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terça-feira, 12 de agosto de 2014

ADORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO


Por Joelson Gomes

Texto Base: Sl. 96

Texto áureo: Sl. 95. 6.

Objetivo da lição: Ao término da lição o aluno deverá conhecer os termos usados para adoração, compreender sobre o desenvolvimento da prática, e refletir sobre princípios atemporais da adoração na Antiga Aliança que podem ser aplicados hoje.

A Bíblia na semana

Seg. Sl. 149
Ter. 2Cr. 5. 2-14
Qua. Êx. 3. 1-6
Qui. Is. 1. 10-17
Sex. Is. 58. 1-12
Sáb. Sl. 150
Dom. Sl. 96


INTRODUÇÃO

O tema da adoração no Antigo Testamento aparece desde seus capítulos iniciais, já com os primeiros filhos do primeiro casal temos a noção de oferecer sacrifícios em adoração ao Senhor (Gn. 4). O povo de Israel foi chamado para ser um povo adorador no Antigo Testamento, a finalidade de Deus tirar o povo da escravidão era para que este povo reunido em uma grande assemble
ia o “servisse” (adorasse) (Êx. 7.16; 8.20). Deus criou as pessoas para Sua glória e é assim que se deve viver (Is. 43.7).
Mas, se o Antigo Testamento fala de adoração, como era esta adoração? Seria como eu penso? Tenho o conceito correto sobre ela? O que as pessoas fazem hoje na maioria das igrejas e eventos ditos cristãos pode ser comparável a adoração descrita nesta primeira parte da Bíblia?
Esta lição se propõe a lidar com o tema adoração de forma a oferecer elementos para que você possa ao fim do estudo ter pistas para responder as perguntas feitas acima. Tome uma posição confortável porque o assunto é ótimo.

I- Conhecendo algumas palavras hebraicas.
Quando pensamos na adoração no Antigo Testamento existem alguns termos hebraicos fundamentais que precisamos conhecer, aliás, a definição das palavras é de importância crucial para que entendamos sua função e conteúdo.

a) Hishahawah. Esta palavra significa literalmente “curvar-se”. O uso dela enfatiza a posição correta do adorador, na qual deve chegar diante da divindade. “O significado pleno da palavra se vê quando empregada em referência a um hebreu que se achega a Deus em total reverência, reconhecendo-o como o grande Rei e Senhor soberano (Gn 24.52; 2Cr 7.3; 29.29)" (Ralph P. Martyn. Adoração na Igreja Primitiva, p. 18).

b) Abodâh. Aqui temos outro termo muito importante. É traduzida como serviço e vem da mesma raiz de “ebed”: servo, escravo. O homem temente a Deus no Antigo Testamento se deleitava em ser chamado servo dEle (veja Sl. 116.16). Vale notar que esta palavra não significava ser rebaixado, cativo, mas tem a conotação de relacionamento entre o Senhor bondoso e seu servo (Êx. 21.1-6). Por isso os grandes líderes são chamados “servos de Deus” (Sl. 89. 3, 20).

c) Sachah. Este vocábulo significa prostrar-se, curvar-se (Lv. 26.1; Sl. 99.5),  dando com isso a entender uma atitude de total reverência.
Quando se observa com atenção as palavras usadas para o adorador e o ato de adorar no Antigo Testamento, vemos que a pessoa é convocada a comparecer diante de Deus e deve atender este chamado em total reverência (veja Sl. 42; 43; 65; 84; 122).

II- Desenvolvimento da prática da adoração no período antigo.

Durante todo tempo as páginas do Antigo Testamento notamos uma evolução na prática da adoração. Observe: 

a) Adoração primitiva. O primeiro registro de culto que temos está em Gênesis 4.1-7. Ali os dois irmãos Caim e Abel vão juntos prestar culto ao Senhor. E aqui Antônio Neves Mesquita faz uma observação importante; ele supõe que a oferta de Caim foi rejeitada porque não foi acompanhada de um espírito de adoração, mas ele estava apenas se conformando com a tradição familiar. Caim traz apenas dos frutos, não há especificação; Abel traz do melhor do rebanho, aqui há especificação. Caim é superficial, cumpre sua religiosidade. Abel dá o melhor, intenso, homem de fé (Hb. 11.4), é adorador (Estudo no Livro de Gênesis, pp. 114-116).

Nesta cena quem vai oferecer os sacrifícios são os próprios sacrificantes, não existe sacerdote intermediário, é tudo muito simples. Nos inícios da adoração no Antigo Testamento é sempre assim, há uma grande ênfase na adoração doméstica, é o pai de família quem invoca Deus, constrói altares, oferece sacrifícios (Gn. 8.20; 12.7; 26.25; 35. 1; Êx. 17.15). Esta adoração doméstica, mesmo depois da construção do Tabernáculo não perece, a Páscoa que a família israelita celebrava em casa é seu exemplo (Êx. 12), mas a ênfase vai recair na adoração coletiva.

b) Adoração coletiva. O povo saiu da adoração particular para o culto coletivo no templo, com muito simbolismo e liturgia rebuscada (1Cr. 29. 20-36; Sl. 42.4). A construção da Tenda da Congregação estabelece todo um sistema de adoração coletiva. Este sistema comportava:

1- Sacerdotes. Estes agiam como intermediários entre o povo e Deus (Êx. 28);
2- Sacrifícios. Desde o começo os holocaustos faziam parte da adoração bíblica. O livro de Levítico divide-os em diversas categorias (Lv. 1-6).
3- Festas. A adoração do povo quase toda se concentrava em torno de grandes festas (Lv. 23). Nestes dias todos os fieis deveriam se apresentar diante de Deus com ofertas apropriadas; ninguém deveria ir a presença do Senhor de mãos vazias (Dt. 16. 16-17). O sistema de culto visto no Tabernáculo e depois no templo restringia a adoração a um lugar (templo), e a uma casta de pessoas (sacerdotes), mostrando com isso a imperfeição que permeava aquela dispensação (não se assuste dispensação é termo bíblico (Ef. 3.2)). O autor de Hebreus diz que tudo aquilo tinha prazo de validade, e acabaria quando Cristo, a realidade que cumpriu aqueles símbolos chegasse (Hb. 8-10).

c) Adoração na sinagoga. Quando o povo do Reino do Sul foi levado ao cativeiro para a Babilônia (o Reino do Norte já havia ido para a Assíria (2Rs. 17; 25)) perdeu seu templo, seu centro de culto. Então desenvolve-se nesta situação as sinagogas, casas de instrução da Lei do Senhor, onde o povo se reunia mesmo no exílio para estudar a Lei e adorar a Deus (veja André Paul. Judaísmo Tardio, p. 170). O povo a terra, perde a liberdade, mas não perde a adoração, ela é essencial na vida e é Deus quem o exige.

III- Princípios de adoração do Antigo Testamento.

É claro que a adoração do Antigo Testamento estava carregada de coisas que foram postas “até ao tempo oportuno de reforma” (Hb. 9.10). “Quando, porem, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados” (Hb. 9.11), o que estava envelhecido e prestes a desaparecer, passou (Hb. 8. 13), mas a tudo subjaz alguns princípios atemporais que queremos observar.

a) A adoração deve ser verdadeira. Sim, no Antigo Testamento Deus deve ser adorado do mais profundo do coração (Abel e sua fé), e não religiosamente apenas (Caim e seus frutos). Os profetas condenavam veementemente o formalismo religioso (1Sm. 15.22). A aparência vazia é recusada (Dt. 6.5; Is. 1. 10-17; 58; Ml. 1), e a retidão do povo é exigida (Am. 5. 24-27).

b) A Adoração deve ser só a Deus. O texto áureo do povo do Antigo Testamento, os Dez Mandamentos, começa com a ordem expressa: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx. 20. 3).  A idolatria, o ato de colocar qualquer coisa no lugar, ou ao lado de Deus é expressamente condenada (Êx. 20.4-6; 1Rs. 13. 1ss; 14. 7ss; 18; Am. 4. 15; Os. 8.1; Mq. 5. 13ss).

c) A adoração deve ser sacrificial. O princípio do sacrifício: substituição pelo pecado, ou oferta pacifica está estabelecido no culto do Antigo Testamento. Ninguém se aproximava de Deus a seu bel prazer, o sacerdote era o intermediário para oferecer sacrifícios pelos pecados do povo, bem como ofertas de adoração (Lv. 1-6). O grande cume da adoração nacional era o Dia da Expiação nacional (Lv. 16), onde o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, oferecendo um sacrifício por ele, e depois no Propiciatório (a tampa da Arca da Aliança), oferecia um sacrifício pelo pecado nacional. Os pecados devem ser expiados para se chegar a presença de Deus.
  
*Os dois altares. O caminho entre o altar do holocausto e o altar do incenso (adoração) era salpicado com sangue do sacrifício. Sem o sangue do holocausto ninguém chegaria ao altar do incenso. Este belo símbolo mostra que a adoração tem que ser sacificial; só adora (altar do incenso) quem já foi aspergido com o sangue (altar do holocausto). Deus só aceita adoração de quem já foi lavado; culto só faz quem já foi purificado. Quem é convertido encontrou não um altar, mas dois altares, em um está a sua purificação, no outro a sua adoração (veja Sl. 84. 3).

d) A adoração deve ser reverente. Moisés quando teve uma visão de Deus na Sarça foi advertido que até as sandálias tirasse (Êx. 3.1-5). No Sinai, o povo na presença de Deus não podia se aproximar do monte, e o temor tomou conta de todos (Êx. 19. 16-25; 20. 18-19). No Tabernáculo e no Templo só os sacerdotes oficiavam e o manuseio dos objetos era para ser feito com o máximo de cuidado. A presença de Deus sempre resulta em temor e prostração (1Rs. 18. 38-39; 2Cr. 7.1-3; Sl. 95. 6; Is. 6. 1-5). O adorador ao aproximar-se da Majestade divina deve fazer sabendo onde está pisando, ali é lugar sagrado (Ec. 5. 1-20).

e) A adoração deve ser alegre. A reverência não exclui alegria. Não se pode confundir reverência com morte, formalismo, frieza. O culto no Antigo Testamento tinha muita movimentação, festa. O povo tocava, cantava, dançava, se alegrava na presença de Deus (2Sm. 6; Sl. 95. 1-7; 100; 150). Os Levitas eram encarregados da execução do canto e de tocar os instrumentos (1Cr. 15.16; 16.4-6; 2Cr. 5. 12-14). O culto deve ser celebrativo, e exultante.

f) A Santa Convocação deve ser respeitada. Todo povo tinha o dever de atender as “santas convocações” de Deus para coletivamente se unirem em adoração (Lv. 23). Do mesmo jeito que a adoração particular tinha importância na vida deles, a adoração coletiva, no Tabernáculo ou Templo, não poderia ser descuidada. Uma não eliminava a outra. Quanto mais contrito com sua família o homem fosse, mais deveria se unir aos outros na adoração.

CONCLUSÃO

Nossa rápida analise da adoração no Antigo Testamento, mesmo eivada pelas enormes limitações deste autor, nos abre os olhos para muitas coisas a respeito deste tema. As palavras usadas demonstram a atitude de respeito e reverência que todos devem ter para com Aquele que chama desde o principio (começando com a primeira família da terra) adoradores. Encontramos todo tipo de adoração (particular, coletiva) fazendo parte da vida as pessoas naquela época, e princípios eternos são extraídos da maneira como Deus organizou sua adoração.
A adoração bíblica tem o padrão de Deus, não se deve as preferências do adorador, mas as diretrizes divinas. Assim, não está baseada nas emoções (ainda que emotiva) do ser humano, mas na sadia Teologia de quem conhece a Deus e a Sua palavra.
Precisamos hoje moldar nosso culto ao culto bíblico e creio que aqui tivemos muitos princípios a serem seguidos em nossas vidas particulares e em nossas igrejas.

Aprofundando.

1- Como você entende o culto?
2- Você acha que o que estudamos da adoração no AT pode ajudar? Em que?
3- Cite 03 características que vimos na adoração do AT.
4- Deus aceita culto de quem não é convertido?

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Lição publicada na revista "Adoração, o serviço sacerdotal da Igreja", da Aliança Congregacional. Pedidos: alianca.b@hotmail.com

4 comentários:

Thais Salomão disse...

olá eu estou fazendo um trabalho de conclusão da faculdade de teologia e sobre esse tema gostaria de saber a data do conteúdo postado para usar como referencia em meu trabalho. Se possível claro...

Agradeço desde já pela ajuda.

Ivan de Paula Blog disse...

Parabéns pelo artigo. Esse texto me conduziu à sala do trono de Deus, pelo novo e vivo caminho - o sangue de Jesus Cristo. Louvado seja o nome do Senhor!

Verdade disse...

Por isso a santa missa é a única adoração dos católicos, pq não existe adoração sem sacrifício, por isso o culto católico que contém o sacrifício do cordeiro é o culto de Abel, e o culto evangélico o culto de Caim, pois acham que se ajoelhar,louvores e gritaria desordenada é adoração.

JOELSON GOMES disse...

Por aí se vê "verdade" que a missa romana é um engodo, pois acham que bolacha e vinho são sacrifícios para Deus na nova aliança. Os protestantes estão a anos de vocês, pois já entenderam que hoje só um sacrifício nos resta, esse já feito na cruz do calvário, Jesus Cristo. Sua Bíblia tem Hebreus, deixe de ler as folhinhas o Domingo e leia a Bíblia, Cristo lhe tirará o véu. Volte sempre.

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