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quinta-feira, 19 de maio de 2016

A CONVERSÃO E O NOVO TESTAMENTO

Thomas Schreiner
Por Thomas Schreiner


Conversão pode ser definida como voltar-se do pecado e voltar-se para Deus. Talvez o versículo clássico que captura essa definição é 1 Tessalonicenses 1.9: “pois eles mesmos, no tocante a nós, proclamam que repercussão teve o nosso ingresso no vosso meio, e como, deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro.” Aqui vemos claramente os dois elementos da conversão, voltar-se para Deus e voltar-se dos ídolos.

Conversão no Novo Testamento: da promessa para realidade

A história do triunfo de Deus sobre a serpente prometida no Antigo Testamento (Gn 3.15) torna-se uma realidade no Novo Testamento. O Antigo Testamento promete uma nova aliança, uma nova criação, um novo êxodo e novos corações para o povo de Deus. E nele é inaugurado o cumprimento para todas essas promessas através da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, que é proclamada no Novo Testamento.

Conversão nos Sinóticos

Nos Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), a obra salvadora de Deus prometida do Antigo Testamento é englobada pelo termo “reino de Deus”. O reino de Deus exerce um papel central nos sinóticos, mas também devemos entender que o reino de Deus convoca os homens à conversão. Os dois elementos da conversão podem ser descritos em termos de arrependimento e fé. Conforme lemos em Marcos 1.14-15: “foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.” (cf. Mateus 4.17). As boas novas do retorno do exílio anunciado por Isaías, as boas novas do cumprimento das promessas de salvação de Deus serão desfrutadas somente por aqueles que se arrependerem de seus pecados e crerem no evangelho.
O evangelho nos sinóticos está centrado na morte de ressurreição de Jesus, porque a paixão e a ressurreição de Jesus dominam a história em todos os três livros. É o clímax da história! Não há reino sem a cruz. Jesus veio para “salvar seu povo dos seus pecados” (Mateus 1.21) e essa salvação é realizada somente através da sua morte em favor deles, na qual ele deu “sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20:28; cf Marcos 10:45). Alguns que falam acerca do reino falam pouco sobre conversão, mas até mesmo uma rápida olhada nos evangelhos sinóticos indica que conversão é fundamental. Ninguém poderá entrar no reino sem ela (cf. Marcos 10.17-31).

Conversão em João

A centralidade da conversão também é evidente no evangelho de João. De fato, João escreveu seu evangelho para que o povo pudesse “crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome “ (João 20.31). João usa o verbo “crer” 98 vezes no evangelho, ressaltando a importância desse tema em seu evangelho. Crer não é um ato passivo em João. João usa uma variedade de termos para comunicar a profundidade e atividade da fé: crer é como comer, beber, ver, ouvir, habitar, vir, entrar, receber e obedecer. A natureza radical da conversão é expressa através de vários verbos que João usa para descrever o que significa crer que Jesus é o Cristo.  Conversão, então, está no âmago da mensagem do evangelho de João. Vida eterna (vida na era do porvir) pertence somente àqueles que creem em Jesus como o “cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Em outras palavras, somente aqueles que são convertidos desfrutam vida eterna.

Conversão e o Reino em Atos

Parece claro a partir da discussão acima que conversão exerce um papel central nos evangelhos e podemos traçar a mesma conclusão a partir do livro de Atos. Em Atos, achamos uma variedade de sermões nos quais o evangelho é exposto aos ouvintes (por exemplo, Atos 2.14-41; 3.11-26; 13.16-41). Aqueles que ouviam eram geralmente convocados a arrepender-se (Atos 2.38; 3.19; 8.22; 17.30; 26.20), que também é definido como “voltar-se” para Deus (Atos 3.19; 9.35, 40; 11.21; 14.15; 15.19; 26.18, 20; 28.27) A mensagem do evangelho envolve um chamado urgente para voltar-se contra o pecado e aquela antiga vida. Ao mesmo tempo, aqueles que ouviam as boas novas eram convocados para crer e exercitar fé (Atos 16.31; 26.18) De fato, a palavra “crer” é usada aproximadamente 30 vezes em Atos para descrever cristãos, indicando que fé caracteriza aqueles que pertencem a Cristo.
Não é tão surpreendente que conversão exerça um papel principal em Atos, já que o livro registra o expansão do evangelho de Jerusalém a Roma (Atos 1.8; cf. também 1.6; 14.22). Porém, deve ser também notado que o reino de Deus é um tema principal em Atos. Ele emoldura o livro no começo (Atos 1.3) e no fim (Atos 28.31). Paulo pregou o evangelho em Roma (Atos 20.35; 28.23, 31) e Filipe “que os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo” (Atos 8.12), demonstrando que o reino está centrado no evangelho. O evangelho que foi proclamado convocava os ouvintes, como vimos acima, ao arrependimento e à fé. Consequentemente, temos outra parte de evidência que a conversão é fundamental para qualquer proclamação do reino. A restauração do mundo para a regência de Deus é a esperança gloriosa dos crentes, mas somente aqueles que se arrependeram e creram desfrutarão o novo mundo que está porvir. Aqueles que se recusam a acreditar, como Atos enfatiza frequentemente, serão julgados.

Conversão em Paulo

Paulo não usa o termo reino de Deus frequentemente, mas sua cosmovisão escatológica é bem conhecida e está de acordo com o caráter escatológico do reino.  Como os evangelhos, ele proclama uma escatologia “já/ainda não”. A maioria dos eruditos concordariam que fé e arrependimento são temas cruciais nas epístolas paulinas. Paulo comumente ensina que justificação e salvação são obtidas somente pela fé (cf. Romanos 3.21-4.25; 9.30-10.17; 1 Coríntios 15.1-4; Gálatas 2.16-4.7; Efésios 2.8-9; Filipenses 3.2-11). Ele não utiliza a palavra arrependimento tão frequentemente, mas não é completamente ausente (por exemplo, Romanos 2.4; 2 Coríntios 3.16, 1 Tessalonicenses 1.9; 2 Timóteo 2.25). Paulo usa muitos termos para obra da salvação de Deus em Cristo, incluindo salvação, justificação, redenção, reconciliação, adoção, propiciação e assim por diante. É incontestável que a obra de salvação de Deus em Cristo exerce um papel principal na teologia paulina, mas tal salvação é garantida somente para aqueles que creem, para aqueles que são convertidos.
De acordo com Paulo, os crentes esperam ansiosamente pelo retorno de Jesus Cristo e a restauração da criação (Romanos 8.18-25; 1 Tessalonicenses 1.10); e, no entanto, somente aqueles que são convertidos pertencerão à nova criação que está porvir. Consequentemente, Paulo trabalha intensivamente para espalhar o evangelho entre os gentios (Colossenses 1.24-2.5), lutando para trazer o evangelho àqueles que nunca ouviram (Romanos 15.22-29), então eles estarão no grupo dos que são salvos.

Conversão nas epístolas gerais

As cartas restantes do Novo Testamento são escritos ocasionais endereçados a situações específicas. Ainda assim, a importância da conversão é estabelecida ou implícita. Por exemplo, achamos em Hebreus que somente aqueles que creem e obedecem entrarão no descanso do fim dos tempos (Hebreus 3.18-19; 4.3; 11.1-40). Tiago tem sido comumente mal compreendido, mas, quando corretamente interpretado, ele ensina que uma fé contrita é necessária para justificação (Tiago 2.14-26). Assim também, Pedro ensina que a salvação é pela fé (1 Pedro 1.5; 2 Pedro 1.1) e 1 João foi escrito para assegurar aos crentes que possuem vida eterna (1 João 5.13).

Conversão em Apocalipse

O livro do Apocalipse culmina a história, assegurando crentes que o reino de Deus, que já veio em Jesus Cristo, será consumado. Aqueles que praticam mal e se comprometem com a Besta serão julgados para sempre, mas aqueles que perseverarem até o fim entrarão na cidade celestial, que é a nova Jerusalém. Apocalipse ressalta que somente aqueles que se arrependerem ( Apocalipse 2.5, 16, 21, 22; 3.3, 19; 9.20-21; 16.9, 11) encontrarão vida.

Não o tema central, mas fundamental para a história completa

Para resumir, conversão certamente não é o tema central das Escritruras. Crentes foram feitos para glorificar a Deus e desfrutá-lo para sempre, e nós faremos isso tanto neste mundo quanto no mundo porvir.
Mas conversão é fundacional e fundamental para a história, visto que somente aqueles que são convertidos desfrutarão a nova criação. Seres humanos devem voltar-se do pecado e voltar-se para Deus para serem salvos. Eles devem arrepender-se dos seus pecados e crer no evangelho de Jesus Cristo, crucificado e ressurreto. Será pouco consolador no último dia se alguém tiver contribuído de uma pequena forma ou mesmo uma forma significativa para a melhoria desse mundo (tão útil quanto seja), se não for convertido.

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