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terça-feira, 8 de abril de 2014

JUDAS ERA LIVRE?


Por Richard Beck


Jesus foi conivente na traição e morte de Judas? Se Judas não estava conscientemente seguindo a profecia, poderíamos afirmar que Jesus estava? Eis aqui o que nós vemos nas descrições do evangelho:

Primeiro, Jesus aparece para escolher Judas como um dos doze sabendo que Judas o trairia:

João 6.68-71:

Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós já temos crido e bem sabemos que tu és o Santo de Deus. Respondeu-lhes Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? Contudo um de vós é o diabo. Referia-se a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era ele o que o havia de entregar, sendo um dos doze.

Segundo, na noite de sua traição Jesus orquestra os eventos da traição. Ele dá a Judas as suas instruções e então vai se encontrar com ele no lugar determinado:

João 13.26-30; 18.1-4

Respondeu Jesus: É aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado. Tendo, pois, molhado um bocado de pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. E, logo após o bocado, entrou nele Satanás. Disse-lhe, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa. E nenhum dos que estavam à mesa percebeu a que propósito lhe disse isto; pois, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe queria dizer: Compra o que nos é necessário para a festa; ou, que desse alguma coisa aos pobres. Então ele, tendo recebido o bocado saiu logo. E era noite.

Quando tinha acabado de orar, Jesus saiu com seus discípulos e cruzou o vale do Cédron. Do outro lado havia um olival, e ele e seus discípulos entraram nele.

Agora Judas, quem o traiu, conhecia o lugar, pois Jesus tinha frequentemente se encontrado lá com seus discípulos. Então Judas veio ao bosque, guiando um destacamento de soldados e alguns oficiais dos principais sacerdotes e fariseus. Eles estavam carregando tochas, lanternas e armas.

Jesus, conhecendo tudo o que estava para acontecer com ele, saiu e perguntou-lhes: “A quem buscais?”.

Parece, a partir da descrição de João, que Jesus não sabia o que estava para acontecer muito antes que acontecesse. Jesus escolhe Judas sabendo que ele tinha selecionado seu traidor. E, na noite da traição, Jesus deixa Judas ir e fazer o que ele tinha que fazer e então encontra Judas no local apontado. Judas parece não ter noção do que está acontecendo. Jesus, porém, “sabe tudo o que estava para acontecer com ele.”

Algumas questões desconfortáveis

Em nenhum momento nas narrativas do evangelho é dado a Judas alguma simpatia por suas ações. Apesar de toda a profecia e orquestração de Jesus Judas é redondamente condenado e amaldiçoado. Porém, eu imagino que os leitores modernos estejam perturbados pela história de Judas. Os antigos tendiam a crer no destino, mesmo o destino trágico. “Livre arbítrio” e “responsabilidade moral” não eram coisas com as quais os antigos se preocupavam ou reconheciam. A vida de Judas seguiu o caminho do seu maldito destino, tragicamente assim. Mas Judas era “livre para fazer o contrário?” Se não, ele pode ser mantido responsável por suas ações? Estas questões simplesmente saltam para fora das descrições do evangelho.

E Jesus? De todas as personagens envolvidas Jesus parece controlar seu próprio destino. Ademais, Jesus parece controlar os destinos dos outros, o de Judas em particular. Então isto nos faz perguntar: Deveria Jesus ter escolhido Judas para ser um dos doze? Deveria Jesus ter salvado Judas do seu destino? Jesus poderia ter arranjado um plano alternativo para encontrar os soldados no jardim daquela noite que não envolvesse a queda de um dos que pertenciam ao seu círculo íntimo?

De todas as histórias na Bíblia que vão de encontro aos prejuízos modernos a respeito da liberdade e da responsabilidade moral, a história de Judas Iscariotes tem a mais elevada posição.

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