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quarta-feira, 25 de março de 2015

ADORAÇAO EM APOCALIPSE



Por Joelson Gomes


O livro do Apocalipse é permeado por expressões de adoração. Em quase todos os capítulos encontra-se os sons do louvor. Ralph P. Martyn escreveu:


O Apocalipse de João está cheio de sons da adoração celestial que ecoam a nota de louvor adorador a Deus como Criador (4.8-11) e Redentor (5.8-14). A Igreja na terra compartilha desse reconhecimento exultante no exercício de seu ministério sacerdotal (1.6) (Adoração na Igreja Primitiva, p. 173).


            Sim, realmente o Apocalipse está cheio de adoração, até a pregação do Evangelho Eterno é uma convocação para adorar (14.6-7). Então, neste livro cheio de culto vamos aprender os princípios certos para uma adoração sadia, pois, o Apocalipse não só fala de adoração, mas mostra como vivê-la.


            I- O que é Apocalipse.


Antes de tudo é bom começarmos com algumas definições, pois a palavra “apocalipse” mesmo sendo velha conhecida dos leitores da Bíblia, temo que muitos tenham uma impressão incompleta dela. Assim, vamos começar explicando o seu significado.


a) Estilo literário. Apocalíptica, segundo D.S. Russel: “Trata-se, com efeito, de expressão técnica que a Igreja Cristã veio a usar do século segundo em diante para indicar um tipo de literatura” (Desvelamento Divino, p. 25). Assim, Apocalipse/Apocalíptica designam um estilo literário, um jeito de escrever. É um gênero de literatura de revelação que faz muito uso de símbolos, metáforas. Muitas partes da Bíblia usa essa linguagem simbólica (Is. 24-27; 65-66; Ez. 1-3; 9; 26-27; 38-48; Dn. 7-12; Zc. 1-8; 12-14). 


b) Livro bíblico.  Apocalipse é também o nome que se dá ao último livro das Escrituras que foi escrito por João em estilo apocalíptico. Este livro descreve em linguagem simbólica a vitória de Jesus Cristo e sua Igreja (a noiva do Cordeiro) contra o dragão (Satanás) e seus seguidores. Seu autor é o discípulo João (1.1, 4, 9; 22.8), e até agora os argumentos apresentados para comprovar esta afirmação são convincentes (Veja Erich Mauerhofer. Uma Introdução aos Escritos do Novo Testamento, pp. 569-573).


Bem, entendido o que é “apocalíptica” e “apocalipse”, vejamos agora como o livro de João se nos apresenta como um belo guia na questão adoração.


II- Apocalipse e a adoração na terra.


            Quando analisamos os textos sobre adoração neste livro, ao tentarmos uma sistematização notamos que muitos princípios podem ser extraídos. 


a) João e a visão do Cristo glorificado. No começo do livro (1.12-20), seu autor, descreve uma visão de Cristo em glória, e o teto nos diz que como reação a isso, João cai por terra. Muitas qualidades de Cristo são apresentadas por meio de símbolos: sacerdócio (a longa túnica (13): Êx. 28.4; 29.5); realeza (cinto de ouro (13): era um adereço peculiar aos reis); eternidade (os cabelos brancos como o ancião de Dn. 7.9); ciência divina (olhos perscrutadores como chama de fogo (2.23)); estabilidade (os pés de bronze). Tudo demonstra sua majestade, no brilho do rosto, no som da voz. A Majestade que merece adoração está presente e João entende isso na própria carne, ele cai, pois não suporta a presença do Divino.


b) A salvação e a condenação estão ligadas a adoração. Dentro desta visão de tomar os textos de Apocalipse também como princípios, modelos para uma correta adoração, notamos que o seu autor é claro em demonstrar que grande pecado é a adoração de ídolos pelos que habitam a terra (9.20-21). Quem adora a besta e o dragão comete desvio (13. 1-4), e esta característica de adoração falsa pertence aos não salvos (13.8, não ter o nome no livro do Cordeiro). O principio demonstrado é que adorar só a Deus em Cristo é sinal dos salvos, dos regenerados; adorar a besta, a ídolos, adoração falsa, é sinal dos réprobos. Algo muito sério é colocado aqui: para João salvação e reprovação se expressam através da adoração. A quem você adora diz se você é salvo ou condenado (14. 9-12), vencedores adoram a Deus (15. 2-4), condenados adotam ídolos (16. 2). Para João, na terra, a marca de quem guarda a perseverança dos santos, os mandamentos de Deus, e a fé em Jesus (14.12), está expressa em que adoram só a Deus por Jesus Cristo (1Pe. 4.11).



III- Apocalipse e a adoração no céu.


Além de mostrar diversas cenas de adoração na terra, o Apocalipse também mostra muitas cenas no céu. Olhando estes quadros pintados por João com atenção é possível também extrair princípios para uma adoração bíblica.


a) Jesus Cristo adorado. Algumas seitas pseudo cristãs pregam que Jesus Cristo é um ser menor que Deus, e por isso adoração só deve ser dirigida ao Deus Pai que é Todo-Poderoso. O próprio Cristo disse em Mateus 4.10 que só a Deus se deve adorar. Se você ficou em dúvida o Apocalipse responde.

1- Jesus Cristo é Todo-Poderoso. João abre seu livro mostrando que aquele que virá em glória nas nuvens, e que todo olho verá, é o mesmo que foi traspassado na cruz, e é na verdade o Todo-poderoso (1.7-8).


2- Jesus Cristo adorado por todos. Depois, Jesus é apresentado como o Cordeiro que foi morto e que é digno de receber toda adoração de todos no céu e na terra (5. 1-6, 8-14).


·         Uma nota sobre reverência. Ora, já vimos nesta revista que adoração significa também reverência, é impossível se achegar a Deus para adorar de forma correta sem a devida reverência que Ele merece. Veja que a adoração descrita por João é extremamente reverente, isso é claro na atitude de João, dos seres espirituais, dos 24 anciãos diante do Cordeiro (1.17; 4.10-11; 5.8, 14; 19. 4, 10).


b) Deus adorado. As cenas de adoração a Deus pelas criaturas do céu também são frequentes em Apocalipse. Em 4. 4-11, Ele é adorado por todas as criaturas espirituais. Os quatro seres viventes vistos não só adoram, mas é dito que estão em “constante” adoração (4.8). A cena de adoração a Deus no céu se repete em 7. 9-12, e em 11. 15-18, com uma diferença. Aqui os 24 anciãos dão a razão da adoração. Eles adoram porque Deus é eterno, Rei (17), juiz, galardoador (18). E o clímax está em 19. 4-9, onde as Bodas do Cordeiro convoca a todos os remidos para a adoração a Deus em Cristo na vitória final contra o mal. A festa está pronta.


A quem se deve adorar no céu? Ao Cordeiro que é Deus Todo-Poderoso, não havendo divisão. Apocalipse mostra que quem adora a Deus, adora a Jesus e vice versa. A honra devida ao Pai é a mesma devida ao Filho (Jo. 5. 23), quem conhece ao Filho, conhece ao Pai (Jo. 14.9; 1Jo. 2. 22-23).

Quando João mostra as cenas de adoração no céu, a verdade que comunica é a mesma de quando mostra as cenas da terra: toda idolatria é pecado, e adoração e reverência devem ser dirigidas exclusivamente a Deus.



CONCLUSÃO


A Reforma Luterana do século XVI tinha alguns princípios que muitos chamam de “solas”. Entre estes estava o principio do Soli Deo Gloriae (Só a Deus Glória). Este principio proclama que diferente da Igreja Romana, que glorificava homens, imagens, e “santos”; os Protestantes só davam glória a Deus por tudo que recebiam, e entendiam que o único objeto de sua glorificação no céu e na terra, deveria ser o Criador.

João em Apocalipse parece concordar com este princípio. Em todas as suas divisões onde aparecem cenas de adoração, seja no céu ou na terra, o único objeto adorado, honrado, reverenciado é Deus em Cristo. Para este autor a marca de uma pessoa não salva reside justamente no fato de ela deixar de adorar ao Deus Todo-Poderoso, para se misturar com os ídolos seja de que espécie for.

A “Igreja” brasileira que virou uma fábrica de ídolos e vive incensando cantores e pastores famosos, faria bem se atentasse para os princípios de adoração descritos por João em no Apocalipse.


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