Respondeu – lhes: Basta!"   ( Lc 22.35 – 38 ).



     Eu não acredito que Jesus quis dizer no versículo 36 que os Seus discípulos, de agora em diante, deveriam ser um bando armado de pregadores prontos para usar a violência para defenderem a si mesmo da perseguição.

     Jerry Falwell Jr. disse em seu discurso esclarecedor no dia 9 de dezembro,



    "Confunde a minha mente que alguém seria contra o que Jesus disse aos Seus discípulos em Lucas 22.36. Ele lhes disse que se eles tivessem que vender a capa para comprar uma espada, os discípulos deveriam fazer isto por que Ele sabia que o perigo estava vindo, e Ele queria que os discípulos se defendessem."



     Se esta é a interpretação correta deste texto, a minha questão é,"Por que nenhum dos discípulos no Novo Testamento jamais fez isto – ou ordenou  – ou ordenou isto?".

     A resposta provável é que Jesus não tinha a intenção de que os discípulos pensassem em termos de defesa armada para o resto dos seus ministérios.

     As palavras abruptas de Jesus no fim do parágrafo, quando os discípulos apresentaram duas espadas, não foram,"Bem, vocês precisam de mais nove espadas.". Jesus disse,"É suficiente!", ou"Isto é muito!".

     Isto pode muito bem significar que os discípulos tinham dado um significado literal errado à intenção figurativa.


     Darrell Bock conclui,


    "Dois eventos são comentados neste versículo [ versículo 36 ]: A repreensão de Jesus ao uso da espada contra o servo do sumo – sacerdote ( Lc 22.49 – 51 ) e a resposta não violenta da Igreja à perseguição no livro de Atos ( At 4.25 – 31; At 8.1 – 3; At 9.1 – 2; At 12.1 – 5 ).

     Na verdade, At 4.25 – 31 mostra a Igreja armada somente com oração e com fé em Deus.

     Lucas 22.36 vê a espada somente com um símbolo da preparação para a pressão, desde que a repreensão de Jesus da interpretação literal ( Lucas 22.38 ) mostra que a implicação é simbólica."( Fitzmyer 1985: 1432; Marshal 1978: 825 ).

    "Isto aponta para a prontidão e a auto – suficiência, não para a vingança."( Nollando 1993b: 1076 ). ( Lucas, Volume II, página 1747 ).

     O que parece claro para mim é que a incerteza deste texto ( que eu compartilho ) não deveria ser utilizada para silenciar os outros que eu tenho citado.



8-      O Instinto Natural é resumir este assunto à seguinte questão, "Eu posso atirar no agressor da minha esposa?".



     A minha resposta é composta de sete partes.



      a-      O instinto é compreensível. Mas me parece que o Novo Testamento resiste à este tipo de redução ética, e não satisfaz a nossa demanda por um sim ou por um não nesta questão.

     Nós não gostamos deste tipo de ambiguidade, mas eu não posso escapar disto. Existe, como eu tenho tentado mostrar, um impulso generalizado no Novo Testamento nos movendo na direção de abençoar e de fazer o bem àqueles que nos odeiam, nos amaldiçoam e se aproveitam de nós:

    "Digo – vos, porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam."( Lc 6.27 – 28 ).

     E não existe nenhuma ligação direta com a situação de usar força letal para salvar família e amigos, exceto no que diz respeito à polícia e ao exército.

     Isto é notável quando você pensa sobre isto, desde que eu não posso deixar de pensar nesta precisa situação que se apresenta, desde que nós lemos que Saulo levou homens e mulheres presos para Jerusalém ( At 9.1 – 2 ).



     b-      O nosso principal objetivo na vida é mostrar que Cristo é mais precioso que a vida.

     Então, quando apresentado à esta ameaça à minha esposa ou à minha filha ou ao meu amigo, o meu coração deveria se inclinar na direção de fazer o bem de uma forma a alcançar o objetivo de mostrar que Cristo é mais precioso que a própria vida.

     Existem centenas de variáveis em todas as crises que poderiam afetar como isto acontece.



     c-      Jesus morreu para guardar este assaltante de pecar contra a minha família.

     É isto, a estratégia pessoal de Jesus derrotar os crimes era derrotar as inclinações pecaminosas dando a Sua vida para pagar a nossa dívida e transformando os nossos corações.

     Não é uma coisa insignificante que o apóstolo Pedro, baseado no sofrimento não retaliado do tratamento injusto da obra expiatória de Cristo, como exemplo a ser seguido:

   "Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo        sofreu em vosso lugar, deixando – vos exemplo para seguirdes os seus passos."  ( I Pe 2.21 ).



    d-      Eu percebi que mesmo chamar a polícia quando ameaçado – o que, em geral, parece a coisa certa a se fazer do ponto de vista de Romanos 13.1 – 4 – pode vir de um coração que está fora de sintonia com a mente de Cristo.

     Se um coração é controlado principalmente por medo, ou raiva, ou vingança, qual disposição pecaminosa pode ser expressa usando a polícia bem como tomar pegar em armas.



    e-      Eu vivo no interior da cidade de Mineápolis, e pessoalmente eu aconselharia os cristãos a não terem armas de fogo disponíveis para tais circunstâncias.



    f-       Eu não sei o que eu faria diante desta situação apresentada com todas as inumeráveis variantes de fatores. E eu seria muito lento para condenar a pessoa que pensa diferentemente de mim.

 

    g-      De volta ao primeiro ponto, me parece que o Novo Testamento não tem a intenção de tornar isto claro para nós.

     A intenção do Novo Testamento é transformar radicalmente os corações que vivem com o seu tesouro em outro mundo, que anseiam mostrar que é mais satisfeito em Jesus do que em qualquer outra coisa desta vida, que confia na ajuda de Deus em toda e qualquer situação e que deseja a salvação dos inimigos.



9-      Mesmo que o Senhor nos ordene usar recursos ordinários de providência para a vida ( trabalhar para ganhar dinheiro; plantar para colher; se alimentar, dormir e beber e tomar remédios; economizar para necessidades futuras; e a força policial e militar para a sociedade providenciada pelo governo ), no entanto, o único chamado da Igreja é para viver em tamanha dependência da proteção celeste e da recompensa celeste que o mundo vai perguntar sobre a nossa esperança ( I Pedro 3.15 ), e não sobre a ingenuidade de nossa defesa armada.



    "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações" ( Sl 46.1 ).



    "E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades." ( Fp 4.19 ).



    "De todos sereis odiados por causa do meu nome. Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça." ( Lc 21.17 – 18 ).



     Uma vez mais me permita dizer que Deus ordena o uso da espada pelo Estado na defesa da justiça.

    "Sujeitai – vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem.

     Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus.

     Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei" ( I Pe 2.13 – 17 ).



    "Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.

     De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.

     Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem.

     Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal" ( Rm 13.1 – 4 ).



     Portanto, este artigo não é um documento sobre a posição da política governamental com relação ao ISIS [2]. Também não é sobre a política de como a polícia deveria ser recrutada para proteger instituições privadas.

     Este artigo é sobre as pessoas a quem a Bíblia chama "peregrinos e forasteiros"na Terra; os chamados cristãos.

     Este artigo é sobre o fato de que as nossas armas não são materiais, mas sim espirituais:"Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas."( II Co 10.4 ).

     Este artigo é um argumento que o foco e o destaque esmagadores do Novo Testamento é que os cristãos são enviados ao mundo (religioso e não religioso) como cordeiros no meio de lobos:"Ide! Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos"( Lc 10.3 ). E isto exortando os cordeiros a carregarem armas ocultas para com as quais atirar nos lobos não no avanço da contracultura, do auto – sacrifício, e da salvação da alma na causa de Cristo.
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