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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O EVANGELISTA FIEL E O PROBLEMA DO PRAGMATISMO

Por Mack Stiles
 Fiel



Há muitos obstáculos para nos tornarmos evangelistas saudáveis. Mas estou convencido de que o maior obstáculo à evangelização saudável é o pragmatismo: “fazer evangelização” antes de pensarmos quem devemos ser como evangelistas. O resultado é uma evangelização distorcida e deformada.1
O sucesso impele a evangelização pragmática. A evangelização pragmática nunca pergunta: “Quem devemos ser como evangelistas?”. Pergunta apenas: “O que funciona?”.
A evangelização pragmática é “fazer” evangelização de uma maneira que eleva o sucesso e o método, mais do que qualquer outra coisa. Torna-se o negócio de evangelização. Isto pode parecer bacana ou não, pode parecer relevante ou não, mas, quando a evangelização é desvinculada de quem devemos ser como pessoas de fé, a prática de evangelizar se torna, por fim, distorcida e deformada. Torna-se pragmática e não pessoal, torna-se sucesso a qualquer custo, embora o custo seja manipulação ou mesmo prática antiética. E infelizmente, porque o sucesso é sempre bem aceito, frequentemente ele não é questionado na comunidade cristã.
A evangelização pragmática se preocupa com promoção. Raramente se preocupa com a integridade da mensagem, visto que lida mais com estilo e método do que com substância e autenticidade. Jesus disse com regularidade a seus discípulos que não falassem sobre ele. Parte da razão por que tantos ficam desconcertados com este mandamento é o nosso compromisso pragmático com evangelização promocional. Jesus percebeu isso no desejo de promoção dos discípulos, eles queriam promover as coisas erradas da maneira errada.
Depois que Pedro fez sua impressionante confissão de que Jesus era o Filho do Deus vivo (Mt 16), ele os advertiu estritamente a que não falassem a seu respeito. Por quê? Embora soubessem um pouco a respeito de quem era Jesus, os discípulos não tinham a mensagem correta. Por isso, quando Jesus começou a ensinar sobre seu sofrimento e crucificação vindouros, Pedro repreendeu a Jesus por essa ideia horrível, provando que não entendera a mensagem – e isso aconteceu poucos minutos depois de Pedro haver falado corretamente sobre a verdadeira identidade de Cristo. Jesus repreendeu Pedro e disse que seus pensamentos eram pensamentos de homens e de Satanás, não de Deus. Pedro pode ter sido o primeiro evangelista pragmático, mas não o último.
Você percebe a semelhança conosco? Podemos falar magnificamente a respeito da gloriosa revelação de Jesus ser o Cristo e, quase no mesmo fôlego, proferir “versos satânicos” que negam a cruz de Cristo.
A evangelização pragmática oferece métodos. Prateleiras de livrarias cristãs estão cheias de livros sobre métodos de evangelização – tanto métodos pessoais quanto métodos para crescimento de igreja. Quando esses métodos se tornam improdutivos, rebeldes ridicularizam os métodos do ano passado e oferecem métodos mais aceitáveis e eficazes no lugar daqueles, o que não é muito diferente de colocar no mercado o mesmo produto numa embalagem nova e melhor.
A evangelização pragmática leva em conta números, membros, programas, mas raramente leva em conta a fidelidade para com a mensagem ou a fidelidade do mensageiro.
Como resultado, muitas pessoas, ao considerarem a evangelização, pensam em perguntas que levam as pessoas a alguma conclusão espiritual, ou em programas de culto que conquistam o aplauso da comunidade, ou numa maneira de reformular os cultos da igreja para serem mais atraentes. Não me oponho às sopas beneficentes ou a jazz no saguão da igreja, contanto que não pensemos que estas coisas são o mesmo que evangelização. Mas se tornarão evangelização enferma se forem realizados sobre uma base enferma.
Além disso, quando retiramos este produto da prateleira, atraídos primeiramente pelo brilho encantador e pela promessa de resultado, e o examinamos de perto, não gostamos do que vemos. Há apenas o senso de que a mensagem da fé cristã exige muito esforço humano para ser comunicada ou, pior, que a mensagem essencial se perdeu totalmente. Precisamos realmente entreter as pessoas para que consigamos que elas ouçam o evangelho? Esse tem sido um método eficiente para atrair milhares de pessoas, mas tem produzido evangelização robusta ou fé robusta? Toque jazz, se você quiser, mas toque para glorificar a Deus e não para fazer evangelização.
Recentemente, liderei um seminário sobre evangelização. Porque creio que a evangelização é uma questão de conhecer e viver o evangelho – e ambos incluem, quando apropriado, falar o evangelho –, este foi o assunto que abordamos no seminário. No final do seminário, um homem se aproximou de mim e disse: “Mack, sou muito grato por este tempo. Confesso que quase não vim ao seminário – geralmente estes seminários me fazem sentir como se estivesse recebendo treinamento para me tornar vendedor de seguros”.
Ora, não tenho nada contra vendedores de seguros – ou contra qualquer outro tipo de vendedor, mas sabia o que ele estava dizendo. De algum modo, há este sentimento de que, como evangelistas, devemos aprender como:
  • apresentar a mensagem com um apelo cuidadoso ao autointeresse.
  • promover um programa com animação.
  • vencer hesitações com um comportamento agradável.
  • evitar quaisquer ofensas ou problemas.
  • responder objeções com humor.
  • instilar medo de se perder.
  • manipular a conversa para chegar ao ponto de decisão.
  • assinar a linha pontuada com uma oração de pecador e
  • aprimorar nossa habilidade de conseguir uma decisão.
O que é excelente para dar segurança, senão Jesus?
Primeiramente, Jesus é precioso demais para ser trivializado desta maneira. E conheço corretores de seguro cristãos que concordam com isso. Então, por que continuamos tentando dar outra aparência ao evangelho e mercadejá-lo?
Bem, porque funciona, pelo menos se você acredita em estatísticas. George Barna relatou que 45% dos americanos afirmavam ser nascidos de novo, em 2006. Isso correspondia a 130 milhões de pessoas. No entanto, algo parece terrivelmente errado, visto que Barna também observou que somente 9% pareciam levar a sério, em sua vida, o que Jesus disse. Muitos afirmam Jesus como Senhor, mas, se não fazem o que ele diz, isso indica – de acordo com Jesus – que não são verdadeiramente seus seguidores (Lc 6.46).
Pode ser que pessoas fizeram uma oração de compromisso com o Deus errado e concordaram em seguir algo que não seja Jesus? Talvez elas foram levadas a pensar que podem pegar Jesus e misturá-lo com sua própria maneira de pensar?
Pode ser que pessoas foram persuadidas a abraçar uma ilusão que não lhes conta toda a história de Jesus? Talvez aconteça o mesmo que acontece, quando uma pessoa compra uma apólice de seguro sem saber realmente o que ela diz?
Você aposta. Isso acontece o tempo todo, com seguros e com Jesus.
Assim, porque as pessoas são tão interessadas em resultados e números, seus convertidos oram frequentemente a um Deus diferente, seguem outro Jesus, misturam-no com a maneira de pensar humana, sem conhecerem toda a história.
Mas é isso que queremos ser como portadores das boas novas? Queremos mercadejar o evangelho (2 Co 2.17)?
Não, como evangelistas queremos ser pessoas que se preocupam mais com fidelidade em apresentar claramente a Cristo do que com resultados. Queremos ser o tipo de evangelistas que levam mais a sério as pessoas do que o manipulá-las para fazerem uma oração de compromisso. E queremos ser o tipo de pessoa que apresenta o evangelho com cuidado, reconhecendo que vidas espirituais estão em jogo.
Portanto, tornar-nos evangelistas saudáveis não diz respeito ao que fazemos e sim ao que somos. Percebemos como a evangelização pragmática pode ser perigosa à fé genuína. Mas, se a evangelização pragmática não nos torna evangelistas saudáveis, o que o faz? Como nos tornamos evangelistas saudáveis?
O primeiro passo é termos certeza de que entendemos o evangelho de Jesus, algo um pouco mais controverso do que você pode imaginar.

Notas:
______________________
1 - Deus pode usar maus métodos? É claro que pode. Mas histórias anedóticas a respeito de como Deus tem usado maus métodos contribuem para prática errada. Leia Will Metzger, Tell the Truth (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1986), em especial o primeiro capítulo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

OS PIONEIROS DA MISSÃO INTEGRAL, RESISTEÊNCIA!

FERRAMENTAS INDISPENSÁVEIS AO PASTOR

 Por Kevin DeYoung

Que ferramentas todo pastor deve possuir? Que habilidades ele precisa ter? Ou, perguntando com franqueza: o que um pastor tem de fazer razoavelmente para ser um bom pastor?
Observe o que não estou perguntando. Não estou perguntando sobre a teologia do pastor. Ou sobre a sua santidade pessoal. Ambas são essenciais e mais importantes do que algum dom específico. Todo pastor precisa cuidar bem de sua vida e de sua doutrina (1 Tm 4.16). Mas, o que um pastor tem de fazer? Esse é o assunto deste artigo.
Admitamos que ele está indo bem nas áreas de caráter e de convicção. Mas, o que se exige dele quanto à competência?
Em seguida, apresentamos uma lista que não é exaustiva. E, com certeza, não reivindicamos ser excelentes em cada área. Todavia, com base em minha experiência, um pastor de igreja local – estou pensando, em particular, no papel de pastor principal ou de pastor único – tem de ser competente em cinco áreas.

1. Um pastor tem de ser capaz de ensinar. Uma das cinco diferenças existentes nas qualificações de presbíteros e diáconos e a única habilidade na lista é que o presbítero seja “apto para ensinar” (1 Tm 3.2). Se o pastor é o único ou o pastor principal, ele labutará especialmente na pregação e no ensino (1 Tm 5.17). As igrejas suportarão várias deficiências, porém muitas igrejas ficarão impacientes com um pastor que não sabe ensinar.
É verdade que ensinar e pregar são habilidades que se desenvolvem com o passar do tempo. Por isso, talvez seja difícil determinar se um jovem é “apto para ensinar”. Contudo, antes de alguém entrar no ministério, ele deve ser capaz de comunicar a Palavra de Deus com alguma medida de confiança e clareza.
Algumas coisas que devemos examinar:
• Ele gosta de ensinar? Se não gosta, não melhorará no ensino.
• Ele pode se comunicar com as crianças? Seria um grande treinamento e um admirável campo de prova se os pastores trabalhassem como professores de alunos das primeiras séries, antes de entrar no ministério de tempo integral. Bons mestres sabem como tornar compreensíveis verdades profundas. Em contraste, se você torna confusas coisas simples, talvez não tenha o dom de ensino, ainda não.
• Ele gosta de ler? Alguns pastores lêem bastante. Outros lerão devagar ou sem muita freqüência. Mas, se um pastor não gosta de ler (supondo que ele tem acesso a bons livros), ele dificilmente crescerá em profundidade e amplitude de discernimento. Se um pastor não tem fome por aprender, talvez não ajudará outros a aprender.

2. Um pastor tem de ser capaz de relacionar-se com as pessoas. Há muitas maneiras de um pastor conectar-se com seu povo. Ele pode fazer visitas aos enfermos, ou mentorear pessoas individualmente, ou liderar grupos pequenos, ou trabalhar para que haja mais envolvimento da equipe de colaboradores. Sempre haverá pessoas ao redor do ministério; e um bom pastor se esforçara para estar disponível a pelo menos algumas dessas pessoas.
Os relacionamentos assumem muitas formas. Você pode ser um pastor extrovertido e gregário ou um introvertido meditativo. Alguns de nós somos bons em bate-papo. Outros odeiam isso e preferem um convívio mais próximo e quieto com outra pessoa. Não estou dizendo que o ministério pastoral é somente para os sociáveis. Mas, se um homem não pode lidar cordial, gentil e amavelmente com as pessoas, ele deve pensar duas vezes em ser um pastor.
Uma boa pergunta a ser considerada: este homem faz amigos com facilidade? Eu hesitaria em chamar um pastor que luta para fazer e manter amigos.

3. Um pastor tem de ser capaz de liderar. Isso pode nos enganar. Ao usar o vocábulo “liderar” não quero dizer que todo pastor tem de ser um empreendedor ousado. Mas ele deve ter pessoas que o seguem. Tem de ser disposto a tomar uma posição, ser impopular às vezes. Precisa de coragem e da habilidade de tomar decisões desagradáveis. Se um homem tem necessidade de ser apreciado por todos, em todo o tempo, ele não está pronto para ser um pastor. Um pastor não deve ter medo de influenciar. E, se ele não é um visionário ousado, deve ser aquele tipo de líder que encoraja outros que têm dons de liderança mais destacados.

4. Um pastor tem de ser relativamente organizado ou cercar-se de pessoas que podem fazer isso por ele. Eu queria usar a palavra “administração” para referir-me a esse assunto, mas decidi não usá-la por receio de ser mal compreendido. Não creio que os pastores precisam ser gurus administrativos. De fato, penso que nenhum pastor entrou num seminário com o sonho de que poderia ser capaz de manter a igreja cumprindo sua função tranquilamente. Administração não é a essência do ministério; pelo menos, não deveria ser.
No entanto, não podemos evitar isto: um pastor tem de possuir alguma habilidade básica de organização. Ele não pode esquecer sempre os seus compromissos ou chegar atrasado em cada reunião de presbíteros. O pastor precisa retornar as chamadas telefônicas e entender como se realiza uma reunião. Na verdade, todos esquecemos coisas. Todos nós falhamos de vez em quando. Ser um pastor não exige onisciência ou onipotência, mas temos de ser responsáveis. Certo ou errado, talvez a sua igreja não perceba imediatamente que você parou de estar com as pessoas e que você não tem capacidade de liderar, mas a congregação perceberá logo que não pode depender de você.
Competência administrativa básica é exigida para o ministério pastoral. Se você não tem essa competência como pastor, ache pessoas que têm e permita que elas cuidem de você.

5. Um pastor tem de orar. Se essa ferramenta ficar corroída, ninguém saberá; pelo menos, não a princípio. É impossível sobreviver como pastor sem as outras quatro habilidades. Contudo, infelizmente, é fácil sobreviver e, até, prosperar no ministério sem essa ferramenta. O pastor que prospera sem oração não é o pastor sob cujo ministério quero estar, nem o pastor que desejo ser. Podemos realizar muito em nós mesmos, mas o que realmente importa exige oração, porque exige a presença de Deus. Um homem que não ora não deve pregar.
Como você mesmo pode testemunhar, essas cinco competências não são iguais em importância. As competências 1, 2 e 5 são essenciais e devem ser o foco do ministério. As competências 3 e 4 podem ser evitadas por algum tempo, mas não podem ser ignoradas. Em minha experiência, todas as cinco habilidades são necessárias ao ministério pastoral. Alguns pastores serão excelentes em várias dessas competências. Alguns serão muito bons em uma área ou muito bons em outras. Nenhum pastor será um modelo de todas essas cinco áreas. Se eu tivesse de avaliar um aluno de seminário que está prestes a entrar no ministério, ou se fosse membro de uma igreja que está à procura de um pastor, desejaria ver competência básica em cada uma dessas áreas.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O ESPÍRITO E A MISSÃO



O ESPÍRITO E A MISSÃO
 Joelson Gomes
 
Pastor na 1ª Igreja Congregacional em João Pessoa e editor do DERP


Texto Base: Ez 37. 1-14

Texto áureo: “Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” (Zc 4.6).

Objetivo da lição: Ao término da lição o aluno deverá entender que a operação do Espírito Santo na missão é imprescindível, bem como refletir sobre como sua igreja faz missões hoje.

A Bíblia na semana
Seg. Is 61. 1-3
Ter. Is 11. 1-5
Qua. At 1. 5-11
Qui. Lc 24. 44-49
Sex. At 4. 23-31
Sáb. Ef 2. 1-10
Dom. Ez 37. 1-14

INTRODUÇÃO
O Espírito Santo é essencial para a missão de Deus ao homem em toda Bíblia, mas incrivelmente é deixado de lado nesse assunto pelos estudiosos. Não é difícil lê-se livros sobre missões, e não se encontrar quase nada sobre o Espírito e a relação com missões na Bíblia toda. Há muito material escrito sobre técnicas missionarias, necessidade de missionários, chamamentos para despertar para missões, mas sobre o poder do Espírito Santo e missões é raríssimo. Procure algo sobre a relação do Espírito Santo e missões no AT, e aí suas chances de achar caem para quase zero, pois o pouco que se tem se prende ao livro de Atos dos Apóstolos, como se o Espírito só operasse em missões depois deste livro.
A missão moderna dá a tenção ao Espírito que a Bíblia dá? Acho que não. Por isso precisamos estudar mais sobre o poder do Espírito de Deus para missões segundo a Bíblia, e olhando toda Bíblia, ao fazermos isso veremos como o Espírito não é mais um elemento na missão, ele é essencial.

I-                   O Espírito Santo da promessa

a)      A promessa e o Espírito. A própria promessa do Evangelho desde o Gênesis quando Deus chamou Abrão (Gn 12. 1-4) lhe prometeu que através de sua descendência todas as famílias da terra seriam abençoadas   está entrelaçada com o Espírito Santo. Com o desenrolar da história da salvação na ficamos sabendo que esta descendência de Abraão que seria abençoada não era apenas física, mas era primariamente espiritual (Rm 4; Gl 3. 6-22): os filhos da fé. E esta promessa embrionária em Abraão tem sua maturidade no Evangelho, chegando a todos entrelaçada com a promessa do Espírito Santo (Gl 3.14), ao ponto de o Evangelho ser chamado de “evangelho da promessa” (At 13. 32-33). Esta relação tão íntima do Evangelho, o conteúdo da missão, com o Espírito Santo faz Marcos e Pedro proclamarem discursos similares: o evangelho pregado é a chegada dos últimos dias (Mc 1. 14-15); o Espírito derramado é a chegada dos últimos dias (At 2. 14-18). É fato que a missão de Deus aos povos e o Espírito Santo estão em íntima conexão e não os podemos separar (Gl 3. 23-4.6).

b)       Isaias e a unção para pregar. Em Isaias 61. 1-3 temos uma célebre profecia sobre o tempo do Messias, sabemos disso porque em Lucas 4. 18-19 Jesus retomou este texto e na sinagoga de Nazaré e o aplicou a Si e ao seu ministério. A palavra “ungiu” (hebraico: Mashach), é de onde vem a palavra “messias” (ungido). Assim, Cristo ao dizer que era o “ungido” da profecia de Isaías estava dizendo: “eu sou o Messias” (Hb 1.8-9). Ele era a realização e a encarnação da promessa, pois Paulo havia dito que quando Deus fez a promessa a Abraão, na realidade estava visando Cristo como cumprimento (Gl 3. 16). O fato notável é o que o profeta Isaías liga claramente a proclamação do Messias, com a operação do Espírito. Nas palavras do próprio Cristo está dito que a unção do Espírito Santo sobre Ele era o poder para pregar o Evangelho a todos: “O Espírito está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres...” (Lc 4. 18; veja também At 10. 38). Seu ministério (o Evangelho em Cristo) seria caracterizado pela atuação do Espírito Santo (Mc 1.7-8).


II-                O Espírito e a Palavra proclamada

a)      “Profetiza ao Espírito”. Ezequiel 37. 1-14 é um texto emblemático para demonstrar o papel do Espírito Santo na missão. Ezequiel sabia que deveria profetizar aos ossos que estavam secos, sem vida à sua frente. Esse foi o mandato de Deus (Ez 37. 4-6). Ele obedeceu, e a reorganização dos ossos aconteceu, mas continuavam sem vida (Ez 37.8). Vem então, nova ordem do Senhor, agora ele deverá profetizar ao “Espírito”, clamar ao “Espírito” para que dessa vida aos corpos (Ez 37.9). E a palavra “Espírito” aqui deve ser grafada com “E” maiúsculo, pois com certeza se trata do Espírito divino o doador da vida (Jó 33.4; Sl 104. 30). “Mas, evidentemente aqui se fala de “o Espírito de vida”, porque é distinto dos “quatro ventos” de onde o chama” (Roberto Jamieson (et. al). Comentario Exegetico Y Explicativo de la Biblia. Tomo I. AT., p. 920). Então, na sequência da narrativa é só quando o Espírito opera que a palavra proclamada pelo profeta faz o efeito desejado (Ez 37.10). Ora, é muito claro aqui o que Deus quer demonstrar, a pregação da Palavra só seria eficaz debaixo do trabalho do Espírito, só a pregação nada faria para trazer vida.

b)      Cheios de poder. É no NT que esta relação do Espírito com a mensagem na missão é vista com mais detalhes. O derramamento do Espírito Santo recebido pelos apóstolos (At 1.5, 8; 2.1-4) foi o poder que transformou aqueles homens de medrosos em missionários corajosos. Antes os apóstolos eram pessoas escondidas e temendo pela vida (Jo 20.19), depois foram transformados em pregadores destemidos (At 2.14, 32, 36, 43; 3. 12-16, 26; 4.8, 31-33; 5. 27-32, 41-42; 7.51-56).
A coragem de Pedro no dia de pentecostes, apenas 50 dias após suas medrosas negações de qualquer identificação com Jesus, somente pode ter uma explicação: uma reviravolta no coração do discípulo impetuoso... a explicação só pode ser que o revestimento do Espirito tinha mudado completamente sua preocupação com a autoproteção. Esvaziado de si mesmo, o discípulo ficou como um vaso pronto para ser cheio do Espírito, no dia de Pentecoste (Russel Shedd. Avivamento e Renovação, pp. 26-27).
Em todo trabalho missionário na Igreja do NT notamos como o enchimento do Espirito Santo é indispensável. O grande exemplo para confirmar isso é como Ele dá poder para a missão enchendo os pregadores no Livro de Atos:
·         Todos os apóstolos e discípulos (At 1. 5,8; 2.1-4);
·         Pedro (At 4.8; 10. 44);
·         A Igreja reunida (At 4.31);
·         Estevão (At 6. 8; 7.54-58);
·         Filipe (At 8. 39-40);
·         Paulo (At 9.15-17; 13.6-11);
·         Apolo (At 18.24-25).

Não há dúvidas que a eficácia e o porquê da Igreja e dos seus pregadores fazerem missões de forma extraordinária no NT era o poder do Espírito Santo.
III-             O Espírito Santo e a necessidade do homem natural
Sim, é claro que o Espírito é a vida da missão. Mas, você se perguntou o porquê desta necessidade? Porque a Palavra, ou apenas as técnicas para alcançar as pessoas não fazem o trabalho sozinhas? Porque a missão sem o Espírito é nada? 

a)    A morte no pecado. Quando olhamos as Escrituras Sagradas encontramos a respostas para isso.  O problema é que a situação do ser humano natural, que nasce nesse mundo descendente de Adão, não parece nada boa, veja:

·      Ele é um ser carnal (Jo 3.6);
·      Ele é um ser pecador (Rm 3.23; 5.8);
·      Ele é um ser escravo (Jo 8.34);
·      Ele é um ser separado de Deus (Is 59. 1-2);
·      Ele é um ser inimigo de Deus (Rm 5.10; 8.7-8);
·      Ele é um ser cego (2Co 4.4-6);
·      Ele é um ser carente da glória de Deus (Rm 3.23);
·      Ele é um ser morto espiritualmente (Ez 18.4; Mt 8. 18-22; Ef 2. 1-6; Cl 2.13);
·      Ele é um ser Condenado (Ez 18.4; Mc 16. 15-16; Jo 3. 18, 36; Rm 6.23a).

b)   A operação do Espírito que dá vida. O ser humano na situação descrita acima nada pode fazer. Mesmo que escute pregações e mais pregações ele está inerte. É o Espírito Santo quem desvenda os olhos cegos e dá ao ser humano capacidade para crer no Evangelho pregado (1Co 2.14; Rm 10.17), dando-lhe a vida (Ef 2.4-7). E então, pela fé em Cristo, o ser humano passa a ser filho de Deus (Gl 3.26), nasce na família divina (Ef 2. 13-22). Falando disso em seu Evangelho (Jo 1.12-13), João usa o tempo verbal grego chamado aoristo passivo, quando diz que os que creem nasceram de Deus: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Escrevendo assim ele mostra que nessa obra o ser humano é completamente inoperante (Tt 3. 5), e é Deus, pelo Seu Espírito operando com o Evangelho que o regenera (1Pe 1.23), fazendo-o assim uma nova criação.
E o Espírito convence os homens e as mulheres habilitando-os a crerem... Ninguém pode convencer ninguém a respeito da verdade destas coisas, a não ser o Espírito Santo. Por isso o nosso Senhor disse aos apóstolos... “ficai, porém, na cidade de Jerusalém até que do alto sejais revestidos de poder”. Eles conheciam todos os fatos, tinham sido testemunhas oculares deles. Mas isso não bastava; eles nunca poderiam convencer ninguém enquanto o poder do espírito não estivesse neles. Somente ele pode iluminar e convencer (Martyn Lloyd-Jones. Cristianismo Autêntico. Vl. 2,  pp. 264-265).

Portanto, se a salvação é o receber a vida espiritual de Deus e nascer de novo, só o Espírito da vida pode fazer alguém ter a vida. Daí que sem o poder do Espírito não há missão.

CONCLUSÃO
Chegamos ao final desta lição e também da revista. Foi uma longa estrada, muitos conhecimentos adquiridos, questionamentos também, pois fazem parte de todo aprendizado. Mas, acredito que acima de tudo ficou muito claro como precisamos do Deus Espírito Santo para nos guiar na jornada cristã. Entendemos como necessitamos dEle para tudo o que somos, e também para tudo que fizermos no Reino de Deus. Seus dons são o equipamento de maturidade da Igreja durante todo seu tempo na terra. Seu poder é a energia da igreja para a execução de seu trabalho. Ele é o Espírito de toda vida, Aquele sem o qual não há criação, não há salvação. Cada nascimento natural de todas as criaturas de Deus é um ato do Espírito (Sl 104. 30), cada nascimento espiritual de uma pessoa que enxergou o Evangelho é uma obra Espírito (Jo 3. 5-6; Tt 3. 56). Por isso devemos procurar o poder do Espírito para sermos cristãos no modelo de Deus, no jeito de Deus.
 “Enchei-vos do Espírito” é a ordem do Espírito (Ef 5.18). “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (Ap 22. 17), é o chamado do Espírito. Você não quer vir? Ore agora, peça o poder do Espírito. Venha e beba.


Aprofundando

     1-      Como a promessa do Evangelho está ligada ao Espírito?
     2-      Como a missão de Cristo está ligada ao Espírito?
     3-      Porque a missão depende diretamente do Espírito?
     4-      Você tem buscado o poder do Espírito para a missão?

 ____________________________
*Lição publicada na revista para Escola Dominical O ESPÍRITO SANTO, da Aliança Congregacional, para adquirir: escritorio@aliancacongregacional.org.br ou 81- 3049-3063

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