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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

PORQUE OS LIVROS DOS MACABEUS NÃO PODEM TER SIDO INSPIRADOS POR DEUS (II)

2º MACABEUS Esta é uma obra paralela a 1º Macabeus, tendo a pretensão de contra a mesma história. Estudiosos dizem que foi escrita por volta de 106 a.C[1].

±     Em 2:1-5 podemos ler:

"Nos escritos encontra-se que o profeta Jeremias ordenou aos que partiam para a deportação que tomassem do fogo, como ficou indicado... Entre outros conselhos do mesmo gênero, exortou-os a não deixar que a Lei se afastasse de seu coração. Contava-se nesse escrito que o profeta, avisado por um oráculo, fez-se acompanhar pela tenda e a arca, foi à montanha que Moisés subira e de onde contemplara o legado de Deus e que, lá chegando, encontrou Jeremias uma habitação em forma de gruta, introduziu ali a tenda, a arca e o altar dos perfumes, feito o que lhe obstruiu a entrada" (2° Macabeus 2: 1-5).

            Esta passagem está repleta de erros, pois na época de Jeremias não mais havia a tenda do Tabernáculo, e a arca da Aliança.

            A Bíblia de Jerusalém, em uma nota diz sobre estes pormenores: “Eles não são conforme a história; a Tenda não mais existia desde a construção do Templo de Salomão, a Arca desapareceu após a reconstrução deste templo”.[2]

±     Em 9:2 aparece outro problema:

"Invadira, com efeito, a cidade de Persépolis, com a intenção de saquear o templo e oprimir a cidade... "( Macabeus 9:2).

            Segundo a Bíblia de Jerusalém, aí há um erro geográfico, pois o templo citado ficava em Elimaida e não em Persepólis.[3]

±     Em 10:37 mais problemas, é que Timóteo é degolado:

"Degolaram a Timóteo, que se escondera numa cisterna e com ele seu irmão Quéreas e Apolófanes" ( Macabeus 10:37).

 

            Mas “milagrosamente” após a degola Timóteo aparece de novo em 12:10, 24, 25, e lutando.

 

"Afastara-se de lá com seu exército nove estádios, durante uma marcha contra Timóteo, quando caíram sobre ele um contingente de árabes constituído por ao menos cinco mil homens a pé e quinhentos cavaleiros... Timóteo, caindo ele próprio nas mãos dos soldados... astuciosamente lhes pedia que o deixassem partir são e salvo... puseram-nos em liberdade para salvar os seus irmãos" (2° Macabeus 12: 10, 24-25).

            E no final, "degolado" e após a luta, não morre. Contradição maior impossível!

±     Em 12:44-45 aparece um ensino estranho as Escrituras:

"Se com efeito ele não esperasse que os soldados mortos em combate ressuscitariam, teria sido supérfluo rezar pelos mortos: persuadido que estava de que uma belíssima recompensa está reservada aos que adormecem piedosamente, santo foi e piedoso o seu pensamento; e foi essa razão porque mandou que se celebrasse pelos mortos um sacrifício, para que fossem absolvidos de seu pecado" (2° Macabeus 12: 44-45).

            Esta doutrina é contrária toda a Bíblia Sagrada, pois sacrifícios em favor dos mortos afronta a obra de Cristo, e abre outra porta para a salvação (Ver Jo 14:6; At 4: 11,12; 1Tm 2:5; Hb 9:11,12,27,28). As Escrituras não ensinam em nenhum lugar que se pode com sacrifícios humanos salvar quem já morreu. A sentença do Pai é lavrada nessa vida (Jo. 5:24; Ef.2: 1-10).

±     Em 15: 12-16, Jeremias aparece como intercessor como os santos dos Católicos Romanos:

"Eis o espetáculo que se lhe havia preparado: Onias, outrora sumo sacerdote, aquele homem de bem, de ar modesto e afabilíssimo caráter, nobre na sua linguagem e dedicado desde a infância à prática de todas as virtudes, erguia as mãos e orava por toda a comunidade dos judeus. Em seguida apareceu a Judas, da mesma forma, um homem de cabelos brancos e venerado aspecto, admirável na sua prestância e circundado de majestade. Tomando a palavra, disse Onias: “Este homem é o amigo de seus irmãos, que ora assiduamente pelo povo e por toda a cidade santa, Jeremias, o Profeta de Deus”. Estendendo a sua mão direita, apresentou então Jeremias a Judas uma espada de ouro e lhe entregou com estas palavras: “Toma esta espada santa, ela é um dom de Deus, e com ela esmagarás os inimigos” "(2° Macabeus 15: 12-16).

 

Isto não é uma prática cristã. As Escrituras dizem que quem intercede por nós é o Espírito Santo e Cristo (Rm 8:26); como Jesus e o Espírito Santo são o mesmo Deus, as Escrituras dizem que só temos um mediador (1Tm 2:5; Hb 7:25).

Você está surpreso com todos estes erros? Não deveria, pois o próprio escritor de 2º Macabeus sabia que poderia cometê-los, e pede desculpas por eles. Veja:

"Se está boa a composição e logrou feliz êxito, é o que eu desejava; se pouco valor tem e não excede a mediocridade, foi o que pude fazer". (2º Macabeus 15: 38)

            Isto mostra o caráter meramente humano do livro, que não tem pretensões de ser considerado como inspirado por Deus, nem o seu autor o considerava divino, ele sabia que era uma obra apenas sua, com todas as limitações humanas. Portanto 2° Macabeus não pode ser considerado inspirado por Deus.

 

NOTAS

[1] ROST, L.. Introdução aos Livros Apócrifos e Pseudepígrafos do Antigo Testamento e aos Manuscritos de Qunran( São Paulo: Paulinas, 1980), p. 78.

[2] A Bíblia de Jerusalém (São Paulo: Paulinas, 1985)p. 840 nota r.

[3] Ibid, p. 857 nota f.

Um comentário:

Júniør 777 disse...

O problema do argumento sobre II Macabeus é que diversos outros livros da bíblia, acho que a maioria, também não foram escritos com a intenção de serem considerados inspirados por Deus. Pensemos, por exemplo, nos livros de Crônicas, Reis, Rute, Ester, Cantares de Salomão, etc.
O fato do autor dizer que ele "procurou fazer o melhor que pôde" não retira necessariamente a possibilidade de um livro ser inspirado. Lucas, por exemplo, diz praticamente o mesmo no início de sua obra, ou seja, que procurou fazer uma investigação apurada dos fatos ocorridos que diziam respeito a Jesus de Nazaré. Não é muito diferente de dizer que estava "procurando fazer o melhor". Alguém poderia argumentar: "Afinal de contas, o Evangelho de Lucas é resultado de inspiração divina ou do esforço investigativo do autor?". Nesse sentido, creio que a ideia de inspiração divina das escrituras não tem a ver com algum tipo de psicografia ou possessão onde Deus escreve ou manipula alguém a escrever aquilo que Ele quer, mas com o fato de Deus, em sua infinita sabedoria e soberania, ter inspirado homens comuns no tempo e no espaço, com sua linguagem própria, carregada de seus preconceitos históricos, sociais e culturais, a comunicarem sua mensagem ao mundo. Logicamente não estou defendendo a canonicidade de Macabeus. Só estou comentando sobre o tipo de argumento que normalmente é usado para descartar a inspiração divina dos deuterocanônicos (ou apócrifos) baseando-se na ideia de que, se fosse realmente inspirado, não seria muito humano. Às vezes não conseguirmos ver a mão de Deus em coisas simples (ou nas "coisas que não são para confundir as que são") constitui-se em muito mais falta de fé do que ter que ver coisas extraordinárias para crer, por exemplo, na inspiração das Escrituras.

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