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quinta-feira, 30 de julho de 2009

NO PRINCIPIO DEUS FEZ HOMEM DO BARRO, VITALINO PEGOU A IDÉIA E CONTINUOU FAZENDO.

O autor na casa de Vitalino.

“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).


A Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 04, n° 46, de Julho de 2009 publicou a matéria: “Do Barro Nasce um Herói”, sobre Vitalino Pereira dos Santos: “Mestre Vitalino", escrita por Ângela Micelani. A matéria que nem o nome completo de Vitalino traz, contém trechos como:

Dali (1949) em diante, sua trajetória acumularia momentos altamente consagradores. Aplaudido por seus companheiros de Caruaru, transformou-se numa atração da feira da cidade. Foi homenageado em festas públicas importantes, tendo sido recebido com honras por governadores da antiga Guanabara, de Pernambuco, Goiás e Alagoas, e louvado em jornais, revistas e livros por escritores e poetas como Joaquim Cardozo, Manual Bandeira e Hermilo Borba Filho. Exemplares de sua obra foram adquiridos pelos principais museus por colecionadores particulares. O estudo de sua vida deu origem a publicações e teses. Após sua morte, ocorrida em 1963, seu circulo de influência se ampliou- Ele foi convertido em personagem da cultura de massa. Mestre Vitalino foi o principal personagem dos enredos de várias escolas de samba no Rio de Janeiro. No carnaval de 1977, a Império da Tijuca apresentou: “O mundo de barro do Mestre Vitalino”. No ano seguinte, a Mocidade Independente de Padre Miguel desfilou com o tema “Brasiliana”, no qual o escultor era citado. No desfile de 1982, a Beija-Flor cantou os versos de Wilson Bombeiro, Carlinhos Bagunça e Joel Menezes: “Mas Mestre Vitalino molda em barro o destino do povo tão sofredor”. E em 1983 foi a vez da Unidos da tijuca, com o samba: “Devagar com o andor que o santo é de barro”. Sua obra também inspirou os documentários cinematográficos “O mundo de Mestre Vitalino”, produzido por Armando Laroche (1953), e “Adão foi feito de barro”, de Fernando Spencer (1976). Em 1977, Geraldo Sarno filmou “Vitalino, Lampião.

Tudo muito bem, mas termina mostrando, em quase nada, só um lado da história. O que a escritora não fala é que Vitalino morreu vítima da Varíola, pobre e abandonado. Sim, para o Mestre, de nada adiantaram as homenagens, os tapinhas nas costas travestidos de reconhecimento. De nada adiantaram as exposições, o ter peças até no Museu do Louvre, o ser recebido por chefes de Estado. O homem que tinha a vida no nome, e que deu vida a tantos montes de barro, não achou quem lhe ajudasse a ter uma vida melhor e a quem sabe prolongá-la.
A cidade de Caruaru-PE, que parasitariamente se alimenta do nome de Vitalino, neste São João de 2009, fez uma exposição chamada: “100 olhares de Vitalino”, lá eu vi as esculturas do mestre brilharem em lindas fotos e cenário de grande magnitude. Foi um chamariz para a cidade, e foi gasto muito dinheiro. Dinheiro esse que se a cidade gastasse na época da vida do Mestre, tinha lhe dado uma melhor condição de morar, pois ele passou a vida numa casa da maior simplicidade, hoje ela está lá ainda com os móveis do escultor.Quem vai aquela casa de paredes rudes vê que Vitalino não tinha geladeira, televisor, sofás, fogão a gás, gurda-roupas, etc. Vemos ali mesa rústica, um pequeno armário, fogão à lenha, sua cama de dormir. E quem sabe esse dinheiro que a cidade tivesse gasto com o mesmo o houvesse salvo na hora da doença. Cidade essa que em 1961, atendendo a um pedido da prefeitura da mesma, Vitalino “DOOU” 250 peças suas para o Museu de Arte Popular, pobre Vitalino.[1]
Hoje é muito bom dizer que Vitalino, fez isso, fez aquilo, é tudo verdade, mas é também verdade que Vitalino foi mais um homem daqueles que a terra não é digna, viveu pobre, foi desamparado pelos que o usaram como marketing, e morreu à míngua. É errado fazer como os Fariseus de Israel na época de Cristo, que cuidavam dos túmulos dos profetas, mas estes profetas tinham sido mortos pelos seus pais (Lc. 11:47). Cristo os condena por isso.
Vitalino não merecia ter nascido entre as pessoas que nasceu e ter vivido na época lugar em que viveu. Hoje o barro ainda fala por suas mãos, sou testemunha ocular disso, mas deixem o barro falar sozinho, e se querem falar dele, falem, mas falem também o que fizeram com ele, ou melhor, o que não fizeram.
Não sou da família de Vitalino, não o conheci pessoalmente, só acho que existem coisas que não podem ficar esquecidas. Vitalino quando usava as mãos para fazer o barro falar, o barro falava, mas falava TUDO. Pelo menos imitem-no.


NOTA.
_________________

[1]http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=4457&cd_item=1&cd_idioma=28555

3 comentários:

Hellen Taynan disse...

"Vitalino que brincava com o barro, morreu na lama."
Assim como todos os grandes que têm seu valor verdadeiramente reconhecido pós-morte.
O Alto do Moura, em Caruaru, é o maior centro de artes figurativas da América Latina com título concedido pela Unesco, graças às mãos do Mestre Vitalino.

Parabéns pelo post!

um que tenha disse...

Pastor Joelson Gomes, foi muito boa a sua intervenção pra acabar com a hipocrisia que existem em torno do grande mestre Vitalino.

Eu sei da história: quando falaram que ele estava com varíola ninguém foi lá. Morreu de manhã e logo no começo da tarde se livraram do corpo.

Abílio Neto -

um que tenha disse...

Onde se lê "hipocrisia que existem", leia-se hipocrisia que existe.

NÃO PARE AQUI VÁ PARA OS TEXTOS MAIS ANTIGOS.