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sábado, 17 de janeiro de 2009

ORÍGEM E SIGNIFICADO DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ.


a)      A Origem da justificação- A justificação se origina diretamente em Deus, é só por sua graça que Ele propicia esta bênção ao ser humano perdido (Rm. 5:8, 18-19).Tudo acontece pela iniciativa divina. Em sua soberania Deus poderia deixar os pecadores mortos em seus pecados, mas pelo seu infinito amor resolveu justifica-los (Tt. 2: 11; 3:7). Nesta operação o pecador não entra com nada, o que conta é o amor e graça de Deus manifestado em Jesus Cristo (Jo. 1:17).

b)     O significado da justificação- A justificação não significa, como alguns podem pensar, o ato de fazer alguém justo. Mas sim, é o ato de declarar, considerar que o réu é inocente e justo, sem defeito ou mácula. Tudo isto sem a presença de méritos ou favor por parte do réu. O Dr. William Barclay nos diz que todos os verbos terminados em no idioma grego, não são verbos que fazem algo a alguém, mas que consideram, tratam, alguém como algo.[1] E a palavra grega para justificar é dikaioô.

Olhando Rm 8: 33-34, fica mais fácil para entender. Observe os meus destaques:

Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está a direita de Deus, e também intercede por nós.

Veja as palavras justificar e condenar contrastadas neste versículo. Assim,

1.      Quem condena não torna ninguém condenado, apenas declara que a pessoa está condenada.

2.      Quem justifica não torna ninguém justo, mas declara aquela pessoa justa.

Isto porque a palavra justificar na Bíblia tem um sentido judicial. Sempre diz respeito as relações do ser humano com as sagradas leis do código divino, perante as quais são declarados justos ou culpados. Assim, o justificado não se transforma num justo, ele é declarado justo, pela justiça de Cristo que é imputada (atribuída, aplicada) a ele.

Na época da Reforma Protestante a Igreja Romana convocou um concilio para a cidade de Trento, começando em 1545. Neste concilio, entre outras declarações, foi aprovado que não era somente pela atribuição ou crédito da justiça de Cristo em favor do pecador, que ele poderia ser justificado. Observe algumas decisões deste concílio obre o assunto:

Cânon 9- Se alguém disser que o pecador é justificado somente pela fé, querendo dizer que nada coopera com a fé para a obtenção da graça da justificação; e se alguém disser que as pessoas não são preparadas e predispostas pela ação de sua própria vontade- que seja maldito.

Cânon 11- Se alguém disser que os homens são justificados unicamente pela imputação da justiça de Cristo ou unicamente pela remissão dos seus pecados, excluindo a graça e amor que são derramados em seus corações pelo Espírito Santo, e que permanece neles; ou se alguém disser que a graça pela qual somos justificados reflete a vontade de Deus- que seja maldito.[2]

 Para a Igreja Romana, a justiça de Cristo tinha que ser, de alguma forma, infundida para dentro do cristão, de forma que o pecador se transformaria num justo. A conseqüência disso é que as pessoas passaram a buscar se justificar com seus próprios méritos, suas obras, pela melhoria de caráter; e a entender que são justificadas pela sua própria vontade.  E este ainda é o ensino da Igreja romana hoje, pois as decisões do Concílio de Trento não foram revogadas.

            Isto biblicamente é um erro, pois a justificação é um ato da livre graça de Deus, sem está atrelada a nenhuma obra nossa, mas unicamente pela obra de Cristo na cruz a nós atribuída, creditada. Escreve C. H. Mackintosh:

Nós estávamos sob a maldição, por que não tínhamos guardado a Lei; porém Cristo, o homem perfeito engrandecendo a Lei e tornando-a honrosa, devido ao fato de a haver cumprido perfeitamente, foi feito maldição por nós sendo pendurado no madeiro. Assim, na sua vida ele engrandeceu a Lei de Deus; e na sua morte levou a nossa maldição. Portanto, agora não há para o crente maldição, nem ira, nem condenação: embora tenha de comparecer no Tribunal de Cristo, este tribunal ser-lhe-á tão favorável então como agora o é o trono da graça. O tribunal manifestará a sua verdadeira condição, isto é, que nada existe contra ele: o que ele é, foi Deus quem realizou. Ele é obra de Deus. Deus tomou-o no estado de morte e condenação e fê-lo exatamente como queria ele fosse. O próprio juiz apaga os seus pecados e é a sua justiça de forma que o tribunal não deixará de lhe ser favorável; mais ainda, será a declaração pública, autorizada e plena, feita ao céu, à terra e ao inferno, de que aquele que é lavado de seus pecados no sangue do Cordeiro é tão limpo quanto Deus pode torna-lo (1 Jo. 5:24; Rm. 8:1; 2Co. 5:5, 10-11; Ef. 2:1-0). Tudo que era preciso fazer, o Próprio Deus fê-lo, e certamente ele não condenará a sua própria obra. A justiça que era perdida, Deus a proveu; e, portanto, não achará nenhum defeito nesse suprimento.[3]

Isto é a justificação pela fé, a declaração de que as exigências da Lei divina foram cumpridas e satisfeitas, tudo isso em Cristo.

NOTAS

[1] BARCLAY, William. Romanos (Barcelona: CLIE, 1995), pp. 77-78.

[2] Citados em DE WITT, John Richard, etc. e tal O Que é a Fé Reformada? (Recife: Os Puritanos, 2001), p. 62.

[3] Estudos Sobre o Livro do Êxodo, 2ª ed.(Lisboa: Depósito de Literatura Cristã, 1978), pp. 87-88.

2 comentários:

maviael cardoso disse...

Obrigado por esse estudo,muito bom sua explicação sobre a justificação.

Luiz Karlos disse...

Muito esclarecedor e proveitoso muito bom e agradável...

NÃO PARE AQUI VÁ PARA OS TEXTOS MAIS ANTIGOS.