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sexta-feira, 22 de junho de 2012

JESUS, PURIFICA ESTE ARRAIAL!

*Casados, alunos do Seminário Teológico Congregacional em João Pessoa/PB, visite o blog do André.


Atendendo a pedidos daqueles que contribuem e compartilham com o meu Blog, escrevendo desta vez a quatro mãos, contando com a graciosa ajuda de minha querida Naíla, aceitamos o desafio de respondermos à pergunta que não quer calar nessa época do ano: Nós protestantes devemos promover ou participar de festas juninas?

Queremos, pois, tratar o tema de forma franca e fundamentada na Palavra de Deus e na tradição genuinamente protestante, abordando especificamente o fenômeno das adaptações de festejos pagãos que a igreja evangélica brasileira tem realizado nos últimos anos. Sabemos que o grande papel da Igreja Cristã é influenciar a humanidade através da luz do Evangelho, ganhando espaço e terreno no mundo, expandindo o Reino de Deus. Ocorre que, atualmente, é o mundo que está efetivamente ganhando espaço na igreja, ou seja, nossas igrejas são cada vez mais influenciadas pelos modismos deste século.

Pois bem, depois do surgimento do “carnaval gospel”, do “Halloween gospel” e das “boates gospel”, agora, deparamo-nos com mais uma perigosa adaptação de festas genuinamente pagãs no intuito de agradar ao “público gospel”, grupo este emergente nas igrejas brasileiras e que se caracteriza por excessos de adaptações com vistas a atrair o maior número de pessoas. Estamos falando dos já famosos “Sem João, com Cristo”, “Culto Junino” ou “Arraiá Gospel”. Diga-se de passagem, nem as igrejas tradicionais estão escapando desses eventos. Isto mesmo! Falamos acerca do exagerado uso da palavra “gospel” como adjetivo santificador de toda sorte de eventos impuros que conhecemos. É como se esta palavra mágica tivesse o condão de tornar santos determinados eventos e práticas tipicamente mundanos e abomináveis aos olhos do Senhor.

É impressionante como a cultura protestante de examinar as Escrituras para averiguar a licitude de determinadas ações humanas tem restado esquecida no meio evangélico brasileiro de hoje. As pessoas não mais questionam as coisas; não as examinam. Como acéfalas engolem tudo o que vêem sem se perguntar se convém a um cristão fazer ou participar de determinada coisa. À medida que as novidades surgem, o zelo de observar o certo e o errado desaparece inversamente.É bom, é novidade, todo mundo vai, então está valendo!

A preocupação das igrejas tem sido a de saber se dá certo, se será um sucesso, se vai dar muita gente... Pastores e líderes fazem vista grossa em relação ao real significado dos elementos que formam determinados festejos. As pessoas não mais se contentam com a presença de Deus no culto. Culto é coisa sem graça, bom mesmo é uma programação diferente. Os cultos de oração das nossas igrejas estão cada vez mais vazios, afinal temos muitos compromissos, mas é só surgir um "arraial" que esquecemos de todos eles. É casa cheia!

Em seu livro intitulado “O Discípulo”, o Rev. Juan Carlos Ortiz afirma sabiamente acerca do culto que: “Nossas reuniões são centralizadas no homem. O arranjo mobiliário, as cadeiras, o púlpito – tudo aponta para o homem. Quando o pastor prepara o programa do culto, ele não pensa em Deus, mas apenas em seus ouvintes. (...) Onde é que está Jesus, o Senhor?” (p. 14). Ora, no culto cristão, tudo tem que estar centrado em Deus. Se fizermos algo que não tenha repercussão primeiramente para Deus, tal reunião não é um culto; é apenas um animado encontro social.

Pois bem. Por que nós protestantes não devemos realizar rituais semelhantes às festividades juninas então? Ora, sabemos que depois no carnaval, o evento mais esperado do calendário brasileiro (em especial do nordeste) são as festas juninas, que animam todo o mês de junho com muita música caipira, quadrilhas, comidas e bebidas típicas em homenagem a três santos católicos, a saber, Santo Antônio, São João e São Pedro. É importante observarmos que as festividades juninas não são apenas uma tradição popular. Aliás, não existiriam estas festas não fosse por conta da religião. O seu cunho religioso é inquestionável.

Os maiores centros brasileiros dos festejos juninos são a cidade de Campina Grande (PB) e Caruaru (PE). O espaço onde as pessoas se reúnem é chamado de “arraial” e é enfeitado com bandeirolas de papel colorido, balões e palhas de coqueiro. Nesses locais, acontecem as apresentações de quadrilhas, os forrós, leilões, bingos e casamentos caipiras.

A igreja católica sempre usou as crianças para a introdução desses festejos, explicando a origem da festa da seguinte forma: “Nossa Senhora e Santa Isabel eram muito amigas. Por esse motivo, costumavam visitar-se com freqüência, afinal de contas amigos de verdade costumam conversar bastante. Um dia, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora para contar uma novidade: estava esperando um bebê ao qual daria o nome de João Batista. Ela estava muito feliz por isso! Mas naquele tempo, sem muitas opções de comunicação, Nossa Senhora queria saber de que forma seria informada sobre o nascimento do pequeno João Batista. Assim, Santa Isabel combinou que acenderia uma fogueira bem grande que pudesse ser vista à distância. Combinou com Nossa Senhora que mandaria erguer um grande mastro com uma boneca sobre ele. O tempo passou e, do jeitinho que combinaram, Santa Isabel fez. Lá de longe Nossa Senhora avistou o sinal de fumaça, logo depois viu a fogueira. Ela sorriu e compreendeu a mensagem. Foi visitar a amiga e a encontrou com um belo bebê nos braços, era dia 24 de junho. Começou, então, a ser festejado São João com mastro, fogueira e outras coisas bonitas, como foguetes, danças e muito mais!”

Depois de tão ridícula explicação, é necessário repormos a verdade e mostrarmos que os festejos juninos nada mais são do que uma adaptação de uma festa pagã da antiguidade realizada pelo catolicismo romano, trazendo-a para o cenário cristão. Os festejos juninos são, na verdade, um plágio do paganismo, assim como ocorreu com a instituição do culto à Virgem Maria, dentre outras heresias que foram introduzidas no cristianismo a partir do IV século d. C. pelo catolicismo romano. Tal verdade salta aos olhos de qualquer mente lúcida, de qualquer um que estude a História da Igreja Cristã imparcialmente!

Ocorre que, na Europa antiga, já aconteciam festas populares durante o solstício de verão (ápice da estação), as quais marcavam o início da colheita. Além disso, nesse período do ano, diversos povos como celtas, bascos, egípcios e sumérios, já faziam rituais de invocação da fertilidade para estimular o crescimento da vegetação, prover a fartura nas colheitas e trazer chuvas. Nessas festas, ofereciam-se comidas, bebidas e animais aos vários deuses nos quais o povo acreditava. As pessoas dançavam e faziam fogueiras para espantar os maus espíritos.

As origens dessas comemorações também remontam à Antigüidade, quando se prestava culto à deusa Juno da mitologia romana. Os festejos em homenagem a essa deusa eram denominados “junonias”. Acredita-se que a expressão “festas juninas” tenha relação com essa deusa romana.

As celebrações à deusa Juno coincidiam com as festas em que a Igreja Católica comemorava a data do nascimento de São João, o profeta que preparou o mundo para Cristo e também anunciou a sua vinda. O catolicismo não conseguiu impedir a realização dessas celebrações. Sendo assim, as comemorações não foram extintas e, sim, adaptadas para o calendário cristão. Como o catolicismo ganhava cada vez mais adeptos nesses festejos, acabou por adaptar a festa pagã para o cristianismo, homenageando também São João. Este fato se assemelha, como dito, com a instituição do Culto à Virgem Maria em 431 d. C., também uma estratégia do catolicismo de conquistar pessoas que cultuavam as deusas Isis, Demétria e Cibele. No início, as festas juninas eram chamadas de “Joaninas” e os primeiros países a comemorá-las foram França, Itália, Espanha e Portugal.

Os jesuítas portugueses trouxeram os festejos joaninos para o Brasil. As festas de Santo Antonio e de São Pedro só começaram a ser comemoradas mais tarde, mas como também aconteciam em junho, passaram a integrar as festas juninas. Atualmente, tais festejos acontecem mais fortemente nas regiões Norte e Nordeste, onde o misticismo e as superstições do catolicismo são mais vivos na cultura popular.




O uso das fogueiras nessas festividades remonta ao fato de que os pagãos acreditavam que elas espantavam os maus espíritos. Já os católicos romanos acreditavam que era um sinal de bom presságio. Como dito acima, conta uma lenda católica que Isabel, prima de Maria, na noite do nascimento de João Batista, acendeu uma fogueira para avisar a novidade à prima Maria, mãe de Jesus. Por isso a tradição romana é acendê-las na hora da Ave Maria (às 18h).


Já os fogos de artifício e bombas são utilizados na celebração para “despertar” São João e chamá-lo para as comemorações de seu aniversário. Antigamente, em Portugal, acreditava-se que o estrondo de bombas e rojões tinha como finalidade espantar o diabo e seus demônios na noite de São João.


Como se vê, os festejos juninos têm uma origem essencialmente pagã adaptada para o cenário cristão pela igreja romana como mais uma de suas heresias. Todos os símbolos desses festejos foram herdados do paganismo. Anote-se que em toda a tradição protestante herdada da Reforma do século XVI, não existe nenhum sinal de que tal festa pagã tenha sido acolhida pelas igrejas reformadas. Definitivamente, essas comemorações não fazem parte da tradição protestante.

O que podemos dizer, então, de certas igrejas evangélicas que promovem festas juninas em suas dependências sob a justificativa de que estão desenvolvendo uma estratégia evangelística? É lamentável ver pastores tão inteligentes preparando estudos minuciosos na tentativa de justificarem cada bandeirola, cada balãozinho, cada fogueirinha... Meu Deus! É lamentável ver que a igreja evangélica brasileira tem deixado de lado seus valores históricos para dar lugar a estratégias imundas de “evangelismo” barato imitando carnaval, festivais de safadeza e, agora, imitando as festas juninas.


Para quê se voltar às coisas vãs se nós temos o tempo todo em nossas mãos a mensagem do Evangelho pura e simples? Enxerguem o perigo de tais adaptações e sincretismos religiosos! A mensagem do Evangelho não tem que ser maquiada; não temos que tentar fazer dela algom mais agradável. Quem disse que Jesus nos mandou fazermos tal coisa? Jesus nunca esteve preocupado em agradar multidões. Multidão só quer saber de milagres, de pães, de coisas materiais, de espetáculos... Quando a multidão é de fato confrontada com a real mensagem do Evangelho, logo começa a se dispersar afirmando ser dura a Palavra! O grande alvo da evangelização não está em encher templos de multidões como fazem nossas igrejas atualmente, mas sim em fazer discípulos verdadeiros, estes sim, comprometidos com Deus e com Sua Palavra, dispostos a assumirem um estilo de vida totalmente diferente do mundo ao seu redor.


A esta altura, alguma mente brilhante pode questionar: “E o Natal? Não foi também uma adaptação de uma festa pagã?” Respondemos sem dúvidas: De modo nenhum! A comemoração do nascimento de Jesus é uma festa baseada nas Escrituras e em toda a tradição da Cristandade. A única razão que poderia ensejar tal questionamento é o fato de que povos pagãos cultuavam o Sol Invicto no dia 25 de dezembro. Porém, dizemos nós, que as comemorações natalinas em nada se assemelham ao extinto culto ao Sol Invicto, antes pelo contrário, seus elementos são relacionados a fatos descritos na Bíblia e na tradição de países protestantes como Inglaterra e Estados Unidos da América.

De modo diferente, as festividades juninas mantiveram todos os símbolos pagãos quando foram adaptadas pelo catolicismo. Os símbolos apenas passaram a ter um significado diferente, mas são os mesmos do paganismo. Agora, os evangélicos também trouxeram esta festa pagã para seus templos, mantendo também os símbolos herdados do paganismo e ainda se aventurando a lhes atribuir novo significado, adentrando na questão cultural. Não bastasse tudo isso, ainda desrespeitam grandes homens de Deus ao passo que ao fazerem suas adaptações acabam desprezando os personagens originais, como acontece no caso dos famosos "Sem João, com Cristo", onde João Batista é jogado fora. Não é esse tratamento que merece a memória desse grande homem de Deus. Um crente de verdade deveria refletir até ao pensar em escrever esta ridícula frase. Por outro lado, o catolicismo desrespeita João por tentar lhe homenagear com um ridículo plágio pagão.  É  isto que combatemos!

Acreditamos que a atitude mental do crente deve ser determinada e remodelada pelo conhecimento do Evangelho e não pelas modas passageiras desse mundo. Afinal, você procura discernir se o seu comportamento está de acordo com a Palavra de Deus diante das novidades deste mundo?

Tentamos imaginar como Jesus se comportaria ao ser convidado para um “culto junino” ou um “São João Gospel”, com tudo voltado para agradar o homem, para atrair uma multidão. Acreditamos que Jesus, do mesmo modo como purificou o templo na narrativa bíblica (Mateus 21:12-13), certamente arrancaria as inúmeras bandeirolas coloridas, removeria fogueirinhas e balões, derribaria palhas de coqueiros e reprovaria a desvalorização e humilhação do pobre homem do campo (Provérbios 17:5), além do desrespeito àquele que lhe preparou o caminho como um verdadeiro profeta de Deus.
Ah, Jesus! Bem sabemos que Tu és a única esperança para a cura espiritual da humanidade. O mundanismo tenta ofuscar a tua luz o tempo todo, corrompendo o santo e verdadeiro culto cristão... Nesse São João, preferimos ficar apenas na tua companhia que nos é mais que suficiente. Queremos estar bem longe desses arraiais.

2 comentários:

Jhediael F Costa disse...

Graça e paz pastor Joelson.

O exposto em seu artigo é bem vindo e chega em um bom momento. Não é de hoje que a Palavra de Deus tem perdido seu espaço dentro da Igreja, espaço esse ocupado pela tradição pagã.É pois, de fundamental importância que tenhamos uma voz, ou, muitas vozes, que protestem a atuação da Igreja Contemporânea que, de forma bem natural, tem abandonado os princípios da Escrituras Sagradas, deixado a mensagem da cruz a margem e fora de seus púlpitos.

Unknown disse...

graça e paz, pastor joelson. extremamente salutar seu artigo sobre essas adptaçoes nefastsa que as igrejas tem feito hj, o evangelho é por si só suficiente para atrair, convencer e converter o homem de seus pecados, não precisamos destes artificios. repetito agora uma frase de Dom robinson cavalcanti "se vamos imitar o mundo, Deus prefirirá ao mundo, pois Deus é original.

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