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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

ONDE MORA A FELICIDADE


A FELICIDADE – ao contrário da tristeza que se estabelece com a ausência – vem com o encontro, a chegada, o abraço. Mas, ela vem de onde? Ela não combina com as partidas, as despedidas. Alguém pode dizer: “Tem gente que fica feliz quando alguém vai embora”. Mas, aí não é partida. Partida só acontece quando a pessoa que vai, leva um pedacinho da pessoa que fica – pedaço que se chama saudade – e a pessoa que fica, fica com um pedaço da pessoa que vai; pedaço que se chama lembrança. Em todas as partidas estão presentes a lembrança e a saudade, que se traduzem na dor sentida por ambas as partes: quem vai e quem fica. Pedindo socorro ao nosso amigo Aurélio, ele diz que partir é isso mesmo, ou seja, “dividir em partes, separar”.


É assim...


Toda partida tem aquela sensação de que se arrancou um pedaço de nós. Por isso a FELICIDADE não pode estar nas partidas, pois, a FELICIDADE é festeira. E é por isso que a FELICIDADE não combina com os lenços, pois os lenços lembram partida, choro. FELICIDADE é coisa de vir e não de ir. “Quero a alegria de um barco voltando” (Dolores Duran).Ela não mora nos lenços... Nem naqueles bem coloridos. Pois os lenços – principalmente os brancos – evocam sempre o aceno para alguém que se vai, o choro, o desespero da despedida. Quem nunca viu, ao menos na televisão, a velha cena do navio se afastando do porto e dois lenços sendo balançados ao vento, um do navio e outro do cais, em sinal de adeus? E aquele lenço vai servir para enxugar as lágrimas de um coração partido. Por coisas assim, a FELICIDADE definitivamente não mora nos lenços, até porque, FELICIDADE é coisa de gente. É coisa de sorrir, não de chorar.
Mas, onde ela mora então?Se ela chega com o encontro, de onde ela vem?Porque se chega, isto quer dizer que ela não mora em nós, nos visita, vem de algum lugar. E se ela morasse conosco em definitivo eu nem sei o que seria. Alberto Caeiro nos diz:“Mas eu nem sempre quero ser feliz.É preciso ser de vez em quando infeliz.Para poder ser natural”.Pois é, acho que se ela morasse conosco, ficaríamos mal-acostumados. O normal, nós já nos habituamos com ele, que é ser feliz de vez em quando, de quando em vez. Se ficássemos em permanente estado de FELICIDADE, eu acho que sentiríamos um pouco de saudade da infelicidade, nossa outra visitante.

Isso porque não podemos conciliar as duas – FELICIDADE e INFELICIDADE -, elas não moram juntas nem que se queira. Sempre a mesma coisa: quando uma chega, a outra sai. Ou vai dormir? Dormir? Foi Gibran quem disse. Falando das duas: Alegria, que é outro nome da FELICIDADE, e Tristeza (que é outro nome da Infelicidade), ele escreveu: “... elas são inseparáveis. Elas vêm juntas, e quando uma está sozinha convosco na mesa, a outra está dormindo na vossa cama”. Não sei o que fizeram uma à outra, em que tempo se encontraram e brigaram. Só sei que as duas não ficam juntas. Até já me veio a suspeita que as duas na verdade, são uma só. Vêm com um disfarce de cada vez. É por esta causa que nunca se encontram. Será que achamos a chave?Bem, uma ou duas, a verdade é que temos um estado de cada vez. Voltemos ... Onde ela mora então? No espaço? Não acho provável, ela não vive sem algo para se manifestar. Não pode morar no nada. Ela só existe se, se expressar através de algo. Passa a ser FELICIDADE quando sentida ou vista através de um movimento. Ela precisa de quem cante, de quem dance, de quem sorria, de quem se mexa (ou de algo com que ela mexa). Moraria ela nas árvores, nas plantas, nos animais? Não, pois todos eles têm estados de alegria e estados de tristeza, mostrando que ela os visita também.
Onde moraria então? Se não está nos homens, nos animais, no espaço, resta-nos a alternativa de crer que a FELICIDADE é uma eterna peregrina, passa a vida de corpo em corpo, ser em ser, objeto em objeto.Sim, porque ela não está em canto nenhum. Sempre visitante, e visita até papeis. Ou você nunca viu de vez em quando dar um vento e levantar papéis novos nas mesas, ou aqueles velhos papéis no chão? E eles parecem ter vida e brincarem no ar? Não se engane, isso é arte da FELICIDADE. Brincando com o vento, ela combina com ele pra espalhar as coisas. Tem-se que notar também que nós vemos várias pessoas felizes, de diferentes maneiras, e ao mesmo tempo. Isto nos mostra que ela tem um estranho poder de se multiplicar. E um outro sinal do seu poder é que, ao que tudo indica, a FELICIDADE é onipresente, pois, ao mesmo tempo pode estar uma pessoa feliz no Brasil, e outra no Japão.


Bem, se é uma, duas, várias... Não sei. Só sei que ela existe ... E é tão boa...

Um comentário:

Leandro Kateivas disse...

Sei que você está recebendo muitos "elogios", mas aqui vai um verdadeiro: Sou leitor do seu blog, e concordo plenamente com as mensagens. Parabéns por mostrar ao público as palhaçadas do mundo gospel. Que Deus continue te iluminando. Também tenho um blog (umap-vca.blogspot.com) e saiba que tem lá um espaço aberto. Abraços

NÃO PARE AQUI VÁ PARA OS TEXTOS MAIS ANTIGOS.