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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CURSOS DE TEOLOGIA E O CANTO DA SEREIA



Por Joelson Gomes (Do Seminário Teo. Evang. Congregacional em João Pessoa/PB)


Todos nós sabemos que proliferam cursos de Teologia me nosso país, uma busca no Google deixará a pessoa espantada com tantas opções. Tem para todos os gostos; presenciais, por módulos, virtuais, caros, baratos, de graça, é uma infinidade. E, nestes tempos de propaganda muitos têm entrado na de “fazer Teologia” guiados por buscas na internet sem o mínimo critério, sem olhar onde estão se matriculando. Ao fim das contas, muitos têm caído no conto do vigário, que nesse caso é o conto do pastor, e perdido tempo e dinheiro.

Trabalho com o ensino teológico, e olhando as opções do mercado, e o produto oferecido, resolvi colocar aqui algumas pistas para que não se caia no “canto da sereia”.

a) Cuidado com cursos de Teologia por correspondência. A maioria desses cursos não têm a mínima condição de se estabelecer, são textos de apostilas ralas, se profundidade ou conteúdo teológico. Caça-níqueis que enganam os candidatos, e fazem os mesmos passar vergonha, pois saem dizendo que são formados em teologia, mas quando se conversa logo nota-se que não conhecem nada mais que um aluno de uma Escola Bíblica Dominical mediana. Os grandes temas da Teologia não são tratados nessas apostilas, e um curso do quilate de Teologia, não pode ser feito com algumas apostilas. Um curso desse nível só pode ser feito com cada disciplina tenho no mínimo 30 horas aula. Se não for assim, o seu diploma não será aceito num seminário de respeito para continuar seus estudos se quiser fazer isso.

b) Cuidado com seminário interdenominacional. Para alguns parece uma vantagem dizer que seu seminário é interdenominacional, ou estudar em um lugar assim, mas não é. Um seminário sem cor denominacional, não tem norte, não tem linha teológica, ele é tudo e não é nada. Ora, todos sabem que as visões teológicas das denominações são diferentes, se não fosse seriam todos uma só congregação. E sabemos também que não dá para colocar todas debaixo do mesmo guarda-chuva. Se a instituição ensinar Teologia com objetivo vai desgostar alguém, seja quem for. Exemplos: se o professor ensinar credobatismo (só se batiza quem tem condições de crer em Cristo como salvador) vai desgostar quem acredita o pedobatismo (se batiza crianças sem condições e crer em Cristo); se o professor ensinar a soberania absoluta de Deus na salvação, vai desgostar quem acredita no livre-arbítrio; se ensinar quem a forma correta da batizar é a aspersão, vai desgostar quem acha que é a imersão (e não pode ter duas corretas); se ensinar que o governo da igreja no Novo Testamento é congregacional vai desgostar quem acha que é presbiteriano ou episcopal; e assim por diante. Por isso, num seminário não denominacional todos estes temas e muitos outros que centrais nas diferenças denominacionais são tratados de maneira rasa, ou deixados de lado, e o candidato sai sem saber justamente o central, porque ele faz parte dessa ou daquela tradição teológica, quais as suas bases, e como estuda-las. É impossível fazer teologia assim, se não se concentrar em uma tradição teológica. E aí nós temos alunos formados em casas desse tipo que são congregacionais, mas não sabem o que é o congregacionalismo; se for aspersionista, vai sair achando que existe mais de uma forma de batizar; se for credobatista vai achar que quem é pedobatista tamb´pem está correto, é só um cerimonial, tanto faz. É essa ideia que ensinam em muitos lugares, quando chega naqueles temas que são justamente a identidade do aluno, se diz: isso não importa, pode pensar como quiser, todos têm razão, somos todos irmãos, não foquemos nisso. Imagine um curso teológico sem qualquer vinculo confessional, que teologia ensinará? Impossível. O resulta disso? Obreiros sem identidade que pululam em nosso país, que trocam de denominação como quem troca de camisa, o negócio pé quem dá mais.

c) Cuidado com seminário reconhecido pelo MEC. Quando o MEC reconheceu o curso de Teologia, virou febre quem já era formado em seminário livre querer fazer o que chamam erradamente de “convalidação de diploma”. Que na verdade seria integralização de créditos. Não é difícil hoje quem trabalha com seminário teológico ouvir de possíveis alunos: “esse seminário é reconhecido pelo MEC”? quem pensa assim deve saber que para que um seminário tenha esse reconhecimento deve ser aberto, aceitar qualquer aluno, de qualquer credo. Então, para aceitar qualquer aluno deve diluir completamente seu ensino da Teologia em 06 eixos propostos pelo parecer do Ministério da Educação: filosófico, metodológico, histórico, sociopolítico, linguístico, interdisciplinar (parecer CNE/CES n° 118/09). Esse parecer do MEC já foi muito bem analisado por Julio P. T. Zabatiero e ficou claro como é falho[1]. Fazendo assim, este curso deve ser adaptado para qualquer pessoa, de qualquer religião. Ali, não se pode ministrar teologia protestante, mostrar as falhas hermenêuticas da teologia católico romana, umbandista, espirita, etc., pois não se pode agredir a fé deles. No fim das contas, com raras excessões, o curso fica sendo um monte de disciplinas de história e ciências das religiões, e filosofia. Os professores não podem ser todos protestantes tem que ter católicos romanos, judeus, etc., no quadro de mestres, se assim não for a faculdade recebe questionamentos e notas baixas na avaliação. Nos EUA tem seminário Congregacional dessa forma, e se orgulham disso. Por exemplo: o Chicago Theological Seminary. Quando isso acontece o liberalismo toma conta, e era uma vez seminário protestante.

Estas poucas palavras tem o objetivo de servirem de orientação para você que está procurando onde estudar Teologia. Fazendo assim evitaremos desvios doutrinários, perca de recursos, falta de identidade teológica. Sim, devemos estudar Teologia, mas cuidado onde você pretende estudar, previna-se contra o “canto da sereia”.

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[1] O estatuto acadêmico da Teologia à luz do Parecer 118/09 do Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Superior (CNE/CES). Em Ciberteologia - Revista de Teologia & Cultura - Ano V, n. 26. Disponível em: 
http://ciberteologia.paulinas.org.br/ciberteologia/wpcontent/uploads/2009/10/02OEstatutoAcademicoDaTeologiaAluzDoParecer.pdf

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