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sábado, 15 de setembro de 2012

MISSÕES NO NT II



Por Joelson Gomes

Texto Base: At. 4.1-12

Texto áureo: “...pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At. 4.20).

Objetivo da Lição: Ao término da lição o aluno deverá conhecer a motivação da Igreja missionária em Atos dos apóstolos, compreender a sua consciência missionária, e refletir nesse exemplo para missões hoje.

A Bíblia na Semana
Seg. At. 3. 1-10
Ter. At. 3.11-26
Qua. At. 4.23-31
Qui. At. 18. 1-11
Sex. At. 10. 34-43
Sáb. At. 15.36-41
Dom. At. 4. 1-12


INTRODUÇÃO

Na lição anterior pudemos ver como Jesus Cristo fazia missões e como Ele orientava seus discípulos também nesta obra. Nesta lição como uma continuação necessária vamos estudar a prática missionária da Igreja Primitiva.  O relato autorizado destes fatos nos foi deixado pelo médico Lucas no livro de Atos. Nesta obra o doutor e companheiro de Paulo em algumas caminhadas de pregação, nos conta como a Igreja cumpria sua missão, e como se desenvolvia a partir desse trabalho missionário.

Acreditando que o melhor método de fazer o serviço de Deus é o que Ele mesmo ensina, vamos observar os primeiros cristãos, que dirigidos por Ele e no poder do Espírito Santo, espalharam o evangelho e invadiram boa parte de seu mundo (At. 5.28; 6.7; 17.6), mesmo sem ter a tecnologia e os recursos de hoje.
Será que esses cristãos tinham algum segredo? O que e como eles pregavam para fazer tanto sucesso? Vamos descobrir.


I-                   O poder para missões

a)    Eles pregavam no poder do Espírito. O livro de Atos dos apóstolos mostra de saída algo que tem passado despercebido no mundo cristão atual: a função do poder do Espírito Santo. Procura-se sinais e poder na igreja atual sem notar que esse poder foi concedido justamente com o objetivo missionário (At. 1.8). Os dons e poder do Espírito segundo o relato de Atos são recebidos e usados para o impulso da obra de missões, não para demonstrações gratuitas, rivalidades, ou autopromoção (Veja: At. 2.1-4, 14ss; 3.1-8, 11-4ss; 4.8-10, 31; 6.3-8; 7.1-2ss; 8.4-8; 9. 40-42; 13.9-12; 18.24-28; 19.11-20). É claro pela leitura que a ousadia dos missionários vinha do Espírito.

b)   Eles pregavam na dependência do Espírito Santo. Outra coisa que é bem presente nos relatos missionários da Igreja Primitiva é que além de necessitar do poder do Espírito, ela era completamente dependente dEle. Quando Jesus diz que a Igreja seria missionária, também diz que só seria após o recebimento do batismo com o Espírito (Lc. 24.45-49; At. 1.5,8). Assim, o Senhor coloca a obra de missões em direta dependência do Espírito; sem Ele não haveria missões (Veja: At. 4. 24-31).

c)    Eles faziam sinais e prodígios. O relato de Atos também mostra que a pregação do evangelho era permeada de sinais e prodígios. Isso porque o evangelho não é só palavras, também é experiencial. D. Martyn Lloyd-Jones escreve:

Alguns só dão ênfase a “Palavra”; são os intelectuais. “Ah”, dizem eles; “nada importa senão a Palavra”. Passam o tempo lendo e estudando e se tornam autoridade em teologia e em doutrina. O resultado é que se tornam orgulhosos em seu grande conhecimento, e podem conquistar admiração de outros, que se juntam a eles, mas isso nada é senão uma pequena sociedade de admiração mútua. Ninguém é convertido; ninguém é convencido do pecado- cabeças lotadas de conhecimento e entendimento- inutilidade! (Cristianismo Autêntico, vl. 2. p. 260).

O Espírito e a Palavra sempre devem andar juntos. Esta é a regra do NT. Palavra sem o Espírito gera intelectualismo árido e insuportável; Espírito sem a Palavra gera fanatismo anticristão. O modelo da Igreja era dependência do Espírito e evidências do Seu poder para anunciar a Palavra. Devemos ter nossa fé renovada a cada dia e orar para que o Espírito de Deus continue usando os anunciadores do evangelho com sinais e prodígios, era assim que a Igreja do NT fazia missões.

Os sermões de Atos falam da graça incansável de Deus e a necessidade de responder-lhe pela conversão do coração (2.38; 3.19; 5.31; 10.43; 11.18; 13.38-39; 16.30-31; 20.21; 26.18-20). A mensagem de salvação também é proclamada pelo ministério de cura da comunidade, como o foi para Jesus (2.42; 3.1-10; 5.12-16; 9.32-35,36-42; 14. 3, 8-10; 16. 16-19) (Timóteo Carriker. O Caminho Missionário de Deus, pp. 231-232).



II-                A Consciência Missionária.

Algo que salta aos olhos quando estudamos a história da Igreja em Atos é a consciência missionária dos cristãos da época. Se temos uma frase para resumir o que aqueles crentes faziam, é que eles pregavam. Pregavam ao ponto de incomodar até as autoridades (At. 4.1-4; 5.17-33). Não eram a maior religião da região, não eram muitos, nem ricos, mas fizeram uma grande obra em Jerusalém e vizinhança, de modo que os quase 3.000 do inicio (At. 2.41), já são quase 5.000 em Atos 4.4, e cresce de novo em Atos 5.14,  e continuam crescendo em Atos 6.1 e 9.31. Os missionários são itinerantes e pregam diante de tudo.

a) Eles pregam na bonança. Nos momentos bons, sem perseguição, o que foram poucos, a Igreja pregava. Aproveitavam os bons dias para espalhar a mensagem já que não tinham impedimentos e com isso a Igreja crescia ainda mais (At. 9.31).

b) Eles pregavam na perseguição. A coragem dos missionários é latente. Diante das perseguições das autoridades religiosas da época não tinham medo, mas coragem. Os apóstolos perseguidos pregavam (At. 5.17-41). Estevão preso pregava (At. 6. 12-7.6); os cristãos da Igreja em Jerusalém sofrem grande perseguição, mas como resposta pregam (At. 8.1-4); o apóstolo Paulo viaja e sofre perseguição em vários lugares mas continua a pregar (At. 13. 49-14.1-7, 19-21; 16. 16-17.3; 18.12-19; 19. 23-31; 20.1-7; 21. 30-22.1; 23. 1-11; 24. 10-21, 24; 26. 1-29; 28. 17-31). Nada os parava.

c) Eles pregavam diante dos problemas cotidianos. Os problemas do dia a dia como desentendimentos na igreja e pessoais não eram motivo para que os missionários parassem a obra. Em Atos 6.1-4 temos um problema entre irmãos na comunidade, a liderança escala algumas pessoas para resolver e continuam no ministério da Palavra. Em Atos 15. 36-41 acontece uma discussão séria entre os missionários Paulo e Barnabé, mas o que poderia ser motivo para atrapalhar a missão serve de estratégia. Eles dois faziam junto uma frente missionária, após a discussão se separam e criam duas frentes missionárias. Problemas aparecem, mas não podem atrapalhar a missão. A consciência missionária desses irmãos estava acima de tudo, nada os tirava do foco.


III-             O conteúdo da pregação

Alguns aspectos da pregação dos missionários em no NT devem ser notados; o jeito de levar a mensagem e o conteúdo que ela deve observar. 

a)    De quem é a mensagem. O missionário parte com um livro de onde tira sua mensagem: a Bíblia. 

Nossa mensagem vem da Bíblia. Mas quando buscamos na Bíblia a nossa mensagem, imediatamente nos confrontamos com um dilema. De um lado, a mensagem nos é dada. Não temos permissão de inventá-la; ela nos foi confiada como um “depósito” precioso, que nós, como servos fiéis, devemos guardar e distribuir à cada de Deus (1Tim. 6:20; 2Tim. 1:12-14; 2Cor. 4.1-2) (John Stott. A Bíblia na Evangelização do Mundo, em Missões Transculturais, p. 3).

Por isso grande parte dos sermões registrados em Atos são todos baseados na Palavra de Deus e citam muitos textos do AT (At. 2. 14-40; 3.12-26; 4.5-12; 7.2-53; 13.16-41; 15.13-21; 28.17-29). A mensagem pode ser transmitida de várias formas, mas nunca trocada ou adulterada.

b)   O que diz a mensagem. Os missionários do NT também são convictos que os temas da missão são cristocêntricos. Jesus deveria sofrer e ressuscitar, mostrando o que Deus faz para redimir o pecador. O arrependimento e a expiação dos pecados devem ser pregados às nações em nome de Cristo. Esta doutrina do perdão é uma das fundamentais no cristianismo. Cristo como Filho de Deus, libertador, encarnado, crucificado, ressuscitado, juiz e o único objeto da fé para a salvação, eram os temas revividos pelos pregadores na caminhada missionária no NT (At. 2. 14-36; 4.8-12; 7.1-53; 10. 34-43).

...essa é a mensagem cristã: que todos nós precisamos ser libertados da culpa, da escravidão, do poder e do cativeiro do pecado, e que é unicamente Cristo que pode libertar- nos. Esse é o plano de Deus, determinado e visado antes da criação do mundo (D. Martyn Lloyd-Jones. Cristianismo Autêntico, vl. 1, p. 64).



CONCLUSÃO

Eis o segredo da força que a Igreja Primitiva tinha em fazer missões. Quando olhamos com atenção notamos que não é algo escondido, um conhecimento especial que só eles tinham. Não eram métodos atrativos especiais, ou técnicas hollywoodianas. Eles tinham uma diferença sim, mas era poder e consciência do seu dever.

Aqueles cristãos sabiam que o Reino de Deus irrompeu na história; sabiam quem a agência de propagação desse reino era a Igreja, e eles foram estabelecidos para isso. Não poderiam ser contra sua própria natureza. Aqueles cristãos tinham um Mestre, e seu mestre havia dito que enquanto estivessem aqui proclamassem seu evangelho, fossem suas testemunhas. Assim, a razão de existirem era pregar, não poderiam fazer outra coisa (At. 4.20). Sabiam que teriam o maior poder do mundo com eles, o poder do Espírito Santo.

A Igreja moderna não faz missões como deveria porque não sabe quem é, ou para que está aqui; não conhece o poder do Espírito Santo, nem o seu objetivo, por isso qualquer coisa tira o foco.

 Cabe a cada um de nós arrependimento, busca do poder de Deus e disposição para cumprir a missão. Deus continua o mesmo, poderemos dizer o mesmo de seus missionários hoje? Que o Senhor nos levante.


Aprofundando

1-      Em que aspectos o Espirito era importante na pregação da Igreja de Atos?
2-      Como os cristãos primitivos demonstram sua consciência missionária?
3-      O conteúdo da pregação pode ser negociado?
4-      O que chamou sua atenção na lição de hoje?

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Lição publicada na edição n° 10 da revista para Escola Dominical da Editora Aliança, da Aliança Congregacional. Pedidos: derp.contato@gmail.com

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