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segunda-feira, 15 de junho de 2009

A ORIGEM DO BATISMO JOANINO.

De onde João Batista tirou o seu batismo; ele copiou de alguém? As opiniões para a origem do batismo joanino não são unânimes. Existem vários caminhos seguidos por especialistas em Novo Testamento na abordagem do assunto.
Alguns eruditos têm encontrado base para o batismo praticado por João Batista nos banhos cerimoniais dos habitantes de Qunran. [1] George Eldon Ladd escreve:

"Os eruditos estão em desacordo quanto à origem do batismo de João. Alguns (Robinson, Brown, Scobie) pensam que João adaptou as abluções dos membros da Comunidade de Qunran para o seu batismo de arrependimento. Scobie coloca bastante ênfase em uma passagem do Manual de Disciplina (I QS 2: 25 – 3:12), onde ele encontra indícios de uma ablução de iniciação (batismo)".[2]

E J. Jeremias reconhece que para os estudiosos “É de modo especial tentador pensar em influências essênias. Já a proximidade do local do batismo com referência a Qunran pode levar a hipóteses de relações entre o Batista e os essênios”.[3]

Mesmo diante de opiniões como estas, defendidas por estudiosos do mais alto gabarito, antes de concordar com as mesmas, um fato importante a se observar é que não há certeza se a comunidade de Qunran tinha tal banho ritual de iniciação.[4] Sendo assim, estes pontos de vista estão fundamentados sobre hipótese não provada.

É por isso que Werner George Kümmel observa:

"Totalmente impossível também uma suposição mais recente de que João Batista tenha estado em contato pessoal com o grupo de judeus separatistas, os quais nos são conhecidos de Qunrã, e de que tenha tomado as abluções rituais dessa seita. É impossível porque não se pode provar que tal grupo tenha praticado um único ato de ablução como rito de iniciação à sua seita".[5]

Além do que “o fato de o batismo de João ser administrado uma só vez e sua oferta ser muito liberal, elimina a possibilidade de deduzi-lo das lustrações continuamente repetidas do pessoal de Qunrã”.[6] A comunidade era sectária, sendo os seus banhos rituais repetitivos e restritos.


Outros estudiosos têm colocado a origem do batismo de João nos banhos batismais dos prosélitos praticados pelos judeus. O que acontecia é que quando um gentio abraçava o judaísmo como sua fé, deveria ser submetido a um banho ritual (batismo), à circuncisão e a oferecer sacrifícios,[7] isto como prova de sua conversão de fato. Porém, uma análise mais detalhada dos fatos mostra que, quem abraça tal hipótese tira rápido suas conclusões. Isto porque, até hoje, não se tem certeza se este batismo de prosélitos já existia nos tempos de João Batista. A primeira menção que se tem de tal prática encontra-se na Mishnah[8], cerca de 90 d.C.[9] E mesmo assim Patrick Fairbain escreve:

"Muitos eruditos investigadores de antiguidades bíblicas, incluindo Buxtorf, Lighfoot, Selden, Schottgen, Wall, etc., têm sido da opinião de que os judeus possuíam o hábito de admitir os prosélitos à fé judaica por meio de uma ordenança de batismo, acompanhada do rito da circuncisão. Entretanto, posteriores investigações esclarecedoras têm mostrado que esta opinião é insustentável... Não há qualquer evidência do batismo de prosélitos até o quarto século da era cristã" (Grifo meu).[10]

Isto mostra que a referência feita na Mishnah não é tão conclusiva, e que o que se tem na realidade é uma grande falta de evidências comprobatórias de tal rito nos primeiros anos do cristianismo. Por outro lado, os batismos joanino e cristão, são comprovados desde os primeiros dias do Novo Testamento. [11]

"Usava João vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro; a sua alimentação era gafanhotos e mel silvestre. Então saiam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda circunvizinhança do Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados" (Mt. 3: 4-6).

"Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" (At. 2: 38).

Portanto, a fonte destes batismos deve ser outra, até pelas próprias características do batismo de João. O rito administrado pelo Batista tinha características próprias.

Nos relatos da Escritura sobre o ensinamento do Batista não há nenhuma alusão a um tema de morte-ressurreição, nenhum motivo iniciatório, e nenhum traço da admissão de um convertido, no batismo prosélito, ao culto sacrificial de Israel. Antes, João enfatiza expectativas proféticas da purificação divina a ser consumada pela obra do Messias prometido, numa época de alta esperança escatológica. [12]

Pois bem, mesmo se fosse possível estabelecer uma relação histórica entre o batismo de prosélitos e o batismo de João, o que não é o caso, é notório que os significados de ambos são bastante diferentes. As purificações com água dos hebreus buscavam restaurar o homem dentro da comunidade judaica através da remoção da impureza cerimonial. [13] Já o batismo de João buscava colocar os homens em uma esfera completamente nova, era um batismo marcadamente escatológico, as palavras do Batista mostram isso.

"Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus... Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?" (Mt. 3: 2, 7, Grifos meus).


Jeremias observa sobre o caso.


"Em todo caso, seria bom, na questão da finalidade do batismo de João, ter como ponto de partida um outro lugar, ou seja, Mt. 3, 7 par. Lc. 3, 7, que entre linhas e inteiramente sem se refletir, nos dá uma informação sobre o batismo de João. Segundo ele, o Batista reunia, pelo batismo, os disponíveis à penitência para formar o povo escatológico de Deus, para preservá-los do Juízo final".[14]

Assim, entendendo a insustentabilidade das duas opiniões para a origem do batismo de João esposadas acima, existem outros autores que encontram o fundo histórico para este batismo joanino, e conseqüentemente, também para o batismo cristão, nos ritos de purificação prescritos na Lei dos judeus, e praticados por eles desde o período do Antigo Testamento.


O The Interpreter’s Dictionary of the Bible é enfático ao afirmar: “Os antecedentes do batismo cristão estão fundados dentro do judaísmo, e um cuidadoso estudo desta experiência judaica torna improvável e desnecessário alguma hipótese de derivação de cultos de mistérios”.[15]

Assim, é aceito como mais provável e natural entender o batismo joanino, o antecedente direto do batismo cristão, como provindo destas purificações judaicas, ele apenas estende seu significado. Ladd assegura:

"É possível que o fundo histórico explicativo da origem do batismo de João não seja nem o batismo praticado em Qunran, nem o de prosélitos, mas simplesmente as abluções cerimoniais previstas no Velho Testamento. Os sacerdotes eram obrigados a se lavarem em sua preparação para ministrarem no santuário, e do povo se exigia que participasse de certas abluções em várias ocasiões (Levítico 11 -15; Números 19). Muitas declarações proféticas, que eram bem conhecidas, exortavam a uma purificação com a água (Isaías 1: 16 e ss. Jeremias 4: 14), e outras antecipam uma purificação a ser feita por Deus nos últimos dias (Ezequiel 36:25; Zacarias 13: 1)".[16]


Jeremias parece concordar com Ladd ao declarar:


"Quando o Batista considerou como sua tarefa esta purificação do povo de Deus na hora escatológica, deve tê-lo determinado à profecia de Ezequiel, segundo a qual Deus no fim dos dias haveria de purificar o seu povo por meio dum banho lustral: “Pois hei de ir buscar-vos dentre os pagãos e reunir-vos de todas as terras e trazer de novo para vossa terra, e derramarei água pura sobre vós, para que fiqueis puros; eu vos purificarei de toda vossa impureza e de todos os vossos ídolos... E vós... devereis ser meu povo, e eu o vosso Deus. Eu redimirei a vós de todas as vossas impurezas” (36, 24s. 28s)".[17]


Realmente isto pode ser visto num fato importante notado por Charles Hodge, de que o batismo que João veio praticando, não foi uma novidade introduzida pelo mesmo e estranha ao povo da época.[18] Quando João aparece batizando no deserto (Jo. 3: 1-6), não parece haver surpresa nas pessoas que o ouviam, como se ele trouxesse uma nova prática.

"O que era novo, era a doutrina que pregava, não a cerimônia que praticava. Esta prática todos conheciam desde há muito tempo. Era algo que esperavam ver o Messias fazer, bem como todo profeta verdadeiro. Por isso, quando João lhes disse que ele não era o Cristo, nem Elias, nem o profeta, a pergunta imediata que lhes fizeram, foi: “Por que, pois, batizas?” (Jo 1: 19-25), dando a entender, claramente, duas coisas: a) Que os profetas tinham o costume de batizar, e b) Que esperavam que o Messias, quando viesse, faria o mesmo".[19]


Existem vários textos bíblicos que confirmam que os judeus realmente praticavam muitos ritos de purificação com água no seu cotidiano, [20] e que para estes ritos era usado o verbo grego βαπτίζω (baptízô). Isto pode ser comprovado pelo grego bíblico, tanto do Antigo Testamento como do novo Testamento.

a) O grego do Antigo Testamento (a Septuaginta).[21]

αύτή τή ό λογος συνετελέσθη έπί Ναβουχοδονοσορ, και άπό των άνθρώπων έξεδιώχθη καί χόρτον ώς βούς ήσθεεν, καί από τής δρόσου τού ούρανού το σώμα αύτού εβάφη, έως ού αί τρίχες αύτού ως λεόντων έμεγαλυνθησαν καί οί όνυχες αύτού ώς όρνέων (Dn. 4:33, destaque meu).

(Tradução) A sentença sobre Nabucodonosor cumpriu-se imediatamente. Ele foi expulso do meio dos homens e passou a comer capim como os bois. Seu corpo molhou-se com o orvalho do céu, até que os seus cabelos e pêlos cresceram como as penas da águia, e as suas unhas como as garras das aves ( NVI, grifo meu)

καί προσέεταξεν Ολοφερνης τοίς σωματοφύλαξιν μη διακωλύειν αύτην. καί παρέμεινεν έν τη παρεμβολή ήμέρας τρείς· καί έξεπορεύετο κατά νυκτα είς τήν φάραγγα βαιτυλουα κα έβαπτίζετο έν τή παρεμβολή έπί τής πηγής τού ύϋδατος· (Judite 12:7, destaque meu).[22]

(Tradução) E Holofernes prescreveu a seus soldados da guarda real que não a impedissem. Ela permaneceu três dias no acampamento. Dirigia-se à noite à encosta de Betúlia e banhava-se na fonte, junto ao acampamento (TEB, destaque meu).

Βαπτιζόμενος άπο νεκρού και παλιν απτόμνος αύτού, τί ωφελησεν έν τω λουτρω αύτού (Eclesiástico 34:30, destaque meu).[23]

(Tradução) Quem se purifica do contato com um morto e de novo o toca, de que lhe serviu ter tomado banho? (TEB, destaque meu).

b) O grego do Novo Testamento:
Οί γάρ Φαρισαίοι καί πάντες οί Ιουδαίοι έάν μη πυγμή νίψωνται τάς χείρας ούκ έσθίουσιν, κρατούντες τήν παράδοσιν τών πρεσβυτέρων, καί άπ’ άγοράς έάν μή βαπτίσωνται ούκ έσθίουσιν, καί άλλα πολλάέστινάπαρέλαβονκρατείν, βαπτισμούς ποτηρίων και ξεστών καί χαλκίων [καί κλινών] (Mc. 7:3-4, destaques meus).


(Tradução) Os fariseus e todos os judeus não comem sem lavar as mãos cerimonialmente, apegando-se, assim, à tradição dos líderes religiosos. Quando chegam da rua, não comem sem antes se lavarem. E observam muitas outras tradições, tais como o lavar de copos, jarros e vasilhas de metal (NVI).


ό δέ Φαρισαίος ίδών έθαύμασεν ότι ού πρώτον έβαπτσθη πρό τού άρίστου. (Lc. 11:38, grifo meu). 

(Tradução) mas o fariseu, notando que Jesus não se lavara cerimonialmente antes da refeição, ficou surpreso NVI, destaque meu.


E para este ponto, a carta aos Hebreus apresenta duas passagens esclarecedoras nesta argumentação. São elas:

βαπτισμών διδαχής έπιθέσεώς τε χειρών, άναστάσεώς τε νεκρών καί κρίματος αίωνίου. (Hb. 6:2, grifo meu).

(Tradução) da instrução a respeito de batismos, da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno (NVI, destaque meu).

Note-se aí o genitivo plural βαπτισμών (baptismôn). Uma vasta gama de autores esposa a opinião de que a possibilidade é que o uso do plural neste texto se refira às purificações cerimoniais do Antigo Testamento, [24] purificações estas que são claramente chamadas de βαπτισμοίς (baptismoís, nominativo plural) pelo autor de Hebreus mais adiante no seu texto:

μόνον έπί βρώμασιν καί πόμασιν καί διαφόροις βαπτισμοίς, δικαιώματα σαρκός μέχρι καιρού διορθώσεως έπικείμενα (Hb. 9:10, grifo meu)

(Tradução) Eram apenas prescrições que tratavam de comida e bebida e de várias cerimônias de purificação com água; essas ordenanças exteriores foram impostas até o tempo da nova ordem (NVI, destaque meu)

É patente, portanto, por todos os textos mostrados, que as cerimônias com água eram coisa corrente no judaísmo bíblico, e que estas mesmas cerimônias são chamadas de βαπτισμοίς (baptismoís) no idioma grego. Elas eram partes da vida religiosa da comunidade, não sendo uma novidade criada pelo Batista. João apenas lhes dá um novo significado, [25] mas sua prática está na linha das práticas antigas do seu povo. Portanto, é ali, nos batismos judaicos do Antigo Testamento que ele encontra a base para a sua cerimônia de purificação com água, o seu batismo.
__________________

NOTAS


[1] Qunran, “Localidade situada na costa norte-ocidental do mar Morto, ao sul de Jericó, onde, a partir de 1947, foram descobertos restos de um “mosteiro” pertencente a um grupo judaico ascético, identificado com os essênios”. Vademecum para o Estudo da Bíblia, p. 76.
[2] Teologia do Novo Testamento, p. 39. O citado trecho do Manual da Disciplina (ou Preceito da Comunidade) tem palavras como as seguintes: “O homem, ao recusar unir-se à [Aliança de] Deus para caminhar na obstinação de seu coração [não permanecerá na] Comunidade de Sua verdade, pois sua alma despreza o ensinamento sábio das leis justas... Não será considerado entre os perfeitos; não será purificado pela expiação, nem limpado pelas águas purificadoras, nem santificado pelos mares ou rios, nem lavado com nenhuma ablução. Sendo impuro, impuro permanecerá. Pois enquanto desprezar os preceitos de Deus, não receberá nenhum ensinamento na Comunidade do Conselho divino... E quando sua carne for aspergida com água purificadora e santificada pela água que limpa, tornar-se-á pura pela submissão humilde de sua alma a todos os preceitos de Deus” (Grifos meus). VERMES, G. Os Manuscritos do Mar Morto, p. 76. Observe-se a ligação clara da aspersão com a purificação cerimonial no texto. Sobre a hipótese de os essênios serem os habitantes de Qunran, veja: LOHSE, Edward. Contexto e Ambiente do Novo Testamento, pp. 100-101. GOPPELT, Leonhard. Teologia do Novo Testamento, pp. 68, 71, 74-76.
[3] Teologia do Novo Testamento, p. 73.
[4] LADD, George Eldon, p. 39. E se tinham veja que eles usam a aspersão como sinal de purificação no texto citado na nota 2.
[5] Síntese Teológica do Novo Testamento, p. 48. (Grifo meu).
[6] JEREMIAS, J. p. 73.
[7] LADD, George Eldon, p. 39. “No século II da era cristã, e provavelmente mais cedo, o rito abrangia três fases: instrução sobre a condição de Israel perseguido e os mandamentos da Lei, circuncisão para os homens, e o banho para todos”. KAVANAGH, Aidan. Batismo. Rito da Iniciação Cristã, p. 17.
[8] A Mishnah (ou Mixná) significa repetição, estudo, em hebraico. É a compilação sistemática da lei oral judaica, feita pelo rabi Yehuda há Nassi, em torno do fim do séc. II d.C., inicialmente em forma oral, depois por escrito. É dividido em 63 tratados, agrupados em seis ordens, que codificavam todas as normas relativas ao culto, aos relacionamentos sociais, ao direito civil e penal, ao matrimônio, à pureza e a impureza, etc. A partir do início do séc. III, a Mishnah tornou-se o principal instrumento usado no ensino; com suas interpretações deu origem ao Talmude. Vademecum para o Estudo da Bíblia, pp. 60-61. W. F. Flemington também observa que os “escritos judaicos, em sua forma atual, não são anteriores ao final do segundo séc. d.C.” The New Testament Doctrine of Baptism, p.4 (Tradução minha). D. A. Carson também observa que: “A Mishná foi compilada por volta do ano 200 d. C., e incorpora não poucas regulamentações modificadas pelos relativamente mais benévolos e sofisticados herdeiros dos fariseus”. O Comentário de João, p. 397.[9] KAVANAGH, Aidan. p. 17, nota 9. Sabendo-se que João além de batizar em Enon (Jo. 3:23), batizava também no Jordão (Mc. 1:5), Kümmel escreve sobre o fato: “Contra uma tal concepção (de que o batismo joanino deriva do batismo de prosélitos), argumenta-se que o rio Jordão, ritualmente considerado impuro, não se prestaria para a efetivação de uma tal prática ritual”. Síntese Teológica do Novo Testamento, p. 48 (Parênteses meus).
[10] Citado em WATSON, T. E. Bebês Devem ser Batizados? p. 14. Ver também para a dúvida se este batismo era praticado nos tempos de Jesus. SHNEIDER, Theodor (ed.). Manual de Dogmática, v. II, pp. 207-208. E LADD, George Eldon, p. 39.
[11] Vd. GOPPELT, Leonnard. p. 261.
[12] KAVANGH, Aidan, pp. 19-20. “Algumas vezes se diz que o batismo de João derivava do batismo dos prosélitos, mas é muito claro que não é assim. Qualquer relação histórica que possa existir entre ambos, é muito claro que o batismo de João estava cheio de novos e mais espirituais significados”. BERKHOF, L. Teologia Sistematica, p. 744 (Tradução minha).
[13] Para os judeus “A água purifica e vivifica. Não apenas a água bebida, mas também a ablução e banho têm importância elementar... Em Israel está em primeiro plano a idéia de purificação. Nisso se sobrepõe impureza física (enfermidade), moral (pecado) e cúltica (por meio do contato com os poderes misteriosos e assustadores da vida e da morte). O leproso Naamã se purifica pelo banho no Jordão (2Rs. 5: 14). Quem se tornou impuro culticamente, deve ser purificado ritualmente, antes de poder voltar à comunhão (Lv. 11-15; Nm. 19, 11-22). Também o agir de Deus que livra o ser humano da culpa é associado à figura da água: “Purifica-me do pecado (...), lava-me e ficarei mais branco do que a neve (Sl. 51, 9 (7))”. SHNEIDER, Theodor (ed.). Manual de Dogmática, v. II, p. 207.
[14] Teologia do Novo Testamento, p. 75. Ver também: LADD, George Eldon, p. 40; FLEMINGTON, W. F. p. 17.
[15] p. 348 (Tradução minha).[16] Teologia do Novo Testamento, p. 40.
[17] Teologia do Novo Testamento, p. 74 (Grifo dele). “Sob o ponto de vista histórico-religioso, o batismo de João provém das abluções religiosas do judaísmo pós-exílico. Mas, em sua intenção temática, parte da profecia veterotestamentária a respeito da purificação final através de aspersão de água e da ação do Espírito”. GOPPELT, Leonhard. p. 76 (Grifo dele).
[18] O Batismo Cristão. Imersão ou Aspersão? p. 13.
[19] Ibid.p. 23.
[20] Ibid, pp. 20-21. “Estes batismos faziam parte da atividade religiosa. O fariseu se batiza mais frequentemente que os demais, o essênio com maior freqüência que o fariseu. Todos esses batismos, porém, não careciam de um batizador! Pois todos eles se batizavam a si próprios”. RIENECKER, Fritz. Evangelho de Mateus, p. 57, nota z.
[21] A Septuaginta é a tradução grega do Antigo Testamento, executada por judeus de Alexandria, no Egito, a partir do séc. III a. C. Vd. Vademecun para o Estudo da Bíblia, p. 84.
[22] Uso aqui o livro apócrifo de Judite não como fonte doutrinária, mas como fonte literária para o uso da língua grega no período do Antigo Testamento. Citar um livro que não seja inspirado por Deus como fonte de pesquisa não é privilégio meu, o apóstolo Paulo fez uso de uma citação de Arato ou Cleanto em At. 17:28, conforme A Bíblia de Jerusalém (NT), 2083, nota f; e fez uma citação de Parmênides em Tt. 1:12, conforme KELLY, J. N. D. I e II Timóteo e Tito, p. 213; FEE, Gordon. 1 e 2 Timóteo e Tito, p. 192.
[23] Para esta citação do livro apócrifo do Eclesiástico vale o que foi dito na nota anterior.
[24]A palavra grega que se emprega não é baptisma (que é a palavra geral no N.T. que denota o batismo cristão), mas é baptismos, que denota ablução. Por isso é evidente que o autor se refere às abluções e aos lavamentos praticados na religião judaica (assim opinam Wordsworth, Farrar, Lunermann, Robertson, Moffatt, Dods, Wickham, Westcott, Moulton, Moll, Alford, Vincent) das quais o batismo cristão era um derivado”. GILLIS, Carrol Owens. Comentários sobre la Epístola a los Hebreus, p. 68 (Tradução e grifos meus). Ver também: NICCOL, W. Robertson (ed). The Expositor’s Greek Testament. v. IV, p. 295; BRUCE, F. F. The Epistle to the Hebrews, p. 115, nota 20.
[25] Ver GOPPELT, Leonhard, pp. 75-76. LADD, George Eldon. p. 40.

Um comentário:

Anônimo disse...

gostei muito do comentário. Bem elucidativo. obrigado.

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