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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A SAUDADE


A saudade chega quando as coisas se afastam. Eu comparo a saudade com um grande espaço; um grande vazio. É... acho que esta é uma boa imagem. Álvaro de Campos dizia:


Ah, todo cais é uma saudade de Pedra!

E quando o navio larga do cais

E se repara de repente que se abriu um espaço

Entre o cais e o navio,

Vem, não sei por quê, uma angústia recente,

Uma névoa de sentimentos de tristeza

Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas

Como a primeira janela onde a madrugada bate,

E me envolve com uma recordação duma outra

pessoa

Que fosse misteriosamente minha.


Concordo com ele. Porque um cais representa isso mesmo: ou chegada, ou partida. E quem parte leva saudade e quem chega satisfaz saudade. Ela que se revela nos espaços construídos pela distância. É por isso que ele diz que até os barcos que entram no cais, lhe trazem saudades:


Os paquetes que entram de manhã na barra

Trazem aos meus olhos consigo

O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

Trazem memórias de cais afastados e doutros momentos

Doutro modo da mesma humanidade noutros pontos.


O interessante é que nós chamamos “saudade” individualmente, mas parece que ela não é uma, e sim, de alguma maneira inexplicável, duas. Assim, como a solidão no pensamento de Rilke, pois ele dizia que um amor é a saudade de duas solidões.

É, parece-me que a saudade vem ao mundo aos pares. Por isso, é que ela só acontece na ausência. Veja o que diz a canção popular: “Quem parte leva saudade de alguém que fica chorando de dor”. E, esse alguém que fica chorando, chora e sente, nada mais, nada menos, do que saudade. Então, a saudade vai com quem parte e é dor de quem fica. Logicamente um par. Pra Gonzaguinha também era assim:


É um carinho guardado

No cofre de um coração que voou

É um afeto deixado nas veias

De um coração que ficou

É a certeza da eterna presença

Da vida que foi, da vida que vai

É saudade da boa, feliz cantar.


O Choro é da saudade que mora em nós. Na verdade as pessoas quando juntas não matam a saudade, o que acontece é que ela está com sua outra metade e, por isso, não chora. Chego a desconfiar também que ela se divide em macho e fêmea, como nós: homens e mulheres. E sendo macho e fêmea, a saudade se enamora, se apaixona, e sofre com a falta do outro, quando a outra saudade está longe. É justamente aqui que elas se mostram, fazendo com que nós sintamos o que elas sentem.Se dentro de nós elas se desesperam e querem, nós nos desesperamos e queremos com elas. Então nossa ânsia e desespero é na verdade, a ânsia e desespero da saudade que nos habita, fazendo com que passemos a querer o sentimento que está dentro do outro: sua saudade.

E quando sentimossaudades” de objetos, lugares? Aí não é saudade, é a lembrança da saudade que mora em nós, pois ela vê com os nossos olhos. Saudades mesmo, se sente é de gente. Não se engane, não se mata saudade e se continua vivendo bem. Porque ela só morrerá, se morrermos também.

É isso mesmo: saudade não morre, se satisfaz, e com isso, nós nos satisfazemos. Porque a nossa relação com a saudade é uma relação de profunda intimidade, relação de mãe com filho, e filho no ventre. Nós somos como uma mulher grávida que alimenta o filho pelo cordão umbilical: a saudade é nosso bebê acalentado. Nós e a saudade somos interdependentes. É por isso que ela não nos abandona, nem quando queremos. A despeito de tudo, ela continua lá, até que seu par apareça... volte. Sua vida está intimamente ligada a nossa. É por esta causa já disseram que temos em nós esta “saudade ontológica”, saudade de Deus, que nunca partiu, e está voltando.

Saudade,

Misto de prazer e dor

Tempero do amor

A falta que faz...

5 comentários:

Cleosmar Berto disse...

Joelson,

Estou retribuindo a sua visita. E gostei muito do seu blog. Prabéns! que Deus continue orientando e direcionando sua vida. Ah, estou seguindo o seu blog.

Cleosmar Berto Machado
vidacristavitoriosa.blogspot.com

Jean Francesco disse...

salve meu velho!
seu blog é show, eu compartilho da opinião de que a Graça de Deus é um dos temas mais transbordantes da Escritura.
Em relação ao banner... como eu faço um??
meu blog é puro e simples ainda não tem nada disso.. preciso de um Update..
ajuda ae meu velho!
ehheeh
abraço!

Jean

Catiane Cantero disse...

Gostei muito do seu blog e gostaria de colocar seu banner no meu, porém não estou conseguindo, se puder me de seu url. Um abraço e fique com Deus.

Lumenamena disse...

Joelson,

Gostei muito da sua visita no meu espaço, da qual retribuo, compartilhando as minhas impressões, com alegria.
Sim, vou colocar o seu banner no meu blog.

A saudade deixa-me um grande vazio, é como sentir falta de alguém que parte, e acontece sempre na ausência, mesmo no siêncio, revivo como uma lembrança nostálgica, como uma lembrança carinhosa que está ausente acompanhada de um desejo de rever e possuir essa lembrança.

Um Abraço,
Lumena

Jornalista Galvão disse...

Joelson! Meu pc continua quebrado, por isso demorei para vir aqui no teu blog! Seu texto doeu em mim... rsrs... Saudade é um negocinho complicado de se administrar... Mas como vc mesmo disse: nunca morre, apenas nos satisfazemos de vez em quando... E quando esse "de vez em quando" não chega??? Dói... Sim, dói demais...

NÃO PARE AQUI VÁ PARA OS TEXTOS MAIS ANTIGOS.