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sexta-feira, 23 de maio de 2014

EVANGELIZAÇÃO E SOBERANIA DE DEUS



Por Joelson Gomes


As Escrituras consideram Deus soberano em tudo. O ser humano está nas mãos dEle seja de que classe for e para o que for (Pv 21.1; Jr 10.23). Quando o assunto é a obra missio­nária a Bíblia também é categórica em afirmar que esta obra começa e termina em Deus (2Co 5.18-21). Ora, encontramos hoje pessoas confiando mais em técnicas do que na Soberania divina, e muitos programas são feitos para impulsionar missões na igreja, as vezes sem levar em conta o que está registrado nas Escrituras sobre o assunto, como Deus trabalha missões em Sua Palavra e como Ele nos ensina a fazer. Muitos confiam na força do braço e invariavel­mente os resultados são pífios, longe do que seria se tudo fosse feito levando em conta o con­trole do Eterno.
Esta falta de entendimento da autoridade de Deus em missões é vista também nas téc­nicas arranjadas para as programações evangelísticas com o intuito de converter pecadores, esquecendo-se quem sabe que este poder não está no humano, mas no Divino. O pregador, o missionário é apenas um instrumento nesse processo, mas nem é o começo, nem é o final, é uma peça na engrenagem divina, privilegiado por cooperar com o plano do Criador. Nesse capítulo pretendemos mostrar em detalhes como Deus é o controlador de todo processo da obra de missões para que você confie mais nEle, quem sabe você vai ser surpreendido.

I-                   Deus chama e envia os missionários.

Quando olhamos a Bíblia a procura de como Deus trata missões no seu plano de re­denção, uma característica salta aos olhos: a missão está diretamente ligada a soberania de dEle. Observe:
a)      Deus chama os missionários. Tanto no AT como no NT este fato pode ser observado. 

      1-      No AT Isaias quando foi comissionado para o ministério de pregação ouviu clara­mente a voz de Deus que o chamava (Is 6. 8-10). O profeta Jeremias passa por experiência semelhante (Jr 1. 4-10), a sua missão já havia sido delineada por Deus antes de ele nascer. Com Ezequiel o chamado se dá por iniciativa divina (Ez 2.1-7), como também com Amós (Am 7. 14-15), Jonas (Jn 1.1-12). Isso mostra que a vocação do profeta é algo que depende unicamente de Deus. 

    2-      No NT encontramos Deus operando de igual maneira. É Cristo quem chama os apóstolos e discípulos para missões (Mt 10. 1-5; Mc 1.14-20; Jo 15. 16). Quando a Igreja é formada vemos que a primeira igreja local a fazer missões, a de Antioquia, também ouviu o chamado de Deus para os missionários (At 13.1-5). Deus era quem controlava as pregações e por elas chamava os eleitos (At 2. 46-47). Paulo, não tinha dúvidas de que só era missionário porque Deus o havia chamado soberanamente (Gl 1.11-17).

b)   Deus envia os missionários. Nos textos citados no tópico acima fica implícito e muitas vezes explicito que o mesmo Deus que chama para missões, é o Deus que envia (Jo 20.21). A tarefa do missionário não deve ser desempenhada de qualquer maneira porque ela é uma ordem de Deus, e não um capricho humano. “Aqueles que são discípulos de Jesus hoje devem ser como os discípulos de Jesus nos evangelhos: chamados para estar com ele e para ir em seu nome; para fazer a obra dele, até os confins da terra e até o fim do mundo” (Chistopher J. H. Wrigth. A Missão do Povo de Deus, p. 264). Tanto na Bíblia quanto na História o ato de escolher e enviar os missionários é sempre de Deus:

Ninguém irá negar que Deus convocou Lutero, ou Calvino, ou John Knox, ou John Wesley, ou George Whitefield, ou Jonathan Edwards, ou William Carey, ou Rowland Bingham, e assim por diante. A soberania de Deus não é frustrada pela falta de ação em conjunto, nem necessariamente retardada por instituições aprovadas mas estagnadas. O princípio de designação seletiva está bem fundamentado, tanto bíblica quanto historicamente (George W. Peters. Teologia Bíblica de Missões, p. 277).


II-                Deus concede a mensagem

            É claro que a soberania de Deus não se limita apenas ao chamado e envio dos missionários. Temos como princípio bem assentado nas Escrituras que a mensagem a ser pregada pelos enviados também está debaixo da autoridade de Deus. O missionário, portanto, não pode pregar o que bem entender, mas apenas o que lhe for ordenado nas Escrituras. A mensagem do missionário não é dele, não é a que ele acha que vai fazer sucesso, ele apenas é um retransmissor, não o originador da mesma. Só o Evangelho conforme a Bíblia e não conforme a moda deve ser esta mensagem.
a)   A fonte da mensagem. O Pacto feito no Congresso de Lausanne, Suíça (1974) definiu a ação de evangelizar nos seguintes termos:


Evangelizar é divulgar as boas novas de que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou dentre os mortos segundo as Escrituras, e que como Senhor e Rei, Ele oferece perdão dos pecados e o dom libertador do Espirito a todos os que se arrependem e creem (John Stott, A Bíblia na Evangelização do Mundo, em Ralph D. Winter, Missões Transculturais, p. 3).


            Assim, a fonte da mensagem é a Bíblia, a Palavra do Verbo Encarnado. No mandato missionário de Jesus Ele disse que o modo de executar sua missão era ensinando tudo o que Ele ordenou (Mt 28. 18-20), e só se encontra estas ordenanças de Cristo nas Escrituras. Só as Escrituras ensinadas e compreendidas podem regenerar e produzir fé (Mt 13. 23; Rm 10. 17; 1Co 4.15; Tg 1.18;1Pe 1.23).

b)   Usando a fonte. Quando atentamos para os primeiros missionários do NT notamos que a evangelização dos mesmos era totalmente baseada nas Escrituras. Eles tiravam seu anuncio da história narrada no AT e sabiam muito bem fazer a correlação com o acontecimento da vida e morte de Jesus. Observe o que Pedro (At 2. 14-36; 3. 12-26; 4. 8-12); Estevão (At 7. 1-53); Filipe (At 8. 30-35); Paulo (At 13. 16-47, este costumava ir as Sinagogas ensinar as Escrituras: At 17.2; 18.4; 19.8); Apolo (At 18. 24, 28). Todos estes, como modelos da pregação evangelística na Igreja Primitiva, usam primariamente as Escrituras para proclamar o Evangelho. Isso sinaliza para nós que missão se faz primeiramente com conhecimento bíblico-teológico. Para pregar o Evangelho de forma apropriada é preciso que você conheça muito bem sua Bíblia.


III-             Deus converte os pecadores.

            A obra de missões começa em Deus e termina nEle, Ele chama os missionários, Ele envia os missionários e lhe dá a mensagem, Ele convence o pecador de seus erros. Chama os pregadores, e convence os receptores. Em todo processo Deus está envolvido diretamente e é o condutor. Veja isso com atenção:

a)   Deus elege. No processo da salvação creem aqueles a quem Deus escolheu, predestinando antes da fundação do mundo (At 2. 47; 13. 48; 16. 14; Rm 8. 28-30; Ef 1. 1-5, 11). E não é uma contradição Deus predestinar e mandar pregar o Evangelho? Não. O mesmo Deus que escolhe a pessoa para salvar, escolhe também o meio, o jeito de essa pessoa ser salva. E o Evangelho é o meio de Deus para a salvação (Rm 10. 17). Em Atos 18. 1-11 tem um episódio esclarecedor sobre este assunto. Paulo está atribulado quanto a sua pregação na cidade de Corinto, ele não sabe se continua ali, ele está temeroso por causa das pessoas que se opunham ao Evangelho. Nesta situação Deus o consola e diz que ele não tenha medo e continue pregando, pois ainda existiam muitos eleitos dEle naquela cidade. Ora, se eram eleitos porque Deus não salvou logo todos? Não foi assim porque O mesmo Deus que elegeu aquelas pessoas, elegeu também o caminho para a salvação delas, e esse caminho é a pregação do Evangelho (2Ts 2.14), o Evangelho é meio, o instrumento de Deus. Deus diz que era pela pregação de Paulo que Ele iria chamar os seus predestinados ali em Corinto. Num tempo em que alguns questionam como acreditar na predestinação e fazer evangelização este texto nos responde esta questão. A doutrina da eleição não é antagônica com a obra de missões, ao contrário, ela está intimamente ligada a evangelização, ela garante os resultados da pregação.

b)   Deus chama pela Palavra. Como foi dito acima, o Evangelho é o meio usado por Deus para chamar os seus escolhidos (1Co 1.26-28; 2Ts 2. 13-14; 2Tm 1.8-9). É Deus quem inclina o ser humano para Si, e assim ele acredita na mensagem (Jo 1.11-13; 6. 37,44).

c)    Deus regenera. A regeneração é algo que é essencial para o ser humano morto nos pecados creia no Evangelho (Ef 2.1-7) é algo totalmente divino (Jo. 3. 1-6). Quem abre os olhos do pecador morto é Deus (1Co 2.14), caso contrário ele nunca atenderia ao chamado do Evangelho. Só Deus trabalha nesse processo de recriação, e é o Evangelho (a Palavra) pregado que é usado como meio para que isso aconteça (Jo 6.63; 1Co 4.15; Tg 1.18; Tt 3. 5-6; 1Pe 1.23).

d)   Deus dá a fé. A fé que o pecador exerce em Cristo ao enxergar o Evangelho não vem de si, mas é uma dádiva de Deus (Ef 2.8-10), o ser humano recebe de cima a graça de crer (Fp 1.29).

e)    Deus dá o arrependimento. O arrependimento também é obra de Deus. O Pecador não se arrepende com suas próprias forças, ele está morto, mas é levado a isso por ação divina: a regeneração (At 5.31; 11.18; Rm 2.4-6; 2Tm 2. 24-26).
     Ficou surpreso? Pois é. Na salvação quem faz tudo é Deus, ao ser humano cabe só estender as mãos e receber este dom. Cada missionário deve pregar com a convicção de que não é a sua pregação, tom de voz, técnica de apelo, música suave, ou outra coisa que faça que vá ajudar na salvação das pessoas. Tudo está na dependência de se Deus quer salvar. Ao pregador cabe apenas obedecer a Deus e pregar, se Deus disse que a Igreja foi chamada para evangelizar, é isso que a Igreja deve fazer sem perguntar por que, o resto é com Ele. A missão da Igreja acontece totalmente debaixo da soberania de Deus. A ordem e os resultados são prerrogativas dEle, ao servo resta somente aceitar Seus termos em obediência.
            Se o chamado é de Deus não podemos desobedecer, mas acreditar que o Deus soberano que chamou se responsabilizará pelo resultado e por nosso trabalho. Se a mensagem tem sua fonte nas Escrituras, devemos conhecê-las profundamente para sermos proclamadores do evangelho. Se Deus é quem converte o pecador, não podemos confiar em técnicas humanas, ou em ambientes propícios para tal, quando é Deus de quem todas estas condições independem. J. I. Packer disse certa vez:

Se considerarmos a nossa função como sendo não a de simplesmente apresentar a Cristo, mas de efetivamente produzir convertidos em série- evangelizar não apenas fielmente, mas também ser bem sucedido- estaríamos revelando uma abordagem meramente pragmática e calculista da evangelização (Evangelização e Soberania de Deus, p. 24).

            Sim, você que evangeliza deve saber que também no quesito evangelização devemos estar preparados para dizer que “dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glórias, pois a Ele para sempre” (Rm 11.36).

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