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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A IDOLATRIA A JOHN PIPER


Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1Jo. 5. 21).

Temos conhecimento que as pessoas costumam idolatrar cantores, atores, e até alguns escritores, parece que isso é uma tendência humana. Quem não ouviu alguém dizer: “meu ídolo é fulano de tal”. Nesses últimos dias assistimos pela TV massas ensandecidas cultuando seus ídolos no Rock in Rio, e no último fim de semana Justin Bieber levou a histeria milhares de adolescentes sem referencial musical ou humano.

No meio gospel a mesma coisa acontece. A cada novo ministério de cabelo crespo que aparece é uma legião de tietes dando gritinhos e suando ao ver seus anjos de calças coladas assassinando a boa música e a teologia em cada novo cd. Falando-se dos pregadores, não é preciso ir longe, é só ver os cartazes ou ligar a TV e assistir os programas em que apóstolos paraguaios desfilam com cara de santo e voz chorosa, e pastores da prosperidade fazem rezas milagrosas para fãs que dão até as calças para sustentá-los e quem sabe ter uma garrafada santa de Israel, ou um óleo de soja benzido. Mas, isso é coisa de pentecostal ou neo-pentecostal dizem alguns.

Do outro lado estão os reformados. Estes têm a teologia certa, não são meninos na fé e tem a verdade para quem quiser aprendê-la. Não entram nessas coisas. Será? Parece que não é bem assim pelo menos em alguns arraiais. Nos últimos dias tivemos a abençoada Conferência Fiel para Pastores Líderes, e nesse ano entre outros pregadores veio John Piper. Ora, quem milita no meio cristão, sabe quem é Piper, bom escritor e pregador norte-americano que tem feito sucesso pelo mundo. Aqui no Brasil editoras se estapeiam para editar seus livros, e realmente ele tem pregado a Palavra de Deus onde vai. Como muitos pobres mortais, não tive dinheiro para ir a conferencia, mas assisti quase todas as palestras de Piper pela net, pois a Fiel fez uma ótima transmissão ao vivo e de graça. Visão de reino. Até aí tudo bem, não fosse algumas coisas que tenho observado.

A janela de transmissão tinha um link direto com o facebook e você podia colocar suas impressões à medida que a palestra ia se desenvolvendo, e é aí que quero chegar. As pessoas que escreviam parece que estavam ouvindo Jesus Cristo. Quando ia chegando a hora de Piper subir ao púlpito, causava um tchan nos telespectadores, nego dizia: “é agora”, outro mandava: “Deus vai falar”, etc. etc. Como se o palestrante anterior fosse apenas uma abertura do show principal. Quando Piper dizia: “Glória a Deus”, gente escrevia: “que maravilha, nunca ouvi isso”. As palestras de Piper foram simples, coisa que estou acostumado a ouvir, e a pregar sobre, mas os comentários era como se tivessem, ouvido a última flor do Lácio. Pensei comigo: ou nas igrejas desse pessoal não tem pregação, ou eu estou ficando pirado. Tem alguma coisa errada. Como dizia Caetano: "alguma coisa está fora da ordem". Ao que parece era como se as coisas mais corriqueiras do mundo só porque estavam sendo ditas por Piper tivessem um outro sentido. Viessem com uma auréola de santidade. Era o efeito Piper. A coisa estava como os que escrevem nos jornais: “Papa Bento XVI condena a violência”. Ora todo mundo condena a violência todo dia, mas só porque foi o Papa que disse então sai no jornal. Imita-se isso no meio reformado com certos pregadores.

Disso tudo o que fica é que não podemos esqucer que John Piper é um pastor, um homem como todos os outros, um pregador da palavra como todos os outros que são sérios pregadores da Palavra. Ninguém aqui tira seu mérito, mas ele não faz nada mais do que a obrigação para a qual foi chamado: pregar todo conselho de Deus.

Devemos ter cuidado para cair no que se condena. Não se idolatra cantor, ator, mas se idolatra pregador e escritor. Creio que Piper deve ter passado maus bocados com tanto fã querendo tocar nele, ficar perto dele, na Fiel e por onde andou. É claro que é legitimo a alguém querer conhecer um pregador ou escritor que admira, querer tirar uma foto de recordação, e pronto, mas sabemos que tem gente que quer mais que isso, e vê na pessoa que ali está mais que um simples humano, mortal, pecador. É isso que tem que ser policiado.

Sim, a quem honra, honra, mas nunca honra além da conta. Que estejamos atentos as ciladas da vida.

8 comentários:

Cesar M. R. disse...

COMPLETAMENTE PERTINENTE A OBSERVAÇÃO!

José Junior disse...

Concordo com cada linha escrita...Parabéns pela objetividade..disse o que tinha que ser dito.

Alex Salustino disse...

Glória a Deus pastor Joelson! Acerca de tudo isso que o senhor tratou, eu andei refletindo nesta semana e realmente, os homens de Deus estão sendo idolatrados, mesmo sem almejar este tipo de atitude! Deus o abençoe!

André Bronzeado disse...

Caro Pr. Joelson, muito pertinente o texto. Conseguiu dividir bem as coisas. A questão não é a pessoa ou o ministério de John Piper, mas sim o comportamento das pessoas em relação a ele. O texto foi bastante objetivo e coerente. De fato, observo muito a prática do estrelismo protestante. As pessoas querem alguém para tocar e idolatrar. Certa vez assisti ao testemunho de um ex-ator pornô brasileiro e na saída os crentes formaram um verdadeiro "empurra-empurra" para pegarem um autógrafo do rapaz. Ainda na minha adolescência considerei aquilo uma imbecilidade. Faz parte dessa cultura a criação de popstars, algo que entra na contramão do exemplo de Cristo. Há muitos desses cantores que não cantam nada que quase não pisam no chão. Quanto a Piper, confio que ele não gosta desse comportamento. Uma coisa é admirar alguém, outra coisa é cometer exageros e verdadeiros cultos a personalidades. Parabéns!

Cristao Peregrino disse...

Quem conhece Piper sabe da humildade dele, como reconhece suas fraquezas,
acho pertinente o que foi dito aqui http://apenas1.wordpress.com/2011/10/06/minha-grande-decepcao-com-john-piper/

Ana Chagas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Chagas disse...

Pr. Joelson, concordo plenamente com as suas palavras. Ser instrumento de Deus na transmissão da sua Palavra, traz dois perigos, o primeiro é o de que haja por parte do homem a soberba e a autosuficiência, o que não é o caso do nosso amado irmão, John Piper, pois a sua humildade é notória a todos; mas há também o outro lado, o outro perigo, e este habita no coração dos que o ouvem ou lêem; a idolatria. Alguns deixam de glorificar Aquele que fala em detrimento de glorificar o homem, mero canal, mero instrumento nas mãos do Todo-Poderoso.Boa parte do povo cristão precisa deribar estes "altares" que trazem dentro de si, levantados a pregadores, a bandas, a cantores, e às vezes até a si mesmos por fazerem quaisquer trabalho na Obra de Deus; quando, na verdade, deveríamos dizer como João Batista disse de si mesmo em relação ao Messias: "Convém que ele cresça e que eu diminua." (Jo 3.30). Um abraço! Que Deus continue te usando como este instrumento de bênção!

Talita Figueirêdo disse...

Pr. Joelson,

Como sempre, um ótimo texto. Concordo com cada palavra.
Recentemente estive na Cons, Cristã e no congresso da Juvep e nós podemos ver facilmente o assédio que cada um dos pregadores ou palestrantes sofrem.
Fico imaginando nos momentos a sós com Deus, como eles não pedem a graça de Deus para aquelas vidas.
Mais uma vez vemos... Muitas pessoas sairam do mundo, mas o mundo não saiu deles.

NÃO PARE AQUI VÁ PARA OS TEXTOS MAIS ANTIGOS.